Prêmios da temporada 2018/19 da NBA

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Tirando as teias de aranha daqui por um único e simples motivo: eu adoro demais os prêmios de fim de ano da NBA. Eu adoro debater e pensar sobre, gasto todo ano uma quantidade enorme de tempo estudando a respeito e refinando meus “votos” até chegar na resposta que me parece a melhor possível.

Esse ano não foi exceção, e em meio a algumas das mais difíceis e apertadas disputas por prêmios dos últimos tempos foi um ano ainda mais estimulante para revirar cada informação a minha disposição para garantir que chegaria na melhor resposta que eu pudesse.

A princípio, a ideia era só realmente jogar minhas respostas no Twitter. Mas eu sabia que iria querer explicar e justificar algumas decisões, e que o Twitter não é o melhor lugar pra isso com seu limite de caracteres. Além disso, um número alto de pessoa me pediram pra trazer de volta essa coluna. Então aqui estamos, ressuscitando os mortos temporariamente para expandir um pouco mais esse mergulho nos prêmios da temporada – embora, dessa vez, de forma mais direta e menos detalhado do que em outros anos, por motivos de: sem tempo, irmão.

Então vamos a isto.

Coach of the Year: Doc Rivers, Los Angeles Clippers

Esse foi um ano excepcional para a disputa do técnico do ano. Em um prêmio onde o que conta mais é a narrativa, temos candidatos para todos os gostos: técnicos levando inesperadamente seus times a novos patamares e aos topos das suas conferências como os dois Mikes, Mike Budenholzer em Milwaukee e Mike Malone em Denver; técnicos que tiraram o Máximo de elencos limitados mas arrumadinhos em Doc Rivers do Clippers e Nate McMillan do Pacers; técnicos que misturaram inovações e continuidade pra manter uma franquia em transição ainda em alto nível, como Popovich e Nick Nurse, do Raptors; e até técnicos que encabeçaram divertidissimas e surpreendentes zebras como Kenny Atkinson no Nets e Dave Joeger no Kings. Tudo depende do seu ponto de vista do que conta mais pra definir o técnico “do ano”.

Esse foi um dos prêmios mais difíceis de decidir do ano porque cada candidatura envolvia aspectos diferentes, mas eu acabei ficando com Doc Rivers por dois motivos.

O primeiro é o nível de dificuldade. O Clippers tem (finalmente) uma direção que parece muito competente, seguindo com maestria um plano claro, mas a timeline do Clippers aponta para o futuro. O presente do time é uma combinação maluca, um catado de jogadores adquiridos das mais diversas formas: peças soltas da troca do Chris Paul, alguns veteranos contratados na free agency, algumas peças que vieram depois por trocas… fazer esse time tão heterogêneo e montado sem uma preocupação direta em montar um time no curto prazo. A vasta maioria das movimentações da franquia foi pensando no médio e longo prazo, e coube a Doc Rivers encaixar essas peças da melhor forma possível no presente. O nível de dificuldade foi astronômico: além de enormes mudanças de um ano para outro, o Clippers passou por drásticas mudanças mesmo durante a temporada, trocando seu melhor jogador (Tobias Harris) no meio da temporada e adquirindo um monte de peças novas em cima da hora.

De alguma forma, Rivers conseguiu fazer tudo isso funcionar. Aos poucos, fazendo seus experimentos, foi encontrando a melhor forma de usar cada jogador e cada formação. Lou Williams e Montrez Harrell viraram uma combinação mortal vinda do banco. O time titular passou a gravitar ao redor de um ala pontuador (Harris ou Gallinari) e decisões rápidas. Dois calouros (Shai-Gilgeous Alexander, depois Landry Shamet) jogaram minutos importantes. E, aos poucos, tudo começou a funcionar melhor do que o esperado: uma vaga nos competitivos playoffs do Oeste, e uma incrível campanha de 15-7 após o All-Star Game mesmo perdendo seu melhor jogador em Tobias Harris. O simples nível de dificuldade de agregar de forma constritiva tantos jogadores diferentes e características opostas, lidando continuamente com mudanças e trocas de elenco, e ainda tirar disso um time de playoffs no Oeste é incrível. Todos os méritos do mundo pra Doc.

O segundo motivo é mais intangível, mas não menos importante: quando eu olho para o sucesso do Clippers, eu vejo mais a mão de Doc Rivers nesse resultado do que em qualquer outro time/técnico da NBA. O Bucks seria tão bom (especialmente no ataque) sem o sistema de Mike Budenholzer (meu #2 na briga)? Não… mas o esquema também não funcionaria tão bem sem um elenco muito bem montado para que esse esquema pudesse funcionar, ou sem uma estrela transcendental em Giannis. Mike Malone (meu #3) merece créditos pela forma como construiu um ataque e remontou a defesa do Denver rumo ao #2 do Oeste? Sem dúvida… mas ele tinha uma superestrela indicando um norte claro na direção de construir esse time, que a diretoria vinha seguindo há alguns anos. No caso de Doc, não tinha esquema ou base: ele teve que começar do zero, fazer os ajustes diariamente, e encaixar peças que foram adquiridas com 2020 e não 2019 em mente. O nível de dificuldade era o maior, e ele conseguiu tirar o máximo com ajustes dia-a-dia e inovações constantes. Para mim, o melhor trabalho de um técnico em 2019.

Ballot: 1. Doc Rivers; 2. Mike Budenholzer; 3. Mike Malone.

6th Man of the Year: Montrezl Harrell, Los Angeles Clippers

Lou Williams provavelmente vai ganhar de novo esse prêmio, e tudo bem: votantes costumam procurar para o prêmio de sexto homem grandes pontuadores que vem do banco, e Lou Williams – que lidera o Clippers em pontos (com 20 por jogo) E assistências (5.4) – certamente se enquadra nessa categoria, um pontuador e playmaker elétrico que muda o jogo quando sai do banco e muitas vezes é quem carrega o time nos jogos apertados. Lou Will merece muita consideração para o prêmio – tanto que ele é meu #2 – e merece o prêmio que provavelmente vencerá.

Mas, estudando e na hora de decidir por um voto, eu não consigo ignorar o impacto de Harrell dos dois lados da quadra. Harrell também é um dos principais pontuadores do time, com 17 pontos para se somar a 6.5 rebotes e 2 assistências por jogo (em 26 minutos de quadra), mas Harrell também teve uma monstruosa evolução do lado defensivo, com 0.9 roubos e 1.3 tocos nesses minutos limitados dando uma mostra do seu nível de atividade na defesa. Ele simplesmente é uma força que impacta o jogo de mais formas que Lou, e suas estatísticas avançadas são de outro mundo.

Lou e Harrell também merecem créditos por serem a força motriz de um Clippers que lidou com tantas mudanças ao longo do ano. O primo pobre de Los Angeles tem MOÍDO seus adversários quando Lou e Harrell jogam juntos – quando os dois estão em quadra ao mesmo tempo, o saldo do Clippers é de +152, sendo que com qualquer outra formação está com (somados) -88. O seu banco de reservas tem sido o grande segredo do Clippers nessa temporada, e a dupla Williams/Harrell  o principal motivo disso. Entre os dois, fico com o jogo mais completo e impacto dos dois lados da quadra de Harrell.

Pro terceiro lugar do meu ballot fiquei com Sabonis, talvez o melhor jogador do Pacers com Oladipo machucado e outro pilar de um time arrumadinho que superou expectativas graças em parte a seu banco, e evoluiu ainda mais seu jogo de forma que agora pode jogar (ainda que em minutos limitados) junto a Myles Turner.

Ballot: 1. Montrezl Harrell; 2. Lou Williams; 3. Domatas Sabonis.

Most Improved Player: Pascal Siakam, Toronto Raptors

Esse prêmio é sempre polêmico. Em geral (como mostra um estudo recente do ótimo Nylon Calculus) ele vai não para jogadores que melhoraram em estatísticas relativas, mas sim que aumentaram suas estatísticas totais em função de mais minutos ou um papel maior no seu time. Mas, na forma como eu vejo, esse prêmio deveria ir para um jogador que realmente se tornou melhor do que era no passado, que evoluiu em áreas que elevaram seu jogo e impactaram seu time de acordo.

No final, essa se tornou uma disputa entre dois candidatos: Pascal Siakam, que passou de reserva útil e descontrolado a um dos jogadores mais completos e eficientes da NBA; e D’Angelo Russell, o polarizador armador do Nets que enfim realizou seu talento e se tornou uma legítima estrela, conduzindo um divertido time do Brooklyn aos playoffs.

E a verdade é que ambos os jogadores possuem um argumento pelo prêmio. A ascenção de Russell – que teve média de 25 pontos e 8 assistências por jogo comandando o ataque do Nets na segunda metade da temporada – em uma legítima estrela e All-Star foi um dos principais impulsos por trás da surpreendente campanha de um time do Nets que era dado como morto dois anos atrás sem suas escolhas de Draft. Siakam, por outro lado, foi um monstro para o segundo melhor time do Leste, expandindo todas as áreas do seu jogo, adicionando um bom chute de três, defendendo cinco posições e mesmo assumindo o protagonismo do time em momentos – em uma temporada que viu Kawhi e Kyle Lowry perderem vários jogos lesionados ou poupados, Siakam foi parte grande do que manteve o Raptors funcionando em alto nível mesmo na ausência dos nomes mais conhecidos. Tanto Siakam como Russell fizeram o salto para o nível de estrela ou quase, e ambos transformaram isso em resultado dentro de quadra para suas equipes. Os dois qualificam para o que eu procuro nesse prêmio.

Entre os dois, acabei optando por Siakam por dois motivos: primeiro, porque sua evolução foi muito mais inesperada, uma vez que Russell era uma ex-escolha #2 talentosa que “só” realizou seu talento, enquanto Siakam teve que tirar essa evolução de uma base muito mais baixa. E segundo porque parte da evolução de Russell foi simplesmente ficar melhor nas mesmas coisas que ele já fazia – acertar mais floaters, melhorar seu aproveitamento nas bolas de três, etc. E isso, claro, não é uma crítica: é crucial que Russell melhore essas coisas, e ela veio acompanhada de pequenas melhoras em outras áreas do seu jogo, notavelmente defesa e tomada de decisões. Mas a melhora de Siakam veio de uma expansão ENORME do seu jogo em todas as áreas imagináveis. Siakam pegou o que fazia dele um jogador sólido – sua capacidade atlética e energia – e adicionou sobre isso uma camada impressionante de habilidades novas: como passador, como driblador, finalizador, defensor, arremessador… de certa forma, o que eu vejo é que se Russell e Siakam evoluíram de forma parecida, Siakam evoluiu de mais maneiras diferentes, e isso pra mim é suficiente para o jogador de Toronto levar o troféu.

Ballot: 1. Pascal Siakam; 2. D’Angelo Russell; 3. Buddy Hield.

Rookie of the Year: Luka Doncic, Dallas Mavericks

Parte da imprensa americana, na reta final da temporada, tentou vender a ideia de que Trae Young – tendo uma verdadeiramente espetacular sequência pós-All Star Game – teria passado Luka Doncic na briga pelo prêmio de calouro do ano, ou pelo menos chegado perto o suficiente para que a disputa fosse 50-50. Essa narrativa pode ser originária de um sentimento relativo à nacionalidade dos envolvidos, de uma necessidade de gerar conteúdo nos momentos mais “mortos” da temporada, de amnésia coletiva, ou mesmo um pouco dos três – mas para mim ela passa longe de ser verdadeira.

E isso não é para desmerecer Young e tudo de incrível que o armador tem feito. Seus 25 pontos, 9 assistências por jogo desde o ASG são extremamente impressionantes, e sua maestria nos passes e no comando do pick and roll são muito avançadas, ainda mais dada sua pouca idade. Apesar das comparações mais frequentes de Young durante o processo do draft fossem com Steph Curry, pra mim Young tem muito mais de Steve Nash, um mestre manipulador com um arremesso mortal.

Mas o prêmio é Calouro do Ano, não Calouro-de-Depois-do-All-Star-Game, e enquanto Young teve um começo bem lento e demorou para engrenar, Doncic foi uma estrela desde o primeiro minuto que pisou em uma quadra de NBA. O esloveno já é MUITO acima da média como pontuador e reboteiro, é capaz de passes que da pra contar nos dedos quem no mundo consegue executar, e mostrou flashes promissores do lado defensivo com sua inteligência e tamanho. Doncic também foi um dos melhores pontuadores da NBA em finais de jogos, com um monte de arremessos decisivos no seu resumo da temporada, e mostrou que pode jogar tanto com a bola nas mãos como junto de outro playmaker. Basicamente, Doncic mostrou o pacote completo de tudo que você quer em uma grande estrela na NBA moderna, e mesmo quando Luka desacelerou na reta final da temporada – parte talvez pelo cansaço, parte pelos esforços do Mavs em tankar após trocar todo o time titular além de Luka na data limite de trocas – o esloveno ainda teve médias de 23-9-7 após o All-Star Game.

Isso não quer dizer, claro, que Luka vai necessariamente ter uma carreira melhor que Young, ou que o Hawks cometeu um erro ao trocar a escolha #3 com Dallas. Mas, pegando a temporada 2019 que é o que o prêmio visa avaliar, não resta dúvidas na minha cabeça que Luka Doncic foi, com folga, o melhor calouro do ano.

O terceiro lugar no meu ballot ficaria com Jaren Jackson Jr, que a meu ver foi o terceiro melhor calouro da classe quando esteve em quadra, mas devido aos jogos perdidos por JJJ optei por manter DeAndre Ayton como #3. Apesar dos problemas defensivos e do holofote gigante sobre sua cabeça por ter sido pego antes de Doncic, Ayton teve uma temporada de calouro sólida e subestimada. Muito eficiente no garrafão, Ayton também mostrou evolução do lado defensivo ao longo do ano (embora continue bastante fraco desse lado) e uma visão de passe surpreendente para um pivô calouros. Ainda que tenha algo de “estatísticas vazias” nos seus números, resultado de jogar com liberdade em um time bagunçado que logo se viu no fundo da tabela, Phoenix foi consistentemente melhor com Ayton em quadra ao longo do ano. O pivô do Suns é um bom jogador, e teve um bom ano dentro das limitações da bagunça que foi Phoenix – não é culpa dele ter sido pego antes de Luka e Trae Young.

Ballot: 1. Luka Doncic; 2. Trae Young; 3. DeAndre Ayton.

Defensive Player of the Year: Giannis Antetokounmpo, Milwaukee Bucks.

Essa decisão foi bastante complicada. Durante boa parte do ano, eu tive Paul George como meu defensor do ano: George retomou em 2019 seus melhores dias defensivos de Indiana, frequentemente marcou o melhor defensor do adversário, e foi o tipo de defensor que parece afetar um número muito alto de jogadas simplesmente por fazer a jogada certa consistentemente nos momentos que o adversário começa a executar seus lances. Mas conforme George batalhou lesões e uma perda brutal de eficiência dos dois lados da quadra na reta final da temporada, sua queda de rendimento abriu a porta para um forte grupo de concorrentes a esse prêmio fazerem disso novamente uma disputa.

Enfim, eu cheguei a cinco nomes, e foi questão de avaliar um a um as suas candidaturas. Depois de muito estudo, o primeiro eliminado foi Myles Turner, que teve um salto enorme desse lado da quadra e liderou a NBA em tocos (2.7 por jogo) para um surpreendente time do Pacers, mas ainda joga muitos minutos a menos que os seus concorrentes e que por algumas vezes na temporada foi explorado com sucesso por um matchup ruim ou um plano de jogo inteligente.

Os outros dois pivôs entre os finalistas eram Gobert e Embiid. Gobert, um esquema defensivo por si só e capaz de engolir pick and rolls como engole bolinhos de canela, é um eterno finalista desse prêmio e amado por algumas estatísticas avançadas, mas a impressão que deu foi que o francês deu uma leve caída desse lado em 2019 – em parte, talvez, por seu maior papel ofensivo. Seus números de proteção de aros caíram sensivelmente, e o pivô pareceu um passo mais lento em relação ao que foi no passado. Além disso, os números mostram que, apesar de boa defesa individual, o Jazz foi igualmente bom na defesa independente da presença do seu pivô, enquanto que a defesa do Sixers despencou sem Embiid em quadra – conjunto de fatores que me fez colocar Embiid em terceiro e Gobert em quarto (Embiid também é um pouco mais versátil marcando fora do garrafão, dando maior flexibilidade à defesa do Sixers).

Por fim, a decisão final ficou entre os dois candidatos que lideraram o prêmio o ano inteiro na minha lista, Giannis e George. E é um embate bastante parelho: George foi brilhante durante boa parte do ano mas caiu na reta final junto com o resto do Thunder, enquanto Giannis foi consiste do começo ao fim do ano ancorando a melhor defesa da NBA. George foi mais responsável por marcar diretamente o melhor jogador adversário mais vezes, mas Giannis consegue marcar mais jogadores diferentes em mais situações por conta do seu físico. No final, acabei optando pelo grego simplesmente porque, embora George seja o melhor marcador no um contra um, Giannis consegue impactar mais o jogo do lado defensivo da quadra por causa da distância que ele cobre com seus braços enormes e sua capacidade atlética.

Giannis tem a mesma qualidade de George de atrapalhar ações antes delas começarem enquanto mantém a marcação individual no seu homem, mas Giannis consegue fazer isso em múltiplas ações ao mesmo tempo, cortando linhas de passe e fechando espaços inteiros da quadra para a bola e os adversários. Giannis também é muito bom como uma última linha de defesa, fechando os espaços dos companheiros e se recuperando para tocos. Então mesmo que o auge defensivo de George tenha sido um pouquinho mais impressionante esse ano, Antetokounmpo em geral teve um impacto defensivo maior e, por isso, fica com o prêmio.

Ballot: 1. Giannis Antetokounmpo; 2. Paul George; 3. Joel Embiid; 4. Rudy Gobert; 5. Myles Turner.

Most Valuable Player: Giannis Antetokounmpo, Milwaukee Bucks

É, boa sorte decidindo esse prêmio de MVP.

A decisão entre Giannis e Harden não é só uma das mais difíceis de todos os tempos por serem dois atletas jogando em níveis historicamente altos, mas porque são jogadores que estão fazendo isso de formas muito diferentes. Quando tivemos por exemplo Harden vs Westbrook dois anos atrás, outra disputa muito parelha que poderia seguir em qualquer direção, a comparação era mais direta por serem jogadores com estilos razoavelmente semelhantes executando funções muito próximas nos seus times, de modo que era apenas uma questão de qual você avaliava ter feito isso melhor. Mas com Harden e Giannis seus impactos são tão diferentes que o exercício de abstração é muito mais difícil. Então embora eu tenha chegado na minha resposta e vá apresentá-la de forma direta e resumida para poupar vocês de 10.000 palavras extras, saibam que ela é resultado de muito estudo, análise e conversas com outras pessoas que sabem do que falam para conhecer suas opiniões. Tanto Giannis como Harden estão fazendo coisas espetaculares, e qualquer um que vencer o prêmio será merecido.

Mas, para encurtar minha opinião, eu vou resumi-la em dois fatos.

  1. Milwaulkee tem o ataque #3 e a defesa #1 da NBA, Houston tem o ataque #2 e a defesa #17

James Harden é um gênio ofensivo. Sua temporada ofensiva – na qual ele lidera todos os jogadores desde pelo menos 1972 em pontos por 100 posses de bola – é uma das melhores da história da NBA, seguramente uma das melhores desse século, e sua eficiência é surreal para um jogador com tanta usagem. Ele é o motivo pelo qual o Rockets tem o segundo melhor ataque da NBA e terminou em quarto no Oeste.

O problema é o seguinte: isso não é verdade da defesa do Rockets, que tem sido um problema para o time o ano quase todo (#17 na NBA). Harden não é o péssimo defensor que as pessoas achavam um tempo atrás, mas ele é um defensor abaixo da média, e por isso o Rockets – sem o pessoal para executar a defesa do ano passado – optou por fazer uma defesa que tenta se direcionar para aproveitar o que Harden faz de melhor (defesa no post, no que ele é dos melhores da NBA) e esconder seu maior problema (defender fora da bola, onde tem sido um dos piores esse ano). Basicamente, a fraca defesa de Houston é construída em torno de esconder as deficiências de Harden, e embora isso obviamente não queira dizer que Harden seja o responsável ou culpado pela defesa fraca da equipe (ou que o barbudo não mereça crédito pela ótima defesa no post), ele pelo menos é alguém que não adiciona desse lado da quadra para um time que tem sofrido assim.

No caso de Giannis, o Bucks tem a melhor defesa da NBA inteira e o terceiro melhor ataque, e AMBOS são baseados totalmente em Giannis Antetokounmpo. Ele é o pilar tanto do ataque como da defesa do melhor time da NBA, e seu impacto total somado dos dois lados da quadra não tem igual na NBA de hoje. Giannis não está no nível de Harden do lado ofensivo da quadra, é claro, mas o grego também tem tido uma temporada historicamente boa por mérito próprio (em especial em pontos no garrafão, onde Giannis está pontuando com uma frequência, eficiência e facilidade como nada que a NBA tenha visto desde o auge de Shaq) no ataque E tem um impacto extremamente maior na defesa. Harden foi melhor que Giannis no ataque, mas não a ponto de compensar o abismo entre os dois do lado defensivo da quadra, e como basquete é composto de ataque E defesa Giannis simplesmente consegue ter um valor e impacto total para seu time em quadra maior do que Harden – o que é ainda mais forte no caso de Giannis, pois sua defesa é aquela que impacta muito além do que apenas diretamente a do jogador que ele está marcando, ao ponto de que ele ganhou também aqui o prêmio de DPOY.

2. Milwaukee é uma força da natureza com Giannis em quadra

Eis um número que eu achei durante minhas andanças:

Bucks com Giannis em quadra: +12.8 por 100 posses
Bucks sem Giannis em quadra: +3.6 por 100 posses

O primeiro número é surreal. Ele superaria o Warriors de 2017 como o melhor Net Rating da história da NBA, e é o motivo do Bucks ser com folgas o melhor time da temporada 2018/2019 da NBA. E, claro, Giannis está fazendo isso em um elenco sem NENHUMA outra estrela ao seu lado (sim, eu sei que Middleton foi All-Star, mas é o Leste – ele não é uma estrela). O elenco do Bucks é bem montado e profundo, sem dúvida, mas ele é totalmente montado e dependente de Giannis dos dois lados da quadra: apenas UMA combinação do Bucks sem o grego o ano todo conseguiu ser remotamente tão boa quanto a média do Bucks com Giannis em quadra, e é uma que jogou em apenas 9 partidas. É um time sólido que, com Giannis, vira um time historicamente bom.

Olhando o mesmo número, agora para James Harden:

Rockets com Harden: +6.4 por 100 posses
Rockets sem Harden: +2.6 por 100 posses

Isso não é ruim de jeito nenhum, e é claro que números on/off sempre tem seus poréns e não podem ser levados ao pé da letra, mas é interessante a diferença do “ápice” que esses times conheceram com seus candidatos a MVP. O mais impressionante de Harden é ele ter mantido esses números mesmo através de uma sequência brutal – que é a jóia do seu caso de MVP – que foi logo no começo do ano, com Chris Paul machucado e a temporada do Rockets a perigo, que Harden emendou um mês e meio com média de 43 pontos por jogo e salvou a temporada de Houston praticamente sozinho. Mas, ao mesmo tempo, isso implica que a temporada precisou de salvação em primeiro lugar, e parte disso vem também de um começo fraco de Harden (apesar de números superficiais sólidos); e ao mesmo tempo, embora Harden tenha salvo o Rockets de se afundar no competitivo Oeste e tenha mantido o time vivo, foi após a volta de Chris Paul e Capela que o time deu a arrancada rumo ao #4 da conferência. Isso não é de modo algum uma crítica a Harden, mas a história da temporada reflete o que os números on/off nos dizem: Harden pegou um time medíocre e transformou quase sozinho em um time bom, o que é ótimo.

Mas, comparando com Giannis, tanto a história como os números mostram a mesma coisa: que Giannis pegou um time sólido e levou ele a espetacular. E, para mim, esse salto é mais importante, mais valioso e mais difícil em uma temporada do que “apenas” passar de medíocre a bom, e como já vimos, tudo de positivo no Bucks tem suas bases em Giannis, dos dois lados da quadra.

Giannis Antetokounmpo é meu MVP e, pela primeira vez desde Hakeem Olajuwon em 1994 e apenas a terceira da história da NBA (junto de Jordan em 1988), temos um vencedor do MVP E Defensive Player of the Year.

Ballot: 1. Giannis Antetokounmpo; 2. James Harden; 3. Stephen Curry; 4. Paul George; 5. Nikola Jokic.

1st Team All-NBA: Stephen Curry, James Harden, Paul George, Giannis Antetokounmpo, Nikola Jokic

Curry (em uma temporada extremamente subestimada de 28-5-5, 47 FG%, 44% de três e 92% nos lances livres, além de seu melhor ano defensivo), Harden e Giannis foram as três certezas para o 1st Team, o que deixou duas dúvidas: quem pegar de pivô entre Jokic e Embiid; e quem pegar para segundo forward entre Durant e George.

Eu acabei optando por George apesar da queda na reta final da temporada sobre Durant como recompensa ao seu esforço ao longo do ano dos dois lados da quadra. Durant teve um ótimo ano por mérito próprio (26-6-6, 52-36-88 nos arremessos), mas relaxou demais do lado defensivo enquanto George teve que enfrentar as maiores barras do Thunder ao longo do ano, e ainda que sua queda de produção pós-lesão tenha feito disso um debate (eu tive George #3 na corrida pelo MVP por 3/4 da temporada) o fato do Thunder ter acompanhado essa despencada só ressalta o quão crucial e central George foi para o time e seu sucesso, enquanto o Warriors se virou muito bem sem KD.

Entre os pivôs foi mais difícil. Comparando apenas os jogadores, eu acredito que Embiid seja o melhor entre os dois – embora não tão bom desse lado quanto Jokic, Embiid também é um brilhante jogador ofensivo (mesmo que um tanto ineficiente) e compõe em cima disso sendo um dos melhores defensores da NBA e alguém que, apesar de jogar em um time cheio de estrelas, ainda vê sua equipe cair consideravelmente quando ele sai de quadra.

Mas, pensando apenas na temporada 2018/19, não consigo não dar o lugar para Jokic e recompensá-lo por levar um time sem nenhuma outra estrela ou All-Star para a segunda colocação do extremamente competitivo Oeste, com um ataque 100% baseado em torno das suas habilidades únicas como passador e criador. O que Jokic fez essa temporada coletivamente foi mais impressionante do que Embiid, e por isso ele ganha a vaga – por um fio.

2nd Team All-NBA: Kyrie Irving, Damian Lillard, Kevin Durant, Blake Griffin, Joel Embiid.

Entrando nos times All-NBA, eu tinha 4 certezas para as posições de guard: Curry e Harden ficaram com o primeiro time, e Kyrie e Lillard ficaram com as do 2nd Team: Kyrie está tendo sua melhor temporada dentro de quadra e sua eficiência é de outro planeta, e a narrativa de que o Celtics seria melhor com ele caiu por terra na reta final da temporada; e o eternamente eficiente e consistente Lillard continua expandindo seu jogo e sendo o pilar dentro e fora das quadras de um eficiente e consistente Blazers (Lillard de fora do Top5 do MVP foi uma decisão dolorosa). KD e Embiid, é claro, foram as “sobras” do 1st Team.

A decisão polêmica aqui, acredito, é Griffin ser o segundo forward do 2nd Team desbancando Kawhi e LeBron. Tenho certeza que tem gente me xingando através do computador nesse exato minuto e falando que eu estou maluco. Beleza, mas primeiro escutem o motivo.

No caso de LeBron, eu acho que é mais simples de digerir: James jogou apenas 55 jogos pelo 10th seed do Oeste, foi uma atrocidade na defesa (de novo) e grande causa dos problemas extra-campo que tanto atrapalharam Los Angeles durante a temporada. Por mais brilhante que LeBron seja, a última coisa que eu quero é recompensar o desastre que foi a temporada do Los Angeles Lakers e o homem no seu centro.

No caso de Kawhi, minha decisão de colocar Griffin acima se resume a duas coisas: primeiro, os jogos perdidos, pois Kawhi foi poupado e jogou quando e como quis ao longo do ano pelo Raptors, jogando apenas 60 partidas, sendo poupado em back-to-backs, e em geral sendo extremamente inconsistente do ponto de vista de disponibilidade; e segundo o fato de que, apesar de boas sequências no meio da temporada, o sucesso do Raptors na temporada não passou tanto pelo ala. Kawhi jogou bem e fez do Raptors um time melhor, sem dúvida, mas o time se sustentou perfeitamente bem sem ele ao longo do ano, vencendo jogos com sua versatilidade, profundidade e a continuidade de um estilo de jogo que já estava lá. É possível argumentar que Lowry e Siakam foram mais importantes para o sucesso do Raptors do que Kawhi, uma teoria que é sustentada pelos números.

Essa foi uma decisão que eu fiz e desfiz várias vezes ao longo das últimas semanas: não é que eu ache que Griffin foi ou seja individualmente melhor do que Kawhi ou LeBron, mas a totalidade do seu impacto na temporada de levar o Pistons aos playoffs foi maior do que a dos seus concorrentes. Griffin teve uma subestimadíssima temporada com médias de 26-8-5, e praticamente reinventou seu jogo inteiro para fazer a parceria com Andre Drummond funcionar: jogando longe do aro, armando a equipe, chutando obscenas 7 bolas de três por jogo (muitas delas step backs, vindas de corta-luz ou executando movimentações de armador) e sendo basicamente o sistema tático inteiro para um time do Pistons que dependeu DEMAIS de Blake para funcionar como uma equipe minimamente funcional. Ele foi O time inteiro, e sua disponibilidade por muito mais da temporada – inclusive jogando a reta final no sacrifício – que LeBron e Kawhi tem que ser levada em conta.

No final, minha decisão foi consolidada através da questão dos jogos perdidos. Griffin jogou 20 jogos a mais que LeBron e 16 a mais que Kawhi, o que da quase 25% da temporada INTEIRA da NBA, uma diferença grande demais. Disponibilidade importa muito na NBA: você não consegue impactar o jogo e ajudar seu time sem estar em quadra, e a diferença de minutos e jogos colocou Griffin acima de LeBron e Kawhi dessa vez.

3rd Team All-NBA: Russell Westbrook, Kemba Walker, LeBron James, Kawhi Leonard, Rudy Gobert.

Eu admito que queria muito deixar LeBron de fora dos times All-NBA pelos motivos já citados, mas não tive a coragem. Deixar LEBRON JAMES de fora com médias de 27-8-8, mesmo com todos os problemas já conhecidos, fazia eu ficar desconfortável demais para seguir em frente. Então ele entra aqui, em parte pela falta de outro forward com um caso forte o suficiente para desbancar James. Pensei brevemente em incluir LaMarcus Aldridge ou KarlAnthony Towns como forwards, já que a NBA os disponibilizou assim na votação, mas não pareceu certo: ambos jogam quase exclusivamente como pivôs nos seus times, e portanto é ai que devem ser considerados.

Para os pivôs, a disputa foi entre Towns e Gobert – Aldridge não teve um ano tão espetacular assim, e o Spurs na verdade foi melhor com ele no banco do que em quadra. A princípio, eu tendia para Towns e seus espetaculares números ofensivos após a troca de Jimmy Butler: 28 pontos, 13 rebotes e 4 assistências por jogo com 55 FG%, 44 3PT% e 83 FT%, números de videogame. Isso, junto à já mencionada leve queda na defesa de Gobert, me faziam preferir o pivô do Wolves.

Mas, quando sentei pra analisar a temporada, o que me chamou a atenção foi o ataque de Gobert. O francês melhorou MUITO desse lado da quadra, embora não tenha recebido tanto destaque: muito mais eficiente ao redor do aro, mais decidido nas ações e quando recebe a bola, e até mesmo evoluindo como passador e fazendo a bola rodar no ataque de movimento do Quin Snyder. Gobert se tornou uma força muito mais, e o Jazz em geral atacou muito melhor com o pivô em quadra.

No final, decidi por Gobert por dois motivos: esse é um prêmio da temporada inteira, e Towns foi muito mal no começo do ano em meio ao caos Jimmy Butler; e que Gobert fez tudo isso sendo peça chave em um bom time de playoffs do Oeste, enquanto o auge das atuações de Towns vieram em jogos sem pressão para o Wolves quando a temporada já não valia nada para Minnesota – e isso importa.

Entre os armadores, Westbrook eu pensei em deixar de fora devido à pior temporada nos arremessos da história da NBA, à queda vertiginosa do Thunder na reta final da temporada, e ao quanto o Thunder sofreu quando George esteve fora e Westbrook voltou a ser o centro do time. O Thunder teve o pior ataque da NBA depois do All-Star Game, e Westbrook foi parte desse problema.

Mas Westbrook acaba entrando por causa de algo que o grande Zach Lowe sempre fala: o armador simplesmente impacta demais o jogo, de várias maneiras. Mesmo quando está mal, ele faz sua presença sentir em quadra, afetando a forma como adversários defendem OKC e alterando o jogo. Não da pra ignorar esse impacto, e Westbrook acabou entrando.

Sobrou a última vaga de armador – que foi, de LONGE, a decisão mais difícil dessa coluna inteira. São vários jogadores que foram bons suficiente para merecerem consideração, mas nenhum que se destacou acima dos demais ou jogou para um time que merecesse méritos pela performance coletiva: Mike Conley, Bradley Beal, Jrue Holiday e Kemba Walker, todos jogadores com bons números e times esquecíveis.

Acho que não da pra ir errado em qualquer um desses. Beal e Kemba tiveram o maior impacto ofensivo; Jrue, de longe, o maior defensivo; Conley o mais equilibrado e consistente ao longo do ano, mantendo o Grizzlies decente mesmo jogando ao lado de um catado de G-League durante boa parte do ano. Optei por Kemba não para recompensar o time que mais chegou perto dos playoffs (porque todos foram ruins, sem exceção) mas porque Kemba precisou colocar esses números em um ambiente competitivo e com enorme pressão até o fim do ano enquanto o Hornets ainda brigava por uma vaga de playoffs, enquanto os outros três passaram pelo menos metade da temporada em times sem pretenção alguma. A diferença não é tão grande quanto parece, pois Conley e Jrue continuaram jogando um basquete eficiente e focado em vencer e não em números até o fim por times que não se comprometeram completamente com o tanking, mas no caso de Kemba tinha o valor adicional dos resultados fazerem mais diferença.

Receberam consideração para os times All-NBA: Mike Conley, D’Angelo Russell, Donovan Mitchell, Luka Doncic, Klay Thompson, Bradley Beal, Jrue Holiday, Ben Simmons, Danilo Gallinari, Pascal Siakam, LaMarcus Aldridge, Andre Drummond, Karl-Anthony Towns, Nikola Vucevic.

1st Team All-Defense: Marcus Smart, Jrue Holiday, Giannis Antetokounmpo, Paul George, Joel Embiid.

Giannis, George e Embiid obviamente já foram citados no prêmio de DPOY, então ficamos com os dois guards.

Jrue pra mim é uma certeza das mais fáceis. Ele é um dos três melhores defensores de perímetro da NBA atual, capaz de defender três posições e engolir alguns dos melhores pontuadores da liga, como deixou claro nos playoffs do ano passado e continuou fazendo ao longo do ano. Alguns dos seus números avançados são verdadeiramente espetaculares: o Pelicans teve saldo de pontos POSITIVO e uma defesa acima da média com Jrue Holiday em quadra, e despenca para o pior time da NBA em ambos os quesitos com ele no banco. E ainda que parte disso seja por causa dos minutos compartilhados com Anthony Davis, a verdade é que quando o Pelicans jogou com Davis mas sem Jrue o time teve Net Rating de -16,6 (!!!!!!) e a defesa cedeu 116,7 (!!!!!) pontos por 100 posses de bola. Números on/off court sempre são traiçoeiros, mas uma diferença tão gritante assim nunca é a toa, e ela corrobora o que vemos quando assistimos a Holiday – talvez o jogador mais subestimado da atualidade – em quadra.

Smart também foi uma decisão tranquila. Embora possa parecer uma incongruência Smart, um dos melhores defensores da NBA inteira, nunca ter ido a um time All-NBA, mas a verdade é que foi a primeira vez que Smart ficou saudável o ano todo, jogando 80 partidas. Não tem como negar o impacto defensivo de Smart no Celtics, e de sua defesa agressiva e versátil capaz de destruir armadores trazendo a bola em uma posse e parar pivôs no garrafão na outra, mas devido à sua disponibilidade ele enfim pode traduzir toda essa qualidade em impacto contínuo ao longo do ano. Fará MUITA falta ao Celtics na pós-temporada com sua lesão.

2nd Team All-Defense: Eric Bledsoe, Derrick White, PJ Tucker, Draymond Green, Rudy Gobert.

Foi triste deixar Myles Turner de fora, mas são duas vagas de All-Defense pra três pivôs. Alguém teve que rodar.

De resto, poucas discussões aqui. Draymond Green vem tendo sua pior temporada em anos e deu uma decaída defensivamente – em parte por desinteresse – mas por todo o papo sobre a queda da defesa do Warriors, ela é ainda a melhor da NBA quando Green está em quadra. Bledsoe foi o segundo melhor defensor da melhor defesa da NBA, e um pesadelo para ballhandlers o ano inteiro. Derrick White, talvez o melhor jogador do Spurs na temporada, também merece os créditos: jogo após jogo, lá está White consistentemente fazendo a jogada certa e marcando com sucesso alguns dos melhores armadores da NBA. O Spurs defende como um time Top5 com White em quadra e um dos 10 piores com ele fora.

A última vaga ficou entre Paul Millsap e PJ Tucker (Kawhi ficou de fora pelos jogos perdidos e porque sua característica defensiva mais forte, a defesa 1 vs 1, está ficando um pooooouco menos impactante em uma NBA onde a defesa coletiva cada vez mais é central). Eu adoro ambos: Tucker, um pitbull na defesa que marca cinco posições e teve que ancorar uma responsabilidade gigantesca na defesa desfalcada de Houston esse ano, e Millsap, um defensor hipereficiente e uma presença estabilizadora no que foi no passado uma desastrosa defesa de Denver, e que esse ano não só foi uma das 10 melhores da NBA como ajudou a elevar o Nuggets ao segundo lugar no Oeste. Acabei optando por Tucker pela disponibilidade (jogou todos os 82 jogos, enquanto Millsap jogou apenas 70) e porque a defesa de Denver deu um passo adiante mesmo além de Millsap rumo a esse Top10, enquanto a de Houston deu um passo pra trás e apenas evitou ser um desastre esse ano porque Tucker segurou as pontas jogo após jogo, assumindo uma responsabilidade monstruosa desse lado para esconder James Harden E compensar as ausências prolongadas de Capela e Chris Paul. Mas não da pra errar com nenhum dos dois.

Receberam consideração para os times All-Defense: Ben Simmons, Klay Thompson, Robert Covington, Kawhi Leonard, Paul Millsap, Thaddeus Young, Pascal Siakam, Derrick Favors, Al Horford, Myles Turner.

1st Team All-Rookie: Trae Young, Shai-Gilgeous Alexander, Luka Doncic, Jaren Jackson Jr, DeAndre Ayton.

Quatro dessa lista eram certezas: Luka, Trae, JJJ e Ayton. Sobrou a última vaga, e se destacaram na sua briga a princípio Collin Sexton, que terminou o ano com boas pontuações para o Cavs; Marvin Bagley, a escolha #2 que teve um sólido ano plo surpreendente Kings; e Shai-Gilgeous Alexander, peça chave da ótima temporada do Clippers.

Eu imagino que Sexton vá ficar com a última vaga na vida real graças a seus bons números primários em pontos (16.7 por jogo) e nos arremessos (impressionantes 40% da linha de três), mas quando você para e assiste o armador do Cavs jogando, eu simplesmente não consigo dar a última vaga para ele. Sua defesa e seus números como passador são historicamente horríveis, seus números avançados são uma atrocidade, e em boa parte da temporada – mesmo nos bons jogos – Sexton parece não ter uma noção muito clara do que fazer em quadra. Para o Cavs, isso não é tão crítico: Sexton é elétrico e explosivo, seu arremesso (uma grande interrogação vindo no Draft) parece legítimo, e como um time que não ia a lugar nenhum está tranquilo deixando o armador em quadra para aprender com os próprios erros. Mas, com jogador de basquete, Sexton não foi em 2019 nem de longe tão bom quanto só olhar seus números de box score indicam.

Esse é o eterno dilema de avaliar calouros: o que é melhor, ter destaque individual e bons números por um time horrível no qual você faz o que quer sem compromisso com a vitória, ou ter um papel menor mas mais eficiente e contribuir efetivamente para um time competitivo?

Eu, pessoalmente, acho o segundo bem mais difícil e valioso (embora sempre exija contexto), e nesse sentido Alexander foi quem mais se destacou. O melhor jogador two-way desse bolo, Shai teve que entrar de para-quedas em um Clippers que queria brigar pelos playoffs e logo assumiu com sucesso a responsabilidade com sua boa defesa, criatividade nos passes, e eficiência no ataque. Entrar e se encaixar de cara em um time que exige que você seja um contribuidor é muito difícil, e Shai mostrou mais uma vez porque eu chamei ele de um dos grandes acertos desse Draft com uma ótima temporada.

2nd Team All-Rookie: Landry Shamet, Collin Sexton, Marvin Bagley Mitchell Robinson, Rodions Kurucs.

O bom dessa classe de calouros é que, ao invés de chegar no 2nd Team All-Rookie e ficar caçando na raspa do tacho pra achar alguém que mereça estar aqui, esse ano tem uns cinco ou seis jogadores que legitimamente poderiam ficar com a última vaga e exigiram reflexão séria sobre quem entraria.

Com Sexton (que eu queria deixar de fora pelos motivos já mencionados, mas não consegui) caindo do segundo time e outras três certezas em Bagley (sólida contribuição para o divertido Kings), Landry Shamet (outro jogador que teve um papel chave desde cedo em DOIS times de playoffs) e Mitchell Robinson (que seria 1st Team se tivesse jogado mais minutos), sobrou uma vaga para um belo monte de jogadores. Essa classe é muito, muito boa.

Mikal Bridges quase levou a vaga por ser #2 em minutos jogados e o tipo de jogador completo que times da NBA precisam hoje em dia, mas optei por manter o critério de desempate do 1st Team e elegendo alguém que teve uma contribuição legítima para um time de playoffs em Kurucs, do Nets, que se mostrou peça importante da rotação com surpreende defesa e um jogo versátil no ataque, e mesmo que as bolas longas não tenham caído tanto quanto se gostaria sua movimentação fora da bola ainda conseguiu abrir importantes espaços para o time do Brooklyn.

Receberam consideração para os times All-Rookie: Miles Bridges, Mikal Bridges, Josh Okogie, Allonzo Trier, Jalen Brunson, Kevin Huerter, Bruce Brown, Wendell Carter Jr.

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