Prêmios da temporada 2017/18 da NBA – Parte III

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Hora do momento mais aguardado do ano: Os prêmios alternativos da temporada da NBA!

É hora de fechar de vez nossa cobertura da temporada regular de 2018 da NBA antes de mergulhar de vez nos playoffs – que aliás estão excelentes mais uma vez. Nossa cobertura da pós-temporada, inclusive, está seguindo a todo vapor: tivemos previews da primeira rodada dos playoffs para o Leste E para o Oeste; tivemos duas colunas (18/04 e 25/04) detalhando pontos importantes do que estava acontecendo nessas séries; tivemos depois o preview das semifinais de conferência, e mais uma coluna trazendo pontos de interesse da segunda rodada. Nada a se reclamar nesse sentido!

Mas antes de mergulharmos de uma vez por todas é hora de encerrar nossa série sobre os prêmios de fim de ano da NBA!

Na Parte I dessa série, nós distribuímos os prêmios individuais da NBA: MVP, Defensive Player of the Year, Rookie of the Year, etc. Na Parte II, falamos dos quintetos ideais da temporada, e montamos os times All-NBA, All-Defense e All-Rookie da temporada 2018. Agora é hora da Parte III: Os prêmios “alternativos” da temporada.

Ou seja, esses são prêmios que realmente não existem. Mas isso não me parece um motivo bom o suficiente para não falarmos a respeito deles. Qual o problema de criar mais uns prêmios e gerar mais uns debates instrutivos e/ou divertidos? Não é exatamente uma grande novidade. Meu site favorito, o Bola Presa, tem seus próprios prêmios alternativos de temporada, e outro dos meus escritores favoritos, Bill Simmons, também já deu suas próprias sugestões de prêmios “novos” para a NBA.

Então vamos dar uma olhada nos prêmios que ainda não existem, mas um dia – quando eu for o dono da NBA – estarão mas manchetes de toda a internet.

Parte I – Os prêmios individuais
Parte II – Os quintetos ideais da temporada
Parte III – Os prêmios alternativos da NBA

Prêmio Drazen Petrovic – O melhor jogador estrangeiro da temporada

Um dos prêmios criados pelo Bill Simmons, o Drazen Petrovic Award foi concebido pelo Simmons como um prêmio para homenagear o melhor jogador europeu da temporada e, ao mesmo tempo, honrar a memória de um dos pioneiros no influxo de jogadores estrangeiros, o genial Drazen Petrovic, jogador de Blazers e Nets que faleceu cedo demais em um acidente de carro (para quem tiver interesse, recomendo o documentário Once Brothers, da série 30-for-30 na ESPN, e ainda mais que leiam esse texto fabuloso do Zach Lowe sobre a importância de Petrovic para o basquete europeu).

O Drazen Petrovic Award que eu roubei adaptei é um pouco diferente: hoje a NBA tem uma diversidade muito maior para limitar essa premiação (criada em 2005) a apenas jogadores estrangeiros europeus. A NBA é uma liga global: temos jogadores asiáticos, africanos, sulamericanos, central-americanos, australianos, neozelandeses… para honrar essa diversidade e esse momento, o prêmio Drazen Petrovic do TM Warning não premiará apenas o melhor Europeu, e sim o melhor jogador que não seja dos Estados Unidos.

E sim, eu sei que isso abre margem a todo tipo de polêmica e interpretação: Kyrie Irving nasceu na Austrália, mas joga pela seleção dos Estados Unidos. Ele é qualificado para o prêmio? Então eu criei um critério muito simples: é elegível para o prêmio quem eu achar que é. O prêmio é meu, o site também, então eu que mando. Me processem.

Mas esse prêmio tem um problema sério: ele está ameaçando se tornar muito repetitivo de premiar. Pelos próximos anos, e começando desde o ano passado, teremos muitas disputas fortes e parelhas, com muitos candidatos merecedores vindo de grandes temporadas… pelo segundo ou terceiro lugares. Porque o primeiro parece que vai ser de Giannis Antetokounmpo, meu vencedor de 2017, pelos próximos 10 anos.

A não ser que Joel Embiid fique saudável e entregue em todo seu infinito potencial, Giannis não tem competição para esse prêmio mesmo em um momento onde o nível de grandes talentos estrangeiros na NBA só aumenta: Al Horford e Ben Simmons foram eleitos para meus times All-NBA; Jokic, Gobert, Towns, Adams estavam todos entre as considerações finais; Goran Dragic e Porzingis foram All Stars; role players de alto nível como Mirotic, Joe Ingles, Capela ou Serge Ibaka estão jogando papeis importantíssimos para times ainda vivos na pós-temporada.

Mas Giannis está em um nível próprio. Sua constante evolução de jogador cru com potencial ilimitado para superestrela da NBA tem sido uma das histórias mais incríveis de se acompanhar nos últimos anos. Olhe seus números ano a ano, per Basketball-Reference:

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Uau. A versão 2018 de Giannis é, sem discussão, um dos 8 melhores jogadores da NBA: um dos melhores defensores da NBA, capaz de defender cinco posições, proteger o aro E parar qualquer jogador de perímetro; um missmatch ambulante capaz de executar qualquer função dos dois lados da quadra, jogando de armador no ataque e voltando para marcar alguém como Karl-Anthony Towns na defesa; um pontuador imparável que combina explosão, braços gigantes e uma evolução impressionante como passador. Tem sido um prazer acompanhar essa evolução, e considerando que Giannis tem apenas 23 anos e ainda está em teoria longe de atingir o seu auge, é assustador pensar até onde ele via chegar. Giannis será um MVP na NBA muito em breve.

Como competir com um monstro desses que acima de tudo ainda está ficando cada vez melhor? Embiid é nossa chance, outro dos melhores two-way players da NBA, um monstro defensivo e imparável no ataque. Mas entre as lesões e alguma inconsistência ainda tem dúvidas suficientes a respeito do futuro de Embiid para achar que Giannis tem seu reinado ameaçado no prêmio Drazen Petrovic. Ficando saudável ao longo do ano e desenvolvendo, Embiid pode perfeitamente vir a ter uma temporada de nível MVP; mas Giannis já está tendo essas temporadas nesse momento. Aguardo ansiosamente os próximos capítulos.

Ballot final: 1. Giannis Antetokounmpo; 2. Joel Embiid; 3. Al Horford; 4. Ben Simmons; 5. Nikola Jokic.

Prêmio Steve Nash – O jogador mais divertido de assistir

Mais uma forma de homenagear meu jogador favorito de assistir, criando um prêmio para o jogador mais divertido de se assistir durante a temporada 2018.

E, é importante separar essa distinção, a ideia não é premiar o jogador com os melhores highlights da temporada. Hoje em dia, com Twitter, SportsCenter, GIFs e tudo mais, é muito fácil você pegar os melhores momentos e as jogadas mais empolgantes de um jogador e colocar tudo para as pessoas verem. Mas quando você assiste uma temporada completa, especialmente tantos jogos como alguém como eu faz, os highlights e os melhores momentos são só o topo do iceberg. Eles são uma parte pequena do que os jogadores fazem na sua totalidade ao longo do ano, mas muito mais tempo envolve as jogadas “normais” desses atletas: como eles jogam no resto do tempo? É divertido assisti-los mesmo quando não estão fazendo jogadas espetaculares? Ele faz coisas em quadra que chamem a atenção em um nível menor, coisas que te mantenham entretido durante um jogo de quinta a noite em Milwaukee? Em outras palavras, como é a experiência de assistir 80 jogos desse jogador, ao invés de uma montagem de 15 minutos?

Nesse sentido, nenhum jogador para mim foi mais interessante do que Ben Simmons. Em parte por ser um jogador totalmente não convencional – um armador de 2 metros e 8, 104 quilos que não consegue chutar nem que a vida dependesse disso e arremessa com a mão errada – mas assistir Simmons esse ano foi uma fascinação constante: tudo que ele faz é um pouco diferente do resto, e muito interessante de se observar. Defensivamente, ele é um monstro capaz de mudar de posição a vontade e marcar em várias posições, ágil suficiente para marcar armadores, grande e forte o suficiente para defender o garrafão. Sua inteligência e leitura de jogo no lado ofensivo faz dele um excelente ladrão de bolas, e assim que ele consegue um turnover ele sai voando em transição – não teve nenhuma jogada mais excitante na temporada 2018 do que Ben Simmons saindo em transição, uma mistura de bola de boliche e habilidade, um  monstro físico com o domínio de bola para chegar onde quer, a capacidade física para enterrar na cabeça de todo mundo, e a visão de jogo para descolar passes fantásticos para seus companheiros.

Ofensivamente Simmons é ainda mais interessante. Eu admito que sou enviesado: eu adoro grande passadores, e Simmons já é um dos melhores da liga, um mago com a bola nas mãos que enxerga o jogo dois passos à frente e usa sua altura para achar ângulos invisíveis para outros jogadores. É impossível não ver Simmons puxando o contra ataque e pensar em Magic Johnson: os passes enormes, a visão de jogo, a pura força física em velocidade, a bola voando da sua mão em um piscar de olhos… é lindo de se ver. E pela falta de arremesso, sabendo que os adversários recuarão para o garrafão, Simmons teve que desenvolver um jogo extremamente diferente e não convencional para pontuar: ganchos, floaters, push shots, bandejas de ângulos não convencionais. Quando você assiste muito basquete, você começa a se acostumar a ver os jogadores reagirem de forma semelhante em uma dada situação… e ver alguém que faz tudo diferente como Simmons é sempre muito divertido.

 

O jogo versátil, cerebral e ao mesmo tempo extremamente físico de Simmons – e, ainda mais, seus passes brilhantes – colocaram ele um pouco acima esse ano nesse prêmio em relação a Anthony Davis, em parte porque Davis só virou o Godzilla na segunda metade do ano depois da lesão de DeMarcus Cousins. Mas Davis merece a menção honrosa: ver um pterodáctilo voando no meio do garrafão para finalizar pontes aéreas e lobs de qualquer ângulo possível me fez prender a respiração mais do que qualquer jogada esse ano, e Davis enfim está realizando todo seu potencial como shot blocker. Um ano inteiro de Davis Godzilla, e esse prêmio era dele.

Ballot final: 1. Ben Simmons; 2. Anthony Davis; 3. Victor Oladipo; 4. Nikola Jokic; 5. Stephen Curry.

Prêmio League Pass – O time mais divertido do ano

Essa foi uma decisão difícil a tomar, em parte porque honestamente nenhum time dos que mais prometiam competir pelo troféu League Pass realmente correspondeu. Golden State, eterno favorito, jogou com uma preguiça e falta de vontade de dar raiva. Denver nunca se achou até ser tarde demais. Idem para Milwaukee. O Celtics foi bem apesar de tudo, mas com as lesões de Kyrie e Hayward o time com o grande ataque que prometia nunca se materializou, e muitos dos seus jogos foram arrastados demais. O Rockets é ótimo, mas nem sempre o mais legal de se ver jogar, e muitos dos seus jogos acabaram cedo demais.

Eu fiquei muito perto de dar esse prêmio para um time que nunca imaginaria: o Los Angeles Lakers. O Lakers não foi um time bom, mas foi bem divertido de acompanhar quando não estavam envolvidos em polêmicas idiotas: é um time esforçado, que joga (na maior parte do tempo) com vontade e energia, e um estilo de jogo bem interessante de se acompanhar, coletivo e versátil. O time tem vários jogadores interessantes pelos motivos mais diversos, e vários pirralhos divertidos com potencial. Lonzo teve seus bons momentos, Kuzma teve ótimos jogos, Randle fez sua melhor imitação de um tiranossauro até hoje, Ingram mostrou grande evolução… mesmo que esses jogadores não estivessem sempre jogando bem, a impressão era que quase sempre tinha ALGUM deles fazendo algo que mantinha seu interesse na partida. Foi muito divertido acompanhar esse time esse ano, e se não fosse um excesso de momentos de estagnação durante os jogos (especialmente do lado ofensivo, que podia ficar beeeeem feio) ele poderia ter levado mesmo assim.

Mas a sequência de 16 vitórias seguidas para encerrar a temporada fez Philadelphia superar Los Angeles na reta final e levar o prêmio. O Sixers não foi um time tão fácil de acompanhar ao longo do ano – foi uma franquia que teve muitas dificuldades ao longo do caminho, em parte por causa da dificuldade de construir seu time ao redor de uma situação que, honestamente, nenhum time já experimentou na história da NBA, simplesmente porque nenhum time lidou com situações como as de Simmons, Fultz e Embiid. Esse ponto originalmente foi feito pelo grande Ben Epstein, da SB Nation e do excelente podcast Limited Upside, e eu gostei muito: entre a bizarra situação de Fultz, um jogador com a combinação de talento, potencial e as lesões de Embiid, e um armador de 2m08 que simplesmente não consegue arremessar, o Sixers esteve lidando com uma situação totalmente inédita. Não a toa demorou um pouco para o time se encontrar na temporada.

Simmons é um talento excepcional e meu jogador mais divertido de assistir de 2018, mas não é tarefa fácil montar um time ao seu redor. Para compensar sua falta de arremesso – especialmente quando não tem Embiid espaçando a quadra – a equipe precisa achar um equilíbrio muito bom entre arremessadores, movimentação sem bola, e ataque de transição. Ao longo do ano, teve momentos onde isso simplesmente não encaixou: arremessadores de menos, falta de outros criadores, um ataque estagnado. Nem sempre foi bonito de se ver.

Mas quando encaixava, e enfim encaixou na segunda metade da temporada? Foi fantástico de se ver. Um talento tão incrível e único como Ben Simmons, jogando ao lado de OUTRO enorme talento muito divertido e original em Joel Embiid, já seria mais do que suficiente para fazer esse time obrigatório de se assistir, mas foi além disso. No seu melhor, Philly jogou um estilo muito gostoso de se ver, com muitas movimentações, velocidade, passes extras, e bolas longas livres. Simmons e Embiid foram parte essencial, mas a forma como o técnico Brett Brown –  e o basquete de altíssimo nível mostrado na segunda metade do ano – fizeram o time levar a palma.

Ballot final: 1. Philadelphia 76ers; 2. Los Angeles Lakers; 3. Boston Celtics; 4. Utah Jazz; 5. Houston Rockets.

Prêmio Minnesota Timberwolves – A franquia que mais decepcionou em 2018

A molecada de hoje conhece só o novo Timberwolves, o time que tem duas estrelas e vai para a pós-temporada com um futuro brilhante pela frente. Mas não é esse o Wolves que da nome ao nosso prêmio, e sim o time que ficou 14 anos sem ir para a temporada e, a cada vez que parecia que ALGO estava dando certo ou que o time enfim iria melhorar, o time decepcionava e tudo ia por algo abaixo.

O Wolves foi para a Final do Oeste em 2004 e ficou a uma lesão de Sam Cassell e uma barragem de bolas longas de Kareem Rush (se sua reação foi “Quem?”, exatamente) de chegar à Final da NBA, e era um dos times mais dominantes da NBA com o atual MVP em Kevin Garnett… dai fez as trocas erradas (Sam Cassell por Marko Jaric, alguém?) e não voltou mais para os playoffs. Dai trocou Garnett para o Celtics em 2007 por um exército de jovens promessas empolgantes, e parecia o time do futuro… só que essa molecada nunca realmente embalou, e o time voltou a ser um dos piores da NBA. Ainda assim, o Wolves teve duas escolhas Top6 em um dos melhores Drafts da história da liga… e pegaram Jonny Flynn na frente de Stephen Curry. E quando Kevin Love e Ricky Rubio deram nova vida à franquia, bem como uma legítima superestrela para Minnesota, lesões em ambos os jogadores continuaram acabando com as temporadas que prometiam tanto e o núcleo nunca deu em nada até Love ser trocado por Wiggins… que também nunca virou a estrela prometida. Nenhuma franquia se especializou mais em prometer e quebrar promessas nos últimos 14 anos que o Minnesota Timberwolves. E nós comemoramos essa incrível sequência com esse prêmio.

E esse prêmio não pode ir para outro time que não seja o Milwaukee Bucks. O Bucks tem um dos 8 melhores jogadores da NBA em Giannis, um elenco de apoio muito talentoso com jogadores como Eric Bledsoe, Khris Middleton (excelente na pós-temporada, diga-se de passagem), Malcolm Brogdon, Tony Snell, Jabari Parker… só que o time simplesmente parou no tempo e não consegue dar o próximo passo. Uma série desses problemas eram táticos, ao ponto do time demitir Jason Kidd durante a temporada, mas mesmo sem Kidd e com uma tática nova a franquia continuou estagnada. Era a série de 7 jogos contra o Celtics, jogo 89 da temporada, e o Bucks ainda não sabia quais eram seus melhores quintetos para cada momento do jogo. Surreal.

Nem tudo no Bucks é problema de técnico, mas é impossível não olhar todo esse talento e potencial desperdiçado, e não sonhar com um técnico decente colocando ordem na casa. O Bucks tem uma defesa abaixo da média apesar de MUITO talento defensivo nesse time, inclusive o #5 na minha votação para melhor defensor da temporada em Giannis. Esse time é FEITO para jogar de forma não convencional, trocando a marcação, aproveitando os matchups trocados, jogando com Giannis de pivô cercado de quatro arremessadores, e o time evitou como a praga fazer QUALQUER COISA disso até a pós-temporada, e mesmo nisso foi incrivelmente teimoso. Esse time tem talento demais, individual e coletivamente, para ser tão decepcionante assim. Rezando para que, nessa offseason, achem um técnico que consiga.

Essa temporada, aliás, não teve falta de times decepcionantes. Mesmo tirando times como Grizzlies e o Spurs, que tiveram sua temporada prejudicada por lesões, ainda temos o Thunder, que prometia demais com Carmelo e George mas nunca decolou; o Wizards, que lidou com lesões mas nunca foi bem mesmo saudável; o Nuggets, que prometia muito mas só repetiu 2016; e o Cavs e toda a bagunça que aconteceu em Cleveland esse ano.

Ballot final: 1. Milwaukee Bucks; 2. Oklahoma City Thunder; 3. Denver Nuggets; 4. Cleveland Cavaliers; 5. Washington Wizards.

Prêmio Eddie Johnson – A história mais maluca da temporada

Todo ano tem histórias malucas ou fantásticas, e essa definitivamente não decepcionou. Sempre tem algum drama maluco paralelo para manter a temporada interessante. Sempre.

As minhas cinco finalistas, de uma lista que poderia facilmente chegar a 20: JR Smith jogando um prato de sopa na cabeça de um treinador do Cavs, e a febre subsequente do Twitter de NBA para descobrir QUAL TIPO DE SOPA ele tinha jogado; Markelle Fultz simplesmente se esquecendo de como arremessar; Kawhi Leonard se revelando o verdadeiro garoto problema do Spurs o tempo todo e seu isolamento autoimposto; Bobby Portis quebrando a cara do Nikola Mirotic com um soco, sendo que ambos eram companheiros de time; e uma briga entre Clippers e Rockets em quadra que acabou com uma história sobre Chris Paul levando os jogadores do Rockets por uma passagem secreta até o vestiário do Clippers para continuar a briga enquanto Clint Capela ia bater na porta do vestiário como disfarce. Fantástico.

Menções honrosas para Jordan Clarkson e sua opinião sobre dinossauros, a saga de Drew Eric Bledsoe para fugir de Phoenix (e seu lendário Tweet e péssima desculpa subsequente), o torcedor que se fingiu de jogador do Pelicans e conseguiu se aquecer junto com o time, e tudo que Bryan Kalbrowsky reuniu nesse bracket fantástico. Meu deus, eu amo a NBA.

E se você quer saber de onde vem o nome desse troféu, Eddie Johnson foi um armador do Atlanta Hawks na década de 80. Com grandes problemas com cocaína, em 1982 o time internou Eddie Johnson contra sua vontade em uma clínica de reabilitação, Eddie roubou um Porsche para fugir, foi detido por posse de arma e de drogas, e logo depois foi obrigado a pular de uma varanda do segundo andar para fugir de traficantes que estavam atirando nele. Os anos 80 eram incríveis.

Ballot final: 1. O túnel secreto de Rockets vs Clippers; 2. Kawhi Leonard e a briga com o Spurs; 3. Markelle Fultz esquecendo como arremessar; 4. JR Smith jogando sopa em um treinador; 5. Bobby Portis dando um soco em Mirotic durante o treino.

LVP – O jogador menos valioso

Esse prêmio – que eu ainda vou renomear de Troféu Dwight Howard – é frequentemente confundido com a pergunta “Quem é o pior jogador da NBA?“, o que é uma percepção incorreta. Os piores jogadores da NBA – que, vale lembrar, ainda são em geral bons jogadores de basquete – são aqueles de fundo de banco, que jogam quinze jogos em garbage time e só. Esses jogadores em geral estão no elenco por alguma função de vestiário, ou são pirralhos que o time está apostando em desenvolver, jogadores que não tem responsabilidades, tempo de quadra ou influência no vestiário – dificilmente eles vão atrapalhar ou fazer algo negativo para um time. Ao contrário, o propósito prêmio de LVP é para “premiar” aqueles jogadores que possuem sim uma responsabilidade, expectativas e importância, e falham na sua tarefa tão espetacularmente – seja dentro de quadra, fora de quadra, ou ambos – que chegam a prejudicar e atrapalhar seus times mais do que se simplesmente não estivessem lá. São jogadores que não apenas estão deixando de adicionar, como também estão tirando da mesa.

Nesse sentido, temos alguns bons candidatos. Emmanuel Mudiay foi um desastre imenso para o Nuggets esse ano, e destruiu o time dos dois lados da quadra sempre que entrava no jogo: Denver teve Net Rating de -8,4 (!!!!) nos minutos que Mudiay passou em quadra, quase o dobro da segunda pior marca do time, e acabou sendo trocado para o Knicks sem muita cerimônia onde, apesar de uma aposta válida, Mudiay foi surreais -138 em 1050 minutos em quadra. Tristan Thompson esqueceu de jogar basquete, foi nulo dos dois lados da quadra para Cleveland, e passou mais tempo aparecendo em notícias da TMZ e envolvido em polêmicas fora de quadra do que jogando basquete em um ano que o Cavs teve a segunda pior defesa da NBA e precisava urgentemente de qualquer ajuda defensiva que pudesse. Carmelo Anthony arremessou 40% de quadra e 35% de três pontos, continuou não defendendo e estagnando todo o ataque sempre que tocava na bola, e embora o time jogasse melhor quanto menos ele jogasse com os titulares – o Net Rating da escalação titular do Thunder SEM Melo era 9,5 pontos maior do que COM Melo em quadra – se recusou aberta e publicamente a aceitar um papel com os reservas ou vindo do banco. O Sixers trocou por Trevor Booker, e Booker jogou 33 jogos tão mal, e estragando tanto o jogo do time com seus arremessos ruins e individualismo que logo foi dispensado sem a menor cerimônia. Hassan Whiteside foi um desastre defensivo e ofensivo que reclamou constantemente da falta de minutos e toques na bola ao longo do ano, mesmo que tudo indicasse que o Heat jogava muito melhor sem sua fraca defesa, e sem ter um pivô sem alcance segurando a bola no ataque e travando toda a movimentação de bola do time. Eu poderia continuar por mais uma hora.

Mas esse prêmio já tem dono esse ano apesar de tudo isso, e é Isaiah Thomas. Eu sei que Thomas jogou apenas 32 jogos, e tem a desculpa da lesão no quadril para explicar suas más performances (15-2-5, 3 turnovers, 37 FG%, 29 3PT%, 12,6 PER), mas não sei se algum jogador sabotou seu time mais do que Isaiah esse ano, por mais que me doa dizer isso. Thomas era para ser o substituto de Kyrie Irving nesse ataque de Cleveland, a estrela capaz de carregar o ataque sem LeBron, e comandar ações secundárias pontuando adoidado quando a bola não estava nas mãos do rei. Mas o que aconteceu foi exatamente o contrário: ainda baleado pela lesão no quadril, Isaiah não tinha a explosão ou agilidade de sempre para finalizar no garrafão ou passar por adversários velozes, mas ele continuou jogando como se fosse o jogador de 2017, Brad Stevens estivesse na lateral, e Isaiah estivesse metendo 30 pontos todo jogo… ao invés de chutando 36% de quadra e 25% de três, estagnando todo o ataque de Cleveland, e sendo uma catraca na defesa. A já horrenda defesa do Cavs atingia níveis históricos (para ficar claro: historicamente ruins) com o armador em quadra, e o ataque ficava estagnado, lento, e ineficiente. Não a toa, o Cavs teve Net Rating de -15,8 quando ele esteve em quadra, o que é ainda mais chocante considerando que 75% desses minutos vieram COM LEBRON JAMES EM QUADRA.

Como isso não fosse ruim o suficiente, Isaiah também foi um problema imenso no vestiário. Sua personalidade marrenta e forte deu muito certo nos vestiários de Boston, por exemplo, onde ele era a estrela e o time se agrupou em torno de Isaiah como um líder vocal e por exemplo, mas em Cleveland Isaiah nunca entendeu ou se encaixou na hierarquia de um vestiário já montado. Apesar de mal estar jogando, e jogando mal quando esteve em quadra, Isaiah estava reclamando pública e privadamente de seus companheiros que não iam bem, reclamando para a imprensa da falta de vontade e dedicação do time, e agindo como se fosse a maior estrela do vestiário. O auge disso foi quando Isaiah convocou o vestiário para cobrar Kevin Love de ter saído no começo de um jogo com uma crise de pânico, o que causou uma briga e um racha no elenco e alienou boa parte dos seus companheiros. Cleveland acabou mandando Isaiah para o Lakers sem a menor cerimônia só para se livrar dele dentro e fora de quadra, em meio a uma série de movimentos para aliviar o vestiário venenoso que tinha se formado, problema do qual Isaiah supostamente estava no meio. Isso por si só já garantiria o troféu para o armador.

Me dói dar esse prêmio para Isaiah, alguém que lutou contra tanta coisa ano passado (especialmente o falecimento da irmã) e cuja energia, personalidade forte e jogo único foram tão importantes para um Celtics que trocou ele sem nenhuma cerimônia quando teve a chance de pegar Kyrie Irving – muito disso não é culpa do armador, incluindo sua lesão. Eu torço muito para que Isaiah consiga um bom contrato essa offseason e possa retomar a forma. Saudável, ele era um jogador fantástico. Mas considerando o que aconteceu apenas em 2017/18, nenhum jogador atrapalhou mais o seu time dentro e fora de quadra do que Isaiah Thomas.

Ballot final: 1. Isaiah Thomas; 2. Emmanuel Mudiay; 3. Tristan Thompson; 4. Carmelo Anthony; 5. Hassan Whiteside.

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