Prêmios da temporada 2017/18 da NBA – Parte II

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Que horas são? Hora de prêmios da temporada, é claro! (Foto: Craig Mitchelldyer, USA Today)

Os playoffs da temporada da NBA são, é claro, a grande história do momento. E com razão. Tanto é que nossa cobertura da pós-temporada está muito intensa. Tivemos previews de Leste e Oeste para a primeira rodada; depois tivemos um preview para as semifinais de conferência da pós-temporada, incluindo algumas palavras sobre as séries já encerradas; e isso sem falar nas colunas semanais com atualizações e os pontos de mais interesse do que está acontecendo em cada série. Nossa cobertura da pós-temporada tem sido extensiva, mesmo com algumas dessas colunas sendo exclusivas para nossos assinantes.

Mas ao mesmo tempo, eu admito que adoro falar sobre os prêmios e times da temporada da NBA (All NBA, All Defense, etc). É uma tradição, e uma das minhas colunas favoritas de escrever todo ano. Então mesmo com os playoffs a todo vapor (e muito divertidos), eu queria tirar aqui umas colunas para falar desse assunto.

Essa coluna é na verdade a segunda parte de uma série de três colunas. A Parte I, que trata dos prêmios individuais da temporada: MVP, Defensive Player of the Year, Rookie of the Year, Coach of the Year, 6th Man of the Year, e Most Improved Player, saiu duas semanas atrás.

Essa coluna então é a Parte II que trata dos times ideais da temporada: All NBA, All Defense e All Rookie Teams. Na Parte III será a vez dos Prêmios Alternativos da temporada 2017/18 da NBA.

E para repetir algo importante e deixar totalmente claro antes de vocês lerem essa coluna: essas decisões são difíceis, e isso é duplamente mais difícil esse ano. Tanto nos prêmios individuais como nos times ideais da temporada, vai ser difícil achar um ano mais parelho e com mais possibilidades do que o de 2017/18. O jogador que você gosta não ser escolhido não é porque eu odeio ele, porque eu odeio o seu time, porque eu não entendo nada de basquete e/ou não vi ele jogar. Essas decisões são difíceis, e muitas vezes a margem entre diferentes opções é muito pequena. Você pode ter mais de um jogador merecedor em um prêmio ou um lugar em um time ideal, e alguém vai ter que ficar sem. Faz parte da vida.

Todas as decisões dessa coluna (e de todas as outras) foram muito pensadas e estudadas. E não é figura de expressão: eu passei boa parte das últimas semanas enquanto os playoffs não se definiam estudando vídeos, assistindo reprises de jogos, vendo estatísticas, e pesando todos os casos principais dessa coluna. Então se você não concordar comigo – o que é perfeitamente válido – só lembre do quanto de trabalho vai nisso, e do quanto cada decisão foi pensada e estudada antes de ser feita, ao invés de só reclamar que eu não escolhi quem você queria.

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Colunas da série

Parte I – Os prêmios individuais
Parte II – Os times ideais da temporada
Parte III – Os prêmios alternativos

1st, 2nd e 3rd Teams All-NBA

Para quem esqueceu como funcionam os All-NBA Teams – ou como são chamados em português, os quintetos ideais da temporada – um rápido lembrete: ao contrário do All Star Game, onde os times tem 2 “guards” (ou armadores) e 3 “frontcourt players” (alas ou pivô) independente da posição, nos times All-NBA cada time (1st, 2nd e 3rd Teams) é composto por 2 “guards” ou armadores, 2 “forwards” ou alas, e 1 pivô. Sim, isso leva a algumas interpretações dúbias, dúvidas, e algumas “trapaças” (na falta de um termo melhor) para encaixar todos os jogadores. Todo ano isso gera dúvidas sobre onde é adequado colocar os jogadores ou não, e esse ano não vai ser diferente.

E ao contrário do prêmio de MVP, onde o critério de “mais valioso” acaba influenciando os votantes, aqui é mais simples e direto: quem foi o melhor jogador, que mais teve impacto no ano, e pronto. Isso pode levar, em alguns momentos, a coisas engraçadas – o melhor exemplo foi em 1962, quando Bill Russell foi (corretamente) o MVP da NBA, mas Wilt Chamberlain foi o pivô do 1st Team All NBA. A lógica dos votantes foi simples: nenhum pivô conseguia ser individualmente mais produtivo e dominante que Wilt, mas Russell era claramente o jogador mais valioso para fazer seu time vencer.

Em uma nota relacionada, o Boston Celtics de Russell acabou ganhando o título aquele ano.

1st Team All-NBA: James Harden, Damien Lillard, LeBron James, Giannis Antetokounmpo, Anthony Davis

O primeiro time em geral é sempre o mais fácil, porque ele muitas vezes reflete os jogadores que estão na minha lista para o prêmio de MVP da coluna passada. Então James Harden, o meu voto para MVP, obviamente entra no 1st Team All-NBA, por exemplo.

Entre os jogadores de frontcourt, Anthony Davis, LeBron e Giannis foram 2-3-4 no meu ballot, e eu fiquei em dúvida se eu colocaria Davis, um PF de origem, e um entre LeBron e Giannis no 1st Team, derrubando o outro para o segundo time. Eu expliquei na coluna passada porque eu acho que a temporada de LeBron individualmente não foi tão boa quanto pareceu à primeira vista, e que Giannis individualmente talvez tenha sido até seu superior, o que nos daria uma disputa real pela segunda vaga… mas os dois foram tão bons que uma solução mais fácil se apresentou: colocar Anthony Davis no primeiro time como pivô, e encaixar tanto LeBron como Giannis como os dois alas do time.

Embora Davis seja um ala de força nominal, ao ponto de que o Pelicans até contratou EMEKA OKAFOR (jogando bem de verdade!) para começar os jogos como pivô titular e permitir a Davis manter seu status como PF do time (que ele valoriza), a verdade é que ele jogou tanto de pivô como de ala de força para o Pelicans esse ano: 49% dos minutos de Anthony Davis esse ano vieram sem Cousins, Okafor ou Asik em quadra, e o Basketball-Reference estima que 51% dos minutos de Davis vieram como pivô – números que obviamente aumentaram consideravelmente após a lesão de Cousins. Então me parece totalmente válido encaixar Davis como pivô, onde ele é muito mais letal e teve seus momentos mais dominantes esse ano, no 1st Team All-NBA. E isso libera espaço para Giannis e LeBron, merecidamente, entrarem ambos no time. Durant, que teve uma excelente temporada, fica para o segundo time muito mais por força da concorrência do que por outra coisa.

Com isso definido ficam faltando os guards. Um, óbvio, vai ser meu MVP, James Harden. O outro? É, boa sorte definindo esse outro. Esse vai ser inclusive um tema muito recorrente nessa coluna: como diabos você vai selecionar apenas cinco guards (para a vaga restante no 1st team, mais as duas vagas do 2nd e 3rd teams) entre Steph Curry, CP3, Russell Westbrook, Victor Oladipo, DeMar DeRozan, Bradley Beal, Kyle Lowry, Jrue Holiday, Kyrie Irving e Damien Lillard? É simplesmente impossível selecionar só cinco deles. Mas é meu trabalho, então eu tenho certeza que ofenderei alguém no processo. É a vida.

Todas as opções tem prós e contras. Entre muitas EXCELENTES opções, eu acabei ficando com Damien Lillard para a segunda vaga. Ele foi, basicamente, quem mais se destacou pra mim em um equilíbrio entre longevidade (Curry e Paul perderam muitos jogos, por exemplo) e atingir um novo nível na temporada, acima dos demais. Lillard teve média de 27 pontos e 6.6 assistências com bons números de eficiência, elevando seu jogo cada vez mais de forma semelhante ao Curry, cada vez mais letal fora da bola e usando sua gravidade para abrir espaço para o resto do time. Depois de voltar de lesão no começo de janeiro, com o Blazers sofrendo para encontrar seu jogo, Lillard entrou em uma sequência fabulosa para encerrar a temporada, com média de 29 pontos e 7 assistências em 45-37-91 nos arremessos para impulsionar a excelente arrancada de Portland rumo à #3 seed do Oeste. Em um ano com várias ótimas opções, mas nenhuma muito acima dos demais, Lillard foi quem mais se destacou e fica com essa segunda vaga.

2nd Team All-NBA: Stephen Curry, Victor Oladipo, Kevin Durant, LaMarcus Aldridge, Joel Embiid

Embora LeBron e Giannis no 1st Team All-NBA tenha sido uma decisão fácil, não foi agradável derrubar Durant para o 2nd Team. Em meio a uma boa temporada defensiva na qual Durant bloqueou mais arremessos do que nunca (1,8 tocos por jogo), o ala do Warriors teve mais uma temporada ofensiva insanamente eficiente com 26 pontos por jogo, 52 FG%, 42 3PT% e 89 FT% com ótimos passes e muitas vezes carregando o time ofensivamente na ausência de Steph Curry. Durant acabou um nível abaixo de Giannis e LeBron na minha avaliação pelos jogos perdidos (14 ao todo) e pelo nível de letargia geral do Warriors dos dois lados da quadra, do qual Durant foi um participante e precisa ser levado em conta aqui, mas foi mais uma temporada fantástica do camisa 35 de Golden State – LeBron e Giannis foram simplesmente um pouco melhores.

A outra vaga de ala também é uma decisão fácil. Embora seja fácil se maravilhar com o projeto e a continuidade do Spurs e a genialidade de Popovich, que mais uma vez foi aos playoffs em um brutal Oeste mesmo sem sua maior estrela (Kawhi Leonard) durante quase toda a temporada regular, uma parte desse crédito tem que ir para LaMarcus Aldridge, o pilar que o Spurs usou ao longo do ano para se manter vivo. Depois de um 2017 complicado no qual Popovich tentou adaptar mais Aldridge à forma de jogar do Spurs (levando a infelicidade de ambas as partes), dessa vez Pop se esforçou para usar Aldridge da forma que era mais confortável e produtiva para o ala, e montar o resto do time ao seu redor. Sem Kawhi Leonard, isso foi a salvação do Spurs: todo o ataque do Spurs funcionava através do jogo de garrafão e dos arremessos de Aldridge, que carregou esse ataque nas costas com 23 pontos e 8 rebotes por jogo com 51 FG%, além da defesa de alto nível que tem mostrado em San Antonio. O Spurs despencava ofensivamente quando o camisa 12 ia para o banco e foi muito ruim quando o ala perdeu tempo machucado, e não à toa, já que ele tinha uma responsabilidade imensa de ser o início de quase todas as jogadas para um time que não tinha boas opções para criar arremessos e quebras defensivas. Foi uma excelente temporada de Aldridge.

O pivô foi fácil, Joel Embiid. Mesmo perdendo 19 jogos com lesões e descanso, não teve um pivô mais dominante e impactante esse ano que Embiid. A superestrela do Sixers enfim mostrou capacidade de ficar saudável das lesões no joelho e pés que atormentaram sua carreira, e nos entregou uma temporada fantástica: foi o melhor defensor da temporada de um lado, e foi um dos jogadores de garrafão mais dominantes no ataque, com médias de 23-11, 3 assistências e 1,8 tocos. Eu já falei muito sobre a defesa de Embiid na coluna anterior quando votei nele para DPOY, mas seu ataque é igualmente espetacular, o raro jogador capaz de abrir espaço na quadra e ao mesmo tempo ser uma máquina de castigo de costas para a cesta ou jogando dentro do garrafão. Com Embiid em quadra, o Sixers teve Net Rating de +11,6, superior à marca do Rockets por quase três pontos inteiros, e o time despencou dos dois lados da quadra sem o camaronês durante boa parte do ano. Se não fossem os 19 jogos perdidos, Embiid teria um caso bem sério de 1st Team All-NBA como pivô (e Davis derrubando algum ala para o segundo time).

Por fim a recorrente dúvida da coluna: o que fazer com os dois lugares de guards?

Um dos meus votos para esse time foi Curry, o que trás de volta um eterno debate: o que fazer com jogadores que perdem tempo considerável da temporada com lesão? Curry perdeu 31 jogos da temporada, não o suficiente para desconsiderá-lo para as disputas de prêmios (meu cut-off pessoal é 50 jogos), mas ainda assim significa que teve muito menos tempo para impactar o jogo… mas ao mesmo tempo, Curry quando esteve em quadra foi melhor do que qualquer outro guard tirando (talvez) Harden. E ai entra a questão: 51 jogos de Curry jogando no mais alto nível da NBA são mais valiosos do que, digamos, Kyle Lowry jogando em 78 jogos um ou dois níveis abaixo? É a mesma questão que afeta outros armadores dessa disputa que perderam tempo considerável (como Kyrie Irving e Chris Paul), e não existe uma resposta certa ou fórmula mágica.Disponibilidade importa e muito, mas jogar em um nível superior também – é difícil dizer qual importa mais, ou qual a linha a ser traçada. É preciso analisar caso a caso.

Mas me foi impossível derrubar Curry além do segundo time simplesmente por quão insanamente, historicamente bom Curry foi quando esteve em quadra. Curry foi fantástico no que diz respeito ao seu impacto tangível – 26 pontos, 5 rebotes e 6 assistências com os melhores percentuais de eficiência para um jogador de perímetro que você vai encontrar na história da NBA – 42 3PT%, 49,5 FG%, 92 FT%, 61,8 eFG%, etc. Curry reinventou um pouco seu jogo esse ano, se tornando ainda mais letal da meia distância, e atacando a cesta e cavando mais faltas que nunca. Com Curry em quadra, o Net Rating do Warriors é um surreal +14,7 por 100 posses de bola; sem ele, cai para míseros +2,9.

Mas a verdade maior é que nós, como analistas, torcedores e entusiastas do esporte, estamos ainda apenas começando a entender o impacto real de um jogador como Stephen Curry, alguém que muda toda a geometria da quadra apenas por existir dentro dela, e cuja movimentação fora da bola sozinha desmonta times além da compreensão. Esse tipo de gravidade é imensamente valiosa para o Warriors, é um esquema ofensivo por si só, e a chave de tudo que Golden State faz desse lado da quadra – parte disso é refletido nos surreais Net Ratings dos times de Curry com ele na quadra vs com ele fora, mas ainda é apenas uma tentativa de medir algo maior. O ótimo Nylon Calculus recentemente fez um estudo sobre qual jogador tem maior impacto sobre a qualidade e eficiência dos arremessos dos companheiros quando está em quadra, e Curry foi o #1 da lista, na frente até mesmo de LeBron James (o #2), que é só um dos melhores passadores e criadores da história do esporte. Ainda estamos apenas começando a entender e medir esse impacto, mas não tem como negar que ele é imenso, e tudo vem de Stephen Curry. Mesmo com 51 jogos apenas, ele fez mais do que suficiente para merecer esse lugar.

A segunda vaga entre guards ficou com Victor Oladipo, que teve defesa de elite (esperem mais um pouco) e enorme qualidade ofensiva (23 pontos, 4 assistências em 48-37-80 nos arremessos) para um time do Pacers que dependia demais dele, e ele entregou durante grande parte do ano. Indiana é um time sólido, mas arrumadinho, cheio de jogadores que fazem sua função e é isso. Se o time teve um ótimo ano e foi uma das grandes surpresas da temporada foi porque Oladipo revolucionou seu jogo e deu um enorme salto rumo a ser uma legítima estrela, capaz de jogar dentro de um esquema quando este funcionava, e assumir a responsabilidade e resolver sozinho quando precisou – uma linha mais difícil de navegar do que parece. Em termos de brilhantismo individual e impacto coletivo, Oladipo fez por merecer essa segunda vaga do 2nd Team All-NBA.

3rd Team All-NBA: DeMar DeRozan, Chris Paul, Jimmy Butler, Ben Simmons, Al Horford

Embora eu tenha levado seriamente em conta jogos perdidos durante as votações, Chris Paul entra no 3rd Team All-NBA pela mesma lógica de Curry: embora seu impacto não seja tão fora da curva, tão supremo como o do armador do Warriors, Paul jogou 7 jogos a mais e também teve uma temporada fantástica para o melhor time da NBA, parte de uma dupla de altíssimo nível com Harden, com ambos se complementando perfeitamente e os dois carregando o time sem deixar o nível cair quando estavam separados.

O Rockets teve Net Rating de +13,1 com Paul E Harden juntos em quadra, e +12,6 com Paul sozinho – ou seja, Paul segurou o time no mesmo nível mesmo sem seu MVP. Considerando seu impacto dos dois lados da bola, sua participação como segundo melhor jogador do melhor time da liga (e um time de nível histórico para a NBA em geral), e sua adaptação impecável para ser o segundo craque do time e a um estilo de jogo diferente do habitual, seu impacto foi grande demais para deixar ele de fora de um time, então ele entra no terceiro time mesmo com menos jogos do que a concorrência.

Uma lógica semelhante vale para Jimmy Butler, embora Butler não tenha que vencer uma disputa tão apertada, e com tanta gente perto, como Paul. O ala do Wolves perdeu 23 jogos machucado, mas quando jogou ele foi um gigante, e o grande motor por trás do sucesso do Wolves: Minny começou o ano com dificuldades enquanto Butler tentava se adaptar a um papel mais secundário, mas quando o camisa 23 se cansou e decidiu assumir o comando do time, o Wolves decolou com Butler tendo médias de 25-5-5 e 50 FG% antes de se machucar. Minnesota, previsivelmente, afundou sem ele da terceira colocação do Oeste para a oitava, embora Butler tenha voltado a tempo suficiente para ajudar o Wolves a garantir essa última vaga para a pós-temporada. Quando jogou, Butler foi melhor do que qualquer outro ala que possa ter sobrado na NBA por uma boa margem.

O último lugar de ala vai para Ben Simmons (que eu pensei em incluir entre os guards porque eu não faço ideia de qual posição colocar o australiano), que por um triz ganhou de Paul George (que teve um ótimo ano mas decaiu consideravelmente, especialmente na defesa, ao longo da temporada), Draymond Green (sua intensidade não foi tão grande esse ano, reduzindo seu impacto defensivo, e seus 30 3PT% não ajudam) e até Al Horford como PF (para abrir mais uma vaga de pivô). Eu já falei tudo que tinha para falar sobre o jogo de Ben Simmons no debate sobre o calouro do ano, mas vale frisar que ele foi a grande força (junto de Embiid, mas jogando 30 jogos a mais) para um time que saiu de 28 vitórias em 2017 para 52 e a #3 seed do Leste. Simmons é uma mistura rara de defesa de elite e um dos melhores passadores que você verá na sua vida, comandando um Sixers muito impressionante com 16-8-8 e 54 FG% de médias e assumindo o manto do protagonista quando Embiid machucou – e vencendo 16 jogos seguidos no processo. Qualquer um desses nomes merecia essa última vaga, mas Ben Simmons esteve em outro nível.

Com isso ficamos com duas decisões dificílimas: o último pivô, e o último armador.

Para o armador, a decisão ficou entre Russell Westbrook, Kyrie Irving, Kyle Lowry e DeMar DeRozan. DeRozan deu uma caída na reta final da temporada e Lowry voltou a assumir mais protagonismo, tornando essa disputa mais apertada, mas Lowry viu seu papel no time e seus números (em especial nos arremessos) caírem esse ano, e foi inegável vendo essa temporada que DeRozan foi o principal jogador e coração do time do Raptors, então não dava para colocar o armador sobre seu colega. Da mesma forma, eu acabei deixando Kyrie de fora porque, apesar de todo seu brilhantismo e impacto em um excelente time de Boston, Kyrie perdeu 22 jogos machucados, e ao contrário de Curry e Paul eu não acho que ele foi superior a ponto de compensar esse tempo a menos.

Então a vaga ficou entre DeRozan e Westbrook. Nos números, o armador de Oklahoma City tem a vantagem: foi seu segundo ano seguido com média de um triple double (25-10-10), o que obviamente chama muito a atenção. Mas como alguém que viu um número muito grande de jogadores do Thunder, a verdade é que o impacto do Westbrook não foi nem de longe tão grande quanto parece.

Embora eu não seja o maior fã do jeito de jogar individualista e monopolizador das ações do Westbrook – recomendo, inclusive, essa excelente coluna do Zach Lowe a respeito – essa forma de jogar ano passado era justificável: OKC não tinha as peças para gerar espaçamento de quadra com arremessos e faltava outros criadores com a bola nas mãos (embora, convenhamos, Oladipo tem se saído bem demais nisso em Indiana), então era necessário que Westbrook gerasse essas ações ofensivas com sua explosão e infiltrações, e controlasse muito desse ataque. Mesmo que não fosse a melhor forma de maximizar o elenco do Thunder, é possível argumentar que essa era a forma que dava ao time o maior piso, e ajudou a franquia a ter um bom ano mesmo após a saída de Kevin Durant.

Mas isso definitivamente não era mais verdade esse ano: o Thunder tinha mais espaçamento, mais criadores, e muito mais talento. O Thunder não precisava mais que Westbrook fizesse tudo para elevar o piso do time; agora era a hora de adaptar seu jogo para melhorar o teto, o encaixe, permitir que esse elenco muito melhor atingisse seu melhor basquete. É isso que estrelas na NBA fazem: elas adaptam seu jogo e sua forma de jogar para maximizar o time ao seu redor. Westbrook nunca fez isso. Ao contrário, ele continuou jogando como sempre, e forçou o time a continuar se adaptando e saindo da sua melhor forma para acomodar seu estilo individualista. Só que agora isso não estava mais sendo feito em um time que precisava muito aumentar seu piso; ele só estava limitando o teto. Por melhor que tenha sido Westbrook individualmente, o que levou a essa performance também custou ao seu time, e levou um Thunder muito mais talentoso a vencer apenas 1 jogo a mais que em 2017. Seu impacto total não foi tão grande.

DeRozan foi o oposto. Apesar de números um pouco mais modestos (23-4-5), DeRozan precisou reinventar completamente sua forma de jogar esse ano, se adaptar daquilo que o levou a ser três vezes All Star para poder ajudar seu time a mudar sua forma de jogar, se adaptar de um ataque vindo de isolações para um com mais movimentação de bola e chutes de três. Foi uma reinvenção massiva da forma de jogar para o Raptors, que eventualmente levou o time ao topo do Leste e a melhor campanha da sua história, e ela não teria possível sem DeRozan sacrificando um pouco dos seus números e mudando seu estilo de jogo para que fizesse acontecer. Essa aceitação e conversão orgânicas de DeRozan ao novo modo de jogar foi um dos fatores chaves pelo qual Toronto fez essa transição tão bem sucedida – se o melhor jogador do time está fazendo, todo o resto se encaixa no lugar – e elevou o teto do Raptors a um novo nível, muito superior de onde OKC chegou com Westbrook. Ao contrário do armador do Thunder, cujo estilo de jogo nunca se adaptou a uma nova realidade e não conseguiu elevar o nível do seu time, DeRozan fez exatamente isso. Seu impacto total, no final das contas, foi maior para o seu time. Ele fica com minha última vaga.

Por fim, a disputa pela última vaga de pivô foi quase tão difícil quanto a de armador. Como só tem um lugar de pivô em cada time All-NBA, é menos vagas para muita gente boa esse ano. Então com Davis e Embiid um nível acima nos dois primeiros times, temos uma vaga para Al Horford, Nikola Jokic, Karl Anthony Towns, Rudy Gobert e, embora ele não vá receber muito amor nesse prêmio na vida real, Steven Adams.

Definir essa última vaga foi muito difícil, em parte porque o argumento a favor de cada um dos candidatos é tão diferente. Jokic e Towns são de longe os melhores jogadores ofensivos desse grupo e os que carregam mais responsabilidade nesse sentido, mas também são os piores defensores em times que sofreram demais com a defesa ao longo do ano. Gobert é o melhor defensor, mas embora seu ataque não seja ruim ele é abaixo dos concorrentes, e também perdeu 26 jogos machucado.

Jokic foi o mais difícil de deixar de fora do time, simplesmente pelo quão insanamente dominante ele foi na reta final da temporada, colocando o Nuggets nas costas e mantendo o time quase sozinho na briga pelos playoffs (24-12-6 com 54-48-87 nos arremessos nos últimos 20 jogos). Mas ao longo do ano, a defesa e a inconsistência foram dois dos maiores problemas que mantiveram o Nuggets fora da pós-temporada, e Jokic foi parte integral de ambos os problemas. Não é culpa dele que o Nuggets não foi melhor, mas foi parte do efeito “negativo” do seu jogo que não elevou o time ainda mais. Não tira seu brilhantismo, ele ainda foi fantástico, mas é um defeito no seu jogo que teve repercussões negativas para sua equipe.

Acabei ficando com Al Horford para a última vaga. Ele é a melhor mistura de ataque, defesa, e impacto coletivo desse grupo. Um defensor Top5 da temporada que funcionou como o centro ofensivo de tudo que o Celtics fez ao longo do ano, Horford pode não ter as estatísticas mais chamativas (13-7-5 com ótimos 49-42-79 nos arremessos), mas a questão é que muito do que faz do jogo de Horford brilhante não se reflete diretamente nelas: sua versatilidade dos dois lados da quadra foi um fator chave para destravar as diferentes formações e modos de jogar de um time que precisou se adaptar continuamente a novas situações ao longo do ano; seus cortas-luz são dos melhores da NBA e uma fonte importantíssima do Celtics começar suas ações ofensivas; sua capacidade de tomar decisões corretas dos dois lados tem um impacto enorme no jogo. Ele é capaz de dominar o garrafão, estender para a linha dos três pontos e espaçar a quadra, jogar como facilitador, assumir um papel secundário – e fazer tudo em altíssimo nível.

E, acima de tudo, Horford foi o único ponto de estabilidade de uma temporada absurdamente instável do Celtics, trocando 80% do elenco na offseason, perdendo seu melhor jogador com 5 minutos do ano, perdendo o segundo melhor jogador durante 22 jogos, dando muitos minutos a calouros e jogadores jovens… Horford foi o que manteve tudo isso junto, estável e funcionando, durante todo o ano. Na falta de armadores e criadores, o ataque fluiu por ele. Com vários calouros e defensores inexperientes, a versatilidade de Horford foi chave para a melhor defesa da NBA. Não a toa os números do Celtics foram ótimos com ele (+7,1 Net Rating) e despencam com Horford fora (-0,8). Ele foi a força motriz por trás da 2nd seed do Leste em um ano que Boston JAMAIS deveria ter chegado tão longe. Ele merece essa última vaga.

Bem, hora de passar seguir em frente e falar dos times defensivos da NBA. Mas antes disso…

4th Team All-NBA: Kyrie Irving, Russell Westbrook, Paul George, Draymond Green, Nikola Jokic

Me processem.

1st e 2nd Teams All-Defense

Os times de defesa são apenas dois, mas as regras são as mesmas dos All-NBA: 2 guards, 2 forwards, 1 pivô por time.

1st Team All-Defense: Jrue Holiday, Victor Oladipo, Giannis Antetokounmpo, Anthony Davis, Joel Embiid

Os três últimos nomes são simples: os três estavam entre os 5 finalistas do prêmio de Defensive Player of the Year na coluna passada. Embiid, meu vencedor, ficou com a vaga de pivô titular. Como ele e e Gobert, meu #2, disputam a mesma posição e só tem um pivô por time, infelizmente Gobert vai cair para o segundo time. Davis foi o #3, e nesse time ele entra como um ala – como dito anteriormente, ele jogou aproximadamente 50% dos seus minutos de PF e 50% de pivô, e está disponível nas duas posições na votação. Pode ser esquisito colocar ele em posições diferentes aqui e no 1st Team All NBA, mas como a NBA ainda se prende a essas designações antiquadas nos seus quintetos da temporada, eu acho totalmente válido usar as posições diferentes de um jogador como Davis para colocar o máximo de jogadores dignos nos times. O outro lugar…

Na votação para DPOY, eu coloquei Horford na frente de Giannis, com o pivô de Boston vindo em quarto lugar, e o ala do Bucks em quinto. No entanto, para DPOY – como eu expliquei na coluna – eu considero mais o impacto total sobre o coletivo que o jogador tem, e nesse sentido eu achei que Horford (a âncora da melhor defesa da NBA) tinha tido um impacto total maior do que Giannis e a fraca defesa do Bucks. Mas nos times All-Defense meus critérios mudam um pouco, e eu considero mais o impacto que o jogador teve de um ponto de vista mais (mas não totalmente, claro) individual, e nesse sentido eu achei que Giannis foi um pouco mais dominante do que Horford – e por isso o grego entra no primeiro time.

Entre os armadores, também foi surpreendentemente fácil. Jrue Holiday mereceria mais amor nos times All-NBA se não fosse um ano espetacular para armadores, mas defensivamente ele foi melhor do que qualquer armador essa temporada. Jogando boa parte da temporada como o SG nominal do Pelicans, Holiday sempre recebia a tarefa de perímetro mais difícil nos jogos de New Orleans, marcando até mesmo jogadores da posição 3 e sendo responsável por pressionar e desmontar muito das jogadas iniciais dos ataques adversários, e Holiday executou essa tarefa magistralmente durante a temporada inteira. Claro que os playoffs não contam para esses prêmios, mas olhem o que Holiday fez contra Lillard na primeira rodada da pós-temporada – lutando por cima de todas as screens, atacando por cima no pick and roll, acompanhando e sufocando as infiltrações – e aplique isso para toda a temporada de um time do Pelicans que precisava desesperadamente de cada contribuição defensiva que conseguisse arrumar. Foi Holiday durante toda a temporada 2017/18, com uma defesa maníaca e extremamente eficiente. Ele foi fantástico e merece esse respeito aqui.

A posição final de guard também foi uma decisão fácil, Victor Oladipo. Assim como o ataque, essa foi a temporada que o camisa 4 finalmente pegou todo seu talento e potencial e juntou em um resultado impressionante do lado defensivo da quadra. Oladipo sempre foi ao longo da carreira um late bloomer, o tipo de cara que demora para se desenvolver e explodir – foi assim em Indiana (a universidade), quando apenas como junior Oladipo se transformou em uma estrela e melhor defensor da NCAA – e a defesa que mostrou esse ano lembra demais a que mostrou no College: um pit-bull extremamente feroz em cima do ballhandler, atacando o adversário e partindo para cima da bola, voando em linha de passes, e usando toda sua explosão e atleticismo ao máximo da sua eficiência para uma das marcações mais agressivas da NBA. Oladipo navegou durante todo o ano a dificílima linha de ser agressivo e atacar a bola na defesa sem cometer faltas, liderando a NBA em roubos de bola e sendo um fator destruidor desse lado da quadra, e isso com a enorme responsabilidade de ser muitas vezes o defensor no ponto de ataque para o Pacers. Uma fantástica temporada em todos os sentidos para o astro de Indiana.

2nd Team All-Defense: Josh Richardson, Dejounte Murray, Robert Covington, Al Horford, Rudy Gobert

Os dois últimos nomes já foram explicados anteriormente: Gobert foi meu #2 na corrida pelo DPOY mas precisou cair aqui porque não tinha lugar para ele E Embiid no 1st Team All Defense dadas as limitações de posições, e Horford foi meu #4 na corrida e cai para cá atrás de Giannis e Davis nas alas. Horford na temporada jogou mais de 40% dos seus minutos na posição de power forward, formando uma excelente dupla com Aron Baynes quando este jogava de pivô, o que fez Horford não só estar disponível nas duas posições para os votantes (pivô e ala) como isso e sua excelente defesa de perímetro me fazem ficar mais do que confortável colocando-o aqui.

A segunda vaga de ala ficou entre Robert Covington, Paul George e Draymond Green, mas uma relativa falta de intensidade e vontade tornou a temporada defensiva de Green razoavelmente menos eficiente que de costume e não me deu nenhuma vontade de recompensá-la aqui, enquanto a defesa de George caiu consideravelmente na segunda metade da temporada após a lesão de Roberson, quando George começou a ser responsável por marcar os melhores jogadores do adversário e não apenas viver de atacar segundas opções e voar em linhas de passe. Então a vaga fica com Covington, que defendeu de fato o melhor jogador de perímetro dos adversários em quase toda a temporada do Sixers, muitas vezes defendendo inclusive armadores para manter a formação defensiva da franquia e manter os matchups trocados como Philly tanto gostava (apesar disso, Covington não foi disponibilizado como guard na votação pela NBA, infelizmente). Covington defendeu jogadores de quatro posições ao longo do ano com enorme eficiência, liderou a NBA em quase todas as estatísticas defensivas que indicam esforço (como passes desviado por jogo, por exemplo) e foi uma ameaça hiperativa causando turnovers que alimentavam o mortal ataque de transição de Philly. Uma das melhores coisas dessa temporada surpreendente do Sixers foi Covington finalmente receber o crédito que deveria já faz pelo menos três anos.

Entre os armadores, tinha uma terceira certeza para esses times, que foi Josh Richardson de Miami. Richardson é basicamente uma versão menor de Covington, defendendo múltiplas posições para Miami, assumindo diferentes papeis defensivos que permitiam a Eric Spolestra usar formações diferentes, e seu estilo físico e energético gerava uma tonelada de desvios de passe, turnovers, e contra ataques que o Heat precisava. Richardson teve média de quase 1 toco por jogo – um número obsceno para um guard – e aperfeiçoou a arte de dar esses tocos vindo por trás  de quem está com a bola mesmo na meia quadra (ou em jumpers), ao ponto de que alguns jogadores enfrentando o Heat simplesmente deixavam de arremessar quando Richardson estava na perseguição. Esse talento bizarro mas muito eficiente permitia ao camisa 0 ser muito mais agressivo e sair um passo mais longe quando marcava pick and rolls ou atacava um arremessador, o que por sua vez causava ainda mais dificuldades para os atacantes. Dragic é a estrela do Heat, mas o seu melhor jogador esse ano foi Richardson, e muito disso veio do seu imenso impacto do lado defensivo da bola.

A última posição foi mais difícil, com vários candidatos e nenhuma certeza. Mas entre as opções, muitas válidas mas nenhuma certeza depois de Richardson, quem mais se destacou como merecedor para mim foi Dejounte Murray, o armador de braços gigantes do Spurs. Apesar da imaturidade e de não ter o maior número de minutos em quadra, Murray foi um defensor simplesmente destruidor esse ano. Um terror nas linhas de passe, muito bom defendendo no mano a mano e no pick and roll, muito ativo no garrafão, Murray e sua capacidade de destruir qualquer jogada quando ainda está nascendo foram o pilar defensivo em torno do qual o Spurs montou a terceira melhor defesa da NBA apesar de dar muitos minutos para jogadores como Kyle Anderson, Patty Mills e Pau Gasol que não defendem nem ponto de vista a essa altura. Quando Murray está na jogada principal, ele foi fantástico desmontando  as ações ofensivas e gerando turnovers. Quando ele não está diretamente envolvido, sua ajuda defensiva é muito mais parecida com um ala longo ou um jogador de garrafão do que um armador, e ajudou demais a encobrir as deficiências defensivas de alguns colegas. A defesa do Spurs foi a melhor da NBA, superior a Celtics ou Jazz, sempre que Murray estava em quadra, e despencava para uma consideravelmente abaixo da média quando o armador estava no banco – nenhum jogador no Spurs teve uma disparidade tão grande em performance defensiva do time quando estava em quadra vs no banco.

O que me fez pausar com Murray foram seus minutos – apenas 22 por jogo – mas não houve armador que tenha causado mais destruição entre o resto dos concorrentes à vaga, e aqui eu optei por ficar com o jogador mais dominante na última vaga. Se ganhar mais tempo de quadra (e o Spurs trocar mesmo Kawhi), Murray vai ganhar votos para DPOY em um futuro bem próximo.

Entre as últimas considerações para disputar com Murray: Marcus Smart não teve jogos suficientes; Andre Roberson jogou ainda menos e ficou fora de consideração. Chris Paul guardou sua energia mais que de costume para o lado ofensivo, e também perdeu muito tempo machucado. Rubio teve uma leve queda defensiva enquanto sofria para conciliar uma carga ofensiva maior, e só realmente se impôs desse lado da quadra na segunda metade da temporada, sob a proteção de Gobert. Caris LeVert tem flashes impressionantes e enorme futuro, mas não mostrou ainda a consistência desejada. O mesmo vale para Terry Rozier. Klay Thompson sofreu da mesma falta de energia e vontade que os demais jogadores do Warriors esse ano. Eu pensei em colocar Ben Simmons – elegível como armador E ala – mas boa parte da sua defesa de elite veio contra outros alas ou jogadores maiores, apesar da capacidade de trocar a marcação em armadores sem problemas. Murray foi o mais dominante entre todos esses, e a âncora da terceira melhor defesa da NBA para um time que, com as peças que tinha, não deveria ter sonhado em chegar nesse patamar. O camisa 5 merece os créditos por isso.

1st e 2nd Teams All-Rookie

Lembrando que, ao contrário dos outros times “ideais” da NBA, o quinteto dos calouros não liga para posições – ele escolhe os 5 melhores calouros, independente de todos seguirem um alinhamento “normal” ou todos jogarem na mesma posição.

1st Team All-Rookie: Ben Simmons, Donovan Mitchell, Jayson Tatum, Kyle Kuzma, Bogdan Bogdanovic

Simmons e Mitchell eu não preciso falar – são dois dos melhores calouros que a NBA viu em muitos e muitos anos, e protagonista de uma disputa feroz pelo prêmio de calouro do ano.

Eu também não deveria precisar falar de Tatum, mas infelizmente o ala do Celtics é um jogador que não recebeu os créditos que mereciam por uma temporada fantástica de calouro por mérito próprio. Parte disso é ser ofuscado pela temporada fantástica de Mitchell e Simmons, que fazem muitas pessoas dar menos atenção para outros calouros, mas parte também é porque muito do que faz do jogo de Tatum especial vem de coisas que não aparecem diretamente nas estatísticas.

Tatum tem bons números (14 pontos, 5 rebotes, 43 3PT%, #2 entre todos os calouros em Win Shares), mas o mais impressionante no seu jogo é o quanto o jogador de 19 anos parece um veterano de 7 temporadas de NBA. Ele se mostrou muito confortável assumindo papeis diferentes ao longo do ano por um Celtics que precisou desesperadamente dessa versatilidade, a mais notável delas foi entrando nos imensos sapatos deixados vagos por Gordon Hayward sem o Celtics perder o ritmo. Tatum é um fantástico defensor, muito versátil e inteligente, e impossível de se atacar em closeout graças a seus braços enormes e agilidade nos pés; times frequentemente saiam do seu plano ofensivo para atacar o calouro, só para descobrir que Tatum mais do que dava conta do recado. Um calouro não deveria ter o nível de conhecimento de Tatum em coisas que podem parecer besteira, mas juntas formam a espinha dorsal da melhor defesa da NBA: saber trocar a marcação fora da bola (e mesmo na bola) sem abrir espaços, saber quais defensores deixar livre para ajudar e quais manter a marcação, como atacar linhas de passe e gerar roubos e desvios sem sair demais de posição. São todas coisas pequenas mas que normalmente exigem anos de experiência e leituras de nível NBA, e Tatum se mostrou um mestre em todas elas. Ele simplesmente esteve envolvido em um número enorme de jogadas vencedoras que não se destacam: o desvio de um passe chave, um rebote em tráfego que ele empurrou para um armador puxar o contra ataque, uma rotação perfeita para evitar que um ataque adversário se montasse.

Ofensivamente, Tatum não só foi o segundo melhor arremessador de três pontos de toda a NBA como mostrou uma capacidade extremamente avançada de criar o próprio arremesso e converter chutes bem marcado, habilidade essencial para um time do Celtics que não tinha muitos criadores de jogadas após as lesões de Kyrie e Hayward. Tatum foi também um MONSTRO em quartos períodos para um time do Celtics que venceu mais jogos apertados do que qualquer outro da NBA: o calouro chutou obscenos 54 FG%, 48 3PT% em quartos períodos. Sua habilidade de funcionar perfeitamente dentro de um plano ofensivo sem exigir a bola ao mesmo tempo que era uma boa opção para criar algo do nada quando o ataque precisava, de tomar boas decisões e fazer as leituras corretas nas horas certas, foram parte essencial de fazer esse Boston funcionar tão bem ao longo de todas mudanças ao longo do ano. Não a toa o Celtics tinha Net Rating de -1,1 quando Tatum não estava em quadra, de longe a pior marca de todos os jogadores de rotação da franquia e despencando dos dois lados da quadra. O camisa 0 foi parte fundamental da identidade e tudo que fez do baleado Celtics o segundo melhor time do Leste e vencedor de 55 jogos, mesmo que as estatísticas superficiais não mostrem isso. Tatum foi por uma margem imensa o terceiro melhor calouro desse ano, e se alguém te disser o contrário, ela não sabe do que está falando.

As duas vagas finais do 1st Team, no entanto, podem ir para um número enorme de jogadores merecedores e muito parelhos no que foi uma classe de calouros extremamente especial. Não houve dois que se destacaram muito acima dos demais – é uma questão de preferência e critério mais do que qualquer outra coisa.

As minhas duas escolhas finais foram Kyle Kuzma e Bogdan Bogdanovic. Kuzma provavelmente não foi um jogador tão bom quanto a percepção pública parece indicar, mesmo com números sólidos (16-6 em 45-36-70 nos arremessos): o ala do Lakers arremessa demais e joga demais para si mesmo, e é um problema grande defensivamente apesar de algumas boas sequências. Mas Kuzma também foi muito legal de assistir e muito impressionante quando embalava, e nos deu alguns dos jogos mais chamativos entre os calouros dessa temporada que não chamam Mitchell ou Simmons, um show de jogadas não-convencionais e arremessos fora de ritmo que simplesmente fizeram Kuzma se destacar acima do resto dos calouros. Kuzma foi inconsistente, mas também foi um pontuador que podia aquecer mais rápido que um microondas, e foi um jogador memorável nessa temporada. Em uma corrida com tanta paridade por essas vagas finais, eu achei que Kuzma foi um fio de cabelo melhor do que parte da concorrência, mas essa qualidade memorável dos seus jogos o colocou um pouco mais acima dos demais.

O outro nome foi Bogdanovic, que pode parecer esquisito a primeira vista. Seus números não são impressionantes, e Bogdanovic quase não chamou a atenção afundado em um péssimo time do Kings que nem divertido conseguia ser. Mas, objetivamente, Bogdanovic foi o melhor calouro fora do Top3: sólido defensor, excelente jogador de equipe capaz de espaçar a quadra e fazer dos companheiros melhores, muito eficiente nos arremessos e capaz de criar o próprio arremesso. Bogdanovic não teve a liberdade e a bola nas mãos que outros jogadores como Kuzma ou Lauri Markkanen tiveram – em parte porque o Kings é horrível e bagunçado – mas em termos de mostrar um jogo completo, bem arredondado, que mais contribui para ajudar seu time a vencer Bogdanovic (um calouro de 25 anos com uma carreira bem sucedida na Europa antes de vir pra NBA) é quem mais seria capaz de entrar e contribuir em um time vencedor nesse exato momento. Eu optei por recompensar esse seu jogo mais completo, e essa maior qualidade enquanto jogador (ao invés de só alguém que acumulou números sem responsabilidade), com esse último lugar.

2nd Team All-Rookie: Lauri Markkanen, OG Anunoby, Bam Adebayo, Lonzo Ball, John Collins.

Ok, aqui complica. Para as 5 vagas desse segundo time, temos dois jogadores que para mim são certeza – dois que eu sofri para deixar de fora do 1st Team em favor de Kuzma e Bogdanovic – e outros DOZE jogadores que fizeram por merecer seu lugar nas três vagas restantes. Foi uma classe de calouros excepcional, e infelizmente não vai ter lugar para todo mundo no time. Selecionar apenas três para as vagas finais foi das coisas mais difíceis dessa coluna, embora com menor responsabilidade, por que né… 2nd Team All Rookie.

As duas certezas foram Lauri Markkanen, uma máquina ofensiva capaz de chutar de qualquer lugar da quadra para Chicago, e OG Anunoby. Esse último, inclusive, trás de volta um debate interessante sobre como avaliar e valorizar a performance de calouros. As atenções ao longo do ano costumam sempre gravitar para calouros que tem grandes pontuações, colocam bons números e tem mais liberdade para jogar sem pressão, mas muitas vezes isso engana porque esses são jogadores em times ruins, que podem fazer o que quiser muitas vezes sem repercussão ou sem precisar se encaixar em um time ou esquema, por jogarem em times fracos sem perspectivas que estão mais do que contentes em deixarem esses calouros terem essa liberdade (Kuzma e Markkanen são os melhores exemplos esse ano).

Mas ai temos calouros como Anunoby, que não tem os números ou as atuações individualmente chamativas, mas que desde o primeiro dia entraram em um time bom, precisaram se adaptar a jogar para o time como o time precisa (e não com liberdade para fazer o que quisessem e buscar os próprios números), e foram parte essencial do sucesso de um time que foi (no caso de Anunoby) #1 seed do Leste. Existe imenso valor nesse tipo de papel, e do ponto de vista de basquete, Anunoby teve um impacto muito maior em ajudar o sucesso de um time do que Kuzma ou Markkanen, que por sua vez tiveram temporadas mais expressivas do ponto de vista individual. Qual importa mais? Não sei – ambos tem seu valor, e não existe uma resposta certa. Mas é importante ter em mente e valorizar ambas na hora de pensar esse tipo de prêmio. Anunoby foi parte fundamental do sucesso do Raptors esse ano, e o nível de dificuldade disso para um calouro é imenso.

Para as três vagas finais, eu acabei escolhendo Bam Adebayo, que teve uma ótima temporada pelo Heat mostrando um impacto e uma maturidade acima do esperado dos dois lados da quadra como rim runner, reboteiro e protetor de aro com habilidade surpreendente nos passes e capaz de trocar a marcação no perímetro; John Collins, quem Zach Lowe chama de “O pula pula humano”, um jogador hiperatlético e extremamente empolgante que mais uma vez (assim como no College) é adorado pelas estatísticas avançadas, com média de 16-11 e 1,8 tocos por 36 minutos e terminou o ano #3 em Win Shares e #2 em PER entre TODOS os calouros nessa temporada; e Lonzo Ball, que foi exatamente o que foi prometido antes do Draft, alguém com um jogo muito extremo em ambas as direções, muitas forças de elite e fraquezas desastrosas, mas que teve enorme responsabilidade no seu time desde o primeiro dia e foi parte importante do que o Lakers tentou fazer o ano inteiro, com a falta de arremesso e dificuldade de criar bons chutes ofuscando sua surpreendente defesa e habilidade nos passes. Entre os calouros em times ruins, nenhum teve mais responsabilidade que Lonzo, e ele se saiu tão bem quanto seria possível esperar com todos seus defeitos e a situação impossível de salvador na qual foi colocado.

Mas você pode trocar qualquer um desses três por um jogador dessa lista, que não vou me incomodar e ainda vai ser bem válido: Royce O’Neale (meu último corte, foi parte essencial da identidade e versatilidade do surpreendente Jazz essa temporada); Dennis Smith Jr (bons números e mostrou excelentes flashes conduzindo o show em Dallas, mas seu impacto real em quadra não foi muito bom); De’Aaron Fox (teve menos espaço do que deveria em Sacramento mas mostrou todo seu potencial dos dois lados da quadra); Daniel Theis (papel importante na versatilidade e sua e produtividade foi parte muito grande da boa temporada do Celtics); Jarrett Allen (excelente achado do Nets no fim da primeira rodada, ótimo potencial como defensor de garrafão e rim runner); Josh Jackson (terminou muitíssimo bem a temporada depois de um começo bem fraco para um time horroroso do Suns); Jordan Bell (não teve tanto tempo de quadra, mas foi muito impactante e eficiente quando jogou de pivô para o segundo melhor time da NBA esse ano); Dillon Brooks (muito bom impacto all-around e consistente durante o ano todo para Memphis); e Frank Ntilikina (não teve papel grande o suficiente na bagunça do Knicks para se destacar mais, mas já é um defensor de altíssimo nível aos 19 anos). É muita gente boa – são literalmente 12 jogadores para 3 vagas cuja separação entre eles é MINÚSCULA, jogadores merecedores demais para lugares de menos, e gente boa VAI infelizmente ter de ficar de fora. Eu escolhi meus três que entrariam, mas qualquer combinação entre esses 12 é perfeitamente aceitável.

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