NFL Draft Running Diary 2018

 

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Jaire Alexander está pronto para os Embalos de Sábado a Noite (Foto: USA Today)

Finalmente chegou o grande dia, então é hora de tirar do baú e reviver uma das minhas tradições favoritas: a coluna do Running Diary do Draft NFL.

 

Quem me conhece sabe que eu adoro a noite do Draft, seja de que esporte for. É uma época de enorme incerteza e expectativa, uma noite quase mágica do ponto de vista das franquias. É quando, por bem ou mal, os futuros da NFL são definidos. Ache Russell Wilson na terceira rodada ou Tom Brady na sexta, e você está em ótima posição para o resto da década de competir por títulos. Gaste uma escolha alta em Jamarcus Russell ou Christian Ponder, e você estará atrasando o desenvolvimento da franquia em vários anos. No caso da NFL temos sete rodadas para um time tirar a grande sorte, ou mesmo até depois que ele acabar (pergunte a Kurt Warner ou Victor Cruz). É a melhor e mais eficiente época para se reforçar, e portanto também a mais problemática em caso de fracassos. Nada custa a um GM seu emprego mais do que fracassos em trazer bons jogadores.

Além da sua importância em determinar os rumos da NFL, Draft tem outro atrativo: a incerteza. Tanto em relação ao futuro dos jogadores como ao que vai transpirar durante a própria primeira rodada, prever ou acompanhar tantas trocas e surpresas é praticamente impossível, e em uma era como a nossa de fácil acesso a informação onde cada noticia e novidade é anunciada antes de acontecer no Twitter, isso acaba sendo um atrativo a mais.

Então é para isso que eu faço o Running Diary: mais do que para avaliar e dar meus pitacos nas escolhas, eu vou acompanhando em tempo real a noite do Draft e registrando minhas primeiras impressões, ideias e o que mais for acontecendo. Então venham e acompanhem comigo mais uma edição dessa noite mágica nos esportes americanos.

8:40 – Bem vindos ao Running Diary do Draft da NFL 2018!! Para se juntar a mim nessa noite tão especial, estão alguns amigos especialmente selecionados (mentira, a gente deixa entrar qualquer um) em um chat do Discord, meu pais e minha irmã. Nossa função? Criticar o máximo possível e só elogiar nossos próprios times. Por que somos todos muito parciais.

8:55 – Transmissão falando dos QBs que são esperados serem escolhidos na primeira rodada com Draft, e citam a polêmica do twitter de Josh Allen, onde foram encontrados tuítes de alguns anos atrás com comentários, hmm… racialmente insensíveis, digamos. Chegou a ter mais cedo hoje especulações de que alguns times teriam vazado esses tweets para tentar fazer o jogador cair, o que é meio bizarro – eu antes acreditaria que ele mesmo vazou os Tweets para cair e não ser pego pelo Browns. Se bem que, do jeito que alguns donos da NFL andam, é capaz dele subir umas posições assim. Mas estou divagando.

Aliás, minha grande aposta para a noite: teremos SEIS QBs selecionados na primeira rodada hoje. Eu também quase coloquei um dinheirinho nas odds de que Josh Allen seria a escolha #1 do Draft, porque não existe aposta mais segura do que o Browns fazendo a coisa errada. Mas não pagava bem o suficiente.

9:00 – Está começando!!! Estamos oficialmente na transmissão direto de Dallas. Que emoção! Vai começar uma das melhores e mais aguardadas noites do ano!

9:04 – O grande Pedro Pinto está aqui no nosso chat SURTANDO com os boatos surgindo de que o Broncos vai subir para a escolha #2 e pegar Josh Allen. Vai ser uma noite muito divertida.

9: 05 – As vaias para Roger Goodell estão altas como sempre, ou talvez como nunca. Ele até tentou dar o migué de entrar com o Troy Aikman e Jason Witten, dois dos maiores ídolos da história do Cowboys. E deu certo? Claro que não! As vaias estão tão altas que está até difícil de escutar o que o comissário está falando. O que nem é de todo ruim, porque ele não ta falando nada de novo ou interessante mesmo – ele até teve a cara de pau de falar que os torcedores estavam vaiando o Cowboys, e ninguém sequer esboçou um sorriso. Pior comissário dos esportes americanos.

Mas pelo menos uma boa notícia: O Draft oficialmente começou, e o Browns está no relógio!

9:10 – A TV mostra o Draft Room do Browns em Ohio – totalmente parada, aliás – onde será escolhido o próximo integrante da lendária hidra de QBs do Browns. A discussão antes dessa escolha é totalmente essa: quem será o QB escolhido aqui, e como ele pode ter mais sucesso em Cleveland. Meu dinheiro para a escolha ainda está em Sam Darnold.

9:13 – Vontae Mack, no matter what.

9:15 – O Browns conseguiu demorar todos os 10 minutos no relógio antes de enviarem sua escolha, apesar de já terem essa escolha #1 e saberem quem está disponível faz meses. Nada aconteceu nos últimos 10 minutos que poderia mudar a escolha. Quando eu for comissário da NFL vou passar uma regra que o  time que tem a escolha #1 só vai ter 25 segundos no relógio, e olhe lá.

9:16 – Com a primeira escolha do Draft, o Browns seleciona… Baker Mayfield!! Então os boatos que foram surgindo durante a semana eram mesmo reais, de que Mayfield era a escolha do Browns. Como eles vieram de última hora depois de meses de boatos que também apontavam primeiro para Darnold, e depois para Josh Allen, eu (e muitos outros) não estavam realmente acreditando muito. Bom, mas ai está, Baker Mayfield com a primeira escolha do Draft.

E vou admitir que gostei demais da escolha. Eu tinha Mayfield como meu segundo melhor QB do Draft, atrás de Josh Rosen, mas a distância entre os três primeiros (sendo Darnold o terceiro) era tão pequena que não fazia muita diferença – virava muito mais uma questão de encaixe e de preferência. E eu adoro Mayfield para o Browns, alguém que trás uma atitude que a franquia desesperadamente precisa e quer. Muitas pessoas torcem o nariz para Mayfield citando a sua falta de altura e ter jogado em um ataque pouco convencional em Oklahoma, mas isso é em parte porque o resto do jogo de Mayfield – suas estatísticas, sua inteligência, sua precisão, seu nível de jogo – são todos tão fora da curva que você quase não consegue acreditar que eles sejam totalmente legítimos, e precisa olhar para outros lugares. Eu sei que stats não são tudo avaliando um jogador, mas as estatísticas de Mayfield são tão boas que fazem alguns duvidar de que elas sejam reais: 70,7%, 11,3 Y/A, 83 TDs contra 14 interceptações nos últimos dois anos. Mayfield não é uma certeza, é o tipo de jogador que você precisa adaptar seu ataque para maximizar suas forças (o que é minha única preocupação, dada a incapacidade de Hue Jackson de fazer isso), mas é um talento espetacular que trás a qualidade e a mentalidade que o Browns precisa. Eu adoro essa escolha, mesmo que Darnold ou Rosen também fossem escolhas boas aqui.

9:18 – A montagem de highlights do Mayfield é bem empolgante, ainda que mostre jogadas que não são tão usadas na NFL. Que seja. Ele tinha um ataque, e o dominava totalmente e sabia maximizar cada parte dele. Esse tipo de coisa mostra sua inteligência e capacidade de jogar dentro de um esquema, e é o tipo de coisa que costuma traduzir bem para a NFL. Eu adoro Mayfield, e eu adorei a escolha. O Browns começa bem o Draft.

9:20 – Eu tinha certeza que o Giants ia levar essa pick até os últimos segundos em busca de uma troca, mas a escolha já entrou muito cedo. Estou animado pra ver essa – pode ser a escolha a definir o resto do Draft.

9:21 – Com a escolha #2 o Giants escolhe… Saquon Barkley. A torcida explode em vivas. Foi a escolha absolutamente errada.

O Giants aqui tinha duas opções possíveis, ou corretas, que maximizariam o valor dessa escolha: ou pegar um quarterback (especialmente com Darnold E Rosen disponíveis), ou trocar para descer e acumular mais escolhas de Draft. Eli Manning já tem 37 anos, e deu mostras nos últimos dois anos de queda no seu jogo, que nunca foi de elite; com a escolha #2 e tantas opções tão bem cotadas, era a chance de ouro do time pegar seu QB do futuro. Ou, com tantos times interessados em trocar para subir, se o Giants não queria um quarterback deveria trocar para acumular escolhas extras que ajudem a franquia a preencher um elenco velho e esburacado.

Ao invés disso o time pegou um running back, uma posição que a história nos ensina ser a cujo retorno no topo do Draft é o menor possível (relativamente a outras posições), e cuja avaliação dos jogadores pré-Draft costuma ser a menos precisa – o que por sua vez aumenta o risco da escolha, e trás os menores retornos. Barkley é um ótimo jogador e um dos melhores RB prospectos (talvez O melhor) dos últimos 10 anos, mas o retorno que um RB de elite te da é muito menor que de outras posições, e esse é um Draft insanamente profundo de RBs no segundo e terceiro dias. Na segunda rodada o Giants conseguiria um RB que é 90% tão bom quanto Barkley como prospecto, e a um custo muito menor. É o caso de um time se apaixonar por um jogador, e esquecer de maximizar o valor da escolha na mão. Barkley vai ajudar, mas é uma decisão que vai cobrar seu preço do Giants no futuro – especialmente não pegar Rosen ou Darnold para pegar a tocha de Manning.

E sim, o Giants quer jogar um estilo mais físico, baseado no jogo terrestre, e por isso pegaram um RB. Sabe do que você precisa para ter um estilo assim? Uma linha ofensiva, e o Giants acabou de ter talvez a pior de toda a da NFL em 2017. New York trouxe Nate Solder, um sólido mas não espetacular LT, de New England, mas ele não vai resolver a enorme falta de talento e opções que essa linha ainda tem. Se o Giants estava realmente determinado a remontar seu ataque dessa maneira, a melhor opção era fazer um trade down, pegar um RB como Derrius Guice na segunda rodada do Draft (ou qualquer outro dos ótimos RBs dessa classe), e usar essas escolhas extras para reforçar sua linha ofensiva em um bom ano para guards. Assim você resolvia mais problemas de uma vez, e montava seu time de forma que fizesse mais sentido. De que adianta ter um ótimo RB se sua linha ofensiva é fraca e não vai abrir espaços para ele? Você está pegando um jogador que não vai conseguir maximizar. Um erro grave do Giants que cobrará seu preço.

9:23 – O Adelmo, nosso torcedor do Giants da casa, está com delay na transmissão. Suas palavras exatas ao ver a escolha anunciada: “Vai tomar no c*!!”. Depois de alguns instantes de reflexão, ele adiciona: “Pelo menos não foi o Josh Allen!“. Então tem isso.

9:27 – A ESPN mostrando o vídeo do Jets escolhendo Mark Sanchez nesse momento é incrivelmente cruel, mas fantástico!

9:28 – O Jets escolheu Sam Darnold. Foi uma ótima escolha: o Jets fez uma troca de alto custo e alto risco quando trocou com o Colts para subir até a escolha #3, pagando cerca do DOBRO do valor da escolha recebida para subir e tentar pegar o que seria talvez o terceiro melhor QB do Draft. Foi um enorme custo, e como dois times que poderiam pegar QB vinham antes o Jets também tinha boas chances de ficar com as  “sobras” dos dois primeiros, dando ao time de NY pouco controle sobre quem eles escolheriam. Então foi ótimo para o Jets que o QB que eu mais vi cotado como o melhor da classe caiu para eles no #3.

É sempre complicado julgar movimentos pelos resultados, mas com trocas por QBs as vezes não tem jeito: você sempre será avaliado se a sua escolha rendeu um franchise QB ou se rendeu um bust. Pegando Darnold, o Jets pelo menos se colocou em boa situação para ter sucesso com esse resultado. Boa escolha. Afinal, que pode dar errado com o Jets fazendo uma troca para subir e pegar um QB de USC no Top5?

9:31 – Aparentemente o avô do Sam Darnold chamava Dick Hammer, e jogava vôlei pela seleção americana E basquete em USC. Podem fechar o Draft, que a noite já tem um vencedor. Não da para vencer alguém chamado Dick Hammer!

9:34 – Qualidades elogiadas de Sam Darnold na transmissão americana: Grande competidor, domina a posição, mentalidade vencedora. Na rodada dos grandes clichês do Draft, só faltou “Ótimo líder de vestiário“, “Grande amor pelo jogo” e “Fica ótimo besuntado em óleo“.

9:37 – Com a escolha #4, sua segunda escolha, o Browns escolhe… Denzel Ward, CB de Ohio State! A primeira grande surpresa da noite!

E isso não é necessariamente uma coisa ruim – eu gosto bastante de Ward, acho um excelente jogador. Eu tenho dúvidas se era o melhor jogador disponível aqui (eu preferia Bradley Chubb, que também preenchia uma necessidade maior), e sou da opinião que o Browns deveria ir atrás do melhor disponível com essa escolha #4, mas Ward é muito bom ao ponto de fazer disso uma questão de avaliação. E Ward, sem dúvida, é muito bom, um jogador versátil e dominante que vai encaixar muito bem em uma das maiores deficiências do Browns (a secundária), mesmo que uma que o time gastou bastante para adereçar essa offseason – Ward é melhor que todas as opções que o Browns tem hoje, e CB é uma posição onde você nunca pode ter talento demais.

O único questionamento que fica: será que o Browns não conseguia pegar Ward mesmo fazendo uma troca para descer algumas posições no Draft? Difícil acreditar que nenhum time tentou subir para essa escolha, uma posição tão chave no recrutamento.

9:38 – O Josh Allen ainda está disponível, e o Broncos está escolhendo agora. Chegou a hora de Pedro Pinto enfartar?! Ele e o nosso amigo Mugen, torcedor residente do Broncos no chat, estão roendo as unhas enquanto as ameaças de Allen no Colorado continuam vindo por todos os lados.

9:42 – A ESPN está mostrando vídeos do Draft de John Elway, Dan Marino, John Kelly e o resto da lendária classe de QBs do Draft de 1983.

O quão engraçado seria essa montagem preceder a escolha de Josh Allen?

9:42 – E o Broncos tem sua escolha anunciada (por Austin Denton, um fã do Broncos e sobrevivente de uma batalha contra o câncer, momento muito legal da noite) e os corações estão partidos e desconsolados por aqui. Josh Allen NÃO será um Denver Bronco. O time do Colorado foi com o melhor jogador disponível e pegou o DE Bradley Chubb, uma ótima escolha depois de ter sobrado até aqui.

Eu não teria me incomodado com o Broncos pegando Josh Rosen, que é meu QB #1 desse Draft – teria sido uma boa escolha, e daria o futuro (possível) franchise QB que a franquia ainda não tem. Mas considerando que Chubb possivelmente era um jogador melhor em um vácuo e pode voltar a formar uma das linhas de frentes mais dominantes da NFL com Von Miller (o que, inclusive, rendeu a Denver um Super Bowl dois anos atrás) eu acho bom que o Broncos não se fixou demais na necessidade. Eles pegaram um QB de curto prazo em Case Keenum, e embora Keenum dificilmente seja a solução para o futuro como pegar Rosen aqui seria, ele também oferece estabilidade o suficiente na posição pelos próximos dois anos para a urgência do Broncos por um QB ser menor. Boa escolha.

E os quarterbacks estão caindo muito mais que o antecipado. Está na hora de algum time fazer um trade down.

9:47 – O draft continua sem trocas, e o Colts pega o guard Quenton Nelson. Provavelmente a escolha mais fácil da noite: era considerado amplamente um dos melhores jogadores do Draft, e só não saiu mais cedo por jogar em uma posição de menor destaque no interior da linha ofensiva. Mas Nelson é um monstro: extremamente físico, muito técnico, o tipo de jogador que consegue entrar imediatamente em um time e jogar em nível All Pro pelos próximos 10 anos. Para o Colts era chave continuar trabalhando para aliviar a vida de Andrew Luck, e Nelson ajuda tanto a proteger Luck como a tentar dar vida nova a um jogo terrestre que tire a pressão das suas costas, reforçando uma linha ofensiva que tem sido um problema para Indy faz anos. Ótimo talento, ótimo encaixe, ótima escolha.

9:51 – Temos troca, finalmente!! Já estava ficando cansado de esperar!

Segundo Adam Schefter, o Bills trocou com Tampa Bay para subir até a escolha #7, o que fazia sentido demais para não acontecer – todo o processo do Bills nos últimos tempos foi feito pensando em pegar um QB nesse Draft: conseguiu uma escolha de primeira rodada extra ano passado quando o Chiefs subiu por Pat Mahomes, depois subiu da escolha #21 para a #12 com Cordy Glenn para posicionar um ativo mais atrativo para trocas; conseguiu também uma escolha de segunda rodada extra por Sammy Watkins, uma escolha de terceira por Tyrod Taylor e outra na troca de Jordan Matthews e Ronald Darby com o Eagles. O Bills fez um trabalho magnífico acumulando escolhas de Draft e, portanto, os ativos para fazer uma troca atrás do seu QB do futuro.

Tudo por esse momento, e com a queda de alguns QBs o time conseguiu subir e pegar seu quarterback do futuro a um custo que, apesar de caro (como sempre acontece nesses casos) foi menor do que teriam pago se fizessem a troca antes do Draft com Giants (#2), Browns (#4) ou Broncos (#5): a escolha #12, e duas escolhas de segunda rodada (#53 e #56). Segundo a tabela de valores de escolhas de Draft do Chase Stuart, o Bills pagou 60% sobre o valor original da escolha #7, enquanto que o Jets pagou quase 100% de valor a mais para subir até a escolha #3 quando fez a sua troca. Vamos aguardar para ver quem é escolhido, mas o Bills jogou perfeitamente com suas cartas aqui.

9:54 – HAHAHAHAHAHAHAHAA meu deus, Bills. Você fez tudo certo. Pegou as escolhas extras. Trocou para subir quando talvez o melhor QB do Draft, Josh Rosen (meu #1), caiu para a escolha #7. Você fez a troca favorável, sem ceder sua segunda escolha de primeira rodada ou escolhas futuras. Dai você vai lá e pega JOSH ALLEN?!

Vamos deixar isso claro: Josh Allen não é bom. Sim, ele tem o corpo e o braço que você procura em um QB, e se ele conseguir evoluir como as pessoas sonham ele tem as ferramentas físicas para ser um bom QB, mas ele simplesmente não é bom jogando a bola para outros jogadores do seu time – o que é uma parte razoavelmente importante de ser um QB na NFL. Sua precisão é horrível, e seus processos mentais em quadra são muito fracos – nos últimos três anos, Allen completou 56% dos seus passes para 7,8 jardas por passe, 44 TDs, 21 interceptações e números em geral muito medíocres. Você pode argumentar que ele não tinha muito talento (especialmente em 2017) no seu time para ajudá-lo, e é verdade, mas Allen também jogava de longe na conferência mais fraca da NCAA entre os principais QBs do Draft, e nos 3 jogos que teve contra times de conferências Power 5 nos últimos dois anos Allen completou 50% dos seus passes com um touchdown e 8 interceptacões. Ajustando pela força do calendário, o ataque aéreo de Wyoming foi o 119th melhor de 130 times na divisão 1 da NCAA, e o segundo PIOR da Mountain West Conference, que já é uma conferência bem fraca.

Tudo que existe a favor de Josh Allen como prospecto tem a ver com seu corpo, sua força bruta no braço, e a perspectiva do que ele pode ser no futuro em um cenário hipotético e perfeito no qual ele se desenvolva de forma impecável. E talvez ele realmente desenvolva, e sua incrível força no braço brilhe na NFL – não sabemos do futuro. Mas hoje Allen não tem habilidades de nível NFL para ser selecionado tão alto, e é de longe quem tem a mais chance de fracasso entre os QBs cotados de primeira rodada. Com Josh Rosen, um jogador e prospecto infinitamente melhor, ainda disponível, essa escolha foi loucura.

O Bills fez a GRANDE besteira da noite. Parabéns, Buffalo.

9:58 – Nada de trocas com o Bearsthe pick is in. Bem rápido esse Draft hein? Quase nenhum time levando até o final seu tempo. Tivemos 8 escolhas em 50 minutos.

9:59 – A escolha ainda não foi anunciada na TV, mas o residente do Bears do grupo, o Celo, acabou de soltar um “NÃO NÃO NÃO NÃO!” bastante angustiado aqui no Discord. Estou esperando coisas boas dessa escolha!

10:01 – O Bears vai anunciar sua escolha, a oitava desse Draft.

E o escolhido é… Roquan Smith, linebacker de Georgia! Não foi uma escolha ruim, só não sei se é a melhor opção para o Bears, um time que tentou montar um miolo de defesa dominante com Jerrell Freeman e Danny Travathan e não teve sucesso. Roquan é muito bom, um LB moderno capaz de jogar três descidas e fazer vários papeis na defesa, mas por outro lado não acho o melhor jogador disponível aqui. Mesmo uma troca para descer seria a melhor opção, com Josh Rosen ainda disponível e vários times de olho nele. Foi uma escolha sólida, um bom jogador que vai encaixar bem e ajudar essa emergente defesa, só não achei o melhor movimento disponível – mas longe de ser um erro.

10:02 – E agora o Niners está on the clock. Eu posso ou não estar hiperventilando. Anuncia logo, Goodell!

10:05 – The pick is in!

10:06 – Calma, Mike McGlinchey?! Sério?! Eu preciso de um minuto…

10:08 – Mais um minuto…

10:09 – Ok, vamos lá.

McGlinchey é um jogador sólido, embora #9 me pareça cedo demais para ele mesmo com uma subida recente na sua cotação. É uma escolha que eu entendo a lógica por trás: Trent Brown, RT da equipe, está no último ano do seu contrato e lidando com problemas de lesões e condicionamento, e o seu LT Joe Staley, embora ainda um dos melhores da NFL, já tem 33 anos e flertou com a aposentadoria recentemente. McGlinchey solidifica o lado direito da linha no curto prazo, liberando o Niners para trocar Brown, e foi mais uma amostra de que San Francisco está mesmo pensando no médio e longo prazo ao invés de sacrificar tudo para vencer agora – uma decisão inteligente.

Ao mesmo tempo, a escolha é decepcionante com a presença de jogadores melhores e de maior impacto – principalmente Minkah Fitzpatrick, que também preenche uma necessidade – e que poderiam ajudar ainda mais no curto prazo. McGlinchey é sólido, mas não é um jogador que vai fazer a diferença sozinho ou mudar o nível do time; Fitzpatrick, Derwin James e alguns outros nomes disponíveis poderiam ser, e a meu ver valiam mais a pena com essa escolha.

Não é uma seleção ruim; McGlinchey faz sentido, e foi uma opção de baixo risco pensando na montagem do elenco. Mas não tem sensação pior do que a decepção de você sonhar com algo grande (especialmente com Fitzpatrick, que eu tinha como um jogador Top5) e se contentar com “eu entendo a escolha”. Sigh

Diga-se de passagem, se o Niners trocar Trent Brown (como especulado), dependendo do retorno eu posso começar a olhar essa escolha com outros olhos. Torcendo aqui.

10:11 – E o Cardinals comete o crime! Trade up com o Raiders para a escolha #10, pulando o Miami Dolphins na #11 (que também pode estar procurando um QB). Eu como minha chuteira se não for Josh Rosen.

Em retorno, o Raiders recebe #15, #79 (3rd round) e 152 (5th round). É um bom retorno, e sem uma escolha óbvia aqui, faz sentido o trade down: segundo a cartilha do Chase Stuart, o Raiders conseguiu 31% de valor adicional sobre a escolha #10 com essa troca, e é uma franquia que precisa da profundidade e das opções dessas escolhas extras. Mas ainda sinto que o Arizona foi o grande vencedor da troca, pagando um valor MUITO menor do que Jets e Bills pagaram quando subiram, e fizeram isso para pegar aquele que eu tinha como o melhor QB do Draft. Excelente movimento do Cardinals.

10:13 – O Cardinals faz o óbvio e escolhe Josh Rosen. Aconteceu de forma PERFEITA para Arizona, que não tinha boa posição para pegar um dos Top4 QBs e poucos ativos para trocar, mas se aproveitou da queda de Josh Rosen e conseguiu roubar meu QB #1 ao custo de uma escolha de terceira e uma de quinta rodada. Perfeito. Arizona tem várias necessidades em meio a restrições salariais complicadas, mas QB era de longe o maior problema com apenas Mike Glennon e Sam Bradford sob contrato, e ter Rosen por 5 anos em contrato de calouro ajuda demais Arizona a lidar com sua situação financeira. Escolha excelente, e Arizona é talvez o grande vencedor da noite até aqui.

10:16 – Acabou de me ocorrer vendo esses vídeos de Rosen que a NFC West agora vai ter Josh Rosen, Jimmy Garoppolo, Russell Wilson E Jared Goff! Uau. Só… uau!

10:18 – E o Dolphins pega Minkah Fitzpatrick, o melhor jogador disponível e que bizarramente caiu até a escolha #11 no colo de Miami. Eu adoro Fitzpatrick, e estou me lamentando até agora dele ter passado por San Francisco: o tipo de defensive back moderno que pode jogar de safety, cornerback, ou mesmo executar (em altíssimo nível) as funções híbridas mais próximas da linha de scrimmage que tem ficado cada vez mais comuns e valiosas na NFL. Um baita achado, e enorme sorte do Dolphins que ele tenha caído até aqui.

10:22 – Sério, Mike McGlitchney? Com Minkah, Harold Landry disponíveis E Arizona querendo subir a todo custo por um QB?

10:24Vita Vea, DT, mais conhecido como o Maui de Moana, é a escolha do Bucs no #11. Fiquei um pouco surpreso: Vea é um bom jogador no interior da linha, bom parando a corrida (Tampa Bay cedeu 4,3 jardas por corrida em 2017, 10th pior da NFL) e deve formar uma dupla excelente com Gerald McCoy (quando ele estiver saudável). Aliás, o Bucs agora adicionou Vea, Jason Pierre Paul, Vinny Curry e Beau Allen só nessa offseason. Haja bife nessa linha defensiva!

Mas por outro lado, me pareceu alto demais para ele. Derwin James estava disponível, e preenchia uma necessidade muito mais urgente além de ser um jogador melhor. Via é sólido, mas é um jogador de mais alto risco, que ainda precisa de mais desenvolvimento para ser ter o impacto que se projeta. Me pareceu um pouco alto para ele dadas as circunstâncias.

10:26 – Somos lembrados que Vita Vea na verdade chama Tevita Tuliakiono Tuipuloto Mosese Va’hae Faletau Vea. Ótimo nome. Só o chamarei pelo nome completo daqui para frente.

10:28 – Tevita Tuliakiono Tuipuloto Mosese Va’hae Faletau Vea parece muito o Danny Shelton uns anos atrás, o cara que fez isso aqui com o Roger Goodell e acabou de ser trocado para o Patriots. São jogadores bem parecidos também, grandes, bons segurando a corrida, e os times os selecionam esperando que possam desenvolver suas habilidades de pressão e mostrar boa mobilidade no interior. Shelton é um jogador sólido, mas nunca realmente se desenvolveu como esperado – é um especialista contra o jogo terrestre. Vamos ver se Tevita Tuliakiono Tuipuloto Mosese Va’hae Faletau Vea consegue fazer o que Shelton não fez.

10:31 – O Redskins pega De’Ron Payne, outro DT, e a impressão é que o Skins queria mesmo o Tevita Tuliakiono Tuipuloto Mosese Va’hae Faletau Vea com essa escolha e foi com a segunda opção. Não é uma escolha ruim, e preenche uma necessidade imediata do Redskins por fisicalidade e defesa terrestre na sua linha defensiva, mas também me pareceu muito cedo para um jogador que tinham saindo mais perto da escolha #20 na grande maioria das simulações. É um bom talento, mas não tão bom quanto outros jogadores da classe que ainda estavam disponíveis.

10:32 – Opa, temos uma nova troca! O Saints subiu da escolha #27 para a escolha #14 em troca com o Packers, mandando junto 147 (5th round) e a sua 1st rounder do ano que vem. Uau – um custo e tanto para subir aqui. Não foi um movimento pequeno. É de se esperar que o Saints tenha um alvo muito definido aqui, possivelmente um QB – não faz sentido pagar esse preço por um não-quarterback. Vamos ver se vai ser Lamar Jackson.

10:38 – Welp, esquece. O Saints pagou esse preço por um não-quarterback mesmo: Marcus Davenport, OLB. Péssima troca – você pagou um preço premium (quase 70% a mais do que vale a escolha #14, per Chase Stuart) para subir e selecionar um jogador de alto risco que possivelmente continuaria caindo mais um pouco. Essa é uma velha história, mas não existe evidência de que times sejam melhores que outros identificando talentos relativos à posição no Draft, mas todo ano tem uma troca dessa de um time pagando um valor absurdo e confiando demais na sua capacidade de valorizar um certo jogador mais que o resto da liga – e normalmente acaba dando errado. Você simplesmente não troca todo esse valor, duas 1st round picks basicamente, para pegar um OLB que estaria disponível 10 escolhas abaixo.

Também é uma escolha esquisita em termos de tempo: faz sentido para o Saints querer um pass rusher para jogar oposto ao Cameron Jordan, mas Davenport é um jogador bem cru que precisa se desenvolver, enquanto o Saints é um time que deveria estar (e pagou um preço como se estivesse) tentando adquirir ajuda imediata para ajudar os últimos anos de Drew Brees. Uma troca muito win-now para pegar jogador que deve render frutos mais para o futuro. Bizarro.

10:42 – Eu ainda não acredito que o Saints pagou duas 1st round picks para pegar Marcus Davenport. Pelo menos agora eu me sinto melhor quanto a escolha do Niners.

10:45 – Escolha #15, o Raiders pega… Kolton Miller?! O que?! Outro reach enorme aqui, era cotado como escolha de 2nd round em grande parte das avaliações. Miller tem muito potencial como left tackle por causa do seu físico e capacidade atlética, mas também é alguém que ainda está muito distante de ser uma realidade ou um contribuidor na NFL hoje, e seu valor vem de uma projeção do que ele pode vir a ser com esse físico impressionante. Não tem problema apostar no potencial desse tipo de jogador, mas foi uma decisão questionável a essa altura do Draft, com tantos jogadores bons ainda disponíveis.

10:47 – Mais uma troca – finalmente as coisas estão aquecendo! E de novo o Bills fazendo o trade up. Dessa vez subindo da escolha #22 para a #16 (e recebendo a escolha 145), ao custo da #65 (3rd round). Não foi um preço ruim. Mas o Bills já tem o seu QB no que foi um desastroso trade-up, então vamos ver se eles conseguem se superar mais uma vez aqui agora que estão atrás de outra posição.

10:49 – E o Bills usou essa escolha extra para pegar… TREMAINE EDMUNDS!!!! Meu deus, eles continuam atirando no próprio pé! Incrível!

Essa escolha não é exatamente ruim por si só, mas definitivamente não vale um trade up. Edmunds é um jogador extremamente cru, jovem (19 anos apenas) e com imenso potencial, mas é um risco demais para você pagar e subir desse jeito, ainda mais com opções mais talentosas e mais seguras como Derwin James e Harold Landry sobrando. Não é uma escolha horrível, é compreensível que o Bills (entrando em reconstrução) queira apostar no jogador de maior potencial, mas mostra novamente que o Bills está apostando alto demais na sua própria capacidade de avaliação de talentos ao invés de fazer o que franquias inteligentes fazem: maximizam o valor de cada escolha. Draft desastroso de Buffalo, que agora não escolhe mais até a última escolha da terceira rodada.

O saldo final: o Bills entrou no Draft com as escolhas #12, #22, #53, #56 e #65, e transformou tudo isso no meu QB #5 e em um OLB de altíssimo risco que várias pessoas (incluindo eu) não tinham saindo antes da escolha #20 (embora, para ser justo, várias também tivessem no Top10). Um preço muito alto para jogadores de muito alto risco que estão ainda longe de serem jogadores produtivos de NFL, e uma forma muito ruim de maximizar o valor que tinham acumulado até aqui. Péssimo resultado, péssimo Draft para um time que vinha fazendo tudo certo até aqui. Grande decepção da noite.

10:57 – Enquanto eu pistolava sobre o Bills na conferência, o Chargers selecionou o safety Derwin James, DE LONGE uma das melhores escolhas desse Draft. James era amplamente considerado um talento Top10, um safety muito atlético e físico capaz de executar múltiplas funções, e ele cai EXATAMENTE para um Chargers que tem uma ótima defesa mas sentia falta justamente de um safety desde que perdeu Eric Weddle. Já seria uma ótima escolha pelo valor no #17, mas também é um dos melhores encaixes time-jogador de todo o Draft. Excelente escolha.

11:00 – O óbvio aconteceu, e o Seahawks – que entrou no Draft sem escolhas de segunda ou terceira rodada em um momento de reconstrução do elenco – fez o trade down para descer da escolha #18. Quem sobe é o Packers, que tinha a escolha #27 e escolhas extras vindo da sua troca com o Saints, ao custo de uma 3rd e uma 6th round picks. Faz muito sentido para ambos os times esse movimento.

11:03 – A escolha do Packers foi o CB Jaire Alexander. Interessante – não teria sido minha escolha, mas consigo entender de onde ela vem. Green Bay tem um buraco na sua secundária que está tentando repor faz algum tempo, e Alexander é um bom cornerback, atlético e com ótimas habilidades atacando a bola, e que caiu principalmente pela falta de tamanho. Mas para mim a maior necessidade E o melhor valor disponível casavam e eram em outra direção, em um pass rusher como Harold Landry. Parece que Alexander era um jogador que o coordenador defensivo Mike Pettine queria, e imagino que questões sobre lesão tenham afastado um pouco os times de Landry. Uma boa escolha, de todo modo.

11:06 – Goodell vem anunciar a escolha do Cowboys, e dessa vez é recebido com aplausos. Que obviamente são para Colleen Wolfe e a escolha do time, e não para ele, mas tudo bem – ele vai aproveitar mesmo assim. O Dallas já tem a escolha e fez a ligação, mas vão continuar aproveitando cada segundo que tem para fazer festa no seu estádio.

11:10 – Energia incrível no AT&T Stadium para a escolha do Cowboys. Essa ideia de fazer um Draft “rotatório”, em uma cidade diferente a cada ano, foi fantástica. Melhorou demais o evento, trouxe uma energia nova, mais histórias a serem contadas, e conseguiu tornar ainda mais divertida a minha segunda noite favorita do calendário da NFL.

11:11 – Ok, essa troca eu não esperava: Martavis Bryant foi para o Raiders por uma escolha de terceira rodada, #75, depois do time pegar uma escolha extra de 3rd round (#79) do Cardinals.

Mas foi uma troca bizarra: Bryant é um jogador talentoso e muito veloz, mas perdeu muitos jogos nos últimos anos por conta de suspensões e lesões – em 3 anos ele jogou 13 jogos de titular e totalizou 1300 jardas, perdendo espaço no Steelers no último ano. Era dispensável em Pittsburgh, que conseguiu um bom retorno. Mas o que o Raiders, um time que tem Amari Cooper e fez um investimento em Jordy Nelson nessa offseason, está fazendo pagando uma escolha de terceira rodada em um jogador tão irregular e de alto risco como Bryant me escapa à compreensão.

11:13 – Jesus, subiu meio mundo – no caso, jogadores de High School da região de Arlington – no palco para a escolha do Cowboys.

A escolha foi… Leighton Vander Esch, ILB?! O que está acontecendo nesse Draft?! Esch é um jogador bem talentoso, mas não era cotado para sair tão cedo, e é um jogador com enormes problemas de lesões ao longo da sua carreira – em especial, uma no pescoço sofrida em 2016 parece ter feito vários times derrubarem Esch nas suas listas. É difícil falar com propriedade sem ter acesso aos relatórios médicos, mas é algo que adiciona bastante risco ao jogador, que já foi um reach aqui mesmo assim. Com Calvin Ridley ainda disponível e uma necessidade gigante entre WRs, eu achei que seria a escolha do Cowboys. Mas Dallas, como sempre, fez as coisas do seu jeito, para o bem e para o mal. Dessa vez, eu achei uma escolha ruim da franquia.

O Adelmo adiciona que faz todo o sentido do mundo o Cowboys ir atrás de um MLB com problemas de lesão que não consegue ficar em quadra para eventualmente substituir Sean Lee. É difícil discordar dele.

E com o Cowboys passando a escolha mais lógica no #19, o WR Calvin Ridley, ainda não tivemos um recebedor selecionado no Draft, e apenas um jogador de skill position (Barkley).

11:15 – Eu sou totalmente a favor da seguinte ideia: Cada time deveria ter que enviar um ex-jogador para anunciar sua escolha na noite de primeira rodada do Draft. Tornaria o evento ainda mais divertido (quem não iria se animar ao ver Joe Montana ou Emmit Smith subindo no palco?!), adicionaria uma história extra para a noite do Draft com as especulações de quem cada time levaria (10 dias da ESPN discutindo se Brett Favre vai mesmo anunciar pelo Packers), colocaria figuras de comédia não-intencional como Deion Sanders ou Joe Namath em destaque, e ainda levaria a todo tipo de superstições malucas! Quem não consegue imaginar o ano que o Browns fica em dúvida sobre quem enviar, acaba enviando Brandon Weeden para anunciar a escolha, a escolha funciona, e eles decidem que todo ano Weeden tem que representar Cleveland? Seria uma adição extremamente divertida ao Draft. E por isso que Goodell nunca deixaria acontecer.

11:20 – Lá vem a escolha do Lions: Frank Ragnow! Wow! Surpresa – vinha subindo rapidamente nos últimos mock drafts, mas ainda assim me pareceu bem alto para ele, especialmente com outros bons nomes como Landry caindo. Não era nem o melhor C disponível na minha lista, Billy Price era consideravelmente superior. Surpreso aqui. É um jogador que pelo menos tem a cara do Matt Patricia, o que imagino que tenha influenciado.

Pelo visto, o Lions pegou o jogador em parte porque o Bengals também quer um Center no #21. Mas eu achei uma escolha ruim, e um reach grande para o Lions, mesmo que a intenção seja reforçar a linha ofensiva e encerrar sua bizarra sequência sem um corredor de 100 jardas em uma partida que já dura vários anos.

11:24 – O Bengals seleciona Billy Price… outro Center, o que reforça a ideia de que o Bengals realmente queria um center e o Lions se antecipou. Mas dois Centers consecutivos saindo na primeira rodada é… esquisito. Novamente não gosto da ideia de pegar um C aqui com outros jogadores que eu considero melhores – e em posições mais valiosas – mas pelo menos eu acho Price uma escolha bem melhor, e um jogador melhor, que Ragnow.

11:27 – Resumindo a noite do Draft em uma imagem (e, honestamente, todas as noites de Draft)…

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11:28 – Nova troca: Titans trocou as escolhas #25 e a #125 pela escolha #22 do Ravens (mais a #215). Não foi caro, embora ainda tenha dado cerca de 20% de valor adicional para Baltimore pela sua escolha. Admito que não faço ideia de quem o Titans está mirando.

11:36 – Pausa para ver o final de Celtics e Bucks, porque eu sou masoquista –  essa série está de doer os olhos e ainda teremos Jogo 7, porque os deuses do basquete nos odeiam. Eu odeio a NBA as vezes.

Nesse meio tempo, o Titans pegou Rashaan Evans, LB de Alabama, um bom jogador e que eu tinha como mais bem cotado que Esch. Supostamente era o jogador que o Patriots queria na escolha #23, e por isso o Titans se antecipou. Eu gostei dessa: é um bom jogador, e preenche uma necessidade da equipe. Também é uma escolha que parece ter a mão de um técnico novo, já que Evans lembra Mike Vrabel, o ex-LB que assumiu o cargo em Tennessee.

A bola agora está no colo do Patriots, um time que precisa de um QB para o futuro…

11:37 – Segundo entrevista de Brandon Beane, GM do Bills, o time “não achou nada de negativo que alguém tivesse a dizer sobre Josh Allen hoje“. Alguém pergunta para ele se é legal morar em Oz, e se ele tem um quarto sobrando para mais um inquilino.

11:39 – Isaiah Wynn no Patriots. Interessante. O Patriots andou perdendo muitas peças na sua linha ofensiva ultimamente, e precisa de reforços. New England sempre se saiu bem achando esses valores em posições de menor custo no Draft, mas Wynn é um talento muito bom a essa altura do recrutamento e vai ajudar demais logo de cara. Wynn jogou de guard no College, mas parece que New England vê ele como tackle, e Wynn pode ter a chance de jogar de LT no lugar do recém-saído Nate Solder (ou mesmo de RT) no Pats. Muito boa escolha. E o time ainda tem mais uma seleção…

11:45 – O Panthers fica com DJ Moore, WR. Uau. Estou um pouco surpreso: Calvin Ridley era amplamente considerado o melhor recebedor do Draft, mas Moore foi o primeiro a sair e só na escolha #24. Ele é um bom jogador, muito físico e veloz, segue mais o “padrão” de um WR tradicional, e vai ajudar um ataque do Panthers que precisa muito de um novo alvo para Cam Newton... mas acho que é o caso dos times se prenderem demais a um estereótipo de jogador ao invés de pegar aquele que simplesmente é melhor. No caso, esse cara é Ridley, mesmo que fuja do “comum”. Mas essa é minha avaliação, e Moore sem dúvida é um bom talento e uma boa adição para Carolina.

11:49 – Steve Smith Sr, lenda do Panthers, parece ter gostado dessa escolha mais do que eu gosto de respirar: está elogiando até o céu o Moore, e dizendo que enfim é o substituto que o Panthers conseguiu para ele. Palavras fortes de uma lenda do time e do esporte. Then again, eu sempre desconfio quando ex-jogadores se apaixonam por um jogador por que se enxergam nele. Acho que as vezes leva a uma distorção na avaliação pelo ego.

11:53 – Algumas rapidinhas aqui… o Ravens escolhe Hayden Hurst, um dos melhores nomes desse Draft e o melhor TE em várias boards, depois de trocar para descer e acumular escolhas extras, um jogador sólido e completo mas com potencial um pouco limitado, um sólido titular mas que a meu ver não entrega tanto valor quanto outros jogadores disponíveis… dai o Falcons escolhe com a #26 Calvin Ridley, finalmente interrompendo a queda do melhor WR do Draft, que mesmo não sendo a maior necessidade do Falcons é um excelente valor a essa altura, e vai formar uma dupla muito perigosa com Julio Jones (quem não pareceu feliz foi o próprio Ridley, talvez porque vai para um time com muitos talentos na recepção e pode não ter muito espaço no começo)… dai o Seahawks enfim faz sua escolha e pega Rashaad Penny, RB de San Diego State em uma escolha extremamente questionável dada a enorme profundidade da classe de RBs desse ano, a presença de VÁRIOS jogadores mais bem cotados do que ele na posição, a enorme gama de necessidades de Seattle em outras posições após o êxodo defensivo dessa offseason, e o fato do time ainda ter uma péssima linha ofensiva bloqueando para Pennyescolha muito ruim essa.

Estamos entrando agora na reta final, e nas cinco escolhas onde o Draft volta a ficar mais interessante: muitas possibilidades de trade down, e alguns times que podem olhar para um QB aqui e enfim interromper a queda de Lamar Jackson.

12:12 – Ryan Shazier no palco do Draft para anunciar a escolha do Steelers, andando com extrema dificuldade. Muito legal ver ele ai e andando com as próprias pernas depois da lesão horrível que teve, mas também da um nó na garganta ver a dificuldade com que ele se move. Muito emocionante. Torço demais pela recuperação completa dele.

12:13 – A escolha do Steelers foi Terrell Edmunds, e foi hilário ver que ninguém na torcida sabia como reagir porque ninguém sabe quem ele é. Outra escolha muito esquisita, um jogador que eu não vi em praticamente nenhum Mock Draft ou Big Board como escolha de primeira rodada, e o Steelers tinha várias opções muito mais bem cotadas e consideradas melhores disponíveis, mesmo na mesma posição. É claro que Pittsburgh gosta do jogador acima das demais opções, o que pode ser o time vendo algo que ninguém mais viu, ou fazendo um grande erro. Um gigantesco reach.

E Lamar Jackson continua disponível…

12:18 – Taven Bryan para Jacksonville, um bom valor a essa altura e mais bife para a já assustadora linha de frente da defesa do Jaguars. Boa escolha, bom valor mesmo não sendo uma necessidade do time. Mas vale questionar se não tinha um jogador ofensivo que pudesse ajudar a maior fraqueza do time.

Faltam três!

12:19 – Terrell Edmunds, escolha do Steelers, é irmão de Tremaine Edmunds, escolha do Bills no #16. O Elias Sports Bureal confirma que é a primeira vez que dois irmãos são escolhidos na primeira rodada de um mesmo Draft da NFL na história da liga. Por mais que eu não tenha gostado de nenhuma das duas escolhas, uma história bem legal para a família Edmunds aqui.

12:22 – O Vikings pega Mike Hughes, CB, uma das escolhas mais interessantes dessa primeira rodada. Muito talentoso, um dos favoritos de várias pessoas cuja opinião eu respeito (inclusive o grande Matheus Ribeiro), com um histórico complicado que envolve problemas extra-campo e lesões. Não só pelo talento e alto risco da escolha, é curioso porque o Vikings não é um time que precisa de talento na secundária, já tendo gasto várias escolhas de primeira rodada em CBs em anos recentes, e com uma das unidades mais talentosas da liga. Linha ofensiva era uma necessidade maior.

Mas pra ser sincero, eu não ligo: CB é uma posição que você nunca pode ter excesso de bons jogadores na NFL voltada para o passe de hoje, e o Vikings tem feito um trabalho excepcional com esses talentos na secundária. Risco razoavelmente alto, mas um grande talento para Minnesota aqui, e Hughes vai para um ótimo lugar para ele se desenvolver e manter a cabeça no lugar. Minny é um dos times mais completos da NFL, pode se dar ao luxo de apostar no talento aqui.

12:28 – O New England Patriots escolhe… Sony Michel? Uau! Uma das escolhas mais esquisitas da noite. Não pelo jogador em si – Michel é um grande talento e era cotado para sair no final da primeira rodada ou começo da segunda – mas porque o Patriots dos últimos 10 anos teve imenso sucesso com RBs evitando justamente pagar caro por eles; ao contrário, o time procurava jogadores com as características que queriam a preços baixos e no fim do Draft, sempre com grande sucesso. Pegar Michel aqui é realmente uma mudança esquisita para o padrão que levou o Patriots tão longe nos últimos anos, ainda mais com um talento superior em Derrius Guice disponível. O talento está lá, e sem dúvida vai ajudar esse ataque, mas parece um desvio estranho do padrão que tanto serviu para New England quanto ao jogo terrestre nos últimos anos.

12:31 – Ai está, FINALMENTE tivemos a movimentação que tanto esperávamos, e logo na última escolha da noite: o Ravens acabou de subir para a escolha #32, sem dúvida com os olhos em um quarterback! Vamos ver quem!

12:33 – Lamar Jackson, meu QB #4 do Draft, FINALMENTE tem um lar! O Baltimore Ravens seleciona o QB de Louisville com a última escolha de primeira rodada, uma movimentação inteligente porque o jogador escolhido na primeira rodada tem um ano extra no seu contrato, uma opção de quinto ano que jogadores escolhidos nos outros dias não possuem – importantíssimo para um Ravens que ainda tem um QB titular sob contrato por mais dois anos, e que pode precisar de cada ano barato de Jackson que puder arrancar.

Jackson é um QB que acabou sendo bastante prejudicado nesse processo pré-Draft por conta de estereótipos, um QB extremamente atlético e ótimo com as pernas (e, claro, negro) que logo foi taxado de “Não é um QB de verdade” e “Deveria mudar para jogar de WR“. O que é ridículo: Jackson tem alguns problemas de precisão e no jogo de pernas como passador, mas ele ainda tem números muito melhores passando a bola do que Josh Allen mesmo enfrentando competições muito mais fortes que o ex-QB do Wyoming, e Jackson é simplesmente devastador correndo: nos últimos dois anos, o ex-QB de Louisville somou 3200 jardas terrestres e 39 TDs pelo chão; para efeito de comparação, Saquon Barkley, RB escolhido #2 do Draft, somou 2750 jardas e 36 touchdowns com as pernas no mesmo período. Jackson ainda tem que continuar evoluindo como passador, mas ele é sólido o suficiente nisso, e mostrou enorme capacidade de evolução e adaptação nos seus três anos em Louisville – um bom sinal de que pode continuar essa trajetória nos próximos anos. Jackson não é um QB que você coloca em um esquema tradicional, você precisa adaptar um esquema a um conjunto de habilidades fora do padrão, mas tem talento de sobra para fazer esse ataque render.

A mensagem aqui é clara: Joe Flacco tem os dias contados, o que é ótimo. Flacco tem sido um dos piores QBs da NFL desde vencer o Super Bowl de 2012, e o grande motivo que está segurando um sólido time do Ravens de algo a mais. O contrato absurdo de Flacco impede que ele seja cortado por mais dois anos, então será interessante ver se ele joga esses dois anos de titular com Jackson aprendendo no banco, ou se vira antes o reserva mais caro da história da NFL.

Nota posterior: esse vídeo do Jaire Alexander reagindo à escolha do Lamar Jackson, que só fui ver no dia seguinte, é tão legal que mereceu entrar de gaiato nessa coluna mesmo assim

12:40 – E chegamos enfim ao final da primeira rodada. Lamar Jackson saindo na escolha #32 também significa outra coisa: que eu errei meu palpite de seis QBs saindo na primeira rodada. Achei que Jackson sairia antes, que o Patriots seria mais agressivo atrás de um QB, e que os times em busca de um QB iriam subir para pegar Mason Rudolph ainda na primeira rodada.

Foi um bom Draft, como de costume. O topo decepcionou um pouco: muitas trocas foram especuladas, bem como uma corrida pelos QBs que acabou não se materializando. Mas foi divertido o suficiente, com as surpresas de sempre, trocas pelo meio, e uma boa dose de escolhas péssimas e ótimos steals para manter a noite animada.

E assim chegamos também ao final do nosso Running Diary 2018. Um grande abraço e agradecimento a todos que leram até o final, e até a próxima!

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