Preview: Primeira rodada dos playoffs – Leste

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Boa sorte parando o cara, Pacers (Foto: Ken Blaze, USA TODAY Sports)

Um minuto… está vindo… calma ai…

PLAYOOOOOOFFS!!!!!!!!

Finalmente chegou!! Os 82 jogos, como sempre, pareciam intermináveis mesmo com uma briga divertidíssima (e as vezes, bem feia) pelas vagas restantes no Oeste, que ainda nos deu o jogo de temporada regular mais interessante dos últimos tempos: um matar-ou-morrer entre Nuggets e Timberwolves que foi mais feio que bater na mãe, teve prorrogação, vários possíveis arremessos decisivos, e me deixou pensando se um time poderia demitir seu técnico durante uma partida.

Mas agora isso acabou, e se a coluna demorou para sair, é porque a NBA fez o favor de não ter NENHUM confronto de pós-temporada definido para eu poder adiantar essa coluna.

Mas agora vamos a isto, porque chegou a melhor época do calendário. 16 times, 8 séries. Vamos passar por cada uma delas, com palpites e tudo, e destacando também um ponto de atenção para cada série. Pode ser um fator crítico para a série, pode ser um fator que valha a pena observar, ou uma curiosidade sobre como um desses times vai abordar a série em si – algo para vocês ficarem de olho na hora de assistir e acompanhar os jogos, e talvez enriquecer a experiência.

Hoje falamos dos jogos da Conferência Leste. Amanhã falaremos dos jogos da Conferência Oeste.

Os playoffs da NBA começam dia 14/04.

#1 Toronto Raptors vs #8 Washington Wizards

Antes de mais nada, entre nesse link e vejas as bold predictions #8 e #9 para a temporada que o Matt Moore, então da CBS Sports, fez para a temporada da NBA. Ouch!

Para os preguiçosos que não clicaram no link, entre as previsões do Moore para a temporada estavam que o Raptors iria garantir a #1 seed do Leste, e logo depois que apesar disso o Raptors iria cair na primeira rodada dos playoffs. Metade até agora se cumpriu, e Toronto agora vai pegar um time que apenas um ano atrás era um semifinalista do Leste. Se preparem.

E esse sempre vai ser o elefante na sala do Raptors até que eles provem o contrário. Não importa o quão bem eles joguem na temporada regular, quantos jogos ganhem, quanto eles pareçam incríveis, sempre vai existir essa dúvida, essa pulga atrás da orelha de que eles não conseguirão repetir esse desempenho na pós temporada.

Existe alguns motivos legítimos para se pensar assim, já que essa foi a norma de Toronto nos últimos quatro anos seguidos, sem exceção. Eu inclusive escrevi já uma coluna (exclusiva para assinantes) sobre o porquê disso acontecer, por que essa era uma preocupação real sobre Toronto, mas também defendendo que esse time de 2018 era diferente dos anteriores, que aquelas coisas que antes estavam segurando a franquia em Maio agora estavam mudando na direção certa.

Em resumo, o problema era o que a gente sempre falou: era um time que não rodava nem trabalhava bem a bola, que era dependente demais dos arremessos de isolação, de converter arremessos difíceis de meia distância e dos lances livres e esse estilo não se sustenta nos playoffs. A falta de movimentação de bola e variação de repertório tornam Toronto um time fácil de defender em uma série de playoff, e na pós-temporada esses espaços apertam e as faltas são menos marcadas, o que reduz os lances livres e a eficiência dos chutes de meia distância – um arremesso ineficiente com baixíssima margem pra erro. Mas esse ano Toronto era um time diferente: essas bolas de três reduziram bastante, o time começou a chutar mais de três e perto do aro, a bola começou a rodar, e a dependência do banco caiu bastante. O Raptors de 2018 é um time bem mais versátil dos dois lados da quadra, e parecia que aqueles problemas conhecidos estavam ficando no passado – embora o time ainda precisasse provar isso dentro de quadra.

E isso ainda é verdade, embora as semanas finais da temporada regular tenham incomodado: DeRozan caiu de produção do nível 1st Team All-NBA da maior parte do ano, o time pareceu regredir um pouco em relação às suas tendências dos anos anteriores (mais meia distância, mais isolação, menos movimentação) e Toronto sofreu para finalizar o ano com 7-6 nos últimos 13 jogos, quase perdendo a #1 seed para Boston no processo. Historicamente falando, não existe correlação entre como um time termina o ano  em relação a como será na pós-temporada – a performance acumulada do ano inteiro é um indicador muito melhor – mas considerando toda a história de Toronto foi suficiente para trazer de volta alguns velhos fantasmas e levantar a desconfiança.

E agora Toronto vai enfrentar um adversário perigoso em Washington, um time que, honestamente, ninguém consegue saber bem o que esperar. Ao mesmo tempo que o Wizards teve um 2018 decepcionante e extremamente irregular, suas performances em 2017 ainda são um marco do quão bom esse time pode ser quando tudo se encaixa.

A verdade é que o 2018 do Wizards foi uma grande bagunça, com nenhuma estabilidade. Seu quinteto titular – Wall, Beal, Porter, Morris e Gortat – jogou apenas 30 jogos juntos, devido a um número de lesões, em especial de seu melhor jogador, John Wall, que perdeu 41 jogos machucados. Na sua ausência o Wizards alternou bons e maus momentos, e também não mostrou atingir o nível de 2017 mesmo com o armador saudável. Beal e Porter, dois dos principais jovens talentos desse time, melhoraram ainda mais seu jogo em 2018, mas Morris e Gortat, outras duas peças chave, pareceram regredir e com a cabeça já fora de Washington, e o próprio Wall vem de um ano bem abaixo do esperado… e isso sem falar do que parece ser um problema de química dentro e fora de quadra que permeia esse time desde sempre.

Em outras palavras, embora o Wizards assuste pela possibilidade de que vá recuperar sua forma de 2017 – e nesse caso seria realmente um adversário muito complicado para Toronto – tem poucas coisas indicando que isso pode acontecer, especialmente com Otto Porter lidando com uma lesão no pé e podendo perder alguns jogos. Ao invés disso, essa série será muito mais sobre Toronto, e como esse time lida com essa pressão adicional pelos seus insucessos anteriores em pós-temporada. Sua performance aqui pode determinar como esse time será visto ao longo do resto da pós-temporada, e uma boa atuação pode fazer muito por afastar fantasmas e aliviar o ambiente, favorecendo assim o time para os próximos jogos.

Ponto de atenção para a série: Como Toronto entrará no Jogo 1 da série?

Desde que Toronto voltou aos playoffs em 2014, o Raptors perdeu literalmente TODOS os Jogos 1 que enfrentou. São 7 Jogos Um e 7 derrotas, ainda mais impressionante quando lembramos que CINCO deles foram jogando em casa.

Essa é daquelas situações malucas que já passou faz muito tempo de ser uma simples curiosidade, e já está claramente afetando o time. Toronto nos seus últimos G1 tem entrado com um medo e um nervosismo pra evitar essa derrota que afeta sua performance e torna muito mais difícil vencer, e uma derrota no G1 trás de volta velhos medos e pressão adicional que por sua vez prejudicam as atuações seguintes da equipe.

Claro que os problemas de Toronto em playoffs não se resumem a perder Jogos 1, mas a impressão que da é que essa é uma sequência que ser enfim quebrada daria um novo ânimo e alívio para o Raptors, e pode tornar mais fácil a vida da franquia. Resta ver se dessa vez o time vai conseguir transformar essa pressão em energia e motivação, ou se novamente vão deixar o nervosismo atrapalhar sua vida.

Palpite: Raptors em 6

Eu acho que Toronto é bom demais, e o Wizards está quebrado demais, para Toronto perder essa série, mas estou com um pé atrás quanto a se esse time vai conseguir jogar seu melhor basquete nessa primeira rodada.

#2 Boston Celtics vs #7 Milwaukee Bucks

É engraçado como o Bucks, objetivamente um time fraco, problemático e que nunca realmente encontrou a forma certa de jogar basquete esse ano, se tornou talvez o time mais temido do fundão do Leste. Mas isso diz muito sobre a forma como pensamos basquete de playoffs.

Milwaukee terminou o ano 16th em Net Rating, o segundo pior time colocado no quesito a ir para a pós-temporada (Heat foi 17th). Desde o All Star Game o Bucks está 12-13 com -0,9 de Net Rating (19th na NBA) e uma das 8 piores defesas da liga. Isso é totalmente inaceitável para um time com tanto talento quanto o Bucks, especialmente com alguém que já se mostrou um dos 8 melhores jogadores da NBA em Giannis Antetokounmpo. Objetivamente falando, esse não é um bom time.

Quando o Bucks demitiu Jason Kidd eu escrevi sobre como muitos dos problemas do Bucks eram táticos, em especial uma visão muito convencional sobre basquete e uma defesa pressão extremamente ultrapassada que não estava dando resultados. No entanto, demitir Kidd não resolveu o problema: o técnico interino Joe Prunty mudou algumas coisas, em especial a defesa pressão, mas o time continua jogando um basquete extremamente convencional e sem criatividade, quando eles tem um dos jogadores menos convencionais e mais versáteis da história da NBA em Giannis. Eles continuam alérgicos a trocar a marcação na defesa apesar de um elenco perfeito para isso, e ofensivamente é um dos ataques mais estagnados da liga. Suas rotações também continuam seguindo o absolutamente padrão da NBA apesar de um enorme problema com os seus pivôs ao longo do ano. E nisso um time que tinha potencial para ser um dos melhores da NBA – ou pelo menos um dos melhores do Leste – agora é a #7 seed.

Mas justamente pelo time ter tanto talento que o teto dessa equipe é tão alto, e você nunca quer não ter o melhor jogador em uma série de playoffs – vantagem que o Bucks tem contra qualquer time que não seja o Cavs no Leste. Assim como no caso do Wizards, existe um potencial de que esse time na pós-temporada – mais focado, mais concentrado – alcance o nível que pode mas não atingiu na temporada regular, e a questão é se o time será capaz ou não.

O Bucks também foi o vencedor de uma batalha bizaríssima de tank entre time de playoffs no Leste, com Heat, Wizards e Bucks dando uma forcinha para as derrotas na esperança de pegar um Celtics que estará sem Kyrie Irving, Gordon Hayward e Marcus Smart na pós-temporada – em teoria o adversário mais fraco dos 4 melhores colocados do Leste.

Isso me parece também subestimar um pouco a capacidade desse time do Celtics, mesmo sem Kyrie. Com ou sem Irving – na verdade, talvez até mais sem Irving – o Celtics tem uma defesa de elite, com vários jogadores inteligentes e que sabem perfeitamente seu papel. Brad Stevens é talvez o segundo melhor técnico da NBA na atualidade, um missmatch gigantesco contra o fraco Prunty. Boston tem dificuldades para pontuar, mas a defesa do Bucks também não apresenta o maior dos problemas nesse sentido. Jayson Tatum, crescendo na reta final, vai ter luz verde para criar o próprio arremesso.

Boston na verdade tem sido bem sólido quando jogou sem Kyrie Irving. Embora a amostra em minutos seja pequena, a lineup que deve ser a titular do time na série – Rozier, Brown, Tatum, Horford e Baynes – tem Net Rating de +16,2 na temporada; a mesma lineup com Marcus Morris no lugar de Brown tem +20,9. Claro que esses números não se manterão contra adversários mais fortes e em uma amostra maior, mas é um bom indicador de que esse time está longe de ser uma barbada mesmo sem Irving. São vários jogadores capazes de pressionar a bola, trocar a marcação e proteger tanto o aro como linhas de passe.

O Bucks vai ter pelo menos um jogo que Giannis vai botar a bola embaixo do braço e resolver sozinho como a superestrela que ele é, e quando o grego embalar, o Celtics não tem poder de fogo para igualar o Bucks na pontuação. Mas no resto do tempo Boston tem a versatilidade e inteligência para fazer da vida de Milwaukee um inferno. Horford, em particular, é chave: ágil e longo para defender no perímetro, grande e forte para proteger o garrafão, ele é um coringa que permite a Brad Stevens usar qualquer formação e jogar para cima de Giannis e o do ataque do Bucks uma série de diferente variações defensivas para impedir que o adversário fique confortável. Do outro lado da quadra, seus passes e sua capacidade de espaçar a quadra destróem completamente a defesa confusa de Milwaukee: os problemas ofensivos do Celtics são reais, mas seu estilo de movimentação com e sem a bola é o tipo de coisa que mais vai dar trabalho a uma defesa do Bucks que não tem uma boa sincronia (obrigado, Kidd!) e não gosta de trocar a marcação. Horford é a síntese disso.

Ponto de atenção para a série: O quão não-convencional o Bucks será com sua rotação?

Uma das coisas que mais me irrita sobre o Bucks é seu uso dos pivôs na rotação. A posição tem sido um problema enorme para Milwaukee o ano todo: John Henson é nulo no ataque e vai ser um alvo gigante na pós-temporada, quando cada pequena fraqueza é explorada ao máximo, especialmente para um time que não chuta de três como o Bucks; Thon Maker tem o potencial e o conjunto de habilidades certo pra jogar com Giannis, mas hoje ele está longe de ser um bom jogador; e Tyler Zeller é só uma versão piorada de John Henson nesse sentido. Qualquer um deles vai oferecer uma vantagem tática para Boston explorar.

A solução é simples: usar mais Giannis (ou mesmo Jabari Parker) de pivô e maximizar sua força no perímetro, aumentando assim o espaçamento. Giannis tem o tamanho e a proteção de aro para cobrir a falta de um pivô na defesa – pelo menos no papel – e assim você encaixa melhor contra a velocidade e versatilidade dos melhores times da NBA.

O problema é que o Bucks se recusou terminantemente a fazer isso durante a temporada. Desde que Prunty assumiu o time, nenhuma lineup com Giannis de pivô jogou mais do que 33 minutos junta. Parte faz sentido – você não quer sobretaxar o corpo de Giannis na temporada regular jogando esses minutos de 5 – mas agora você não tem o hábito ou um jogo estabelecido para usar essa função no momento crítico do ano.

Esse me parece uma questão bem importante. Se o Bucks quer se maximizar esse ano, precisa de mais formações sem pivô, e Boston não é o time que vai te castigar por jogar baixo: Horford vai explorar alguns missmatches no garrafão, mas ele não é o tipo de jogador que vai centralizar o jogo e pontuar feito louco. Mas se o Bucks insistir em jogar as lineups tradicionais, como eu acredito que fará, ele coloca a situação muito mais a favor do Celtics.

Palpite: Boston em 6

O Bucks tem um nível não-aproveitado que Boston não consegue alcançar e, sem Kyrie e Hayward, pode-se dizer que é o time mais talentoso na série. Mas o Celtics é melhor como time, sabendo exatamente o que é e o que precisa fazer, e parece que é o tipo de série com peças demais no tabuleiro para maximizar a vantagem que o time tem na batalha dos técnicos. Não vai ser fácil, mas Boston leva.

#3 Philadelphia 76ers vs #6 Miami Heat

Se você quer saber se seu amigo está assistindo a temporada do Heat com a devida atenção, faça para ele a seguinte pergunta: qual é a melhor lineup do Miami Heat? Se a resposta não começar com “Depende”, é porque ele precisa voltar ao League Pass.

Isso é de longe o mais interessante do Miami Heat essa temporada: ao contrário da maioria dos times, eles não tem uma lineup dominante, ou um time titular no qual se fia. A rotação do time engloba 11 jogadores diferentes, de todos os estilos, gostos e posições, e a força do time vem do quão bem o técnico Erik Spolestra consegue combinar essas peças para fazer seu time jogar da melhor forma possível para um dado momento ou dado oponente. O Heat é a versão time da NBA de um jogo de LEGO: você tem várias peças diferentes, e o resultado do que você vai montar depende de quais peças você vai usar e como vai usá-las. O resultado pode ser totalmente diferente dependendo do que você procura, e Spolestra é um mestre maximizando cada pequeno ponto nessas combinações.

Nenhuma lineup do Heat jogou mais de 200 minutos junta esse ano, e apenas duas jogaram mais de 100 sem Dion Waiters. Como algumas peças não encaixam muito bem e nem todas são boas nas coisas necessárias, o time precisa tomar cuidado: usar muitos jogadores com dificuldade de arremesso juntos estrangula um ataque que já tem dificuldades, por exemplo. Mas a variedade de estilos também significa que o Heat pode jogar como bem entender, focando naquilo que for mais útil no momento.

Isso faz do Heat ao mesmo tempo um dos times mais interessantes e menos perigosos desses playoffs. Por um lado, essa versatilidade significa que Miami consegue se adaptar para enfrentar qualquer estilo e qualquer adversário; por outro, significa que não é um time que seja particularmente bom em alguma coisa, e que dificilmente tem uma identidade “principal” para se apoiar nos momentos decisivos onde as situações se apertam mais, como a derrota recente para OKC escancarou.

Do outro lado, Philly é o time mais quente da NBA na atualidade. O 76ers terminou o ano com 16 vitórias seguidas em sua arrancada rumo a #3 seed do Leste e uma campanha de 52-30 no seu primeiro ano depois do famoso “Processo”. Philly também terminou o ano #4 em Net Rating em toda a NBA, atrás apenas de Houston, Warriors e Raptors. Sob qualquer ótica, esse é um dos melhores e mais perigosos times de toda a liga.

E o grande problema de Philly para Miami é que o Sixers talvez seja o time mais à prova de matchups que existe. Sua versatilidade – e em especial a de Ben Simmons – significa que o Sixers consegue jogar e defender de muitas maneiras diferentes com o mesmo time. Eles tem o tamanho para defender linhas de passe e o garrafão, trocar a marcação e pressionar o perímetro, mas também tem a agilidade para acompanhar times que gostam de trocar a bola e rodar sem ela. Seus pivôs conseguem defender fora do garrafão, e seus alas e armadores protegem o aro. É um pesadelo para enfrentar.

Isso é verdade mesmo sem Joel Embiid, que pode perder os primeiros jogos da série com uma contusão – uma notícia que seria melhor pro Heat se viesse dois meses atrás. Desde a trade deadline e a remontagem do banco do Sixers, Simmons tem sido um maníaco em quadra e o time está destruindo adversários mesmo sem sua Embiid em quadra, ao contrário de como foi na primeira metade da temporada. Não ajuda o Heat que Markelle Fultz, escolha #1 do Draft, parece bem sólido desde que voltou de lesão e deve ajudar a ancorar os minutos sem Simmons nem Embiid.

Isso coloca o Heat em uma situação complicada de não poder contar em se adaptar ao adversário, e ter que jogar apenas pelas SUAS forças, o que não é o ideal e coloca Spolestra com algumas questões difíceis. Miami tem sido um pouco melhor sem Dragic em quadra com suas formações mais altas, mas o armador é talvez seu único jogador capaz de criar o próprio arremesso nesse time, e Miami precisará demais das suas infiltrações e quebras na defesa já que dificilmente o Heat conseguirá ter uma vantagem de tamanho nesse confronto. A melhor lineup do Heat com Dragic é um small ball com Adebayo de pivô e James Johnson, Tyler Johnson e Josh Richardson, mas essa lineup não tem a defesa suficiente para segurar o Sixers no garrafão, e ela comete turnovers num ritmo que seria o pior da NBA – morte contra Simmons e Philadelphia.

Ponto de atenção para a série: O quanto Hassan Whiteside vai jogar?

Esse é outro ponto tático de interesse para o Heat. Nesse ano todo, o Heat tem sido consideravelmente melhor com Whiteside no banco. Sua presença em quadra estrangula um já delicado espaçamento da equipe, que conta com muitos arremessadores medianos. Whiteside também é um jogador que segura a bola e vive de jogadas mais centradas, enquanto o limitado ataque de Miami está no seu melhor quando roda a bola, se movimenta sem ela, e toma decisões inteligentes e rápidas – coisa que Whiteside em quadra também bloqueia. O time fica melhor com jogadores como Olynyk, que ajuda a espaçar a quadra, ou Adebayo, que melhora a defesa e precisa menos da bola no ataque.

Mas Olynyk e Adebayo não tem chance de defender Joel Embiid se/quando o pivô voltar para o time do Sixers. Whiteside é o único que tem uma chance e iguala o tamanho no garrafão, mesmo que às custas de outras áreas do jogo. Essa vai ser uma linha que vai ser interessante ver quando Whiteside voltar de contusão: o quanto Spolestra vai confiar no seu pivô e mantê-lo em quadra, e o quanto ele vai apostar em como seu time tem jogado melhor.

A presença de Whiteside, até aqui dúvida para o G1, também adicionaria uma dose extra de drama para essa primeira rodada: ele e Embiid já se estranharam dentro e fora de quadra esse ano, e seria mais divertido ainda ver os dois batendo cabeça por mais alguns jogos.

Palpite: Sixers em 5

Miami tem um dos melhores técnicos da NBA, mas o Sixers parece um matchup muito ruim para o Heat – um time que já não é tão bom, para começar. Philly, por outro lado, deveria estar sendo reconhecido como um dos melhores times da NBA, um time bom demais para um Miami Heat que não vai conseguir se adaptar direito ao adversário.

#4 Cleveland Cavaliers vs #5 Indiana Pacers

Curiosamente, enquanto Heat, Bucks e Wizards estavam tentando tankar mais que o colega pra tentar cair e pegar o Celtics – ou fugir do Cavs – na primeira rodada, os três estavam sendo tratados por boa parte do público como sendo adversários mais perigosos, que ninguém gostaria de enfrentar, mais do que o Indiana Pacers – embora Indiana fosse o melhor time dos quatro.

Por mais absurdo que seja isso, também da para entender de onde vem, e apenas parte disso é o fato do Pacers ser um time mais “apagado” em termos de atratividade midiática. Nos playoffs, o que as pessoas tendem a considerar mais – especialmente nas seeds mais baixas, que já são esperadas que percam – é o teto do time, o quão bom eles podem ser se tudo der certo.

E o Pacers não é um time que chame a atenção nesse sentido, por vários motivos. Embora Victor Oladipo tenha evoluído em uma legítima estrela em 2018 ele não está no nível de Giannis ou John Wall nesse sentido (embora tenha sido melhor em 2018 que Wall), o tipo de jogador que consegue colocar um time nas costas e vencer séries sozinho por ser o melhor jogador na quadra. O Pacers também não é um time que é particularmente bom em nada, num nível que possa ser considerado uma força a ser explorada e que pode desequilibrar um confronto: sua defesa e seu ataque são ambos acima da média, mas nenhum é Top10 no quesito dentro da NBA. Seus rebotes de ataque são sólidos, mas também fora do Top10. Indiana acerta suas bolas de três num bom nível, #9 da NBA em aproveitamento, mas é o quinto time que MENOS arremessa essas bolas. Indiana evita turnovers bem, #5 na NBA, mas não num nível patológico igual ao Raptors de outros anos. Você entende a ideia.

Em outras palavras, Indiana não é bom porque faz algo excepcionalmente bem – o Pacers é bom porque faz tudo direito, e nada mal. É, como dizem os colegas do excelente Bola Presa, um time arrumadinho: eles sabem quem são e o que precisam fazer, e como jogar. É um time de uma consistência incrível, e que raramente atira no próprio pé. Na temporada regular, isso é muito importante, e ajudou Indiana a vencer 48 jogos. Na pós-temporada, quando todo mundo joga seu melhor e sobe um nível, isso te deixa questionando se o time tem um nível a mais para subir e acompanhar.

Isso não é necessariamente uma crítica, ou pra dizer que Indiana é ruim – esse time provavelmente é sub-apreciado e não recebe o respeito que merece. Existe também um valor extra em ser um time arrumado e completo, oferecendo assim menos fraquezas para o adversário atacar. Mas não é o tipo de coisa que vai assustar times melhores. E o Pacers pegou logo de cara a maior bomba.

Cleveland foi meio que um desastre na temporada regular mesmo com LeBron liderando a liga em minutos e jogando em altíssimo nível mais uma vez. Em particular, a defesa do Cavs foi um desastre nuclear, cedendo 109,5 pontos por 100 posses de bola – a segunda pior marca de toda a NBA, atrás de Kings, Bulls e Nets, ficando à frente apenas do Suns. E ao contrário de muita gente, essa não é só uma questão de “desinteresse” pela temporada regular e falta de esforço- tem motivos muito sérios por trás desses problemas defensivos que não vão sumir como mágica, por mais que os torcedores queiram acreditar nisso. Em algum momento, isso vai voltar para assombrar o Cavs.

Mas Cleveland também sabe que tem o melhor jogador do mundo, e que quando coloca Kevin Love de pivô e cerca LeBron de 4 arremessadores esse ataque não pode ser parado por meios mortais que não envolvam um taser. No fundo, essa é a resposta que o Cavs tem para seus problemas defensivos: maximizar seu ataque em volta do melhor jogador da sua geração, pontuar feito louco, e desafiar o adversário a igualar o volume ofensivo.

E é difícil imaginar um time como o Pacers fazendo isso, dos dois lados da quadra. Indiana deve jogar em velocidade e pressionar o Cavs na transição, a maior fraqueza de Cleveland, mas não tem um ataque explosivo capaz de acompanhar o do Cavs por uma série de playoffs. Defensivamente, a melhor forma de combater esse ataque alucinante do Cavs é ter um elenco versátil capaz de trocar a marcação fora da bola e minimizar os espaços, correndo com os arremessadores de Cleveland da linha dos três pontos (como Rockets e Warriors), mas esse também não é o estilo que o Pacers gosta de jogar.

Ponto de atenção para a série: Como o Pacers vai defender LeBron?

Essa é a grande pergunta de quem quer que enfrente o Cavs, e não existe uma resposta certa. As respostas menores piores são de duas uma: ter um defensor capaz de defender o King individualmente (e tem uns 5-6 desses na NBA inteira); ou então ter uma variedade de defensores semelhantes que você possa ir jogando em cima de LeBron para nunca deixá-lo entrar em um ritmo. O Pacers, infelizmente, não está bem equipado para nenhum dos dois.

Bojan Bogdanovic é um defensor capaz e surpreendentemente sólido defendendo LeBron, mas não é o tipo de jogador que vai desacelerar o Rei durante muito tempo, e o time não tem outras boas opções além de dar mais minutos para Glenn Robinson – o que não é tão bom. Dificilmente Stephenson fará mais do que assoprar em LeBron, mas pode ser uma opção também. Eu imagino que, caso Larry Nance esteja em quadra, o Pacers esconda Myles Turner nele e use Turner como uma “sombra” para proteger o aro atrás de LeBron, mas quando Turner ou Nance não estiver em quadra isso vai ser um problema – Turner não pode marcar alguém como Love em espaço ou trocar a marcação no King.

O Cavs talvez também tente colocar Thad Young em Nance e trocar a marcação no pick and roll, mantendo o resto do time no perímetro evitando os arremessos, mas é uma preposição arriscada e que deixaria Indy sem proteção de aro, especialmente contra um mestre enxadrista como LeBron, especialista em mover as peças pelo tabuleiro até encontrar a situação ideal. É um enigma sem resposta – ou talvez com respostas demais, e nenhuma suficiente.

Palpite: Cavs em 5

O Cavaliers desse ano pode estar mais vulnerável do que nunca desde a volta de LeBron: – a falta de um segundo pontuador com a bola nas mãos como Kyrie e a defesa são quedas legítimas, e contra times melhores (em especial uma eventual final) isso vai acabar aparecendo. Mas é difícil enxergar o Pacers sendo o time a expor esses problemas. A esperança do Pacers seria pegar o Cavs letárgico que vimos em boa parte do ano e pegar o time de surpresa, mas é difícil imaginar Indiana vencendo um batalha ofensiva nesse momento.

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