Sete Segundos ou Menos – 06/04

636577524513792437-USATSI-10723921
O maior momento da temporada de calouro do Ben Simmons: aparecer DUAS vezes nessa coluna (Foto: Bill Streicher, USA TODAY Sports)

A coluna Sete Segundos ou Menos” é uma homenagem ao famoso Seven Seconds or Less, o estilo de jogo do Phoenix Suns sob o comando de Mike D’Antoni nos anos 2000 que revolucionou para a sempre a NBA – e nos deu alguns dos mais divertidos times de todos os tempos.

A ideia da coluna é, ao invés de tratar de um único assunto extensivo, tratar de vários assuntos menores, assuntos que não valem uma coluna sozinhos mas que ainda assim são pontos que eu gostaria de discutir. É uma versão basicamente com mini-colunas, condensada em uma só.

E também, claro, é uma desculpa para poder postar vídeos do meu jogador favorito de todos os tempos, Steve Nash. Como por exemplo essa deixada extremamente classuda para a cravada fácil do Jason Richardson. 

Lembrando que você pode se tornar um assinante do TM Warning através do nosso Apoia-se, te dando acesso a todo nosso conteúdo exclusivo, grupo de assinantes no facebook e outros benefícios – enquanto ajuda o site a continuar vivo e funcionando.

Vamos a isto.

  1. O grande experimento com armadores do New York Knicks

Uma vez que a lesão de Kristaps Porzingis determinou de vez o fim dos sonhos do Knicks de brigar por uma vaga nos playoffs e fez o time aceitar seu inevitável destino como time de tanking, o Knicks fez uma coisa correta: sabendo que não tinha nenhum compromisso de vencer jogos e que seu foco agora era 100% o futuro, o time foi atrás de jogadores talentosos e anteriormente bem cotados na liga e que não deram certo para fazer testes.

A ideia faz todo o sentido: apostar no talento de ex-escolhas altas de Draft que não deram certo na NBA, e ver se consegue tirar alguma coisa delas. Se esses jogadores não renderem na sua chance no Knicks, ótimo, o time queria perder mesmo e esses jogadores vão embora sem custo ao final do ano. Se algum deles por algum motivo der certo e seu talento aparecer, você achou uma peça nova para ajudar a reconstrução da sua franquia. Procurar essas apostas pode se dar entre jogadores menos cotados (como o Nets fez com Spencer Dinwiddie) ou entre ex-escolhas altas de Draft (como o Heat fez com Dion Waiters), mas é um bom uso do seu tempo e espaço no elenco quando você não está preocupado em vencer jogos.

E duas das apostas vieram na posição de armador: Trey Burke, escolha #9 no Draft de 2013, e Emmanuel Mudiay, escolha #7 do Draft de 2015, dois jogadores talentosos que nunca encontraram sucesso na NBA. Ambos os jogadores foram boas apostas, em especial Mudiay, alguém que está apenas no seu terceiro ano de NBA e que conta com um físico privilegiado e algumas habilidades interessantes.

E o resultado tem sido, até aqui, bem interessante. Trey Burke, em particular, tem impressionado: o armador tem média de 13 pontos e 4,4 assistências em 19 minutos por jogo, com 52 FG% e 39 3PT%, o que normalizando da 23 pontos e 8 assistências por 36 minutos – marca que apenas LeBron, Harden e Westbrook tem na temporada.

O grande problema de Burke na NBA era que sua falta de tamanho e atleticismo limitava muito sua capacidade de finalizar perto do aro e de criar separação, e seu arremesso de três não era bom o bastante, o que fazia de Burke basicamente alguém que vivia da meia distância e parava todo o ataque quando tinha a bola nas mãos.

Esse ano, no entanto, o armador tem mostrado uma melhora real em várias dessas áreas: suas bolas de três parecem ter se desenvolvido, com 39 3PT% esse ano depois de chutar 44,3% ano passado – ainda que em uma amostra pequena, é um indicador positivo. Burke também melhorou bastante suas finalizações no aro: 71 FG% em seus arremessos na zona restrita, embora em um volume baixo. Entre essas duas evoluções e a manutenção de seu bom chute de meia distância, agora com menor dependência sobre ele, o jogo de Burke abriu bastante, forçando defesas a marcá-lo de forma mais variada e começando a abrir os espaços que Burke nunca foi capaz de abrir com sua falta de velocidade e capacidade atlética.

O camisa 23 está jogando com confiança e capaz de ditar ele seus movimentos em quadra, ao invés de deixar a defesa fazer isso, e está mostrando tanto nos seus números individuais e coletivos. Desde que o Knicks começou a dar a Burke mais minutos e liberdade 18 jogos atrás, o armador tem médias de 16 pontos e 6 assistências em 25 minutos por jogo, incluindo um jogo incrível de 42 pontos e 12 assistências contra o Hornets. E, ainda mais importante, o impacto de Burke não está sendo só bom no nível individual, mas no coletivo: desde sua aquisição, o Knicks tem um Net Rating de -3,6 com Trey Burke em quadra, o que é ruim mas é um ruim “aceitável” (igual ao Mavs da temporada regular) e a melhor marca dentro do time com folga. Com Burke no banco, esse número despenca para -10,6, que seria a pior marca da NBA. Então Burke não só está jogando bem individualmente, como também está tendo um impacto coletivo positivo, o que é um ótimo sinal.

Isso não quer dizer que o Knicks tenha achado uma grande estrela ou mesmo um armador titular: os 71 FG% perto do aro e principalmente 56 FG% em arremessos de meia distância não vão se sustentar com uma amostra maior, e em mais minutos e contra times mais engajados um pouco dessa eficiência e desses espaços vão sumir, e as limitações físicas podem voltar a aparecer. Mas Burke mostrou uma evolução real no seu jogo e, se elas se sustentarem (em especial a melhora perto do aro e da linha dos três pontos), então Burke pode muito bem ser um jogador sólido de rotação na NBA, o que para um Knicks que sofreu com uma rotação horrível de armadores em 2017 já pode ser um excelente achado. Burke sem dúvida fez valer a confiança e os minutos que recebeu, e fez por merecer uma olhada mais longa por parte da franquia e do resto da NBA.

O experimento Emmanuel Mudiay não tem ido nem de longe tão bem. Na verdade, armador congolês, desde que chegou no Knicks, tem sido um desastre: 38
FG%, 21 3PT%, e incríveis -137 de plus-minus nos 446 minutos que Mudiay passou em quadra. Nada do que eles está fazendo dos dois lados da quadra está sendo minimamente produtivo embora tenha a mesma liberdade de Burke (o Knicks tentou jogar com os dois armadores juntos, mas misericordiosamente desistiu depois de 65 minutos de basquete da pior qualidade. Quando não joga ao lado de Mudiay, Burke tem Net Rating de -0,6 em quadra. Ao lado do armador congolês, é de -22,1. Não foi erro de digitação.)

Ainda assim, é fácil entender por que o Knicks insiste em Mudiay. O armador tem várias das ferramentas que você procuraria em um jogador da posição: uma combinação de tamanho, velocidade e capacidade física rara; alguém que se mostrou capaz de fazer algumas leituras mais difíceis e bons passes em certos momentos, bem como de acertar catch-and-shoots da linha dos três pontos. O problema de Mudiay é que ele nunca pegou essas ferramentas e juntou em um jogador que faça sentido ou que faça as jogadas certas na hora certa, mas várias das ferramentas estão lá, e armador é de longe a posição mais difícil de se jogar na NBA, a posição que os jogadores mais costumam demorar para amadurecer e aprender. Mudiay tem apenas 22 anos, com três de NBA e sem ter jogado no College – é fácil ver o potencial que ainda existe no jogador, e os motivos que podem levar Mudiay a nunca ter alcançado suas capacidades ou se desenvolvido. Para um time em busca de talento, faz sentido apostar no congolês e na chance de que seja ele o time onde Mudiay vá juntar as peças e se tornar um bom jogador. O Knicks não liga de perder muitos jogos em 2018. O Knicks liga muito de ter a chance de conseguir um talento de alto nível na posição.

Então tanto Burke como Mudiay são apostas que fazem sentido para o Knicks individualmente, e no caso de Burke é possível dizer que ela deu resultados. No entanto, existe um problema grande com esse plano do Knicks, que é o quanto ele está marginalizando outro bom talento da posição que já estava no time: Frank Ntilikina.

Desde a chegada de Burke e Mudiay para jogar na posição de PG, Ntilikina tem passado cada vez menos tempo executando essa função: Desde que Mudiay chegou ao Knicks, Burke e Mudiay lideram o time em toques na bola por jogo com 58,5 e 57,1, respectivamente, normal para os armadores principais do time. Ntilikina, por outro lado, é apenas o SÉTIMO jogador com mais toques no time, com 39,6 por jogo. O francês também é apenas 7th em passes por jogo e 3rd em assistências potenciais por jogo, esse último com 5.1 por jogo, muito abaixo de Burke (9.0) e Mudiay (8,4) apesar dos três terem minutos quase idênticos em quadra.

Ntilikina tem jogado todo esse tempo praticamente na posição 2, como um armador secundário que joga fora da bola, o que no papel faria sentido – nesse ponto do seu desenvolvimento ainda é onde o calouro está mais confortável, não sendo tanto um jogador de criação e abrir espaços apesar da boa capacidade dos passes. A questão é que, já que você não está preocupado em ganhar jogos e portanto não precisa jogar seus atletas onde eles estão mais confortáveis HOJE, essa era uma excelente oportunidade de dar a bola nas mãos de Ntilikina e deixar ele tentar e aprender com os próprios erros a jogar como PG principal. Mesmo que você veja Frank como um jogador sem a bola no médio prazo, ainda é uma boa chance de testar para ver se o calouro não desenvolve essas habilidades – ou mesmo para dar uma experiência que pode ser bem útil para o futuro ainda que em outra posição.

O Knicks não fez isso – ele tirou a bola quase totalmente das mãos do francês e colocou-a nas mãos de Burke e Mudiay, custando ao seu calouro uma chance de ouro de poder jogar e se desenvolver sem pressão de vencer jogos. A ideia de apostar em jogadores como Burke e Mudiay é totalmente correta, mas fazer essa aposta às custas do seu jogador mais jovem e de enorme potencial é o grande erro do Knicks nessa reta final da temporada.

2. Ben Simmons sem Joel Embiid

Esse foi um ponto que eu já passei um pouco na coluna de quarta feira sobre as lesões da NBA, exclusiva para assinantes do TM Warning, mas vale expandir um pouco hoje.

Para nerds da NBA que nem eu, esse foi uma das tendências mais interessantes de acompanhar ao longo da temporada: a performance do Sixers nos momentos que Ben Simmons jogava sem Joel Embiid.

Durante boa parte da temporada, um dos problemas que o Sixers enfrentou foi a performance da equipe quando seu melhor jogador, Joel Embiid, não estava em quadra. Não foram poucos os jogos que o time dominou com seu pivô, viu Embiid ter um ótimo +/-, mas o time sair com a derrota mesmo assim porque foi surrado quando o camaronês descansou. Em particular, era crucial vencer os minutos que Ben Simmons, a outra estrela do Sixers, estava jogando como a única estrela em quadra.

Mais especificamente, o Sixers tinha um Net Rating de 10,5 – muito acima de Rockets ou Warriors – quando Joel Embiid estava em quadra, e um Net Rating ainda mais espetacular de +14,0 quando suas duas estrelas, Embiid e Simmons, estava em quadra juntos. Quando Simmons saía e Embiid era a única estrela em quadra, esses números naturalmente caíam, mas continuavam bem sólidos: +2,7 de Net Rating, equivalente ao oitavo melhor time da NBA (Thunder). Quando Simmons jogava sozinho sem Embiid, no entanto, era o grande problema do Sixers: -4,1 de Net Rating nesses minutos, próximo ao Knicks como a oitava pior da NBA.

O motivo para isso, ao contrário do que alguns gostam de dizer na conversa do ROY, não é que Simmons não era bom o bastante. Parte, claro, é perder um jogador com o talento de Embiid em quadra, um dos melhores da liga, que faz bastante diferença. Mas o principal motivo é uma questão tática e de encaixe dos jogadores ao redor de Simmons.

Por causa dos seus problemas de arremesso, Simmons oferece um encaixe complicado na NBA moderna onde o espaçamento é uma variável tão importante. Como Simmons não tem arremesso, os adversários do Sixers sempre vão marcá-lo à distância, usando seu marcador para congestionar o garrafão e o caminho até o aro, o que é ainda mais forte se o time não tiver bons arremessadores para espaçar a quadra ao redor de Simmons. Você pode lidar com um não-arremessador na NBA de hoje, mas dois é mais difícil.

Quando Embiid é o pivô jogando com Simmons, isso não é tanto um problema: Embiid é um bom arremessador de meia distância e sem inibição da linha de três, além de ser um jogador perigoso demais para não ser marcado muito de perto, de forma que o camaronês é um raro jogador da posição 5 capaz de criar espaçamento como se fosse um jogador de perímetro, o que compensa a falta de espaçamento de Simmons e ajuda a abrir a quadra. Quando Embiid sai, no entanto, a grande maioria dos minutos de Simmons vieram com um pivô não convencional (AKA sem arremesso) na posição 5, Amir Johnson ou Richaun Holmes, o que significa que você agora tem DOIS defensores marcando jogadores que não chutam congestionando o garrafão e fechando linhas de passe e de ataque para o Sixers – e é ai que o estrangulamento pela falta de espaçamento aparece. Não ajuda também que normalmente os minutos de descanso de Embiid vem junto dos de JJ Redick, então além de Simmons e um pivô que não espaça a quadra o time não tem em quadra seu melhor arremessador nesses momentos. Não ajudou também que muito desses minutos também vieram com OUTRO PF que não arremessava bem no recém-adquirido Trevor Booker. Simplesmente faltava arremesso e espaçamento nesses minutos, e não a toa o ataque de Philadelphia despenca para níveis que seriam equiparáveis ao pior ataque da NBA.

Isso obviamente era um problema para o Sixers indo para frente, não apenas por causa desses preciosos minutos durante os jogos que o time estava perdendo suas vantagens, mas porque dada a situação de saúde de Embiid o time sabia que pode precisar jogar partidas sem sua superestrela, o que de fato acabou acontecendo após a lesão recente do pivô.

Mas o interessante é que, conforme o ano foi avançando –  em especial após o All Star Game – essa tendência começou a se inverter. Não só o Sixers começou a não perder mais os minutos que Simmons jogava sem Embiid, como na verdade a equipe da Philadelphia começou a ser realmente dominante nessas horas.

Desde o All Star Game, o Sixers tem tratorizado adversários quando Simmons e Embiid jogam juntos a +21,6 de Net Rating. Mas quando o pivô camaronês senta e Simmons continua jogando, o time tem mudado completamente suas tendências anteriores: Net Rating de +11,6 nesses minutos, e seu ataque tem pontuado ao nível de um ataque Top5 da NBA.

Parte disso, claro, pode ser só ruído em uma amostra pequena, e é válido lembrar que o Sixers enfrentou nesse período a parte mais fácil do seu calendário. Mas muitas dessas mudanças também passam por mudanças que Philly fez no seu elenco desde então, e que ajudaram Brett Brown a colocar um time muito mais coerente ao redor do seu armador. Em particular, a aquisição de Marco Bellineli deu ao time mais uma ótima opção de espaçamento de quadra, alguém que se movimenta sem a bola e atrai defesas com isso, e a de Ersan Illyasova deu ao time uma opção para substituir aqueles insuportáveis minutos de Booker (logo dispensado) por alguém capaz de arremessar e abrir mais as defesas. Esses dois tem jogado a maioria dos minutos nesses momentos com Simmons/sem Embiid, e adicionam um muito necessário espaçamento no lugar de Booker e TJ McConnell (que acerta um ótimo número de 3pts mas tem um release lento e não arremessa por volume, então defesas não respeitam seu espaçamento), sem falar que seus arremessos melhores significam que o talento nos passes de Simmons é melhor aproveitado. O espaço extra aberto por esses novos nomes, adicionando a um maior entrosamento e, claro, maior evolução de Simmons em enfrentar essas situações, tem feito uma diferença imensa para o Sixers.

E, claro, também vale citar um fator importante para essa melhora: Ben Simmons está jogando um absurdo desde o ASG. Nesses 22 jogos o armador/ala/Coringa tem média de 14 pontos, 10 assistências, 9 rebotes e 1,2 roubo de bola por jogo com defesa de elite e 58 FG% e está evoluindo em praticamente tudo (menos o arremesso) a uma velocidade impressionante, cada vez entendendo mais os ângulos e movimentações da NBA, manipulando defesas, e sabendo atacar quando os adversários o marcam a distância. Pegando apenas os últimos 13 jogos, Simmons tem média de 13 pontos, 11 assistências e 10 rebotes. Ele está jogando em outro nível.

Esse desenvolvimento é crucial para o Sixers não apenas no futuro, mas também para o resto dessa temporada que vai ter que jogar sem o pivô. E, claro, é mais uma pedra de brilhantismo no fabuloso mosaico que Ben Simmons já está construindo tão cedo na sua carreira, e um dos grandes motivos pelos quais o Sixers é o grande sleeper dos playoffs do Leste.

3. A defesa de James Harden e seu truque Jedi

Alguns anos atrás, em uma temporada absolutamente miserável na qual James Harden e Dwight Howard não aguentavam mais olhar um para o outro, Harden decidiu que não estava com vontade de defender e passou o ano todo assim. Isso gerou uma enorme quantidade de vines, GIFs e piadas na internet que acabaram criando para Harden a fama de ser um péssimo e desinteressado defensor.

Essa fama é um pouco injusta, e acabou pegando mais do que devia, com Harden sendo rotulado como defensor ruim para o resto da carreira. Foi verdade naquele ano em especial, que Harden foi mesmo um péssimo defensor, mas quando engajado – como tem sido durante os últimos dois anos – Harden é um defensor aceitável, basicamente médio, que não compromete.

Mas existe uma área em especial onde Harden é curiosamente um excelente defensor, e não é onde você esperaria: defendendo post ups, ou jogadas de costas para a cesta. Apesar de não ser alto, Harden é extremamente forte e consegue segurar muito bem jogadores maiores que tentam jogar de costas para cesta em cima dele, e ele é especialista em usar a agressividade desses jogadores em tentar movê-lo – sem sucesso – no garrafão, desequilibrando os adversários e conseguindo uma tonelada de roubos de bola. Adversários estão chutando 37,5% contra Harden em jogadas de post ups e cometendo turnovers 17% do tempo em um número surpreendentemente muito alto de posses (apenas três jogadores defenderam mais post ups que Harden esse ano). No total, posses de bola envolvendo um jogador fazendo um post up em cima de James Harden geral 0.67 pontos por posse de bola, a quarta melhor marca de TODA a NBA. Ele é genuinamente elite nisso.

E o Rockets tem se aproveitado dessa surpreendente força do seu futuro MVP para usar um truque mental Jedi nos adversários que tem sido um sucesso o ano inteiro, e os adversários CONTINUAM caindo nele.

Começa com o Rockets na defesa colocando James Harden não escondido no pior jogador ofensivo do adversário, como normalmente faz, mas no principal armador ou criador de pick and roll do outro time. Esse armador chama o pick and roll e o Rockets troca a marcação, com James Harden agora marcando o pivô ou jogador de garrafão adversário. O Rockets então foca em marcar o armador com a bola e abre espaço para o passe, e instinto do adversário é aproveitar o missmatch de Harden defendendo um jogador bem maior no garrafão e fazer uma jogada de post up.

Mas, claro, é mera ilusão porque Harden é excelente defendendo essas jogadas: o adversário vai interromper seu fluxo de ataque para tentar uma jogada que, contra Harden, tem tido níveis de sucessos extremamente baixos. E, quando o adversário tenta o arremesso e erra, agora você tem um jogador de garrafão marcando James Harden em uma situação de transição, forçando a oponente a uma escolha impossível: ficar com um pivô marcando o melhor jogador de isolação da NBA, ou tentar misturar as responsabilidades defensivas durante a transição e se abrir toda para os passes letais do barbudo.

Quando tiver uma chance, veja o último jogo entre Rockets e OKC logo depois do All Star Game: o Rockets explora direto com essa jogada para vencer o jogo, com Harden defendendo Westbrook e trocando toda vez que o Thunder chamava Stevens Adams para o pick and roll, com Harden defendendo Adams no garrafão e assassinando OKC em transição. Houston tem usado esse truque o ano inteiro, times continuam caindo, e continuam pagando o preço por isso. Um pequeno toque de brilhantismo de Mike D’Anthony nessa temporada impecável.

4. Ben Simmons e Kyle Kuzma, trazendo de volta o (quase) skyhook

Hoje em dia, talvez pelo excesso de padronização que vem desde os camps AAU, é raro ver jogadores tentando coisas diferentes, ou jogando fora de um “padrão” já mais conhecido. Quem costuma fugir um pouco disso são jogadores que vieram da Europa ou de outros centros, que não cresceram “presos” pelas convenções do jogo dos EUA. Eu, pessoalmente, adoro quando aparece um jogador que trás algo diferente para o jogo, ou tem algum recurso no seu arsenal que foge ao “comum”.

Nesse contexto, é difícil achar dois calouros mais interessantes do que Ben Simmons e Kyle Kuzma, dois jogadores que tem um estilo que é tudo, menos convencional. No caso de Ben Simmons, isso é em boa parte para esconder a limitação do seu arremesso: como as defesas sabem que Simmons não arremessa de fora, os adversários marcam o australiano recuando suas defesas e fechando o garrafão, então o calouro do Sixers teve que desenvolver um arsenal de arremessos de semi-curta distância para contornar essas defesas e aumentar suas chances de pontuar sem o chute de fora. No caso de Kuzma, quase todo o seu jogo ofensivo – que é ótimo – é baseado em uma série de movimentos não convencionais, finger rolls, scoop shots, e um ritmo que parece ser sempre um pouco diferente do resto do jogo. É divertido demais ver dois jogadores tão únicos quebrando o padrão da NBA.

Em particular, uma coisa que eu adoro nos dois é que eles trouxeram de volta uma arte quase perdida em jogadores de perímetro, que é o hook shot – ou o popular gancho.

Faça uma lista dos jogadores que mais fizeram ganchos na NBA, e 43 dos 45 jogadores no topo da lista – de novo, QUARENTA E TRES de QUARENTA E CINCO – são EXATAMENTE os jogadores que você esperaria encontrar em uma lista desse tipo, todos eles jogadores de garrafão e que tem ou uma vantagem física e de tamanho perto da cesta, ou então nenhum jogo ofensivo mais longe do aro: Robin Lopez, Jusuf Nurkic, Kosta Koufos, Towns, Jonas Valanciunas, John Henson, Enes Kanter, Dwight Howard, LaMarcus Aldridge e Zach Randolph são os 10 primeiros da lista, e o padrão se mantém quase que intacto nos primeiros 45 nomes da lista.

As duas exceções no top45 são exatamente Ben Simmons, #17, e Kyle Kuzma, #28, os dois jogadores de perímetro que estão dando arremessos de pivô no meio dessa lista como se fossem dois jogadores tirados de 1983.

Mas o mais legal é que os hook shots de Kuzma e Simmons também não são os ganchos tradicionais de pivôs que estamos acostumados, quando o jogador se planta embaixo do aro e faz um ganchinho curto para fugir do toco. Ambos tem um repertório de ganchos bem variado, de várias distâncias, em movimento e de vários ângulos, que inclui até mesmo um baby skyhook, que se não é o que Kareem tinha (porque nenhum é) pelo menos lembra bastante os que Magic Johnson dava naquela época, que nem esse lindo skyhook que Kuzma colocou em cima de Josh Jackson...

Ou esse jump hook do Simmons de fora do garrafão, com tabela e tudo.

Eu adoro esse tipo de coisa, aquela dose de variação e imprevisibilidade que tornam a NBA ainda mais divertida de se acompanhar.

As estatísticas e dados dessa coluna vieram dos seguintes sites: Basketball Reference, NBA Stats, Cleaning the Glass, Synergy Sports, Spotrac, ESPN Stats and Info.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s