O cenário mais interessante para Kirk Cousins

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Hora de adicionar o nome certo à maior piada recorrente da NFL

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Semana passada eu escrevi duas colunas inteiras (exclusivas para assinantes) sobre o mercado de quarterbacks da NFL essa temporada, falando primeiro sobre os QBs que estarão disponíveis nessa offseason, e depois sobre os times que estarão no mercado em busca de um novo QB. E dois pontos importantes dessa coluna eram simples: Kirk Cousins é o QB mais desejado e importante dessa classe de QBs free agents, e é o jogador que todos os times necessitados desse verão deveriam ter como sua primeira opção e não medir esforços na hora de procurar.

O motivo pra isso é que franchise quarterbacks como Kirk Cousins simplesmente não chegam no mercado assim, livres e desimpedidos no auge da sua carreira. Esses são os jogadores que costumam ser os mais bem pagos da NFL, e os times fazem esforços redobrados para manter por perto um jogador desses quando tem a chance. Pode acontecer de algum grande QB ir para no mercado já no fim da carreira (como Brett Favre) ou vindo de um problema gravíssimo de lesão (Drew Brees, Peyton Manning), mas um jogador como Cousins, saudável, no auge, vindo de três ótimos anos? Boa sorte tentando forçar a memória para lembrar o último jogador a chegar no mercado dessa maneira, eu fiquei um bom tempo aqui e não consegui. Franchise QBs não chegam no mercado no seu auge, e quando chegam é de se esperar que todos os times no mercado pulem com força para tentar adquirir esse jogador.

Claro que Cousins não é tão bom quanto os Hall of Famers citados, e é possível discutir exatamente o quão bom ele é dentro da NFL – provavelmente não um QB Top5 e candidato a MVP, por exemplo. Mas isso não quer dizer que ele não seja ótimo, e qualquer time que conte com um jogador desse calibre na posição mais importante do jogo já tem meio caminho andado (ou mais) para ser competitivo.

E os números sem dúvida suportam a ideia de que Cousins seja um Franchise QB: Desde que Cousins se estabilizou como QB titular em 2015, ele é #3 em toda a a NFL em aproveitamento, #5 em jardas por passe, #5 em em jardas ajustadas por passe, #6 em Rating, #4 em jardas aéreas totais, e até mesmo #14 em interceptações apenas, bem abaixo da média da liga depois de ser o QB mais propenso a interceptações da história da NFL nos seus primeiros dois anos. Nesse meio tempo, o ataque aéreo do Redskins terminou a temporada como o sexto melhor, quinto melhor e 14th melhor da liga em DVOA, e Cousins é #7 em QBR individual nesse período. Tudo aponta para Cousins como sendo um excelente QB de NFL, e exatamente o tipo de jogador que uma franquia deveria ir atrás para elevar seu patamar: seja ele de bom time para legítimo contender ao Super Bowl, ou talvez ainda mais importante de ser uma eterna vergonha para se tornar um time respeitável.

E se tem um time na NFL que se enquadra nisso hoje é o Cleveland Browns. Talvez na história dos esportes americanos não exista uma franquia associada mais a incompetência e inaptidão do que Browns desde que a franquia voltou à NFL em 1999 (o antigo Cleveland Browns, mais respeitável, se mudou para Baltimore e virou o Baltimore Ravens em 1996), um estigma que continua até esse dia. Desde sua volta em 1999 (ou seja, 19 temporadas de NFL) o Browns foi para os playoffs UMA VEZ (com um time 9-7 em 2002, eliminado no Wild Card) e ganhou 8 jogos ou mais apenas DUAS VEZES nesses 19 anos, nos quais o time teve temporadas com 0 vitórias, 1 vitória, 2 vitórias, 3 vitórias (duas vezes), 4 vitórias (cinco vezes) e 5 vitórias (quatro vezes). Tente encontrar uma sequência mais fracassada na história dos esportes americanos. Você não vai conseguir. Existe um motivo para o Browns ter recebido o apelido de “A fábrica de tristeza”, ou Factory of Sadness.

E muito desse fracasso absoluto do Browns vem da sua incapacidade nesse tempo de conseguir sequer atingir a mediocridade com seus quarterbacks. Na verdade, sua coleção invejável de QBs desde 1999 constitui um dos rols mais incríveis e inacreditáveis da história da liga por quão ruim ela é, ao ponto de que ela virou uma das piadas recorrentes mais repetidas da NFL. Dave Rappoccio, desenhista do fantástico site (que vocês já deveriam conhecer) The Draw Play, desenha sempre o QB do Browns como uma Hidra de muitas cabeças, uma para cada QB que jogou na posição pela franquia. Essa foto de uma camisa com os muitos QBs do Browns desde 1999  (que ilustra a coluna) já era uma piada hilária e impressionante, e essa foto é de dois anos e uns 4 QBs atrás. Vocês entendem a ideia.

Browns Hydra
A Hidra QB do Bronws, por Dave Rappoccio do site http://www.thedrawplay.com

Desde 1999, VINTE E NOVE jogadores jogaram de QB pelo Browns, uma lista de tristeza que vai de nomes como Tim Couch até Johnny Manziel e Bruce Bradkowski. Nenhum deles conseguiu ser minimamente aceitável. O melhor deles provavelmente foi Derek freaking Anderson, que teve a melhor temporada de um passador da história recente do Browns em 2007, quando foi ao Pro Bowl depois de completar 56% dos seus passes e ter 19 interceptações (para ser justo, foi #11 em jardas por passe). Não tem sido 19 anos divertidos para os torcedores do Browns.

Em outras palavras, Cleveland é uma franquia historicamente inepta com um histórico de nunca ter bons QBs no seu time, um time que desesperadamente precisa acertar com um jogador nessa posição se quiser sonhar em sair do fundo do poço, conseguir de alguma maneira achar uma estrela que mude o panorama presente e futuro da franquia de volta rumo à respeitabilidade. E acontece que esse ano, pela primeira vez em muitos e muitos anos, esse jogador está disponível no mercado.

Eu já elaborei na coluna da semana passada os motivos e as situações de cada um dos times que devem ir atrás de Kirk CousinsJets, Minnesota, Browns, Broncos, etc – e já dei alguns palpites sobre como a situação estaria se desenhando. Mas eu intencionalmente deixei de fora o meu cenário favorito dessa offseason: Kirk Cousins indo parar no Cleveland Browns.

É evidente que o Browns hoje precisa achar uma solução para o problema de QB que vem sendo um problema para a franquia há anos. No entanto, parece que a solução mais óbvia e favorita para a solução do problema do time já está na mão: a escolha #1 do Draft, em um recrutamento particularmente forte em QBs. O time também tem a escolha #4 do Draft, o que quer dizer que independentemente de qual jovem passador o Browns prefira entre Baker Mayfield, Josh Rosen, Sam Darnold ou Josh Allen a franquia de Cleveland tem a chance de ouro de selecionar esse jogador antes de todo mundo para ser seu Franchise QB do futuro pelos próximos 10 anos.

No papel, é o que faz mais sentido: um QB vindo do Draft é mais novo e te oferece mais anos do seu auge pela frente, além de estar nos seus primeiros cinco anos preso a um contrato de calouro que lhe paga um valor muito abaixo do mercado para um bom QB, e muito abaixo do que Cousins vai comandar como free agent. Sempre que você puder achar uma certeza de Franchise QB vindo do Draft é a melhor opção, e tendo a escolha #1 o Browns tem o controle nas mãos de qual jogador vai selecionar.

No entanto, existe um enorme elefante na sala que todo mundo prefere ignorar quando falamos do Draft, e em especial de QBs, e que tem sido um enorme problema também para o Browns: selecionar um jogador no Draft é apenas o primeiro passo, mas depois existe um processo tão importante quanto para desenvolver esse jogador e deixá-lo pronto para jogar na NFL. São pouquíssimos os QBs que já chegam no profissional prontos para jogar em alto nível, porque o jogo universitário é extremamente diferente do profissional. Você quer pegar, claro, os jogadores com mais talento, os mais avançados, os que tem dão maiores chances de sucesso na NFL, mas uma vez selecionados no Draft você ainda precisa fazer um longo processo de desenvolvimento, ensinar leituras de NFL, acostumar o jogador com a velocidade física e mental do jogo profissional, desenvolver seu físico, os passes que não eram necessários na NCAA mas serão agora, eliminar maus hábitos… o jogador “finalizado” que vai ter sucesso na NFL é muito diferente daquele jogador que chegou pelo Draft. E isso está muito ligado à comissão técnica que vai ter esse jogador nas mãos.

E a verdade é que Cleveland em nenhum momento dos últimos 19 anos mostrou QUALQUER capacidade de desenvolver um jovem passador. É injusto, claro, culpar uma diretoria nova pelo fracasso de uma antiga só porque ambos estavam na mesma franquia: a gestão de Sashi Brown, que começou em 2016, não tem nada a ver com o fracasso, digamos, da gestão de Phil Savage desenvolvendo Brady Quinn em 2007.

Mas mesmo sob Sashi Brown e o técnico Hue Jackson o Browns tem se mostrado muito ruim desenvolvendo talentos na posição. O time usou duas escolhas razoavelmente altas nos últimos dois anos em QBs, com Cody Kessler sendo escolhido na terceira rodada e DeShone Kizer na segunda, mas a forma como Jackson e sua comissão trabalhou os dois – junto de outros QBs a passarem pelo elenco – tem sido um fiasco. Além de nenhum QB mostrar quase nenhuma evolução ao longo do ano, sempre com os mesmos problemas e deixando a desejar nas mesmas áreas, e sem nenhum ajuste técnico ou tático que facilite sua vida e torne essa adaptação ao jogo profissional mais “fácil” (muito culpa de Jackson), Hue Jackson está constantemente mudando de ideia, trocando os jogadores, colocando alguém no banco só para voltar com ele depois. Não tem continuidade, e não tem um plano de adaptação e evolução, só um técnico que não mostrou nenhuma aptidão para desenvolver esses jogadores e com medo de perder o emprego que não tem a paciência necessária.

Kizer é o melhor exemplo possível para isso: a escolha de segunda rodada de 2017 era cotada por muitos (inclusive eu) como o QB mais talentoso do Draft, mas um jogador bastante cru que ainda não estava pronto para jogar na NFL e precisava de muito desenvolvimento. Mas Jackson colocou Kizer de cara no fogo mesmo sem estar pronto, viu o calouro sofrer para produzir, dai colocou Kizer no banco na semana 6 em favor de Kevin Hogan, viu Hogan ser ainda pior, e voltou Kizer sem nenhum ajuste ou mudança na semana seguinte em meio a várias críticas públicas até mesmo pelo próprio Jackson. Quando a semana 10 chegou, a confiança do calouro já estava destruída e a temporada do jogador perdida. Foi um dos piores trabalhos de desenvolvimento dos últimos tempos, e já é o segundo ano que Hue Jackson se mostra incapaz de desenvolver um jogador na posição, veterano ou não, e dar a ele estabilidade, continuidade, confiança e um esquema que jogue nas suas forças.

Então sim, o Browns tem a escolha #1 do Draft e a chance de pegar o QB que enxerga como o melhor em uma classe particularmente forte. Mas todos os QBs do topo dessa classe ainda são relativamente crus e precisam de desenvolvimento, e mesmo que o time pegue o melhor dos prospectos não tem nada que nos faça ficar otimista com o desenvolvimento que esse jovem talento terá nas mãos de Jackson, mesmo que seja o prospecto mais talentoso que a franquia já teve em anos e anos.

Claro que pode ser diferente dessa vez com um prospecto melhor, mas ainda é um risco, e um que não joga nas suas forças como franquia. A forma de evitar esse problema é óbvia: ao invés de apostar na sua capacidade de desenvolver um franchise QB, você pode simplesmente ir no mercado para tentar adquirir Kirk Cousins nessa oportunidade única de conseguir um Franchise QB no seu auge através da free agency.

Nesse sentido, o Browns tem uma vantagem sobre o resto da liga: nenhum time em toda a NFL tem mais espaço salarial do que Cleveland. Graças a uma folha salarial baixa e um enorme espaço que o time “rolou” do ano passado para esse, Cleveland entra oficialmente na free agency com 108 MILHÕES em espaço salarial, mais de 16 milhões acima do segundo time com mais espaço (Jets). Em outras palavras, isso significa que o Browns está em posição de superar financeiramente todas as ofertas que Cousins receberá sem repercussões graves no salary cap, especialmente se o time for esperto em como estrutura esse contrato. O Browns poderia por exemplo oferecer um contrato pagando algo como 34 milhões por ano com 40-45 milhões do cap hit vindo logo em 2018, mantendo seu salary cap limpo para o futuro e oferecendo mais dinheiro e garantias para Cousins do que Jets ou Minnesota poderiam. Claro que dinheiro pode não ser suficiente, mas essa é uma área importante na qual o Browns tem uma vantagem sobre todo mundo.

Apesar da ideia (não de todo errada) de que um QB calouro e jovem encaixaria melhor com o calendário de reconstrução do Browns do que um veterano de 29 anos, a verdade é que esse é um time mais veterano do que você imaginaria, especialmente no ataque. Em particular, sua linha ofensiva é uma das melhores da NFL e ancorada por um futuro Hall of Famer na posição de LT que já tem 33 anos e está impaciente por ver algum sucesso durante seu tempo na franquia. Joe Thomas é um dos 5, 3 melhores left tackles da história do esporte, e com uma das melhores duplas de guards da liga (Joel Bitonio e Kevin Zeitler) e um bom C (JC Tretter) você tem a espinha dorsal veterana de um bom ataque. O resto do time também tem uma boa mistura de jovens talentos (Corey Coleman, Myles Garrett, David Njoku) e veteranos (Jamie Collins, Jason McCourty, Josh Gordon) que você pode sem dúvida usar pra focar no longo prazo, mas que te da muitas opções se você quiser puxar essa linha do tempo mais para o presente e já começar a pensar em evoluir no curto prazo. E não é como se Cousins fosse um QB veteraníssimo que você tenha poucos anos para aproveitar, como era o caso com Peyton Manning ou Brett Favre alguns anos atrás: Cousins ainda deve ter pelo menos mais uns três ou quatro anos de alto nível pela frente, e você pode se aproveitar do desenvolvimento dos jogadores jovens enquanto também usa suas contribuições de curto prazo.

E, talvez mais importante, tem o seguinte: o Browns acima de tudo ainda está em uma EXCELENTE posição para adicionar novos reforços. Mesmo se comprometer algo como 42 milhões do seu salary cap desse ano para Cousins isso ainda significa que o Browns tem 66 milhões de espaço livre, que seria a sexta maior marca de toda a liga – mais do que suficiente para entrar no mercado como um dos seus principais jogadores e sair de lá com mais talento imediato para reforçar esse time. O Browns pode entrar no mercado e sair de lá com nomes como Allen Robinson, Eric Reid e Malcolm Butler, reforços imediatos que vão ajudar esse time a dar o próximo passo junto do Franchise QB recém-adquirido. Uma aquisição de Cousins certamente significaria o começo de uma movimentação bem mais forte do Browns rumo a adquirir ainda mais talentos para reforçar a equipe.

Por fim, vale lembrar que Cleveland também tem dois ativos razoavelmente importantes por capitalizar, as escolhas #1 e #4 do Draft (mais duas das seis primeiras escolhas da segunda rodada). Na verdade, o Browns tem o MAIOR capital de Draft que um time da NFL teve em um único ano desde pelo menos 1991, cortesia principalmente das escolhas de primeira e segunda rodada do Texans. Isso significa que, além do núcleo já no lugar e dos jogadores que chegariam pela free agency, o Browns ainda poderia esperar uma grande infusão de talento jovem vinda do recrutamento também.

Em particular, as escolhas #1 e #4 são as mais interessantes. Agora que o Browns já teria resolvido sua situação de QB, e obviamente não precisaria mais pegar um QB com elas, as duas escolhas valiosíssimas estão livres pra Cleveland fazer o que quiser com elas. Isso significa que o time pode simplesmente usar as duas escolhas para pegar os melhores jogadores disponíveis, como por exemplo Saquon Barkley, o RB de Penn State e considerado por muitos o melhor jogador do Draft; Bradley Chubb, o DE de North Carolina State que formaria com Myles Garrett uma das melhores duplas de pass rush da NFL; ou Minkah Fitzpatrick, o safety de Alabama. Qualquer um (ou, no caso, dois deles) dos três seria um excelente jogador de imediato e com potencial pra ser dominante por muitos e muitos anos, uma adição excelente a esse jovem núcleo do Browns.

O Browns também teria a opção de trocar essas escolhas, em especial a escolha #1. Com tantos times interessados e dispostos a pagar para subir e escolher um bom QB – como a história da NFL nos ensina todo ano – o time poderia muito bem trocar para descer no Draft e acumular ainda mais escolhas no processo, dando ao time ainda mais jovens jogadores de altíssimo nível. Digamos que o Bills ofereça para o Browns suas escolhas #21, #22 (via Chiefs) e #56 (via Rams) – o que o Bills pode fazer porque também tem uma cacetada de escolhas extras – pela escolha #1 geral com o intuito de pegar Josh Rosen. Isso deixaria o Browns com as escolhas #4, #21, #22, #33, #35, #56, #64 e #65, surreais OITO das primeiras 65 escolhas do recrutamento, sendo quatro escolhas de segunda rodada e três de primeira. É um influxo absurdo de talento jovem para o time, reforçando hoje e no futuro essa equipe.

Mas talvez o Browns esteja cansado de trocar suas escolhas de alto de Draft e ver outros times draftando franchise QBs com elas, então vamos supor que o Browns simplesmente manteve suas escolhas de Draft e selecionou Barkley #1 e Fitzpatrick com a escolha #4 (um cenário totalmente factível), depois usou suas escolhas de topo da segunda rodada em um RT (o ponto fraco da linha ofensiva) e um pass rusher (que não tem nenhum bom disponível na free agency). Com os 66 milhões restantes no salary cap, o time trouxe um bom WR (digamos, Marqise Lee ou Sammy Watkins) como proteção para caso Josh Gordon volte a ser suspenso, um bom CB (Malcolm Butler ou Trumaine Johnson) para colocar do lado oposto de Jason McCourty e um linebacker para o meio (Paul Pozlunsky ou Jarrell Freeman, que não devem ser caros) como peças principais. Aqui o núcleo que você montou para 2018 e para frente com alguma sorte:

Ataque: Kirk Cousins (Franchise QB), Saquon Barkley (melhor RB prospecto desde Adrian Peterson), uma ótima linha ofensiva com 3 jogadores níveis Pro Bowler, David Njoku (jovem TE com muito potencial), Josh Gordon (se ficar longe de problemas), Corey Coleman e Sammy Watkins.

Defesa: Myles Garrett (#1 pick em 2017, elite pass rusher), Danny Shelton, Emmanuel Ogbah, Carl Nassib e calouro pass rusher X para a linha defensiva; Jamie Collins e Jerrell Freeman de linebackers; Jason McCourty e Trumaine Johnson para a secundária; e Jabrill Peppers (mais perto da linha) e Minkah Fitzpatrick (mais atrás) como a dupla de safeties.

Esse é um núcleo bem interessante, não? O ataque seria possivelmente de elite desde o começo, com um excelente RB correndo atrás de uma ótima linha ofensiva, e um Franchise QB passando para um conjunto muito bom de alvos. A defesa não estaria no mesmo nível, precisando do desenvolvimento de muitos jogadores ainda mais jovens, crus e não provados, mas também tem bastante talento e alguns legítimos game-changers como Garrett, Fitzpatrick e Johnson. De repente, o Browns, o patético Browns, a vergonha da NFL Browns, a piada da liga Browns, tem um time muito interessante e que pode muito bem mudar para sempre o destino da franquia.

E tudo isso seria possível, em grande parte, por causa de Kirk Cousins. Pegar Cousins libertaria o time para ter muito mais opções com as suas escolhas de Draft, ao invés de ficar preso em uma delas a selecionar um QB que o time não sabe se vai desenvolver direito, e que mesmo se der certo TALVEZ ele seja tão boa quanto Kirk Cousins já é hoje. Pegar Cousins também colocaria o time em uma posição muito mais agressiva no mercado, e muito mais atraente para os free agents, do que o time sonha em ser hoje, quando ainda é visto com uma bagunça muito distante de ser competitiva. Você está tirando o risco de desenvolver um QB e trocando por uma certeza na posição. Em outras palavras, você quer mudar o patamar em que sua franquia está hoje, a visão que ela tem ao redor da liga, e um dos melhores meios para isso é adquirir um Franchise QB. Com um legítimo jogador desses no mercado, o Browns mais do que qualquer outra franquia deveria overpay para conseguir esse jogador a todo custo e tentar se livrar desse estigma que acompanha o Browns desde 1999.

Para Cousins, seria naturalmente uma decisão baseada principalmente no dinheiro, que o Browns ofereceria mais do que qualquer outro time. Mas não é o único fator, e embora não seja uma situação tão boa quanto por exemplo Minnesota, também pode ser uma situação bem favorável se o Browns jogar as cartas certas (como mostrado acima), e com algumas vantagens adicionais: a mais importante talvez seja jogar na AFC, onde o nível de competição é MUITO mais fraco que na fortíssima NFC, especialmente com Kansas City dando um passo atrás e Jacksonville possivelmente sofrendo com regressões. Na AFC, você tem o Patriots, é claro, mas o relógio do Pats parece estar na reta final (ou pelo menos da atual era Brady/Gronk/Belichick), e o outro único time realmente bom e recorrente nos playoffs é o Steelers. Na NFC você tem o campeão Eagles com a volta de Wentz, o Packers com Aaron Rodgers, o Saints com Drew Brees, um Seahawks mais saudável com Wilson, um emergente Niners com Garoppolo, até mesmo o Falcons e Panthers de dois ex-MVPs em Matt Ryan e Cam Newton… é uma competição infinitamente mais difícil, e um caminho para o sucesso bem mais complicado.

Jogar no Browns também tem a vantagem de ter menos pressão: a barra está tão baixa que QUALQUER coisa melhor que você fizer já vai ser vista como um grande sucesso histórico, enquanto em cidades como NY ou times mais realizados como Minnesota a pressão de sucesso vai ser muito maior desde o primeiro dia. Vença com o Browns, e você tem assegurada a imortalidade muito mais do que em outras franquias que também concorrem pelo jogador. Claro, é impossível dizer o quanto cada um desses fatores vai pesar na decisão de qualquer jogador – cada pessoa é diferente da outra, e vai ter suas próprias preferências na hora de tomar uma decisão – mas não é como se fosse um caminho difícil ou sem benefícios para Cousins aceitar.

Infelizmente, esse cenário parece também bem difícil de acontecer: ao que tudo indica o Browns nunca realmente fez uma jogada séria nesse sentido por Cousins, e a franquia não estaria entre as opções finais do ex-QB do Redskins. O plano do Browns parece ser mesmo pegar um QB com as escolhas #1 ou #4 do Draft, e desenvolver esse jogador para ser seu quarterback do futuro. A franquia provavelmente vai continuar mantendo seus ativos e sua pólvora seca para o futuro, evitando gastos exorbitantes de curto prazo no mercado.

É o plano mais comum nessa situação, e o menos mirabolante. GMs muitas vezes preferem se manter no “by the book”, porque um fracasso por meios tradicionais é menos mal visto pelos fãs e mídia do que um fracasso tentando algo diferente, ainda que o resultado seja o mesmo. Não da pra dizer, necessariamente, que está errada a decisão de Joey Dorsey e Sashi Brown.

Mas o Browns não é uma franquia como as outras, e quando você está afundado até os joelhos na lama, as vezes você precisa pensar fora da caixa e tentar algo diferente para conseguir romper com o status quo e chegar em um novo patamar. A chance de ouro para Cleveland está disponível na free agency, algo que não acontece praticamente nunca na NFL, e eu acho uma grande loucura de Cleveland não tentar capitalizar com todas as suas forças. Embora não vá acontecer, esse é meu cenário favorito dessa offseason.

2 comments

  1. é a tempestade perfeita para os Browns!
    eu até pensaria em arriscar mais, pegando Cousins e mais um QB top no draft, para aprender com o Kirk. algo nos moldes do que o Packers fez com o Rodgers.

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    • Ai eu já acho que não vale a pena, Cousins em teoria teria uns 4+ anos pela frente, você estaria jogando fora os benefícios de ter esse QB no topo do Draft num contrato de calouro. Prefiro investir num blue chipper e pegar um QB mais para o meio do Draft nesse sentido.

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