Sete Segundos ou Menos – 02/03

Davis
O salt bae da NBA (Foto: Chuck Cook, USA Today)

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A coluna Sete Segundos ou Menos” é uma homenagem ao famoso Seven Seconds or Less, o estilo de jogo do Phoenix Suns sob o comando de Mike D’Antoni nos anos 2000 que revolucionou para a sempre a NBA – e nos deu alguns dos mais divertidos times de todos os tempos.

A ideia da coluna é, ao invés de tratar de um único assunto extensivo, tratar de vários assuntos menores, assuntos que não valem uma coluna sozinhos mas que ainda assim são pontos que eu gostaria de discutir. É uma versão basicamente com mini-colunas, condensada em uma só.

E também, claro, é uma desculpa para poder postar vídeos do meu jogador favorito de todos os tempos, Steve Nash. Como por exemplo esse passe maravilhoso pelas costas do Tim Duncan para a enterrada do Amare Stoudemire em cima do seu grande rival, o San Antonio Spurs.

Vamos a isto.

  1. Times vencendo sem suas estrelas

Isso é algo que tem me deixado maluco nas últimas semanas. Na NBA, quando um time – especialmente um que não seja Golden State ou Houston – perde um All Star, a equipe deveria cair de acordo. Times sem tanta profundidade simplesmente não deveriam ser capazes de sustentar um bom nível, ou até aumentar seu nível, depois de perder uma peça tão importante. É o tipo de coisa que deveria transformar uma temporada em fumaça.

O Knicks é um bom exemplo: embora a temporada do time já tivesse desandando antes, o time perdeu sua estrela, Kristaps Porzingis, para uma lesão no joelho dia 06/02. O time está 1-7 desde então, um dos piores times da NBA entrando de vez por todas na briga pelas melhores posições do Draft. É o que deveria acontecer nesses casos.

Claro que Wizards e Pelicans não são times tão ruins quanto o Knicks, com muito mais profundidade e jogadores melhores. Mas ainda são times medianos que deveriam despencar quando perderam um All-Star. E mesmo assim, os dois times continuam desafiando a lógica e vencendo jogos mesmo depois das lesões de John Wall e DeMarcus Cousins, respectivamente.

A ausência de John Wall foi anunciada dia 28 de janeiro, logo após uma derrota para o Thunder em um momento que o Wizards já vinha capengando na temporada, tendo perdido 4 dos 5 jogos anteriores. O armador de Washington já tinha perdido tempo anteriormente e o time não tinha ido bem no período, então era de se esperar que o Wizards fosse cair mais uma vez. Mas dai Washington venceu seu primeiro jogo contra um fraco Atlanta. Depois venceu a revanche contra OKC. Depois venceu o poderoso Toronto Raptors. Quando a gente foi ver, Washington estava em uma sequência de 5 vitórias sem o seu armador, e o time agora acumula uma campanha de 9 vitórias e 4 derrotas sem Wall. Funhé.

Alguma coisa esquisita pareceu encaixar no Wizards com a ausência do seu armador: embora o time tenha perdido em talento individual, explosão e criatividade, o time assumiu uma nova identidade coletiva. Agora a bola não fica mais parada nas mãos de um criador apenas: o time inteiro roda a bola, se movimenta, faz corta-luz fora do lance, e a bola fica constantemente se movendo atrás de alguém livre. Antes da lesão de Wall, Washington era 9th em AST% (percentual de cestas vindo de uma assistência) com 59% e o quarto PIOR da NBA em passes por jogo com 282 – desde a lesão do seu armador, o time subiu para o líder da liga em AST% com 71%, e é o décimo time que mais passa a bola, com 313 passes por jogo. O Offensive Rating do time subiu de acordo: de 106,9 pontos por 100 posses de bola antes da lesão para 108,8 depois.

Em um momento que o meião do Leste ainda é uma grande confusão, a lesão de Wall estranhamente AJUDOU o Wizards a ganhar espaço nessa disputa, abrindo uma vantagem de 1,5 jogo sobre o quinto colocado (Pacers) pela briga do mando de quadra, e agora o time está apenas meio jogo atrás do Cleveland Cavaliers pela terceira colocação. Isso não quer dizer, claro, que o time é ou será melhor sem Wall no médio prazo, mas a lesão ajudou Washington a descobrir um tipo de basquete que não aparecia quando seu All-Star comandava todas as ações ofensivas do time. O desafio do técnico Scott Brooks agora será incorporar o maior talento e individualismo de Wall com as recém-descobertas habilidades coletivas do seu time.

O Pelicans talvez seja um caso ainda mais bizarro. Eu escrevi na época que DeMarcus Cousins rompeu o tendão de Aquiles sobre como seria difícil para um limitado time do Pelicans sobreviver no forte Oeste sem seu segundo All-Star, e depois voltei a escrever sobre o assunto quando fiz o preview da briga pelos playoffs no Oeste, destacando como a lesão derrubava as chances do Pelicans.

E então New Orleans voltou do All Star Game e venceu já QUATRO jogos seguidos (três contra times de playoffs), elevando sua sequência de vitórias para sete partidas consecutivas (segunda melhor sequência da NBA atrás de Houston) e sua campanha para 8-5 desde a lesão de DeMarcus Cousins. A sequência elevou New Orleans para a sexta colocação do Oeste, apenas UM jogo atrás do TERCEIRO colocado (Timberwolves) e com uma derrota a menos que Minnesota! Se você disser que esperava isso quando Cousins saiu carregado de quadra naquela vitória sobre Houston, você está mentindo.

O principal motivo disso, é claro, tem sido Anthony Davis. O monocelha favorito da NBA, desde a lesão do seu amigo e parceiro de garrafão, basicamente virou Gozdilla: são 33 pontos, 13 rebotes, 2 assistências, 2,3 roubos e 2,4 tocos POR JOGO em 13 partidas sem Boogie, finalmente dando o salto definitivo que todos esperávamos. Em Fevereiro, Davis teve médias de trinta e cinco pontos e treze rebotes por jogo, o primeiro mês de 35-13 por um jogador da NBA desde MOSES MALONE em 1978. Desde a lesão de Cousins, nenhum jogador da NBA está jogando melhor do que Anthony Davis.

Mas o mais interessante é que, se o Wizards (que, curiosamente, perdeu Wall apenas um dia depois do Pelicans perder Boogie) tem sido um time objetivamente melhor desde a lesão do seu armador, o mesmo não é verdade do Pelicans: a franquia tinha um Net Rating de +1,4 antes de perder Cousins, #11 na NBA, e caiu para -0,4 (#19 na NBA) desde a lesão do pivô. É o tipo de coisa que sugere que essa boa fase não é tão sustentável quanto parece, e que o time deve esperar alguma regressão nos próximos jogos.

(Aliás, a troca de Nikola Mirotic – que também ajudou bastante – parece também ser um indicador de que, depois de SEIS ANOS, alguém na diretoria de NOLA teve um estalo e percebeu que Anthony Davis seria absolutamente impossível de defender cercado de arremessadores. Quem diria!)

Mas mesmo que não seja sustentável essas vitórias serão extremamente importantes nessa briga apertada do Oeste, aumentando consideravelmente o que antes era uma margem de erro minúscula por parte do Pelicans, e New Orleans merece muito crédito por estar sobrevivendo tão bem sem uma estrela do calibre de Cousins.

E por falar em surpresas de New Orleans…

2. A volta de Emeka Okafor

Quando o Pelicans anunciou que tinha contratado Emeka Okafor para um contrato de 10 dias, eu achei uma história legal, dei uma risada do quão desesperado isso parecia, torci para que isso desse algo de bom para Okafor, e não pensei mais sobre o assunto na hora. Okafor tinha sido a escolha #2 (atrás de Dwight Howard) em 2004, eventual Calouro do Ano, e tinha sido um sólido pivô de NBA durante alguns anos, um bom defensor e sólido reboteiro com limitações ofensivas e problemas de lesão que limitavam seu impacto em quadra.

Mas Okafor estava fora da NBA faz QUATRO ANOS, e quando eu digo “fora da NBA” eu não quero dizer que ele foi jogar na China ou na Europa para reconstruir seu valor e voltar a ganhar uma chance, ou encher as orelhas de dinheiro – eu quero dizer que ele ficou fora do basquete por esses quatro anos depois de múltiplas cirurgias de hérnia extremamente graves que começaram após a temporada 2013. Foram QUATRO ANOS até Okafor voltar a ser liberado para jogar durante os playoffs do ano passado, mas era difícil imaginar um pivô de 35 anos, vindo de cirurgias tão sérias e tantos problemas físicos, que ficou cinco anos parado e já estava em decadência quando ainda estava na NBA, voltando a jogar no melhor basquete do mundo. O contrato de 10 dias com o Pelicans era uma historinha legal, mas também era quase uma piada para o time que tinha tentado o mesmo com Josh Smith mais cedo no ano.

Mas Okafor tem sido surpreendentemente sólido desde que chegou em New Orleans. Seu contrato de 10 dias virou um segundo contrato de 10 dias, e agora o Pelicans decidiu assinar com o pivô para o resto da temporada. Okafor está, claro, jogando minutos limitados (15 por jogo), mas tem sido bem impressionante nesse tempo limitado, com média de 4,5 pontos, 5,4 rebotes e 1,6 tocos (11-13 com 4 tocos por 36 minutos), e mais importante ainda o Pelicans tem sido muito bom nesses minutos: a amostra é obviamente pequena e com muito ruído, mas nos 119 minutos que Okafor passou em quadra New Orleans está +21. Okafor tem jogado algumas partidas de pivô titular para permitir a Anthony Davis começar os jogos jogando de PF, onde se sente mais confortável, e tem ajudado o Pelicans a se manter vivo – graças a uma ótima defesa – naqueles minutos tão importantes e traiçoeiros que o time precisa jogar SEM sua superestrela em quadra.

É difícil dizer se isso pode continuar, ou se o físico de Okafor vai segurar por mais tempo. Mas o pivô tem sido uma ajuda real para manter o Pelicans acima da água nesses últimos 8 jogos (no qual estão 7-1), e uma das histórias de superação mais legais da temporada – e que merecia mais atenção.

3. Nikola Jokic e Jamal Murray, parceiros de pick and roll

Uma das coisas mais interessantes da temporada do Denver Nuggets esse ano, em especial da segunda metade da temporada (quando Jokic voltou a ganhar mais protagonismo e o ataque do time deslanchou), tem sido assistir às duas jovens estrelas do time, Nikola Jokic e Jamal Murray, desenvolvendo seu jogo a dois.

Tem poucas coisas que eu gosto mais de ver na NBA do que dois jogadores jogando de forma conjunta (o popular two-man game, em inglês) em alto nível. Marc Gasol e Mike Conley provavelmente são o melhor exemplo disso na NBA: os dois se conhecem tão bem, tem um entrosamento tão perfeito, que eles já sabem exatamente o que o outro está pensando ou fazendo sem precisar se comunicar ou chamar uma jogada. Quando um desses jogadores tem a bola e o outro está próximo, as possibilidades são quase infinitas: uma variedade inesgotável de corta-luz, passes, pick and rolls, handoffs, “tabelinhas”, movimentações, cortes… e tudo isso funciona à perfeição porque Gasol e Conley se conhecem tão bem que tudo isso é feito com uma sincronia perfeita, com os dois pensando e agindo juntos em todos os detalhes, sempre os dois antecipando qual a jogada certa ao mesmo tempo e executando isso mais rápido do que qualquer outra dupla seria capaz. Quando funciona, é maravilhoso de se assistir, e o Memphis tem sobrevivido por anos a fio com um ataque inteiro montado em torno desse jogo a dois.

Jokic e Murray obviamente não estão nesse nível ainda, mas os dois estão cada vez mais confortáveis nesse jogo a dois, e as habilidades de passes de Jokic abrem um mundo maravilhoso nessas combinações.

Murray é muito mais um pontuador do que um criador, e dificilmente vai evoluir no tipo de armador “puro” que comanda um ataque e da muitas assistências, mas o canadense tem mostrado evolução e está cada vez mais confortável comandando o ataque e iniciando jogadas, e até ações secundárias quando a jogada inicial não vai para frente. E o que tem ajudado Murray mais são justamente as jogadas de pick and roll com Jokic.

Jokic por sua vez é um jogador mortal no pick and roll, e embora sua eficiência finalizando esse tipo de jogada tenha caído bastante em 2018, isso não importa porque ela abre demais o jogo para as habilidades mágicas de Jokic como passador: pick and rolls são ótimas formas de criar quebras iniciais em defesas, e Jokic só precisa de uma fração de segundos dessa quebra para fazer um passe que quebre completamente a defesa. Jokic causou muito do seu estrago ano passado jogando com a bola nas mãos e procurando jogadores cortando para a cesta, algo que os times buscaram eliminar esse ano, e agora Denver está explorando mais seus touch passes, aqueles passes onde o Joker nem chega a segurar a bola.

O sérvio é mortal quando recebe a bola em velocidade, com a defesa em movimento, e é exatamente esse tipo de abertura que o Nuggets gera para seu pivô quando coloca ele no pick and roll e que tem ajudado o jogador a ter média de 8 assistências por jogo nas últimas 23 partidas do time.

Murray não é um jogador ainda muito eficiente conduzindo um pick and roll, e nem sempre consegue uma boa separação para continuar a jogada, mas seu entrosamento com Jokic ajuda a contornar muitas dessas falhas. Os dois desenvolveram um entrosamento que abriu uma série de pequenos movimentos que podem parecer pouco, mas muitas vezes são a diferença entre um pick and roll funcionar ou não: fingir um pick and pop para atrair o marcador de Jokic um passo extra antes de Murray atacar a cesta, um fake a mais, pequenas mudanças de ângulo e timing para atrasar os marcadores, o tipo de coisa que você só consegue fazer se os dois jogadores estiverem na mesma página.

Uma das jogadas mais mortais do time: quando Murray faz o passe alto para Jokic na cabeça do garrafão, dai começa a correr na direção do pivô como se fosse receber um hand off... só para Murray cortar em direção à cesta no meio do movimento, confiante de que Jokic é capaz de acertá-lo com um passe não importa o quão difícil for o ângulo. Quando os jogadores adversários começaram a se adaptar a essa jogada, o Nuggets adicionou uma nova camada: se o marcador de Murray não abre espaço para o corte, ele imediatamente muda a jogada para um pick and roll com Jokic, com seu marcador agora precisando cobrir mais espaço em menos tempo se não quiser dar a bola de três livre para Murray. É o tipo de decisão em uma fração de segundos que pivô e armador precisam tomar juntos, em sincronia, e a dupla de Denver mostrando esse entrosamento é um ótimo sinal.

Esse entrosamento também abre possibilidades novas para Denver, como essa belezinha que o time fez contra o Spurs mês passado:

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Denver tem aqui uma situação de semi-transição após a cesta de Bertans, e Jokic vem trazendo a bola. A ideia aqui é que Murray (#27) corte para a cesta, com o Spurs sem um protetor de aro. Mas Dejounte Murray e Lauvergne, defendendo Jamal Murray e Jokic respectivamente, estão ligados na jogada, matando essa primeira opção.

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Morta a primeira opção, Malik Beasley (embaixo da tela) começa a movimentação seguinte, correndo para receber o handoff de Jokic e iniciar a próxima jogada. Jokic e Murray, no entanto, perceberam que a defesa do Spurs está excessivamente concentrada em impedir que Jokic faça um handoff para qualquer um que seja, em especial Murray, então o armador imediatamente vira e ele faz o corta luz em cima do marcador de Jokic, que a essa altura já está correndo para ganhar velocidade.

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Dejounte Murray está concentrado em impedir que a bola chegue em Jamal Murray e não sai a tempo, e Lauvergne – que não esperava o corta luz – fica totalmente rendido na jogada, com Jokic usando a vantagem inicial para chegar no garrafão totalmente livre e finalizar um fácil and-one.

Tem sido lindo de ver. Preste atenção nesse jogo a dois quando for ver o Nuggets da próxima vez.

4. Dinwiddie e os projetos de reclamação do Brooklyn Nets

O projeto de reconstrução do Nets merece uma coluna própria e essa não é a hora para discuti-lo a fundos. Mas um ponto chave é que, para um time que não teve suas próprias escolhas (altas) de Draft por QUATRO ANOS seguidos ao mesmo tempo que não tem quase nenhum talento de bom nível na NBA, uma das etapas mais essenciais desse processo é conseguir achar talentos do nada. Parte disso envolve, claro, achar talentos com escolhas tardias de Draft – Jarrett Allen parece um grande achado no seu primeiro ano de NBA – mas o mais importante é achar jogadores que times simplesmente não querem.

Spencer Dinwiddie é o melhor exemplo de sucesso. A febre Dinwiddie passou um pouco depois de um auge prematuro, em parte porque o Nets ainda é uma droga, mas o ex-armador de Colorado é exatamente o que o time precisa buscar, alguém que passou os primeiros três anos de NBA circulando por times como Detroit e Chicago, sem nunca ter uma chance real, e disponível para Brooklyn por um contrato mínimo e não garantido.

O Nets tem tentado nos últimos anos estabelecer um estilo de jogo específico para poder encaixar as peças depois, o mesmo estilo que tantos times estão tentando jogar na NBA moderna: alto ritmo de jogo, muitas assistências, para gerar muitas bolas de três e arremessos no aro – os mais valiosos do basquete. O time não tem os jogadores para acertar esses arremessos, claro, mas acredita que criando os hábitos e leituras certas no seu time o resto vem com o tempo.

E embora Dinwiddie não seja uma estrela ou o jogador mais atlético e habilidoso, ele é alguém que o Nets descobriu que consegue entrar e fazer esse ataque “ideal” funcionar. Dinwiddie tem seus problemas, é um pontuador ineficiente que não arremessa bem e tem problemas defensivos, mas ele é também um jogador muito inteligente e criativo que, colocado nesse esquema ofensivo que Brooklyn quer implementar, ele simplesmente faz as coisas certas para que o estilo possa acontecer dentro de quadra. Dinwiddie é veloz, tem boa leitura de jogo e sabe tomar as decisões certas na hora certa: seus passes dão a velocidade certa para o jogo na hora certa, e acham os jogadores certos nos lugares ideais para arremessos ou mesmo para dar continuidade a uma jogada ofensiva. Seu rating assistências sobre turnovers  (6,8 assists contra 1,6 turnovers) é de longe o melhor da NBA entre jogadores com 5+ assistências, um indicador dessa sua qualidade de pensar os passes.

Existe um efeito muito tangível de ter Dinwiddie conduzindo o show e implementando esse estilo de jogo no fraco Nets: com o armador em quadra, o Nets tem um Offensive Rating de 105,6, basicamente a média da NBA em 2018, e sem Dinwiddie esse número despenca para 99,9, que seria o pior da NBA por dois pontos inteiros. Olhando mais a fundo, fica claro que essa queda absurda de qualidade da equipe se da porque Dinwiddie é o motor que faz o estilo desejado pelo Nets funcionar direito: com Dinwiddie, o time da assistências a um ritmo Top3 da NBA, enquanto esse número despenca para Bottom 10 com o armador no banco; arremessa bolas de três como o segundo maior chutador da NBA com ele, e cai para o sétimo maior sem; e o time passa de ser o segundo times que menos comete turnovers para ser o time que mais comete. Não a toa o Nets tem um Net Rating de -1,9 (logo abaixo do Lakers) com Dinwiddie em quadra, e -8,8 (segundo pior da NBA) sem ele. O time joga mais lento com Dinwiddie, mas com ele o que era uma correria desenfreada e quase aleatória ganha um propósito e uma organização muito valiosa.

Dinwiddie também tem sido valioso para o Nets em outro quesito: o armador já acertou QUATRO arremessos decisivos para vencer a partida nos segundos finais de um jogo essa temporada, liderando a NBA nesse quesito. Isso significa que 20% das vitórias de Brooklyn vieram com um arremesso nos segundos finais de Dinwiddie, a diferença entre ter a sétima pior campanha da NBA (atualmente) e a pior por dois jogos inteiros em relação ao segundo colocado. Não é uma estrela, mas é um sólido jogador de NBA achado de graça no meio do nada.

Um outro projeto de reclamação do Nets, no entanto, não vem encontrando o mesmo sucesso. Fazia todo o sentido para Brooklyn ir atrás de Jahlil Okafor, ex-escolha #3 do Draft que perdeu espaço no Sixers. Okafor vinha jogando mal depois de uma sólida temporada de calouro e parece o jogador que não tem mais espaço na NBA, um pivô à moda antiga que joga no garrafão, lento, sem chute de fora que gosta de segurar a bola. Mas considerando que o Nets tem meios muito limitados de adquirir  bons jogadores, apostar no talento de uma ex-escolha Top3 de Draft é exatamente o tipo de coisa que você faz, especialmente se não tem nenhuma pretensão de vencer jogos no processo. Foi uma boa troca e boa aposta para o Nets. Se der errado, não custou nada. Se funcionar, você adicionou uma peça importante de graça.

Mas os resultados tem sido bem ruins. Okafor tem sido até produtivo nos seus limitados minutos (13 por jogo), com média de 17 pontos e 8 rebotes por 36 minutos e 54 FG%, mostrando que seu talento ainda existe. Mas coletivamente tem sido um fiasco, mostrando as piores coisas que já tinham aparecido no Sixers: a bola simplesmente para na sua mão ofensivamente, travando todo o resto do time. Sua presença no garrafão trava todo o espaçamento do time – jogadores que não arremessam precisam estar em movimento sem a bola, cortando para a cesta, fazendo corta luz, coisas que Okafor não faz. Defensivamente, Okafor ainda não faz ideia do que está fazendo, uma mistura de preguiça, falta de mobilidade e total falta de noção do que deveria estar acontecendo naquele momento. O Nets tem sido um desastre de proporções inimagináveis e históricas nos minutos que Okafor passou em quadra, com Net Rating de -26,3 (você leu certo). É verdade que o time ao seu redor é muito ruim e isso não o ajuda, mas é o mesmo time que volta a ser um time ruim “normal” quando o pivô não está em quadra, com Net Rating de -2,2 no mesmo período.

Para o Nets, isso não é tanto um problema porque o time sabe que é ruim agora, e não tem qualquer pretensão de ganhar jogos no curto prazo – é um sacrifício que pode valer a pena caso o time descubra algo para se aproveitar em Okafor. A aposta ainda é válida, mas os resultados tem sido uma tragédia.

As estatísticas e dados dessa coluna vieram dos seguintes sites: Basketball Reference, NBA Stats, Cleaning the Glass, Synergy Sports, Spotrac, ESPN Stats and Info.

 

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