A corrida pelos playoffs – Oeste

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Com a NBA entrando na sua pausa para o All-Star Game – pausa essa que começa hoje, sexta feira (dia 16), e vai até quinta-feira (dia 22), seis dias inteiros sem jogos – é sempre uma boa hora para parar um pouco e olhar em que ponto a NBA se encontra. E uma questão particularmente interessante pra se olhar agora que temos um pouco mais de calma para sentar e analisar é como está se desenhando a briga pelas vagas de pós-temporada.

Então entre a coluna de hoje e a de quarta feira que vem vamos olhar para as duas conferências da NBA, Leste e Oeste, e ver como está se desenhando a briga pelas vagas “faltante” nos playoffs: como os times se encontram, quais as perspectivas, como está a classificação, e tudo mais. Hoje vamos começar essa brincadeira falando da Conferência Oeste. Quarta feira que vem vai ser o dia da Conferência Leste.

Então vamos lá, Conferência Oeste. Antes da temporada, a expectativa e antecipação no Oeste era não só no topo (com o atual campeão GSW, o eterno Spurs, e times do Thunder, Rockets e Timberwolves reforçados com a chegada de estrelas de nível All-NBA no elenco) mas na briga pelos playoffs como um todo. Entre esses cinco times e mais Clippers (recém-renovado com Blake Griffin), Grizzlies, Nuggets, Portland, New Orleans e Utah, todos eles times fortes que tinham como objetivo buscar a pós-temporada, de repente o Oeste projetava ser um banho de sangue, com 11 times buscando 8 vagas de playoffs, uma das coisas mais esperadas dessa temporada.

Essa briga intensa acabou demorando mais do que o esperado para se manifestar, em parte por causa de um começo lento do Oeste (com muitos times demorando um pouco para se entrosar depois de grandes mudanças ou aquisições), múltiplas lesões em times importantes dentro da conferência, e também por causa de um fundão do Leste surpreendentemente divertido, com bons começos de Magic, Pistons, Pacers e Knicks, que acabou mudando o foco das atenções no começo do ano.

Mas com o tempo, conforme a temporada foi ficando mais madura e os times foram se ajustando, o Oeste voltou a ser a briga insana que todo mundo projetava. Memphis acabou saindo da disputa depois que o time afundou seguindo a lesão de Mike Conley, mas tirando o Grizzlies todos os outros 10 times projetados para brigar pelos playoffs chegam de fato ao All Star Weekend com esperanças reais de conseguir uma vaga, e a briga parece cada vez mais apertada.

Tirando Golden State e Houston, que já abriram uma vantagem considerável sobre os demais e tem sua vaga em playoffs pelo menos 99,9% assegurada (de acordo com qualquer simulação possível), o Oeste hoje tem 8 times separados por 4,5 jogos, com o terceiro colocado (Spurs) estando apenas 3,5 jogos na frente do nono lugar (Clippers). Entre o quinto lugar (Thunder) e o Clippers, TODOS os times estão empatados  com 26 derrotas. É difícil encontrar uma corrida mais parelha e apertada do que essa.

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Então considerando que temos duas vagas já garantidas (para Warriors e Rockets), vamos dar uma olhada nos 8 times que brigam pelas 6 vagas seguintes, ver em que situação se encontram e o que os números dizem sobre suas chances de classificar para a pós-temporada, pela ordem de classificação (chances de playoffs calculadas pelo Basketball-Reference).

#3 – San Antonio Spurs
Campanha: 35-24 (59 jogos)
Distância pra 8th seed: +3 GB
Chances de playoff: 96,7%

Eu acabei incluindo o Spurs porque a diferença dele para ficar fora dos playoffs é pequena o suficiente, e nem de longe uma vantagem confortável. Mas ainda assim é bem difícil imaginar um cenário no qual San Antonio ficaria fora dos playoffs, mesmo que o time inteiro fosse sequestrado e eu tivesse que pegar um avião para ir jogar de armador pela franquia enquanto o Liam Neeson tenta resgatar o resto dos titulares.

O grande problema do Spurs esse ano, e o que o impede de estar mais confortável nessa terceira posição, tem sido lesões. Kawhi Leonard, um dos 8 melhores jogadores da NBA quando saudável, jogou apenas 9 jogos bastante limitados, e está fora por tempo indeterminado com uma lesão misteriosa que está gerando bastante polêmica na mídia. Rudy Gay, que começou o ano tão bem, perdeu 20 jogos com uma lesão no pé e deve continuar fora até Março. Tony Parker, que rompeu o ligamento nos playoffs passados, perdeu 25 jogos. Danny Green perdeu 10. Ginobili perdeu 15. Até LaMarcus Aldridge, seu único All-Star e o melhor jogador do time na temporada, perdeu os últimos dois jogos (duas derrotas) com dores no joelho. É muito difícil para times conseguirem uma continuidade precisando mudar constantemente os jogadores por causa de lesões.

Que o Spurs, apesar de tudo isso, ainda seja o terceiro colocado no Oeste, com o quinto melhor Net Rating da liga inteira e 96,7% de chance de playoffs pelo B-Ref, diz muito sobre esse time e sobre Greg Popovich – nada que a gente já não soubesse, mas que sempre é bom lembrar. Ainda assim, essa pausa vem em boa hora para o Spurs, que chega no ASW com uma sequência de 1 vitória e 5 derrotas nos últimos 6 jogos. Vai ser bom para o time ter esse tempo para recuperar as lesões e botar a casa em ordem enquanto prepara para a reta final da temporada, especialmente considerando que San Antonio tem a tabela mais difícil para resto da temporada entre todos os 30 times da NBA.

Acho que ninguém duvida que o Spurs vai conseguir dar um jeito de aguentar firme mesmo com todas lesões e chegar na pós-temporada com alguma folga, mas a saúde desse time (e descobrir como maximizar Kawhi Leonard e Aldridge jogando juntos) pode ser um fator crucial para sabermos o quanto esse time pode aprontar em cima dos favoritos Warriors e Rockets em Maio, que já tiveram um gostinho ano passado do quão chato é enfrentar San Antonio quando o time está usando todas suas armas.

#4 – Minnesota Timberwolves
Campanha: 36-25 (61 jogos)
Distância pra 8th seed: +3 GB
Chances de playoff: 97,9%

Esse é um time sólido mas um pouco difícil de saber o que esperar, que ficou excepcionalmente saudável apesar dos titulares jogarem minutos insanos nas mãos do seu técnico. Depois de uma sequência muito dominante entre dezembro e o meio de janeiro, o time sentiu uma queda na segunda quinzena do mês e entra no ASG com apenas 7 vitórias contra 9 derrotas nos últimos 16 jogos. O principal culpado é a defesa, que depois de uma melhora significativa tem sido a segunda pior da NBA durante esse período.

Mas o ataque desse time é incrível (#3 na NBA atrás de Warriors e Rockets), e o time tem algo que pouquíssimos times na NBA podem se gabar: duas legítimas estrelas em Jimmy Butler e Karl Anthony Towns. Butler, em especial, tem jogado em nível MVP, e o Wolves tem chutado traseiros a torto e a direito quando o ex-jogador do Bulls está em quadra. Sua lineup titular está arrasando times com Net Rating de +8,2 quando joga junta em quadra, e quando você coloca Tyus Jones no lugar de Jeff Teague, o time supera adversários por incríveis +24,3 pontos por 100 posses de bola. Existe motivos para ficar preocupado com o banco do time e a extrema dependência do Wolves nos seus titulares (como eu escrevi nessa coluna), mas esses são problemas mais pensando na pós-temporada: para a temporada regular, e garantir quem sabe até mando de quadra (o que seria uma grande vitória para a franquia), isso dificilmente será um problema a não ser que o time perca o gás na reta final.

Também vai ser interessante ver se o Wolves garante a sua parte nos confrontos diretos: 8 dos 21 jogos restantes do time são contra times que brigam pelas mesmas 6 vagas nos playoffs do Oeste (e outros 3 contra Houston e Golden State).

#5 – Oklahoma City Thunder
Campanha: 33-26 (59 jogos)
Distância pra 8th seed: +1 GB
Chances de playoff: 91,8%

Embora as projeções não concordem (elas ainda dão ao Thunder 92% de chance de pós-temporada) é aqui que a disputa começa a ficar realmente interessante, e se é difícil imaginar Spurs ou Wolves fora dos playoffs, o mesmo não é verdade com todos os times seguintes dessa lista – começando pelo Thunder.

A temporada do Thunder – um time que entrou no ano com imensas expectativas depois de adquirir dois All Stars em Paul George e Carmelo Anthony – tem sido uma verdadeira montanha russa. As nossas percepções e projeções sobre o Thunder estão mudando mais rápido do que os times do All Star Game: pegue o time na sequência certa, e eles parecem o time candidato ao título que esperávamos em Outubro. Pegue o time na hora errada, e você se pergunta como um time com tantos talentos pode ser tão fraco. A verdade provavelmente está em algum lugar no meio, mas é bem difícil saber exatamente onde.

OKC começou a temporada devagar, com o time ainda sofrendo com movimentações estagnadas e dificuldade para integrar suas novas estrelas com o atual MVP da liga, e amargava a campanha de 8-12 depois de 20 jogos. Então, em algum momento de dezembro, tudo pareceu encaixar, e o time emendou uma sequência realmente impressionante de 6 vitórias seguidas, sendo 5 delas contra times de playoffs e os dois últimos contra Houston e Raptors, os atuais líderes das duas conferências. Dai Andre Roberson machucou, e OKC perdeu 5 dos 7 jogos seguintes. Mas Roberson voltou, yey!, e OKC emendou mais uma sequência muito impressionante, dessa vez de 8 vitórias enquanto parecia o melhor time da NBA… até que Roberson machucou novamente (oh, man!), e o Thunder perdeu 5 dos 7 jogos seguintes antes do All Star Game. O saldo da temporada é complicado: sexto na NBA em Net Rating, mas apenas a quinta colocação do Oeste, empatado em derrotas com o nono colocado, e vindo de mais uma fraca sequência que expôs a fragilidade desse time nos seus piores momentos.

As lesões de Roberson, sem dúvida, tem sido um fator importante (não é coincidência que as sequências de derrotas e vitórias batem com as ausências e presenças do ala), e Roberson é um jogador bastante subestimado, um excelente defensor e taticamente importantíssimo para esse time. Ainda assim é incrível que um time com dois All-Stars (George e Westbrook), um futuro Hall of Famer (Melo) e um dos melhores pivôs da NBA (Adams) despenque tanto assim perdendo o quinto melhor jogador do time, e não consiga achar uma solução para sua ausência. O Thunder tem sido um time ruim quando Roberson (seu líder em Net Rating) não está em quadra, mesmo quando suas outras estrelas estão, e agora que o camisa #21 rompeu o tendão patelar e está fora da temporada o time precisa achar – com urgência – uma solução para esse problema.

A boa notícia é que o Thunder tem o segundo calendário mais fácil entre os oito dessa coluna até o fim da temporada, o que sem dúvida pode ajudar o time a pelo menos conseguir as vitórias fáceis necessárias. A má notícia é que o Thunder também já teve o segundo calendário mais fácil entre todos eles até aqui, e não serviu de muita coisa. Talento, em geral, tende a ser o fator diferencial na NBA, então se você tem vários times parelhos, você vai querer apostar no que tem dois All Stars e o atual MVP da liga (mesmo que esse prêmio… erm… não tenha envelhecido bem). Em algum momento, você imagina que Westbrook e George vão surtar, botar a bola embaixo do braço e ganhar alguns jogos sozinhos, e esses jogos podem ser a diferença no final do ano. Mas é um time que tem muitas perguntas para responder, e precisa achar as respostas – e rápido – se quer evitar um vexame histórico.

#6 – Denver Nuggets
Campanha: 32-26 (58 jogos)
Distância pra 8th seed: +0,5 GB
Chances de playoff: 71,1%

Denver é outro time difícil de saber exatamente o que é, em grande parte por causa de uma lesão: Paul Millsap, All-Star e a grande aquisição para o Nuggets nessa temporada, jogou apenas 16 jogos pelo time antes de ir para a geladeira com uma lesão no ligamento do pulso, tempo de menos para o time conseguir incorporar direito uma aquisição dessas ao seu time. Em meados de janeiro, quando times que também fizeram grandes aquisições e demoraram para engrenar como Pelicans, Thunder e Wolves pareciam ter encontrado seu melhor basquete e estavam jogando melhor do que nunca, era difícil não olhar para o Nuggets – ainda sem Millsap, sofrendo em meio a lesões para encontrar a forma certa de jogar – e pensar no que esse time poderia ter sido.

Millsap deve voltar a tempo para a pós-temporada (se o time classificar), mas dificilmente para ter um grande impacto ainda na temporada regular, então o Nuggets vai precisar encontrar formas de vencer com o que já tem hoje no time. Ainda bem que o time parece estar lentamente se encontrando, retomando sua identidade e descobrindo as peças certas para fazer esse time funcionar. Nikola Jokic, depois de um começo bem irregular, tem enfim se soltado mais nos últimos jogos, com 20-12-8 de médias nos últimos 16 jogos, período no qual Denver tem o quarto melhor ataque da NBA inteira. Jamal Murray, seu segundoanista, enfim está explodindo, com médias de 17-4-4 e 53 FG%/46 3PT% desde que voltou de lesão, e está cada vez mais confortável conduzindo o ataque e desenvolvendo uma ótima química no pick and roll com Jokic – aqueles momentos de estagnação ofensiva sem um armador puro estão acontecendo cada vez menos para o Nuggets. Trey Lyles acabou ganhando mais espaço na rotação, e tem sido crucial com sua versatilidade defensiva e bolas de três pontos. A lesão de Mason Plumlee forçou o Nuggets a jogar com formações mais baixas (finalmente!), e elas tem sido um sucesso.

Está sendo lento, mas está acontecendo – Denver joga um estilo bem não-convencional de basquete, e assim como no ano passado demorou um pouco para as peças irem encaixando e os jogadores acostumando aos nuances necessários. Os adversários fizeram ajustes em relação ao que viram em 2017, e Denver precisou fazer novas alterações e se acostumar a elas. Isso também demora. Mas está cada vez mais avançado, e os resultados já aparecem.

O Nuggets também fez uma troca pouco comentada na deadline, mas que eu achei ótima: Devin Harris em troca de Emmanuel Mudiay (em uma troca de três times com Knicks e Mavs). Pode parecer pouco, e Devin Harris não é o tipo de jogador que vá mudar uma franquia, mas a troca é excelente: embora Mudiay seja mais novo e com mais potencial, o Nuggets já tem o seu backcourt do futuro (Murray e Gary Harris), e o time vinha sendo uma DESGRAÇA quando Mudiay entrava para jogar, especialmente quando tinha que jogar de armador principal (Denver tinha Net Rating de -11.0 quando o armador estava em quadra sem Jokic). Mudiay era talvez o pior armador da temporada, e Devin Harris – embora não seja um craque – é exatamente o tipo de jogador mais estável e confiável que o time precisa, e que sabe jogar muito bem sem a bola, para segurar as pontas no que antes vinham sendo minutos desastrosos do armador congolês (Denver está +19 nos 61 minutos que Harris passou em quadra nos seus 3 jogos).

Junte todos esses fatores, e Denver vem em uma crescente nas últimas semanas, com uma sequência de 9-3 nos seus últimos 12 jogos que inclui duas derrotas por dois pontos ou menos para Boston e Spurs, e boas vitórias sobre times de playoff em Portland, Thunder, Warriors, Spurs e Bucks. Vamos ver se, ao contrário do ano passado, eles conseguem transformar essa boa sequência em uma vaga na pós-temporada.

#7 – Portland Trail Blazers
Campanha: 32-26 (58 jogos)
Distância pra 8th seed: +0,5 GB
Chances de playoff: 69,8%

O Blazers também tem sido um time difícil de entender essa temporada, em parte por ser o oposto do que estamos acostumados a ver deles. O ataque normalmente de elite é apenas o 14th melhor da NBA, e a defesa – sua grande interrogação em anos passados – é a 11th melhor da liga. Essas estatísticas pelo menos estão tendendo na direção esperada nos últimos 15 jogos, com o sétimo melhor ataque da NBA (e defesa abaixo da média) desde que Damian Lillard voltou de lesão. Isso se da, em parte, pela boa fase das suas estrelas: desde a volta de Lillard, ele e McCollum combinam para 50 pontos por jogo e 10 assistências com 47-41-89 nos chutes de quadra.

O Blazers é um time com problemas estruturais sérios, especialmente em termos salariais, uma das maiores folhas da liga (e com decisões caras a tomar) que não quer estar pagando multas para não brigar diretamente por títulos. Mas essa é uma questão pra ser resolvida fora de quadra – dentro dela, é um time muito bem montado com dois jogadores que podem desequilibrar, e um dos melhores técnicos da NBA. O time está 10-5 nesses últimos jogos, e sabe que o caminho está aberto pela frente para até sonhar com mando de quadra na pós-temporada.

O maior obstáculo do Blazers nessa reta final, com tão pouca margem de erro, é o calendário: é o segundo mais difícil entre todos os times que brigam pelos playoffs no Oeste (atrás de San Antonio), e o time encerra o ano em uma sequência insana de 17 jogos que inclui CATORZE contra times de playoffs, sendo 10 deles contra times do Oeste. Por um lado, é uma boa chance de ganhar os confrontos direto e o desempate contra os times rivais – foi exatamente assim, com uma vitória contra o Nuggets (com show de Nurkic), que o time ganhou sua vaga na pós-temporada ano passado. Por outro, se você se descuidar um pouco ou se a inconsistência atacar na hora errada, é o que pode acabar cavando sua cova nessa disputa tão parelha.

 

#8 – New Orleans Pelicans
Campanha: 31-26 (57 jogos)
Distância pra 8th seed: 0 GB
Chances de playoff: 52,5%

O problema de modelos de probabilidade é que eles não conseguem totalmente ajustar para a perda de um jogador importante no resto do ano, eles apenas podem se basear na performance passada do time. Então assim como a alta probabilidade de 92% do Thunder de chegar nos playoffs não está incluindo o fato de que o time joga tão pior sem Andre Roberson (e vai ter que jogar sem ele até o final), essa probabilidade de 52,5% não inclui o time jogando sem DeMarcus Cousins… e mesmo assim ela é a mais baixa entre todos os 8 times da coluna.

Ainda não temos amostra o suficiente para dizer o que esse time é desde a lesão de DeMarcus Cousins: após a lesão da sua segunda estrela, o Pelicans perdeu imediatamente 5 de 6 jogos antes de terminar a campanha pré-pausa com improváveis 3 vitórias seguidas, um ótimo sinal mesmo que duas delas fossem contra o Nets (vindo de 7 derrotas seguidas) e o Lakers (que acabou de trocar seus dois líderes em Net Rating). Anthony Davis em particular tem jogado muito bem nesse período: 31 pontos, 12 rebotes, 3 assistências, 2 roubos e 2 tocos, com 50 FG% e 42 3PT%.

Mas o que eu escrevi na época da lesão ainda vale: é difícil imaginar o time mantendo o nível sem Cousins, especialmente nos minutos que Davis está fora de quadra. O Pelicans trouxe Nikola Mirotic em uma troca com Chicago, mas Mirotic é mais um bom complemento para Davis do que alguém para carregar o time sem ele, que era onde Cousins mais se destacava (e, para piorar, não tem jogado tão bem em New Orleans). Ajuda, mas não resolve, e a margem para erro no Oeste é pequena demais.

Talvez nenhum time dessa lista tenha se prejudicado mais por fatores que nada tenham a ver com ele. Com Blake Griffin sendo trocado logo após a lesão de Cousins e boatos diários sobre a disponibilidade de DeAndre Jordan e Lou Williams, o Clippers – único adversário real pela oitava vaga que poderia tirar o Pelicans dos playoffs na época – parecia prestes a desmontar o time e sair da briga, deixando NOLA mais confortável na oitava posição. Mas a deadline passou, o Clippers nunca fez mais trocas e se manteve em posição de continuar brigando por essa vaga na pós-temporada. Enquanto isso, Utah – que parecia fora da disputa – venceu 11 jogos seguidos e acrescentou mais um time (e um extremamente quente no momento) que o Pelicans vai ter que ficar na frente até o final do ano. Se antes a gente imaginava que o Pelicans talvez fosse capaz de se manter à tona mesmo sem Davis, agora isso não parece mais suficiente em uma briga cada vez mais forte.

#9 – Los Angeles Clippers
Campanha: 30-26 (56 jogos)
Distância pra 8th seed: 0,5 GB
Chances de playoff: 53,8%

O Clippers trocou Blake Griffin no dia 29/01, e a primeira reação de muita gente (passado o choque inicial) foi de que o time estava pronto para entrar em modo de tank, trocando seus veteranos (Lou Williams e DeAndre Jordan estavam em contratos expirantes) e apostando em abrir espaço salarial e conseguir uma escolha mais alta de Draft.

Mas eu escrevi na coluna sobre a troca que não via nenhuma urgência para o Clippers desfazer seu time: Los Angeles está apostando em se tornar um destino atraente para free agents, e jogadores de alto nível querem times que vençam jogos e ofereçam perspectiva. Se alguém oferecesse uma recompensa à altura, ótimo, mas caso essa oferta não viesse o Clippers estaria perfeitamente bem mantendo seus jogadores e buscando uma vaga nos playoffs com um time versátil e profundo. E foi o que acabou acontecendo: o time estendeu o contrato de Lou Will a um valor bem baixo, DeAndre não foi trocado quando o Cavs (o único time oferecendo algo real nas discussões) preferiu outras trocas, e agora o Clippers manteve sua base inteira junta rumo a buscar uma vaga nos playoffs.

Agora Los Angeles está 5-1 desde a troca (que coincidiu com a volta de Danilo Gallinari), e embora parte disso seja do calendário (vitórias contra Chicago, Dallas e Brooklyn), também mostrou o que o time tem a ganhar com seu novo elenco: nas 5 vitórias o time teve 4 cestinhas diferentes (Tobias Harris, Gallinari, DeAndre e Lou), mostrando uma defesa mais versátil e um time que simplesmente é um encaixe mais natural, jogando com mais leveza. O time troca mais a marcação, tem um espaçamento que faz mais sentido, e a volta de Gallinari de lesão (20-6 com 42,5 3PT% desde que voltou) ajudou a dar um enorme boost nesse time.

Isso não quer dizer, é claro, que o time vá continuar ganhando 83% dos seus jogos, ou mesmo que seja melhor sem Blake, mas é um lembrete de que esse time não está nada interessado em perder de propósito essa temporada: é um time bem completo e profundo que vai dar bastante trabalho se as lesões permitirem. O maior problema do Clippers nessa reta final pode ser também o calendário: é o terceiro mais difícil do Oeste, com 17 dos 26 jogos restantes contra times de playoffs, incluindo 5 confrontos diretos quase em sequência (Spurs, Denver, Utah, NOLA, Portland, com um jogo vs Indiana no meio) antes de encerrar a temporada contra o Lakers.

#10 – Utah Jazz
Campanha: 30-28 (58 jogos)
Distância pra 8th seed: 1,5 GB
Chances de playoff: 66,3%

Engraçado como essas coisas são. Um mês atrás, Utah estava sendo deixado como morto depois de uma derrota para Indiana que derrubou a franquia para 17-26, e sua estrela (Gobert) ainda não tinha voltado de lesão. A derrota deixou o time 5 jogos inteiros atrás do oitavo colocado, tendo perdido 8 dos últimos 10 e 14 dos últimos 18 jogos, e parecendo morto e fora da briga por playoffs, com o consolo de ter achado ouro no calouro Donovan Mitchell… e só.

Então Rudy Gobert voltou, o time encaixou, e agora o Jazz é o time mais quente da NBA, estando 13-2 nos últimos 15 jogos, incluindo 11 vitórias seguidas. O que chegou a ser uma desvantagem de 5,5 jogos agora caiu para apenas 1,5, e não tem nada de falso ou enganoso nessa sequência incrível de Utah: durante essa sequência, o Jazz venceu Golden State (por 30 pontos), Toronto (fora de casa), San Antonio (duas vezes), Pelicans (por 24) e Portland (por 19). Utah enfrentou realmente excelentes times e encerrou um janeiro no qual teve a tabela mais difícil da NBA, e nada disso conseguiu segurar o time. Nesse um mês, Utah tem a quarta melhor defesa e o quinto melhor ataque da liga inteira, com o segundo melhor Net Rating (538, site especializado em estatísticas, da ao Jazz 88% de chance de ir aos playoffs).

Utah também era um queridinho das estatísticas avançadas, que apontavam que o time era muito melhor do que sua campanha indicaria, e previam uma regressão positiva para o time rumo a uma campanha melhor. E… hm… aconteceu, embora acho que nem o mais otimista imaginasse uma campanha com esse nível de basquete pela frente. O time agora está no Top10 de Net Rating da NBA, e #6 no Oeste. Outra medida, RPI, gosta de Utah ainda mais: #4 no Oeste e #8 na NBA inteira.

O Jazz é um time diferente com a volta de Gobert, uma legítima estrela e alguém que muda completamente a geometria da quadra, especialmente do lado defensivo. Donovan Mitchell é excelente, Joe Ingles (um dos meus jogadores favoritos) está jogando demais, e o calouro-vindo-da-Europa Royce O’Neale tem sido excelente dos dois lados da quadra. Com todas essas peças emergindo e se encaixando, de repente o time de Utah faz muito sentido, e está se juntando para formar um excelente time dos dois lados da quadra. O time não vai continuar jogando como o Golden State pra sempre, é claro (o time não vai continuar chutando 48% de três pontos, por exemplo), mas tem muitos motivos legítimos para acreditar que o bom basquete do Jazz não é por acaso. E se o time conseguir carregar parte desse bom basquete para frente, ele é melhor do que boa parte dos times na sua frente.

O time também tem outro enorme fator como vantagem: calendário. Utah conseguiu tudo isso até aqui apesar de ter o segundo calendário mais difícil da NBA inteira, e agora tem o calendário mais fácil de qualquer time na briga pelos playoffs do Oeste, com 15 dos 25 jogos restantes vindo em casa, onde Utah está 18-9 na temporada e tem o quarto melhor Net Rating da NBA (Utah também tem a vantagem nos critérios de confronto direto contra Portland, Pelicans e Clippers). Parece maluco que o time que um mês atrás era dado como morto a 5,5 jogos atrás da classificação para os playoffs chegue na pausa para o ASG como um dos mais perigosos times da NBA e um dos favoritos a conseguir a vaga na pós-temporada, mas o Jazz fez por merecer.

As estatísticas e dados dessa coluna vieram dos seguintes sites: Basketball Reference, NBA Stats, Cleaning the Glass, Synergy Sports, Spotrac, ESPN Stats and Info, FiveThirtyEight.

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