O novo Cleveland Cavaliers

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Com a aproximação da trade deadline na NBA, nenhum time estava mais envolvido em especulações do que o Cleveland Cavaliers. E não sem motivo: além de ser um dos times que mais estava fazendo ligações atrás de negócios em toda a NBA (de acordo com múltiplas fontes internas), era fácil ver que o Cavs era o time que mais PRECISAVA de uma troca na liga inteira.

Pode parecer esquisito falar isso sobre um time que era o terceiro colocado na sua conferência, mas a temporada 2017-18 do Cleveland Cavaliers estava caminhando para um desastre. No último ano do contrato de LeBron James, e sabendo que precisava dar ao camisa 23 motivos convincentes para que ele renovasse seu contrato e ficasse mais tempo em Cleveland, o Cavs era desde o começo um time com pouquíssima margem de erro. É impossível saber com base em que critérios exatamente LeBron vai decidir seu próximo contrato, mas é claro que uma boa situação de basquete e a chance de mais títulos é um fator importante para o Rei. E o Cavs não tinha uma boa situação de basquete.

Todo ano desde que LeBron voltou para Cleveland parece que a gente faz esse teatro de discutir se uma má fase do time é um sinal negativo do que vem pela frente, ou só a preguiça e desinteresse de um time que sabe que o que importa é a pós-temporada. Esse ano, no entanto, a situação era bem diferente, e muito pior, do que qualquer um dos outros anos. A tensão e os problemas eram palpáveis, e bem maiores do que o normal.

Dia 08/02, dia final das trocas, o Cavaliers ainda aparecia com a seed #3 do Leste, mas dificilmente tinha motivos pra ficar satisfeito com como estava jogando. O time estava empatado em vitórias com o quarto colocado, o Wizards, e apenas uma vitória na frente do quinto colocado, Bucks, e do sexto, Pacers. O Cavs era apenas o 19th melhor time da NBA em Net Rating, com -0.5 de saldo por 100 posses de bola, logo atrás do fraco Charlotte Hornets. E, para colocar mais sal na ferida, o time tinha a segunda pior defesa de toda a NBA, na frente apenas do Suns. O time estava parecendo cada vez mais velho, lento, e com um encaixe muito pouco positivo. Os jogadores simplesmente pareciam que não gostavam uns dos outros, e ninguém parecia feliz jogando basquete no Cleveland Cavaliers.

Depois de uma longa sequência de vitórias cedo na temporada, o Cavs estava apenas 7-13 nos seus últimos 20 jogos até a trade deadline. O time estava com problemas muito reais, as novas aquisições importantes da equipe (Isaiah Thomas e Jae Crowder) estavam sendo mais problemas do que ajuda. O time parecia desentrosado, sem confiança um nos outros. Ty Lue estava experimentando com diferentes formações e rotações, sem nenhum bom resultado. Suas derrotas mais recentes incluíam uma por 28 pontos para o Wolves, uma por 34 para Toronto (#1 seed do Leste), uma por 20 para OKC no qual cedeu 148 pontos (em casa), uma por 22 pontos para Houston, e até uma por 18 pontos com direito a virada humilhante contra o Orlando Magic. Por duas vezes o Cavs precisou resolver problemas dentro do seu vestiário, e os problemas dentro e fora de quadra foram se acumulando ao ponto que era impossível descartar isso só como percalços normais da temporada regular. E isso ficou ainda mais claro quando especialistas ao redor da NBA começaram, pela primeira vez desde 2011, a acreditar que o time de LeBron James dessa vez não era mais o favorito para vencer o Leste. Ter o melhor jogador do planeta não era mais suficiente em um time tão quebrado, desentrosado, velho e incapaz de defender.

Então era normal que nesse cenário o Cavs fosse atrás de uma troca para movimentar o time, e que torcedores e analistas especulassem quem seria essa aquisição. Em geral, os boatos falavam sobre a aquisição de jogadores nível All-Star (especialmente Lou Williams ou DeAndre Jordan), trocas grandes para tentar elevar de vez o nível do time.

Mas o GM de Cleveland, Koby Altman, entendeu algo muito importante: esse time estava tão quebrado que uma apenas uma troca dessas não salvaria a equipe, mesmo trazendo um jogador de alto nível como Jordan ou Lou. Para esse time ter uma chance – uma chance de virar a temporada, de voltar a ser favorito no Leste, de voltar a dar a LeBron um motivo para ficar em Cleveland  – ele precisaria se desmontar e se reconstruir quase do zero. E então Altman foi ao mercado.

Quando o dia acabou, Altman tinha conseguido o seu objetivo. Seis jogadores, todos com pelo menos 10 minutos por jogo de média, foram embora de Cleveland: Dwyane Wade, Iman Shumpert, Channing Frye, Derrick Rose, Jae Crowder e Isaiah Thomas (e mais uma escolha de Draft). Em seu lugar, o Cavaliers trouxe quatro nomes novos: George Hill, Larry Nance, Jordan Clarkson e Rodney Hood, além de abrir duas vagas no elenco para novos nomes em contratos mínimos (Kendrick Perkins está sendo especulado, entre outros). Em uma tarde, Altman mudou completamente o seu time e seu planejamento, e deu a Lebron e ao Cavs a chance de começar de novo.

Considerando o quão limitados eram os ativos de troca do time, e que Cleveland estava muito mais interessado em manter a escolha de primeira rodada do Nets (a verdadeira jóia da troca de Kyrie Irving) do que em trocá-la, esse trabalho de reformulação do seu elenco em uma tarde é extremamente impressionante. Tirando Wade, que o time mandou para Miami por “respeito” (mas no que parece ser uma tentativa de aliviar o clima do vestiário), o que o Cavs basicamente trocou foram seus contratos expirantes e que não ficariam na equipe para o ano que vem mesmo, e só uma peça de longo prazo em Crowder. Perder Crowder e Isaiah, peças chave da troca de Kyrie, sem dúvida dói bastante, mas a essa altura esse já era um custo morto que Cleveland não poderia continuar se apegando: Isaiah não está saudável, estava sendo um problema complicado para um encaixe já ruim do Cavs (especialmente na defesa), e vinha sendo ao que tudo indica um problema nos bastidores. Sempre existia a chance de que o físico de Isaiah melhorasse ao longo do ano e eventualmente ele desse ao time aquela faísca que perderam sem Kyrie, mas era uma aposta bem arriscada dados todos os outros problemas que o ex-All Star trazia para o time, e trocá-lo não deve ter sido tão difícil; e Crowder era ok, mas nem de longe o jogador que pareceu em Boston ou alguém que fazia a diferença. São todos jogadores que o time não sentirá falta pela forma como vinham jogando.

O que realmente custou ao Cavs a aquisição desses jogadores foi a questão salarial. Rose, Wade, Isaiah, Frye e Shumpert eram todos contratos expirantes, que acabariam essa offseason e dariam ao Cavs alguma flexibilidade salarial e alívio financeiro depois de anos pagando multas absurdas. Agora isso não vai ser mais tão simples: Larry Nance ainda tem um ano de controle barato, mas Clarkson e Hill são jogadores que ainda ganharão um bom dinheiro nos próximos anos, e o time vai precisar pagar Hood (um agente livre restrito) se quiser mantê-lo como mais do que um aluguel de curto prazo. Com essas trocas, os gastos do Cavs só com multas salariais em 2018 devem subir para incríveis 50 milhões de dólares, e o que antes era U$ 7,3 milhões de salários para 2018 se tornam agora U$ 34 milhões garantidos – sem considerar o quanto custaria uma renovação de Hood. Para um time que já está muito apertado salarialmente e pagando enormes quantidades de dinheiro do seu dono em multas e salários, essa é uma diferença enorme e significativa, limitando as opções do time na próxima offseason e custando ao dono Dan Gilbert quantias cada vez maiores de dinheiro do seu próprio bolso, algo que o dono do Cavaliers tem publicamente relutado em fazer, com o time até buscando reduzir salários e esses gastos recentemente.

Mas isso é o que você precisa fazer quando tem o melhor jogador da sua geração prestes a terminar o contrato, e olhando com maus olhos o atual momento e direção da equipe. Sem grandes ativos e mantendo a escolha do Nets (como o Cavs fez), a capacidade de movimentação e mudança do time é muito limitada, e sua melhor chance é conseguir jogadores que outros times não querem – e o principal motivo para times não quererem sólidos jogadores, 90% das vezes, envolve não querer pagar seus contratos. Era o mercado que o Cavs tinha para explorar, e a não ser que o time decidisse simplesmente desistir de LeBron e pensar em recomeçar sem o ex-MVP, era o preço a se pagar para tentar salvar a situação e te dar uma chance de sucesso.

Porque dentro de campo a troca faz bastante sentido. A chegada do novo quarteto não resolve todos os problemas de Cleveland, mas ajuda a mitigar vários. O maior problema do Cavs, de modo geral, é o quão “engessado” o time era em boa parte do tempo devido a diversos fatores: o time era velho demais, atlético de menos para compensar suas limitações (especialmente do lado defensivo), não era versátil o suficiente para se adaptar a diferentes adversários e situações de jogo, e o encaixe entre as peças em geral não funcionava bem. E isso deve, em geral, melhorar agora com a chegada dos reforços.

Nance e Hood, em especial, formam perfeitamente o molde do jogador que o Cavs não tinha (tirando talvez Crowder) e tanto precisava: jogadores jovens, longos e atléticos capazes de jogarem em múltiplas posições e funções. Nance não é um defensor tão bom quanto sua reputação sugere, mas ainda é um jogador bem longo e atlético capaz de trocar a marcação, defender múltiplas posições, e que joga bem duro dos dois lados da quadra. Ele é incapaz de arremessar de fora para salvar a própria vida, o que é um problema, mas é muito bom atacando a cesta em lobs e pontes aéreas, e é o tipo de jogador de altíssimo QI que costuma fazer as pequenas coisas que ajudam um time a vencer dos dois lados da quadra. Hood não é confiável na defesa, mas ainda tem braços longos, consegue trocar a marcação quando o esquema pede, e é um chutador muito bom de três pontos (39,5% na temporada) que consegue botar a bola no chão e criar o próprio arremesso nos bons dias. Clarkson não tem a mesma versatilidade e capacidade de trocar a marcação, é um jogador mais unidimensional que os outros dois, mas é jovem (os três tem 25 anos), é atlético suficiente e consegue tirar alguma pressão da pontuação das costas de LeBron.

George Hill já caminha em uma direção um pouco diferente: ele não deixa o time mais jovem e atlético que nem os outros três; é um jogador já veterano com problemas físicos. Mas Hill é o tipo de jogador que você quer para encaixar em um time ao redor de LeBron James: um ótimo chutador de longa distância, capaz de defender duas posições, e que não precisa da bola nas mãos para render. Conseguir só Hill sem perder a escolha do Nets já parecia um bom negócio. Conseguir Hill, Nance, Hood e Clarkson sem perder a escolha de Brooklyn é um golpe de mestre de Altman.

Claro, nós precisamos tomar cuidado para não cair em uma armadilha que eu vi acontecendo demais em outra troca do Cavaliers, a de Kyrie Irving, que é julgar ou avaliar a troca com base em um cenário mais teórico do que real, ficar deslumbrado pelo que PODE acontecer e esquecer as chances desse cenário não se materializar. Quando Kyrie foi trocado, a grande maioria das reações era de que o Cavs tinha conseguido um grande retorno, porque Crowder era o tipo de jogador 3-and-D que eles precisavam para vencer Golden State, e Isaiah era outro armador All-Star e pontuador que substituiria o que o time perdia com Kyrie. Dentro de quadra, portanto, o Cavs tinha feito um upgrade, o que hoje parece ridículo pensar em retrospecto: Crowder não foi nem 3 nem D, Isaiah foi péssimo voltando de lesão, e Cleveland nunca conseguiu incorporar ambos no seu time. Os sinais negativos que colocavam em risco a aquisição – que Isaiah teve um ano muito fora da curva e difícil de repetir, que suas deficiências defensivas seriam maximizadas em Cleveland, que ambos tinham brilhado em esquemas de jogo muito mais favoráveis em Boston, que Crowder vinha caindo defensivamente faz um ano, que Isaiah vinha de uma lesão séria – acabaram ficando em segundo plano em favor do que PODERIA ser o resultado da troca. Ou seja, precisamos focar não só no que a troca pode trazer de bom, mas o que ela pode trazer que de errado.

Então é importante lembrar que todos esses jogadores que o Cavs adquiriu também estavam disponíveis tão barato por um motivo, e todos carregam uma boa dose de risco. George Hill vinha tendo um ano bem ruim em Sacramento, e embora parte disso possa ser desinteresse por jogar no Kings (e sejamos sinceros, da para culpá-lo?), Hill também decaiu muito fisicamente devido a lesões nos últimos anos e perdeu parte da explosão e agilidade do passado. Rodney Hood deixou todo mundo em Utah louco dentro e fora de quadra com sua personalidade, extrema irregularidade, e lesões – tanto o Kings como o Jazz eram muito piores quando Hill e Hood estavam jogando do que sem eles, e ambos os times ficam felizes em ver esses jogadores pelas costas. Clarkson é um bom pontuador, mas dificilmente mais do que isso, tem dificuldades com as bolas longas (33 3PT% na temporada e apenas 34% em 3pts “livres”) e é alguém que vai ser muito atacado defensivamente. Nance é o tipo de jogador que ajuda fazendo as pequenas coisas, mas tem aproveitamento de 23% nas bolas longas, não é capaz de criar o próprio arremesso, e é um dos piores jogadores da NBA protegendo o aro – coloque Nance e Kevin Love juntos no garrafão, e você tem zero proteção na zona restrita. Hood e Hill tinham dois dos piores Net Ratings individuais de Jazz e Utah, respectivamente, e embora Clarkson e Nance tivessem dois dos melhores no Lakers, ele é ainda o 11th seed no Oeste. Esse time nunca jogou junto, e agora tem três meses – um deles sem Love – para entrosar e aprender a funcionar junto antes das decisões na pós-temporada, e isso sem um bom técnico que saiba tirar o máximo de seus jogadores (embora jogar com LeBron sempre ajude). Existe um risco real de que a promessa desse time fique no papel, e o resultado não seja o esperado.

Mas é inegável que o Cavs hoje é um time melhor, e com futuro muito mais promissor, do que era na manhã do dia 8. O time anterior nós já tínhamos visto exatamente do que ele era capaz, e não era uma boa visão: Celtics e Raptors provavelmente lambiam os beiços pensando nas Finais toda vez que viam esse Cavaliers jogar. Era um time vulnerável que não tinha a menor chance contra Warriors ou Rockets vindos do Oeste, e isso se chegasse a enfrentá-los, o que parecia cada vez mais improvável. O novo time pelo menos tem uma chance de ser melhor, e muito, hoje e amanhã.

Um dos motivos chave para isso é que esse time simplesmente encaixa muito melhor do que tudo que o Cavs tinha antes. A gente conhece a fórmula: coloque 3 arremessadores e um jogador para atacar o aro ao redor de LeBron James, e deixe o King trabalhar. O Cavs sofreu demais para encontrar esse balanço com Thompson, Crowder, Rose e Wade (e futuramente Isaiah), era o caso de ter que adaptar o jogo de muita gente sem um técnico que soubesse fazer isso. Agora ficou mais fácil, porque cada jogador encaixa melhor ao redor de James sendo eles mesmos: você pode colocar combinações de Hill, JR Smith, Korver Hood e o recém-descoberto Cedi Osman (o que demorou tanto?!) para jogar e arremessar de longe ao redor de LeBron, colocar Nance para fazer pick and rolls e cortar para a cesta, e até mesmo isolar LeBron em um canto. Hill e Hood podem criar seu arremesso em alguns momentos, mas não precisam da bola nas mãos para jogarem – LeBron ainda pode continuar controlando as ações ofensivas como armador do time sem precisar ficar se adaptando aos outros. As adições de Hill, Hood e Nance deixam o time mais longo no perímetro e permitem ao time ficar mais criativo com trocas de marcação, e a maior mobilidade e atleticismo desse grupo tornam mais fácil as recuperações defensivas a cada jogada.

Claro que é importante ter em mente exatamente o que o Cavs está trazendo, e o que esperar desse grupo. Embora sólidos jogadores, os quatro recém-chegados não são jogadores de nível próximo a um All-Star, são bons role players, especialistas com habilidades importantes e algumas falhas. Não é justo esperar que esses jogadores – um grupo que só tem um (Nance) bom defensor, e um que talvez possa ser dependendo do seu corpo (Hill) – transformem o Cavs da noite para o dia em uma boa defesa, especialmente dado quão ruim tem sido a temporada de jogadores como Tristan Thompson e JR Smith. Eles não vão colocar a bola embaixo do braço e ganhar jogos sozinho como Kyrie fazia. E tudo bem, porque eles não vieram para isso: a chegada desses quatro jogadores não é sobre encontrar jogadores individualmente dominantes que façam a diferença; é sobre arejar o vestiário e um ambiente extremamente tóxico que tinha se formado em Cleveland, e sobre montar uma base que faça sentido em cima da qual o time possa se construir. É sobre priorizar um bom encaixe de jogos e personalidades que ajude LeBron James a maximizar a si mesmo e ao coletivo, e nós já vimos que as vezes um bom encaixe é mais importante que ter os melhores jogadores quando você já tem alguém do nível de LeBron. A troca pode não aumentar tanto assim o teto do Cavs, mas ela coloca o piso do time muito acima do desastre que estava antes.

As trocas também melhoram consideravelmente as perspectivas do Cavs para o médio prazo, o que é importante: ao invés de um time velho (e que tende a piorar com o tempo) e com vários contratos expirantes (mas não o bastante pra o time ter capacidade de atrair free agents), o Cavs agora tem uma fundação mais jovem e com jogadores sob contrato para mais tempo. Ao invés de LeBron, ao final do ano, ter que encarar a perspectiva de voltar para um time mais envelhecido e com menos jogadores, agora ele pode voltar para o mesmo time, com mais entrosamento e jogadores mais jovens evoluindo (especialmente se o time trouxer Rodney Hood de volta)… e como o time manteve a escolha do Nets, isso muito provavelmente vai significar ou um calouro de alto nível em um bom Draft como adição, ou até mesmo uma nova troca futura usando essa escolha. Com o mercado para LeBron parecendo bem menos atraente do que parecia alguns anos atrás, essa mudança de perspectiva – e a melhor chance de um bom resultado esse ano – pode ser suficiente para trazer James de volta.

É claro, tudo isso também veio com um custo: a limitação no talento do time. O time não tem mais um jogador como Kyrie Irving, uma segunda grande estrela capaz de dominar jogos sozinhos. Kyrie e sua capacidade de pontuar e destruir qualquer defesa em uma situação de mano a mano (que reduz o impacto de defesas que gostem de trocar a marcação e funcionem melhor coletivamente, como Golden State) foi fundamental para o título do Cavs e por tudo que fizeram nos últimos dois anos. Mesmo que Isaiah jogasse mal, ele é um ex-candidato a MVP e 2nd Team All-NBA – sua presença dava algum potencial de que o Cavs voltasse a ter esse jogador nível All-NBA, especialmente para os playoffs, onde os jogos apertam, as falhas costumam ser mais expostas (e o elenco do Cavs ainda tem muitas falhas), e o talento começa a ficar mais importante – e isso foi um dos grandes motivos da troca ter acontecido.

Agora o Cavs não tem mais isso, além de LeBron. Love ainda é um bom jogador de nível All-Star (bem, no Leste. No Oeste seria lá pra vigésima opção), mas o Cavs nunca soube usá-lo de forma a maximizar seu talento, e não é um jogador que vá tirar o sono dos técnicos adversários na pós-temporada. A aposta do Cavs com essa troca, de um elenco bem encaixado, costuma funcionar melhor na temporada regular que nos playoffs – quando chegar Maio, a falta de outros criadores confiáveis vai pesar, e não vão ser Jordan Clarkson e George Hill que vão tirar o sono de Steve Kerr e Mike D’Anthony em uma eventual Final de NBA. O time agora vai depender mais de LeBron, e isso pode ajudar a desgastar o jogador de 33 anos que já está com uma carga excepcionalmente alta de minutos e responsabilidades. Esse time provavelmente não é tão bom, ou pelo menos não tem o teto tão alto, quanto o time de 2016-17 que tinha Kyrie, e esse foi um time que apanhou de 4-1 nas Finais de forma bem definitiva ano passado. Esse time do Cavs, como construído, muito dificilmente vai ter o talento para vencer Golden State ou Houston em uma possível Final de NBA.

Mas tudo bem: para vencer uma final de NBA, primeiro você precisa chegar lá, e o Cavs como estava antes dificilmente conseguiria passar por Raptors e Celtics no Leste. O potencial, o teto do time está menor agora, mas parecia a cada dia mais improvável que o time algum dia fosse realizar o potencial que tinha com Isaiah e Crowder, então é muito melhor você apostar na certeza, em arrumar a casa, e torcer para que o encaixe e a química dentro de quadra seja tão boa que acabe te elevando a níveis ainda superiores. Decidir trocar as peças e reconstruir a base do seu time foi a decisão mais correta que Altman poderia ter tomado para um time que precisava de mudanças drásticas, e o GM do Cavs fez um trabalho absolutamente fantástico com as poucas armas que tinha mas mãos para conseguir um excelente retorno, boas peças que ajudam no presente e no futuro, e que podem ser o diferencial para o Cavs hoje e amanhã.

Claro que ainda é cedo para dizer o que esse time é ou vai ser (Cavs está 2-0 desde as trocas com boas vitórias sobre OKC e Celtics, mas além de dois jogos ser uma amostra minúscula pra tirar conclusões, Celtics e OKC estão 5-10 combinados nos últimos jogos, então isso pode dizer mais sobre os adversários que sobre o Cavs), e como vai se entrosar em tão pouco tempo. Mas com essas mudanças, e limpando a bagunça tóxica na qual o time estava uma semana atrás, não é difícil imaginar que o Cavs volte a ser o grande favorito no Leste, e o time a ser batido. E se LeBron levar o Cavaliers a uma oitava final consecutiva… bem, coisas mais estranhas já aconteceram, especialmente se você tem o melhor jogador do mundo do seu lado.

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