Pontos chaves para o Super Bowl LII

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Tom Brady e Nick Foles viram um fantasma à direita da imagem. (Foto: NFL.com)

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Faltam apenas mais dois dias – longos, intermináveis – para o dia mais esperado do calendário de esportes americanos. Domingo, dia 04/02, às 21:30 (horário de Brasília) New England Patriots e Philadelphia Eagles estarão entrando em campo em Minnesota para ver quem leva para casa a 52ª edição do Super Bowl.

(Em tempo: apesar da decisão da Associated Press de agora anunciar os Super Bowls pelo ano que eles aconteceram, o que é a pior decisão da história da mídia norte-americana, eu vou continuar me referindo aos Super Bowls pelo número OU pelo ano relativo à temporada. Então não ligo se o Super Bowl está sendo jogado em 2018, ele é da temporada 2017, então ele é o Super Bowl LII, 52 ou de 2017 pra mim, e ponto. Fiquem avisados).

A cobertura dos playoffs da NFL foi irregular aqui no site por conta do timing do lançamento do novo TM Warning, mas nessa reta final vamos dar uma passada por alguns pontos de importância para esse Super Bowl, e ver quais são as chaves que podem e/ou devem definir o campeão dessa temporada: se New England iguala Pittsburgh com o maior vencedor da história dos Super Bowls com um sexto anel, ou se o Eagles consegue enfim subir a montanha e levar para a Philadelphia seu primeiro anel.

New England entra na partida como o grande favorito, e não seria nenhuma surpresa ver o time de Foxborough ganhando seu sexto anel de campeão. É a conclusão mais lógica a essa altura, especialmente com Philadelphia sem seu MVP, Carson Wentz, e o longo (longo!) histórico de New England. O Eagles na verdade entra na partida como o maior azarão (de acordo com Vegas) de um Super Bowl desde 2009 (Arizona) – outro indicador que muita gente ve o Patriots como grande favorito.

Mas está muito longe de ser uma garantia, e não só por esportes serem, por natureza, imprevisíveis – e nem pelo Eagles já ter tido duas vitórias convincentes nos playoffs (uma delas bem mais do que convincentes) depois de ser considerado uma zebra histórica mesmo jogando dentro de casa. Existe uma série de pontos chave que vão determinar como o Eagles vai se sair, e muitos deles indicam que o Eagles tem uma boa chance de conseguir surpreender o mundo. Depois do que eles fizeram nas últimas semanas, eu não duvidaria do time de Philadelphia, mas isso é totalmente subjetivo – vamos, então, tratar desses pontos de forma mais prática e racional.

Vamos começar, primeiro, voltando um pouco no tempo…

A revanche (?)

Essa não é a primeira vez que Patriots e Eagles se enfrentam no Super Bowl. Esses dois times também se enfrentaram dia 6 de fevereiro de 2005 no Super Bowl XXXIX (ou 39), em Jacksonville – 13 longos anos atrás.

Naquela ocasião, New England prevaleceu por 24 a 21, mas – como é costume nos Super Bowls do Pats na Era Belichick, todos decididos por menos de uma posse de bola – não sem alguma emoção primeiro: o Patroits abriu uma confortável vantagem de 10 pontos antes que um touchdown do Eagles dentro do two-minute warning trouxesse a vantagem para 3 pontos. O Eagles até conseguiu receber a bola de volta faltando 50 segundos para o fim da partida para tentar o empate, mas o safety Rodney Harrison conseguiu uma interceptação em uma 3rd and 9 para selar o terceiro título da franquia de Foxborough.

Mas embora para os torcedores e para as histórias que nós contamos essa “revanche” seja algo real, para os times é difícil acreditar que realmente signifique ou mude alguma coisa, simplesmente por causa de tanto tempo que passou, e o que mudou nesse tempo.

Considere o seguinte: Em 2004, o ataque do Eagles era comandado pelo QB Donovan McNabb, hoje um comentarista recém-dispensado pela ESPN por causa de assédio sexual. Seu melhor jogador era Terrell Owens, que teve 1200 jardas e 14 TDs em 2004 rumo a uma vaga All-Pro, e o ataque terrestre era comandado pelo extremamente versátil e subestimado Brian Westbrook, que se tornou o titular durante a temporada e somou 800 jardas terrestres, 700 aéreas e 9 touchdowns em 12 jogos.

Já o Patriots estava no seu terceiro Super Bowl em 4 anos depois de vencer os dois primeiros e… ok, essa parte é igual. Mas ainda era na época um ataque muito mais voltado para o jogo terrestre do que o aéreo, e embora Tom Brady – então com 27 anos – já estivesse se estabelecendo como uma estrela na NFL (sendo eleito para o segundo Pro Bowl) o grande astro ofensivo do PAtriots era o running back Corey Dillon, que correu para 1600 jardas e 12 TDs naquele ano. Seus dois recebedores com mais jardas no ano foram David Givens e David Patten, e o MVP do Super Bowl foi outro WR, Deion Branch, que teve 131 jardas e 11 recepções (então um recorde do Super Bowl) naquela noite em Jacksonville. Mike Vrabel, recentemente nomeado o novo Head Coach do Tennessee Titans, era então um linebacker jogando pelo Patriots – e teve uma recepção para touchdown na vitória sobre o Eagles (curiosamente, Vrabel tem 12 recepções na carreira, e todas foram para touchdowns – incluindo duas em Super Bowls). Era uma situação e um contexto extremamente diferente.

Na verdade, a única coisa que retorna daquele Super Bowl 13 anos atrás é também a única coisa que continua constante na NFL desde aquela época: Tom Brady e Bill Belichick, chutando bundas do resto da liga. Brady é literalmente o único jogador em campo naquele fevereiro de 2005 que jogará domingo, e ambos os times já passaram por muitas reformulações, mudanças, e chegam agora como times totalmente diferentes. Por mais que sejam os mesmos times, tem pouco de “segundo round” nesse duelo – além, claro, do sentimento do torcedor.

Então para saber mais sobre o jogo de domingo, precisamos olhar apenas para o que está acontecendo no agora. E provavelmente a questão mais importante é….

O que o Eagles pode esperar de Nick Foles?

Quando Carson Wentz rompeu o ACL ao final da semana 14, não é exagero dizer que grande parte do mundo da NFL descartou o Eagles como time de Super Bowl. Times não simplesmente perdem um favorito a MVP na posição mais importante do jogo e continuam jogando no mesmo nível. Mesmo as pessoas – como eu – que achavam que essa não era uma sentença de morte, que o Eagles tinha um elenco completo e profundo suficiente para proteger o QB reserva, Nick Foles, minimizar suas fraquezas e continuar jogando um bom futebol americano, admitiam que isso reduzia consideravelmente as chances do time de levantar o troféu em Minnesota.

Não foi uma surpresa, portanto, que com Foles de titular o Eagles se tornou o primeiro 1st seed a ser considerado “zebra” na rodada divisional dos playoffs – o termo em inglês, underdog, inclusive inspirou uma das melhores brincadeiras da temporada.

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Mas tinha um motivo para isso e não era o “desrespeito pelo time” como diziam os jogadores de Philadelphia. Wentz estava jogando um futebol de MVP, e a queda de nível com a sua lesão e a entrada de Foles era significativa. A carreira de Foles na NFL tem sido basicamente uma montanha russa, com uma temporada fantástica quebradora de recordes sob Chip Kelly, uma temporada realmente horrível sob Jeff Fisher, e muita mediocridade entre os dois extremos. As vezes mediocridade pode ser suficiente na NFL – o Jaguars acabou de quase ir a um Super Bowl com Blake Bortles – mas quando você estabeleceu uma base do nível de Wentz para a posição, a mudança vai ter consequências.

E até o “começo” da temporada de Foles pelo Eagles, substituindo Wentz, foi uma montanha russa – ou pelo menos uma de queda livre. Depois de uma boa estréia na qual lançou 4 touchdowns contra o Giants, o camisa 9 teve uma atuação bastante fraca em uma vitória apertada contra o Raiders, e jogou tão mal na semana final da temporada regular  (uma derrota ridícula por 6-0 para o Cowboys) que foi para o banco no intervalo em favor do segundoanista Nate Sudfeld. Então tínhamos motivos de sobra para desconfiar da capacidade de Foles de conduzir o Eagles ao Super Bowl.

Mas chegou os playoffs, e Foles tem sido um jogador completamente diferente. Em dois jogos, ele completou 77,9% de seus passes para 598 jardas (9.5 jardas por passe), 3 touchdowns, 0 interceptacões e um rating de 122.1. Sua performance contra o Vikings, em particular, é das melhores que você vai ver nessa situação: 26 de 33 passes, 352 jardas, 3 TDs, 0 interceptações contra a segunda melhor defesa de toda NFL, e a melhor dos últimos 30 anos evitando conversões de terceiras descidas (Foles converteu 9 de 11 terceiras descidas vs Minny antes do jogo entrar em garbage time). No segundo tempo apenas, Foles foi 11-11 para 159 jardas 2 TDs, perfeito tanto em rating (158.3) como QBR (99.9). Foles não foi apenas uma peça a ser escondida por um ótimo elenco – ele foi um legítimo ativo para ajudar nessas vitórias e em levar o Eagles ao título da NFC. E com isso fica a dúvida: o que o Eagles pode esperar de Foles para o Super Bowl?

A verdade é que Foles é um QB talentoso mas limitado, que você quer evitar obrigar a fazer demais, mas que quando as coisas estão a seu favor é capaz de executar o que precisa em bom nível. Você não vai confiar nele para colocar o time embaixo do braço e ganhar o jogo sozinho, mas quando você coloca ele na situação certa, ele é capaz de te entregar o resultado. O Eagles tem uma das melhores e mais criativas comissões técnicas da NFL, e eles fizeram um trabalho excelente simplificando o jogo para Foles e colocando ele em situações favoráveis: leituras simples, passes laterais, descidas mais curtas, e bom uso do jogo terrestre.

Curiosamente, o Patriots acabou de vencer um time que também usa seu QB dessa maneira para chegar ao Super Bowl. Blake Bortles não é um bom QB de NFL, mas o time conseguiu sobreviver bem a isso nos playoffs (e boa parte da temporada regular) graças a um ótimo trabalho de jogar nas suas forças e evitar suas fraquezas. No primeiro tempo da Final da AFC Bortles destruiu a defesa de New England simplesmente executando um bom plano de jogo: Jacksonville passou o primeiro tempo inteiro controlando a linha de scrimmage, usando o jogo terrestre e play actions para confundir a defesa, e usando todo tipo de movimento lateral para criar linhas de passes fáceis para Bortles – assim como passes laterais que colocavam seus playmakers em movimento e em campo aberto contra uma um pouco lenta defesa de New England.

E funcionou muito bem: Jacksonville anotou um par de TDs para colocar o placar em 14-3 ainda no primeiro tempo, antes que uma campanha tardia de New England aproximasse o placar para 14-10. Apesar do ocasional bom passe de Bortles, a maioria do estrago foi feito em passes simples e movimentações laterais que a defesa de New England simplesmente não conseguia marcar, e dava aos jogadores do Jaguars valiosas jardas após a recepção. É assim que você quer utilizar um QB tão limitado como Bortles: tire a bola da sua mão rápido, de leituras fáceis, crie linhas de passes limpas, e utilize passes curtos e movimentações que abram espaço para essas jogadas.

Mas New England virou o jogo no segundo tempo com um ajuste bastante simples: aproximou sua defesa ao máximo da linha de scrimmage para tirar essa área do campo do ataque do Jaguars, e desafiou Jacksonville a vencer o time com o braço de Bortles. E ele não foi capaz, e a comissão técnica não acreditou que ele fosse: continuaram insistindo nas jogadas já manjadas que o Pats se ajustou para tirar a eficiência, abandonaram o play action que tão bem funcionou no primeiro tempo, se colocaram em conversões longas… e quando isso aconteceu Bortles simplesmente não foi capaz de acertar os passes que precisava. O ataque começou a passar pouco tempo em campo, New England dominou o relógio, a defesa do Jaguars (a melhor da NFL) cansou pelo desgaste, e Tom Brady foi Tom Brady mais uma vez.

Esse é um bom exemplo do que se esperar como base para Nick Foles na partida de domingo. O Eagles tem feito com sucesso – e melhor – as mesmas coisas para ajudar Foles a brilhar nessa pós temporada, se beneficiando da semana extra de folga na primeira rodada dos playoffs para poder implementar melhor esses ajustes. O time está usando e abusando de screens passes e movimentação na linha de scrimmage para criar esses passes laterais fáceis, e colocar seus playmakers em campo aberto. Quando Foles vai para passes mais difíceis, o time implementou ótimas RPO (Run-pass options) para facilitar as leituras de Foles – jogadas onde normalmente ele só precisa ler um defensor – e tirar a bola da sua mão com velocidade. Estabelecer o jogo terrestre (e New England foi a terceira pior defesa da NFL contra o jogo terrestre, mas parou completamente Fournette no segundo tempo do AFCCG) e encurtar as descidas também tem sido uma parte fundamental do que o Eagles quer fazer: não deixar Foles precisar tomar grandes decisões difíceis ou muito tempo com a bola nas mãos em conversões longas.

É claro, o Patriots vai tentar atacar isso, e provavelmente fará o que também fez com Bortles: aproximar a defesa da linha de scrimmage, tentar tirar o jogo de screens e passes laterais do Eagles, e obrigar Philadelphia a vencer o jogo com Nick Foles em uma posição de protagonismo. Resta ver se o camisa 9 vai ser capaz de se sair melhor que seu colega da Flórida.

Nesse sentido, no entanto, eu acredito que o Eagles tenha três vantagens a seu favor em relação ao Jaguars para que essa estratégia talvez não funcione tão bem a favor de New England. O primeiro é simples: o elenco de apoio do Eagles é melhor do que o do Jaguars, tanto sua linha ofensiva (mesmo sem Jason Peters) como os alvos (em especial os TEs), e isso vai ser um fator importante para ajudar o Eagles a distribuir o peso ofensivo. Parte do motivo que o Pats teve sucesso controlando a linha de scrimmage contra Jacksonville foi porque estavam muito confortáveis colocando marcações individuais nos recebedores do time, e que a linha ofensiva do Jaguars não iria segurar a pressão tempo suficiente para serem castigados. Contra o Eagles, é mais difícil de fazer essa aposta.

O segundo motivo é a criatividade. As jogadas que o Jaguars usou no primeiro tempo para abrir espaços foram muito boas, mas depois dos ajustes ficou um pouco exposto o quão limitado esse repertório era – chegou uma hora que eu (e Tony Romo) já estava cantando as jogadas antes de acontecerem porque chegou num padrão de repetição, que tornou o jogo previsível pra defesa de New England. Faltou repertório, criatividade e variações que mantivessem a defesa do Patriots mais honesta e abrisse os espaços nos momentos críticos. O Eagles, por outro lado, tem uma comissão mais criativa – o HC Doug Peterson e o coordenador ofensivo Frank Reich são gênios ofensivos que mostraram uma variação muito maior de jogadas, para explorar diferentes defensores e diferentes alvos ofensivos, e isso torna mais difícil você estagnar ofensivamente.

E o terceiro é simples: eu acredito que Foles consiga executar esses lançamentos em profundidade e castigar uma secundária melhor do que Bortles. Minnesota – a segunda melhor defesa da NFL – sabia desse plano de jogo, tentou tirar o ataque do Eagles de ritmo da mesma forma que o Pats deve buscar fazer, e Foles simplesmente castigou a defesa com arremesso longo atrás de arremesso longo, alguns verdadeiramente excepcionais. Claro que isso foi ajudado pelos fatores citados antes – o bom elenco de apoio (em especial a linha ofensiva), seu repertório simplificado e a capacidade e criatividade da comissão técnica – mas Foles mostrou capacidade de expandir seu repertório de uma forma que pode tornar a vida da defesa de New England mais difícil.

No final, você não vai mudar o que Foles é. Mas o que o Eagles fez para ter sucesso com seu QB não foi mudar quem ele era, e sim adaptar seu jogo de uma forma melhor para melhor se encaixar no que ele faz bem. Eles fizeram isso à perfeição antes dos playoffs começarem, e foram recompensados com boas atuações (e ótimas vitórias) contra dois times extremamente perigosos. O Patriots é talvez o melhor time da história da NFL expondo as fraquezas dos adversários, e eles tentarão fazer isso com Foles no Super Bowl, mas Philadelphia tem as ferramentas para combater isso de frente e, se Foles fizer sua parte, sair com a vantagem.

Como atacar o New England Patriots

Vencer o New England Patriots não é nada fácil, mas isso não quer dizer que seja impossível. Alguns times já mostraram ao longo dos anos uma “fórmula” que foi seguida por grande parte dos times que tiveram sucesso nessa difícil empreitada.

Claro, saber como ganhar é uma coisa – entrar em campo e executar isso bem é outra totalmente diferente, e mil vezes mais difícil. New England é um dos melhores times criando E executando planos de jogo da história da NFL, e se você quer vencer esse time precisa entrar em campo sabendo o que fazer E executar quando estiver dentro de campo. Por sorte, Philly parece ter as peças para pelo menos no papel realizar esse feito se conseguir seguir alguns pontos:

  1. Colocar pressão com a linha defensiva

Parar New England – ou pelo menos desacelerar o suficiente – passa por segurar o ataque, e isso por sua vez passa por parar Tom Brady. E o melhor – e talvez único jeito – de fazer isso é colocando pressão suficiente no QB de forma a tirá-lo da sua zona de conforto. Se você der tempo e ritmo para Tom Brady no pocket, ele vai te castigar não importa o quão bem você defenda. Acertar e derrubar o camisa 12 é a forma mais eficiente de segurar o ataque de New England, e foi o grande diferencial do Giants nos dois Super Bowls que venceu contra Brady e Belichick. E idealmente você quer fazer isso usando apenas sua linha defensiva, colocando o mínimo possível de ajuda extra de forma a não criar os buracos que o Patriots explora melhor do que ninguém.

Sorte para Philly então que sua linha defensiva é a melhor da NFL colocando pressão nos QBs adversários, uma das mais profundas e dominantes da liga inteira. Brandon Graham, Vinny Curry e Fletcher Cox são legítimas estrelas, e o Eagles vai rodar os três com mais outros excelentes jogadores em Timmy Jernigan, Chris Long (campeão ano passado com New England, aliás) e o calouro Derek Barnnett, uma pressão constante vinda de todos os lados – não tem um jogador nessa linha que não seja uma ameaça para causar estragos. Tom Brady vai usar bastante no-huddles para impedir que a defesa se mantenha fresca com esse revezamento, mas ainda é uma unidade talentosa demais que vai causar estragos. Essa pressão defensiva é o cerne do que faz a defesa do Eagles uma das melhores unidades da NFL, e o que esteve por trás da destruição que essa unidade impôs sobre dois dos melhores ataques da liga, segurando Falcons e Vikings a 17 pontos TOTAIS, com 3 turnovers e 1 TD defensivo.

2. Controlar a posse de bola

Esse é um dos momentos que ataque e defesa na NFL se misturam, mas se você quer parar o ataque do Patriots, a melhor forma que existe é manter o ataque e Brady fora de campo. Para fazer isso, você precisa de duas coisas: controlar o relógio correndo com a bola, e dominar as terceiras descidas.

O ataque terrestre do Eagles não é nada especial – era o décimo melhor da NFL até a lesão de Wentz, e tem sido bem inferior desde então conforme times direcionam mais esforços para a linha de scrimmage sem o candidato a MVP para manter defesas honestas. Hoje ele é basicamente médio (embora tenha aparecido bem contra a fortíssima defesa de Minnesota), mas ele vai precisar aparecer tanto para encurtar as terceiras descidas e fazer o relógio correr.

A aposta aqui é que ele consiga pelo menos ser eficiente contra uma defesa do Patriots que foi a segunda pior pelo chão na temporada regular. New England fez um ótimo trabalho (especialmente no segundo tempo) contendo Leonard Fournette duas semanas atrás, mas já falamos sobre como o Patriots dominou a linha de scrimmage, e como o Eagles pode evitar que isso se repita. Foles vai precisar manter a defesa honesta, e o Eagles sabe que vai precisar correr com a bola e viver de passes curtos que ajudem a controlar o relógio.

O outro aspecto de controlar o relógio, no entanto, é mais favorável ao Eagles: converter terceiras descidas.

Muito do sucesso do Eagles nos últimos dois jogos veio de sua eficiência nas terceiras descidas. Tanto contra Falcons como Vikings o time conseguiu encurtar muito as conversões de 3rd downs da partida, e com isso converteu essas jogadas em um excelente ritmo – especialmente contra o Vikings, que segurou times a uma taxa de conversão de 25,1% na temporada regular, melhor marca da NFL desde 1991, e cedeu 9 das primeiras 11 conversões que Philly teve no jogo. Conversões de terceiras descidas esticam campanhas e garantem mais tempo para o ataque em campo, e se o Eagles conseguir usar o jogo terrestre e os passes curtos para tornar essas jogadas mais favoráveis vai ajudar muito a evitar que o ataque do Patriots crie um ritmo e domine as ações da partida. A defesa do Patriots é abaixo da média (12th pior) segurando essas conversões, o que também deve ajudar o ataque comandado por Nick Foles.

Do outro lado a defesa do Eagles tem números mais favoráveis para evitar que New England coloque em ação as SUAS campanhas ofensivas intermináveis. O Eagles foi o terceiro melhor time da NFL inteira impedindo conversões de terceiras descidas, e muito disso veio do que já foi dito acima, da pressão letal que sua linha defensiva é capaz de colocar nos QBs adversários – espcialmente quando eles ficam em situaçõs óbvias de passe. New England tem bons RBs para usar no jogo aéreo, mas praticamente abandonou um extremamente ineficiente jogo terrestre contra Jacksonville até a corrida final de 18 jardas de Dion Lewis para garantir a vitória. A defesa terrestre do Eagles é consideravelmente melhor que a do Jaguars, e se isso pode ajudar a equipe a forçar o PAtriots a conversões mais longas. Se isso acontecer, aumenta consideravelmente as chances do Eagles sair com a vitória.

Um exemplo disso pode ser visto novamente no jogo entre Pats e Jaguars: a história do primeiro tempo foi que o Jaguars manteve suas campanhas longas vivas com corridas e passes curtos, controlando o relógio e pressionando Brady do outro lado do campo. Quando o Jaguars parou de conseguir controlar a linha de scrimmage, se viu colocado em terceiras descidas longas e elas pararam de vir, foi o Patriots que cansou a fortíssima defesa de Jacksonville com campanhas longas. E o resto é história.

3. Ganhar a batalha das posições de campo

Um dos segredos do Patriots: eles exploram TODAS as vantagens possíveis de se obter em um campo de futebol americano, dedicando uma atenção aos detalhes espetacular em qualquer face do jogo e tentando adquirir uma vantagem competitiva em cada uma delas. Um exemplo é a famosa história de como o Patriots foi o time que durante a era Belichick usou quase exclusivamente punters canhotos como titulares, muito antes do resto da NFL adotar essa tendência, pois a forma de rotação da bola é diferente em chutes canhotos e isso atrapalha os adversários, tornando a bola mais difícil de ser pega e aumentando fumbles, dando assim ao time uma pequena vantagem nas jogadas de punt em relação ao “normal” (e talvez porque punts canhotos teriam um benefício adicional do padrão de vento do Gillete Stadium). É um exemplo do que faz do Patriots tão bom: sempre procurar e estar à frente do resto da NFL nessa busca por pequenas vantagens, e a atenção aos detalhes para maximizar cada aspecto possível do jogo.

E um ponto do sucesso do Patriots que acaba passando desapercebido é sua eficiência controlando a batalha pela posição de campo. Mais especificamente, jogar de forma a sempre começar suas campanhas ofensivas na melhor posição possível, enquanto força os adversários a começar a campanha o mais atrás possível. Esse ano, o Patriots teve com folga a melhor posição de campo para sua defesa – seu maior ponto fraco – iniciar campanhas: adversários começaram a campanha em média da linha de 24,3 jardas do próprio campo, 4,3 superior à média da NFL de 28,6. E se você acha 4 jardas pouco, considere que ao longo de 194 campanhas que a defesa do Pats enfrentou (tirando ajoelhadas), isso soma um total de 843 jardas (!!!!!!) adicionais que os adversários tiveram que percorrer contra New England, mais de 50 por jogo. É uma grande diferença e uma grande ajuda para a defesa vindas de uma coisa que, a principio, parece tão pequena.

Para o Eagles e sua interrogação na posição de QB é fundamental que ele limite que o Patriots desequilibre o jogo com a posição de campo. E se o Eagles não consegue ter uma vantagem nisso através dos seus especialistas – o Eagles foi um time médio em special teams, enquanto o Patriots foi o terceiro melhor da NFL – ele vai ter que fazer isso de outras maneiras.

A primeira e mais complicada, claro, é um pouco do que foi falado acima: sustentar campanhas mais longas e converter terceiras descidas, para que caso seja obrigado a ir para o punt você pelo menos possa colocar o adversário com as costas na parede, e do outro lado limitar as campanhas longas e conversões. Disso já falamos antes.

Mas tem um aspecto onde o Eagles pode levar vantagem, ou pelo menos um lugar importante para evitar uma desvantagem: turnovers.

Durante a temporada regular, o Patriots foi o segundo time que menos cometeu turnovers, com 12. É um time que cuida muito bem da bola, e considerando que turnovers costumam ser uma fonte importante de boas posições de campo, não é de surpreender que um time com tão poucos TOs tenha sempre dado boas posições de campo para a defesa. E se o Eagles quer desequilibrar a batalha pela posição de campo, ou pelo menos evitar que o problema fique maior, turnovers serão parte importante da batalha.

A boa notícia é que se o Patriots é um time muito bom evitando turnovers, o Eagles é um time muito bom forçando-os. Philadelphia foi o terceiro time que mais forçou turnovers na NFL inteira, resultado da excelente pressão da sua linha defensiva, vários strip sacks  e de uma secundária muito agressiva que não perdoa erros. Contra o Vikings, o terceiro time com menos TOs da temporada, o time conseguiu usar essa pressão para forçar 3 turnovers, sendo dois deles um lançamento desastroso sob pressão de Case Keenum que resultou em uma pick six, e um sack-fumble de Derek Barrnett (ironicamente, o jogador que o Eagles selecionou com a 1st round pick que o Vikings mandou por Sam Bradford) – dois lances que acabaram sendo decisivos para a partida. Se o time conseguir usar essa mesma força defensiva para forçar New England entregar a bola e se manter no positivo na batalha dos turnovers já vai ser um passo enorme dado para equilibrar as coisas, e até mesmo vencer o jogo.

E caso não consiga – ou especialmente se conseguir – forçar turnovers na defesa, é essencial que o time não facilite as coisas para New Englanda dando presentes do outro lado. O aproveitamento de Foles com interceptações na carreira não é dos piores (2,1%, embora bastante abaixado por aquele ano fora da curva com Kelly), mas ele ainda é um jogador que teve seus anos bem ruins no quesito e tende a entrar em pânico quando sob pressão no pocket. Tudo que foi escrito sobre ajudar Foles a jogar seu melhor se aplica aqui também para evitar esses custosos turnovers: evitar pressão, evitar conversões longas, e manter a defesa honesta rumo a passes fáceis, rápidos e leituras simplificadas é uma forma de jogar um futebol eficiente e seguro, evitando expor Foles a situações de risco. Por sorte New England não é uma boa defesa forçando esses turnovers: foi a sétima pior da NFL no quesito, e suas deficiências no pass rush (contra uma ótima linha ofensiva do Eagles) podem ajudar bastante Philadelphia a se manter do lado certo dessa batalha pelos TOs.

Conclusão

New England entra como franco favorito no Super Bowl, e não é a toa. Nós já vimos New England aqui antes, nesse cenário, muitas vezes, e conhecemos bem demais sua capacidade de adaptação, seu bom preparo, e sua qualidade pura. Nós vimos Brady e Belichick vencerem jogos favoráveis, e virarem jogos desfavoráveis antes. Tom Brady e Bill Belichick é a dupla mais vencedora da história da NFL. Eles fizeram por merecer a confiança, de novo e de novo.

Mas esse jogo está bem longe de ser uma barbada para o Patriots, como alguns gostam de pensar. New England teve enormes problemas com Jacksonville, um time que de certa forma é uma versão piorada do que esse time do Eagles é hoje sem Carson Wentz, e o Eagles mostrou contra Minnesota o quão grande é o erro de subestimar o que esse time é capaz de fazer. É um time motivado, completo e extremamente bem treinado que pode ter vencer de diferentes maneiras.

New England é, com Tom Brady, um time melhor do que o Eagles sem Wentz. Mas o Eagles provavelmente é um matchup melhor em como encaixa com New England do que o contrário, e se Brandon Graham e Fletcher Cox conseguirem repetir o que fizeram Justin Ticker, Osi Umenyiora, Michael Strahan e Jason Pierre-Paul nos Super Bowls de 2007 e 2011 o time pode muito bem tornar a vida de Brady um inferno para sair com a vitória. É um time que tem as peças para surpreender o Patriots, e com um bom plano de jogo e boa execução, atacando e vencendo os pontos destacados anteriormente, tem tudo para fazer uma boa partida e bater de frente com o poderoso time de New England.

Nós já vimos, claro, New England vencer jogos contra essas situações. Mesmo que o time não tenha o matchup favorável no geral, esse é um time melhor que qualquer outro em criar ele mesmo um matchup para explorar, e dai atacar ele até a morte. O Patriots tem um ataque fantástico, e vão atacar Foles repetidamente nessa partida. Tem sempre a chance de que vá ser esse o jogo que Foles volta a ser uma abóbora, lembrando seus piores dias.

Mas está longe de ser uma garantia, e ambos os times sabem bem disso. O Eagles está pronto. New England também estará. É briga de cachorro grande, e tudo que nos resta agora é sentar, ligar a TV, juntar os amigos, e apreciar aquele que promete ser mais um ótimo Super Bowl.

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