A vida sem DeMarcus Cousins

Boogie
Foto: Gerald Herbert, AP.

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Conforme Janeiro se aproximava do seu fim, o New Orleans Pelicans enfim parecia ter motivo para otimismo em sua conturbada história. O time estava talvez jogando seu melhor basquete da temporada, em uma excelente sequência de 12 vitórias e 5 derrotas desde 22 de dezembro para atingir a marca de 27-21, sexta melhor campanha do competitivo Oeste. Anthony Davis, sua maior estrela, estava tendo a melhor temporada da carreira inteira. E talvez mais importante, sua grande aposta do ano passado, a troca por DeMarcus Cousins parecia que estava sendo um grande sucesso: o complicado pivô estava também jogando o melhor basquete da vida, sendo eleito como titular para o All Star Game com incríveis médias de 25 pontos, 13 rebotes, 5,4 assistências, 1,6 roubos e 1,6 tocos e liderando o time em bolas de três pontos (com 35% de aproveitamento) – números surreais para qualquer jogador imaginável, muito mais para um pivô. Depois de algumas oscilações no início do ano, New Orleans parecia ter encontrado seu melhor basquete e enfim engrenado rumo à tão sonhada vaga na pós-temporada… e, talvez, para fazer um pouco de barulho nos playoffs.

Esse otimismo pareceu ir do céu à terra no que deveria ser um momento de coroação do bom momento do Pelicans: nos instantes finais de uma impressionante vitória por 115 a 113 sobre o poderosíssimo Houston Rockets (a primeira do Rockets em 21 jogos com Capela, Paul E Harden jogando), Cousins sentiu o pé, e foi carregado de quadra incapaz de apoiar o pé no chão. Em pouco tempo, um diagnóstico preliminar e a confirmação logo vieram: tendão de Aquiles rompido, e Boogie fora da temporada. Simples assim, todo aquele bom momento do Pelicans pareceu ser jogado pela janela, e deixou o time procurando novas respostas no pior momento possível.

Um ano atrás, quando o Pelicans trocou Buddy Hield e sua escolha de primeira rodada (eventualmente #10, Zach Collins, que o Kings trocou pelas escolhas #15 e #20, Justin Jackson e Harry Giles) por DeMarcus Cousins, o Pelicans estava fazendo uma aposta ousada. Não apenas no talento de Boogie e sua fama de problemático, mas também em um estilo de jogo que parecia destoar de tudo que a NBA vinha fazendo ultimamente. Em um momento que o basquete parecia caminhar cada vez mais para times mais baixos e rápidos, com um jogo orientado para o perímetro e as bolas de três, o Pelicans tomou a direção contrária e montou seu time ao redor de dois jogadores de garrafão gigantes que fazem seu maior estrago perto do aro – exatamente o que, em teoria, você deveria evitar na “nova NBA”.

Claro, não é como se o Pelicans tivesse tido muita escolha. New Orleans era um time bastante estagnado, com uma legítima superestrela em Davis mas muito pouco ao seu redor, fruto de anos de má gestão, contratos ruins e trocas piores, e escolhas de Draft jogadas fora. Para um time preso no famoso purgatório da NBA – não bom o bastante para brigar por algo nos playoffs, não ruim o bastante para ter escolhas altas de Draft – e com uma situação salarial estrangulada, o Pelicans parecia preso em uma situação ruim, e destinado a perder sua estrela conforme seu contrato fosse chegando ao fim, incapaz de montar um time competitivo suficiente para convencer Anthony Davis a ficar na Louisiana. Então quando uma estrela ficou disponível no mercado por um preço abaixo do normal – e portanto acessível aos escassos recursos que o Pelicans possuía – o time não teve escolha senão assumir o risco e realizar a troca. Era sua única chance de conseguir outra estrela e tentar mudar o patamar do time. Primeiro New Orleans precisava apostar no talento da forma como pudesse conseguir – o encaixe viria depois.

E depois de um período de adaptação – incluindo a reta final da temporada passada – o encaixe desse time parecia aflorar. Com Cousins e Davis, o Pelicans conseguia manter uma estrela sempre em quadra a qualquer momento que quisesse, e uma delas teria o benefício de dominar contra reservas. E quando jogavam juntas, a adaptação de Cousins como jogador ajudou bastante a fazer funcionar a combinação. Boogie começou a jogar mais fora do garrafão, e assumir uma função mais de criador e passador. O camisa 0 está chutando bolas de três no maior ritmo da carreira (6.1 por jogo) e acertando um bom número delas (35,4%), e está dando 60 passes por jogo,  a maior marca da carreira e um grande aumento em relação aos 49 passes por jogo do ano passado e os 41 de 2016. Cousins também está com a maior média da carreira em assistências com 5,4 por jogo (e turnovers, com surreais 5 por jogo). Então é inegável o quanto Cousins está adaptando e evoluindo seu jogo para fazer o encaixe com Davis funcionar, e a capacidade das duas estrelas do time de jogarem no perímetro tem sido ingrediente chave para que essa combinação não tradicional desse tão certo. Em alguns momentos na temporada, era possível ver Alvin Gentry chamando jogadas normalmente usadas com armadores, só que quando você ia ver quem estava executando era Davis e Cousins – o que dava um nó no cérebro de muitas defesa.

Ainda assim, quando você analisa o impacto de diferentes jogadores – e combinações de jogadores – no time do Pelicans você começa a questionar um pouco a eficiência da dupla. E, se você está procurando um motivo para ficar otimista que New Orleans talvez possa sobreviver melhor do que o esperado a ausência de Cousins, esse é um bom lugar para começar.

O Pelicans quando Davis e Cousins jogam juntos em quadra tem Net Rating (saldo de posses a cada 100 posses de bola) de +4,1, que seria #5 na NBA inteira, logo atrás do Boston Celtics (+4.4) – uma ótima margem que mostra como o time tem jogado bem com a dupla em quadra. No entanto, existe vários sinais indicando que esse sucesso tem mais a ver com Davis do que Cousins: quando Boogie sai de quadra, e Davis joga sozinho no garrafão, o time dificilmente sente a falta do seu pivô. Na verdade, o time é até um pouco melhor, com Net Rating de +4,3 quando Davis está em quadra e DMC não. Pegando a formação contrária – quando Cousins joga sem o Unibrow em quadra – o time imediatamente despenca, com Net Rating de – 2,4, que seria o sétimo pior da NBA, um pouco à frente do Los Angeles Lakers.

Quando Davis joga sem Cousins, sua eficiência cai consideravelmente (58 FG% contra 50 FG%), mas todo o resto do jogo de Davis se abre com menos restrições. O monocelha favorito da NBA bate 3 lances livres por 36 minutos a mais, pega 5 mais rebotes e, talvez mais importante, assume as funções de armação de jogo de Cousins com uma eficiência muito maior: Davis tem média de 4,4 assistências por 36 minutos com metade dos turnovers, o que se reflete nos números coletivos do Pelicans. Quando Cousins está em quadra, New Orleans é o terceiro time da NBA inteira que mais perde a bola para os adversários; quando Cousins está fora, é o terceiro time que MENOS comete turnovers, o que significa mais arremessos dados e menos transição e pontos fáceis para o adversário, especialmente quando você considera que Boogie é um dos mais preguiçosos defensores de contra ataque da NBA, alguém que fica reclamando com o juiz e anda de volta para a defesa enquanto o adversário joga 5 contra 4 no ataque. Sem Cousins, o time simplesmente coloca a bola na mão do seu melhor jogador, abre o garrafão, e deixa Davis causar estragos em cima de pobres defensores. O talento em quadra pode ser menor, mas ele faz mais sentido juntos, e o time não sente a falta do camisa 0.

Então é possível imaginar um cenário onde o time ao redor de Anthony Davis continue funcionando bem mesmo sem Cousins. Isso se da, em parte, por causa dos acertos que a diretoria do Pelicans enfim conseguiu com seu elenco de apoio, que talvez seja o melhor que Davis já teve – se não em talento bruto, mas na forma como as habilidades desses jogadores se encaixam. Jrue Holiday, depois de um começo ruim de temporada, vem tendo uma excelente temporada, mais adaptado a jogar sem a bola, defendendo em altíssimo nível (ele está na conversa para DPOY) e tendo médias de 19-5-5. Darius Miller, a aquisição vinda da Alemanha que passou muito embaixo do radar, está chutando 42% de três pontos e mostrando um jogo completo e versátil. E’Twann Moore, eternamente underrated, é um ótimo defensor que está chutando 52% de quadra e 43% de três. Mesmo Dante Cunningham, um jogador nada espetacular, tem sido bastante sólido para o Pelicans vindo do banco.

No papel, é exatamente o tipo de role players que você quer para jogar ao lado de Anthony Davis: vários bons defensores longos e versáteis, capazes de jogar sem a bola e espaçar a quadra no ataque, trocar a marcação e controlar as infiltrações do lado defensivo. Lineups com Davis, Miller, Moore e Holiday (e sem Cousins) juntos em quadra estão +39 em 73 minutos, per NBA Stats. Com esse elenco ao redor de um Davis cada vez melhor dos dois lados da quadra, o Pelicans provavelmente vai conseguir sobreviver bem nesses minutos com sua estrela em quadra.

Mas tem momentos que um bom encaixe e um basquete bem jogado simplesmente vão estagnar e não vão encontrar um ritmo, e é ai que o talento pesa. Quando as bolas de Moore e Miller não estão caindo e as defesas estão dobrando demais a marcação em Davis, quando tudo fica estagnado do lado ofensivo, você precisa de um jogador capaz de criar algo sozinho a partir do nada, e ai que Cousins vai fazer falta. Davis consegue dar conta do recado muitas vezes, mas ter um segundo jogador em quadra capaz de abaixar a cabeça e empurrar defensores até o aro para uma cesta fácil, ou criar um passe a partir do nada, é o que vai manter seu ataque vivo nos piores momentos enquanto os role players “certinhos”, mas menos talentos, voltam a se estabelecer. Isso é especialmente verdade na pós temporada, quando defesas costumam apertar, o ritmo de jogo cair, e fica mais difícil vencer as melhores defesas da liga apenas na base de um bom elenco de apoio. Com Cousins e Davis, o Pelicans era um time que ninguém iria querer enfrentar nos playoffs por conta do talento bruto e da capacidade do time de dominar o garrafão nos seus melhores dias. Sem Cousins, o teto desse time cai consideravelmente.

E também tem o seguinte: o Pelicans se mantém perfeitamente bem sem Cousins e despenca sem Davis, o que é um indicador de que Davis é uma força motriz maior por trás do sucesso do time. Ele é mais capaz de manter o time atuando em altíssimo nível do que Cousins, uma das coisas que me faz achar Davis um jogador superior. Mas pense agora nisso: se o Pelicans sem Davis – um dos 8 melhores jogadores da NBA – despenca mesmo com um pivô nível All-NBA em quadra, o quão ruim o time vai ser nos minutos sem Davis E sem esse ótimo pivô em quadra? New Orleans tem feito um bom trabalho separando os minutos das suas estrelas e minimizando os minutos que passa sem nenhum dos dois em quadra, mas nos 179 minutos que jogou sem nenhuma das duas estrelas em quadra o Pelicans tem um horrendo Net Rating de -11,7, que seria pior que o Kings por uma grande margem. Parte disso é efeito de garbage time, mas ainda assim tanto os números como o teste visual nos dizem que o Pelicans é um time horroroso sem Davis ou Cousins para ancorar seu limitado elenco e ser o foco da criação E finalização das jogadas da equipe. Embora a qualidade do time caísse muito sem Anthony Davis, o Pelicans só conseguia se manter acima da água nesses minutos porque tinha uma estrela em Cousins para assumir a responsabilidade, pontuar feito louco e carregar o time nesses minutos. Agora, com a lesão do camisa 0, o time vai precisar jogar esses minutos, sempre, SEM essa presença dominante para ajudar. Da para ter uma noção de quão ruim esse time vai ser nesses momentos? O que antes era um buraco pequeno vira agora um buraco imenso do qual o time vai ter constantemente que sair quando Davis estiver em quadra, e para um time que já operava em uma margem de erro bem pequena essa pode ser a diferença entre uma 6th seed e ficar fora da pós-temporada mais uma vez.

O outro problema é que só porque um time pode jogar melhor (ou se manter melhor) quando um certo jogador está no banco, não quer dizer que esse time vá conseguir sobreviver sem esse jogador. Existe todo um efeito de ondas que vão afetando o time indiretamente. O Lakers aprendeu isso com Lonzo Ball: o time jogava melhor SEM Lonzo Ball em quadra por uma boa margem, mas quando o calouro ficou de fora com uma lesão o time viu seu coletivo piorar, e não era porque Ball estivesse jogando muito bem ou fosse essencial para a equipe – é que a lesão de Ball forçou o Lakers a preencher seus minutos com jogadores piores e que não estavam prontos devido à sua falta de profundidade, e isso gerou todo tipo de mudanças nas rotações e lineups que atrapalhou a forma de jogar do time (embora, para ser justo, o calendário provavelmente foi um fator enorme nisso: das 10 derrotas do Lakers sem Lonzo Ball, 8 vieram contra times de playoffs).

O mesmo problema vai assombrar o Pelicans sem Cousins. New Orleans, embora tenha visto seu elenco de apoio melhorar esse ano, ainda é um time extremamente raso e com pouquíssimas opções entre os jogadores atualmente no fim da rotação para ganhar mais minutos – e minutos que contribuam. Imagino que o Pelicans tentará jogar com formações mais baixas e de mais minutos para caras como Cunningham, Miller ou Ian Clark, mas se precisar dar mais minutos para caras como Omer Asik eles estarão em péssimos lençois.

A verdade é que o Pelicans simplesmente não tem a profundidade para lidar com uma lesão para um jogador tão importante, e isso por sua vez vai forçar alguns ajustes de rotação que podem impedir o time de maximizar seus talentos: a falta de Cousins para criar ataque sozinho nos minutos sem Anthony Davis pode forçar o técnico Alvin Gentry a colocar mais Jrue Holiday para comandar o show durante esse tempo, o que vai fazer com que a dupla Holiday-Davis (que tem destruído times quando joga junta, +6.3 Net Rating) passe menos tempo em quadra. Talvez isso aumente os minutos de Rajon Rondo, alguém que apesar de bons números superficiais tem feito do Pelicans HORRÍVEL (-5,3 Net Rating com Rondo, pior marca do time) quando está em quadra. Talvez isso force a diretoria do Pelicans a buscar uma troca, o que pode minar ainda mais as já muito escassas reservas de valor da franquia.

O Pelicans está hoje apenas 2 jogos na frente do Clippers, nono colocado do Oeste, e que inclusive venceu New Orleans domingo a noite. Com a briga pelo fundo dos playoffs do Oeste enfim virando a disputa que se imaginava antes da temporada, uma queda mesmo que pequena do Pelicans pode significar a perda da vaga – uma parte importante do seu projeto para convencer Cousins a renovar com a franquia e para manter Davis na cidade.  Uma pequena escorregada agora pode comprometer os planos do time no curto e longo prazo, enquanto o relógio da free agency de Anthony Davis continua correndo.

(O Pelicans pode ter dado um golpe de sorte com a troca de Blake Griffin para o Pistons, que pode indicar que um dos principais concorrentes pela 8th seed no Oeste – Clippers – estaria pensando em desistir da briga pela pós temporada, mas ainda é cedo demais para dizer o que essa movimentação significa para o resto da temporada de Los Angeles.)

E além dos desastrosos efeitos que essa lesão tem sobre a temporada 2018 do Pelicans ela também trás um número igual de problemas e interrogações sobre o futuro da franquia. Cousins tem um contrato expirante esse ano, e a intenção explícita da diretoria de NOLA desde o começo era assinar o pivô para uma extensão, mas sempre existiu um risco de que o pivô simplesmente decidisse sair e deixasse a franquia de mãos abanando. Havia a possibilidade de que o Pelicans, caso a temporada não corresse bem e ficasse claro que Cousins não renovaria, pudesse trocar o pivô antes da trade deadline e assim recuperar pelo menos parte do que foi pago, para não ficar de mãos abanando e perder o jogador por nada. Com a boa relação de Cousins com o time e o sucesso da equipe em quadra, essa opção foi deixando de existir, e o consenso era de que o time manteria o camisa 0 e tinha boas esperanças de renovar seu contrato ao final do ano.

A lesão de Boogie mudou completamente esse panorama. Agora o Pelicans não só não tem mais a opção de trocar Cousins, como também está na complicada situação de precisar oferecer um contrato a alguém vindo de uma das piores lesões que a NBA tem. Lesões no tendão de Aquiles recentes na NBA incluem Kobe Bryant, Elton Brand e Wesley Matthews – nenhum deles jamais foi o mesmo depois da lesão, e para um jogador grande como Cousins os efeitos da lesão tendem a ser ainda piores.

Em outras palavras, não existe nenhuma garantia de que Cousins volte a ser o mesmo depois dessa lesão, e o histórico da NBA na verdade é o oposto. Então agora o Pelicans precisa decidir se quer mesmo assumir esse risco e assinar um contrato longo e talvez máximo com Boogie vindo de uma lesão dessas, o que seria um grande all-in da franquia, tirando completamente sua flexibilidade em movimentos futuros para construir ao redor de Davis antes do fim do seu contrato e apostando todas as fichas de que Cousins pode valer seu contrato ou pelo menos jogar bem o suficiente para ser uma moeda de troca.

E o maior problema é que New Orleans provavelmente não tem nenhuma opção aqui além de se esforçar para manter Cousins. Mesmo se deixarem o pivô ir embora, New Orleans ainda tem 92 milhões em salários já comprometidos para 2019 para apenas 8 jogadores (contando o contrato não garantido de Darius Miller) contra um salary cap projetado de 101 milhões, o que significa que o time mesmo assim não teria dinheiro nenhum para ir no mercado contratar um jogador que fizesse a diferença ou mudasse o time de patamar. O Pelicans tomou sua decisão de onde apostar todas suas fichas quando trocou duas escolhas Top10 (Hield e a 1st round pick futura) por Boogie ano passado, e sem a chance de sair da aposta no meio através de uma nova troca de Cousins, renovar com o pivô é a única opção possível para a sobrevivência do Pelicans.

O time poderia tentar usar a lesão de Cousins para negociar um contrato menor, de forma a diminuir o risco de pagar um contrato máximo para um pivô vindo de uma lesão grave no tendão de Aquiles, mas mesmo isso envolveria um risco considerável – outros times da NBA (dois nomes que se escutava antes da lesão eram Mavs e Lakers) estarão de olho no pivô quando virar agente livre, e se o Pelicans não oferecer o máximo, alguém pode oferecer e deixar New Orleans de mãos abanando. Uma alternativa para o Pelicans seria oferecer um contrato máximo de um ano para ver como Boogie volta da lesão antes de se comprometer em algo maior e mais longo, mas é incerto se Cousins e seu agente aceitariam um contrato desses, especialmente vindo de uma lesão séria – jogadores assim costumam preferir opções que lhes de mais segurança no médio prazo – e novamente deixaria o Pelicans à mercê de perder o jogador por nada caso outro time ofereça uma opção melhor. Apesar da lesão, Cousins ainda parece estar com a força das negociações.

Existe uma chance de que o mercado por Cousins não se materialize e isso acabe favorecendo o Pelicans a reter seu talento com um contrato menor, ou então o pivô simplesmente queira ficar em New Orleans e Dell Demps consiga usar isso para negociar um contrato melhor. Mas essa é uma péssima situação para estar, vendo sua grande aposta de alto risco aumentar o risco no momento que o resultado finalmente começava a aparecer. Mas a não ser que o Pelicans decida que quer enfim trocar Anthony Davis – e Danny Ainge está colado na janela de Demps esperando esse dia – eles não tem escolha a não ser seguir esse caminho até sua conclusão, e o caminho passa por trazer Boogie de volta e torcer pelo melhor.

E talvez esse caminho de certo. Talvez o basquete que o Pelicans vinha mostrando no último mês era realmente um sinal das coisas boas que podem vir pela frente, Cousins voltará em 2018/19 como a estrela em ascensão que era em 2017/2018, e New Orleans possa voltar a sonhar em continuar o que foi interrompido por essa infeliz lesão no Aquiles de Boogie. Talvez isso seja suficiente para fazer Anthony Davis renovar o contrato em 2020. Mas com a lesão, esse cenário – o cenário dos sonhos para New Orleans e que motivou basicamente tudo que a franquia fez nos últimos 18 meses e fará nos próximos – de repente ficou muito mais incerto e nebuloso. As vezes na NBA para ter sucesso você precisa ser competente E dar sorte – o Pelicans se colocou num buraco porque não teve o primeiro, e a falta do segundo pode ter jogado uma pá de cal nos planos da franquia.

Mas acima de tudo a lesão é extremamente cruel para o próprio Boogie Cousins, que passou seus anos formativos na situação mais tóxica e incompetente da NBA em Sacramento, jogando em times horríveis e para uma rotação de técnicos digna de um reality show. Cousins sem dúvida merece parte do “crédito” pelo péssimo ambiente em Sacramento, mas o Kings nunca fez nada minimamente aceitável para ajudar sua estrela ou resolver sua situação, e parecia que um dos maiores talentos da NBA iria passar a grande parte da sua carreira afundando nesse pântano tóxico que era a franquia. Agora Boogie enfim consegue sair para um ambiente novo e melhor, estava jogando seu melhor basquete com o melhor companheiro (Davis) e melhor time que já teve, encaminhado para enfim realizar seu sonho de jogar nos playoffs, e tudo isso pode ter sido jogado por terra por mero acaso.

As vezes é fácil demais esquecer, quando assistimos a basquete, que aqueles jogadores são seres humanos com seus próprios sentimentos e vidas, mas o lado humano está sempre presente, e eu não consigo imaginar como Cousins – alguém que viu e viveu de perto demais o pior da NBA – está se sentindo nesse momento. Espero que Boogie possa voltar o quanto antes para as quadras e retomar sua trajetória dentro do basquete.

As estatísticas e dados dessa coluna vieram dos seguintes sites: Basketball Reference, NBA Stas, Cleaning the Glass, Synergy Sports, Spotrac, ESPN Stats and Info.

One comment

  1. Ao meu ver, as chances de playoffs acabaram pro Pelicans com a lesão do Cousins. Inclusive, o time perdeu os dois jogos seguintes (Kings incluso) e eu não vejo como manter o nível de atuação anterior sobrecarregando Davis e Holiday.

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