Sete Segundos ou Menos – 26/01

Kemba
Fonte: Nell Redmond, AP.

O TM Warning está de volta, em uma nova casa, novo endereço e novo formato, e veio para ficar! E você pode nos ajudar a manter o site vivo e funcionando se tornando um assinante, e ajudando não só o TM Warning a sobreviver, como a melhorar e expandir cada vez mais o seu conteúdo!

O conteúdo do site será 100% aberto para todos durante um mês, até 18/02, quando parte dele – apenas uma parte – será fechado para nossos assinantes. Então não perca tempo e torne-se um assinante para ter acesso a todo nosso conteúdo!

Ou, se preferir,  leia tudo por trás da mudança na nossa coluna de inauguração, e saiba como esse novo site vai funcionar!


A coluna Sete Segundos ou Menos” é uma homenagem ao famoso Seven Seconds or Less, o estilo de jogo do Phoenix Suns sob o comando de Mike D’Antoni nos anos 2000 que revolucionou para a sempre a NBA – e nos deu alguns dos mais divertidos times de todos os tempos.

A ideia da coluna é, ao invés de tratar de um único assunto extensivo, tratar de vários assuntos menores, assuntos que não valem uma coluna sozinhos mas que ainda assim são pontos que eu gostaria de discutir. É uma versão basicamente com mini-colunas, condensada em uma só.

E também, claro, é uma desculpa para poder postar vídeos do meu jogador favorito de todos os tempos, Steve Nash. Como por exemplo esse lindo passe para a enterrada do Robin Lopez (destaque para o corte final para a direita antes do passe, de forma a atrair a marcação e abrir o caminho de Lopez até a cesta).

Vamos a isto.

  1. Kemba Walker no mercado

Em meio a uma semana das mais malucas da NBA nos últimos tempos – envolvendo brigas no vestiário do Cavs (pobre Kevin Love), brigas no Wizards, reportagens de que Kawhi Leonard estaria insatisfeito em San Antonio, Damian Lillard pedindo um encontro com o dono do Blazers, Jason Kidd sendo demitido (coluna a respeito semana que vem!), e até relatos de que Dan Gilbert estaria procurando vender o Cleveland Cavaliers (espero que em Comic Sans) –  uma das noticias mais interessantes que acabou ficando em segundo plano foi a notícia de que o Hornets estaria buscando uma troca para seu armador, Kemba Walker.

Embora possa causar estranheza à primeira vista que o Hornets esteja buscando trocar seu melhor jogador, é um movimento que faz bastante sentido. Charlotte, apesar das boas expectativas entrando na temporada, foi uma das grandes decepções do começo do ano, abrindo a temporada 2018 com 11-21 nos seus primeiros 32 jogos e parecendo cada vez mais longe da pós temporada. Ainda que uma boa sequência recente (incluindo 7-5 nos últimos 12 jogos) tenha tirado o time do fundo do Leste e devolvido a franquia para a briga pelos playoffs (4 jogos atrás da oitava vaga), a verdade é que o Hornets está talvez no pior lugar possível da NBA, um time de loteria que (graças à boa sequência recente) não é ruim o bastante para pegar os melhores jogadores do Draft – e não tem boas perspectivas de mudar de patamar.

Charlotte não só não tem um bom time hoje como também não tem muitos meios para adquirir os jogadores que poderiam causar uma grande mudança. Para um time na loteria, Charlotte tem uma folha salarial bizarramente alta: 117,3 milhões de dólares, mais de 18 milhões acima do teto salarial da NBA e apenas 1,7 milhões abaixo da “luxury tax“, o temido ponto na NBA onde os times começam a pagar multas salariais cada vez mais pesadas. E para piorar, o time está preso nessa péssima situação pelos próximos anos, pois seus maiores (e piores) contratos ainda tem mais anos pela frente: Dwight Howard (2 anos), Batum (4 anos), Marvin Williams (4 anos), Michael Kidd-Gilchrist (4 anos), e por ai vai. Hoje, o time já está projetado para entrar em 2018/19 17 milhões acima do teto.

E o Hornets também não está em uma situação de conseguir talentos por outras formas. Sua posição no Draft, embora na loteria, dificilmente vai dar acesso aos melhores jogadores – vai ter que acertar em cheio no meio da loteria, o que o time não tem tido muito sucesso fazendo. O time ainda tem alguns jogadores relativamente jovens, mas o único que parece ter potencial para desenvolver em algo a mais é a escolha #11 desse ano, Malik Monk, que aliás tem sido bastante decepcionante em seu primeiro ano de NBA. Charlotte não tem escolhas extras de Draft, e não é um time com bons ativos para buscar uma estrela por troca caso chegue ao mercado.

É uma situação muito ruim de estagnação (e, para piorar, extremamente cara) que não mostra um bom futuro para o Hornets. Então a ideia é bem simples: usar talvez seu único ativo realmente valioso, Kemba Walker, para tentar conseguir mudar essa situação – usando Kemba para descarregar junto um contrato caro e aliviar o salary cap, conseguir adquirir algum jovem talento para desenvolver para o futuro, ou ambos. No papel, faz sentido: você não está ganhando nada com Kemba, então usa o armador para melhorar sua perspectiva e dar um caminho claro a ser seguido. Mesmo chocante por Kemba ser um dos jogadores mais icônicos da história da franquia e um favorito da torcida, é perfeitamente compreensível e até acertado que a diretoria pelo menos explore cenários de troca envolvendo o jogador.

E Kemba Walker é um ótimo jogador (e muito subestimado), um armador de nível All-Star (teria ido se Charlotte tivesse campanha melhor) capaz de comandar um ataque, criar o próprio arremesso e chutar a partir do drible (38 3PT% nos últimos 3 anos) e ser uma peça importante em um bom time. Kemba tem médias de 22 pontos, 6 assistências e 4 rebotes na temporada, e Charlotte simplesmente implode sem seu armador em quadra: Charlotte joga num nível Top5 da NBA (+5,6 Net Rating) com Kemba Walker em quadra, e despenca para um time pior que o Kings (-12,0 Net Rating) com ele no banco. Parte disso é pela falta de opções decentes para substituir Kemba vindo do banco, mas ainda diz muito sobre sua capacidade de desmontar defesas e carregar um time.

Ainda assim, Charlotte vai descobrir que é mais difícil trocar Kemba do que pareceria à primeira vista. E o principal motivo é que Kemba Walker simplesmente joga na posição mais repleta de talento (especialmente entre os grandes times) da NBA, e não tem tantos times assim que fariam grandes sacrifícios para pegar mais um armador. A questão da posição já limita muito o mercado de Kemba – os times que surgem à cabeça que estão brigando pelos playoffs e precisam de um armador são poucos, e nem todos eles possuem os tipos de ativos que o Hornets vai pedir em retorno.

E para piorar, parece que o Hornets não só quer um bom retorno por Kemba, mas como parte do acordo também quer se livrar de um contrato ruim – provavelmente Dwight, Batum ou Marvin Williams. Isso também serve para apertar muito o mercado porque, em um momento onde o salary cap não cresceu como esperado e espaço salarial começa a ser cada vez mais valioso, são poucos os times que vão dar os ativos E aceitar esse encargo a mais para adquirir um jogador da posição mais abundante na NBA.

San Antonio parece a opção mais interessante no papel, que precisa de um armador com a velhice de Tony Parker (Dejounte Murray ainda não está nesse nível, mas tem potencial) e talvez outra estrela para continuar brigando com GSW e Houston no topo do Oeste, mas é difícil enxergar um time tão austero e que pensa dois passos à frente como San Antonio aceitando absorver um contrato grande, a não ser que visse valor real em alguém como Marvin Williams ou Batum, mas me parece improvável com esses contratos. Denver poderia usar um armador que gosta mais de jogar com a bola nas mãos para criar quando o ataque fica estagnado (a franquia ainda sente falta as vezes de Jameer Nelson), mas é um time que lida com suas próprias questões salariais, e uma peculiaridade contratual pode forçar o Nuggets a abrir o cofre por Nikola Jokic um ano antes do fim do seu contrato, já nessa offseason. O Pistons poderia tentar, mas teria que envolver Reggie Jackson no negócio, e dai não faria sentido pro Hornets.

Ainda existe alguns casos a serem feitos (Suns, Knicks, Pacers), mas é difícil imaginar um time que tenha os ativos para oferecer, esteja disposto a absorver salários ruins do Hornets E se beneficie de adquirir um armador indo para seu último ano de contrato. O mais provável hoje parece ser que o Hornets não vai conseguir encontrar um parceiro que preencha todos esses requisitos hoje, o que pode não ser o ideal para o futuro da franquia, mas pode ser uma boa notícia para os torcedores do time – o Hornets sem Kemba é uma das coisas mais duras e tristes de se assistir na NBA.

 

2. Porzingis, regredindo mensalmente

Lembra de outubro, quando Porzingis começou o ano soltando fogo pela boca, anotando 30 pontos toda noite, e enfim parecendo que estava realizando seu potencial como a nova grande superestrela da NBA? Aqueles eram bons dias. Mas as performances de outubro do letão não se sustentaram nos meses seguintes, e uma análise mais próxima dos números de Porzingis revela uma tendência um pouco preocupante:

  • Outubro: 29 ppg, 47,8 FG%, 112 Offensive Rating,
  • Novembro: 24 ppg, 46,1 FG%, 110 Offensive Rating,
  • Dezembro: 22 ppg, 41,2 FG%, 103 Offensive Rating,
  • Janeiro (até aqui): 20 ppg, 40,4 FG%, 96 Offensive Rating.

Isso não é bom. Claro, o Knicks não tem um grande time ao seu redor, a lesão de Tim Hardaway em dezembro certamente não ajudou as coisas (o pick and roll entre Hardaway e Porzingis é uma jogada particularmente letal), e lesões menores podem ter atrapalhado o ritmo e o físico do letão.

Mas não é também como se fosse uma ocorrência pontual na carreira de Porzingis. Suas médias da carreira, via Basketball Reference:

Screen Shot 2018-01-25 at 12.22.58 PM

Basicamente seus números pioram todos os meses e só voltam a subir em Março, que é o garbage time da temporada da NBA. Talvez seja uma questão física, pois Porzingis costuma sempre lidar com pequenas questões de saúde ao longo do ano, mas começou a virar uma tendência incômoda para o Knicks, e começa a levantar dúvidas sobre a capacidade de Porzingis de aguentar e manter a regularidade nas longas temporadas da NBA – e ainda mais nos playoffs.

E também tem o seguinte: por mais talentoso que seja, por mais dominante que consiga ser nas boas noites, Porzingis ainda não tem um jogo ofensivo que seja eficiente para a NBA. Enormes 38% dos seus arremessos vem da área menos eficiente de toda a quadra, a meia distância (entre o garrafão e a linha dos 3 pontos), e não é como se Porzingis fosse um arremessador de grande eficiência como Horford ou Dirk – seu aproveitamento nesses arremessos (39,8%) é basicamente igual à média da NBA (40,1%). A altura e velocidade de arremesso de Porzingis significa que ele consegue soltar seu arremesso por cima de praticamente qualquer defensor, mas Kristaps as vezes parece ficar fascinado demais por isso e se acomodar demais a só dar esses arremessos ao invés de usar seu bom domínio de bola e velocidade para atacar a cesta e jogar mais perto do garrafão.

61% de seus arremessos vem ou da meia distância ou de trâs da linha dos três pontos, com eficiência média, e apenas 17% dos seus arremessos vem ao redor do aro – inadmissível para um jogador com a combinação de altura, domínio de bola, capacidade atlética e agilidade de Porzingis, mesmo dividindo mais tempo do que deveria em quadra com um pivô tradicional que tapa o garrafão (apenas 12% dos minutos de Porzingis no ano vieram sem um pivô junto). Nós frequentemente nos maravilhamos e chamamos Porzingis de unicórnio quando o vemos bater bola na cabeça do garrafão na frente de um pivô desconcertado, mas muitas vezes esses lances acabam com um arremesso contestado longo de 2 pontos, e Porzingis não parece ter desenvolvido (e, as vezes, parece até ter regredido) como passador. Seus rebotes também parecem ter piorado – Porzingis tem o décimo pior aproveitamento em rebotes entre jogadores de 7 feet ou mais na NBA desde 1983 (o pior? Andrea Bargnani).

Isso não é para dizer que Porzingis não seja um jogador muito bom. Ele já é um dos melhores protetores de aro da NBA, liderando a liga em tocos e sendo #3 em FG% dos adversários perto do aro, e está chutando 38,5% de três pontos para um time que precisa e muito desse espaçamento adicional. Um jogador com o tamanho ecapacidade física de Porzingis, capaz de chutar tão bem de três pontos E defender o aro, já seria um ótimo jogador (e muito importante na NBA moderna) em qualquer time do mundo.

Mas a impressão é que alguns fatores ainda estão segurando Porzingis de ser a estrela que promete ser, e muitas vezes são coisas que já deveriam estar se desenvolvendo, ou mesmo já estão dentro do seu alcance desde já. O potencial ainda é imenso e Zingis já é um bom jogador hoje, mas provavelmente não é o jogador dominante que muitos acreditam que ele seja. Seus talentos são inegáveis e as coisas que ele faz bem, faz excepcionalmente bem, mas ainda tem falhas demais que precisam ser corrigidas para que ele e seu time possam atingir seu potencial.

 

3. O pump fake de Jonas Valanciunas

Encontre alguém na sua vida que te ame como Jonas Valanciunas ama o seu pump fake. É impressionante o quanto o pivô do Raptors gosta de usar esse recurso, quer devesse ou não. Se já me deixa maluco, eu não imagino como o torcedor do Raptors se sente quando Valanciunas recebe um bom passe livre em boa posição, e ao invés de imediatamente partir para atacar a cesta, continuar rodando a bola, ou até mesmo arremessar, ele não opta por parar o ataque para fazer um pump fake sem propósito para tentar atrair algum defensor para… alguma coisa. As vezes eu acho que nem o próprio Jonas sabe o que exatamente ele quer com o pump fake – ele só quer fazer o pump fake, e se ele não tivesse 2m10 e uns 150 quilos tenho certeza que algum companheiro já teria dado uma bela bronca no pivô (Valanciunas, claro, não é o único culpado disso – Andrew Wiggins, por exemplo, é outro que vem à mente quando penso em um jogador que recebe uma bola favorável, especialmente na linha dos 3 pontos, e muitas vezes perde segundos preciosos esperando a defesa ou fazendo um pump fake no nada).

Mas é ainda mais incrível o fato de que as pessoas continuam caindo no pump fake do Valanciunas. É quase um truque Jedi a essa altura – todo mundo sabe que ele não vai realmente arremessar, e que você não deve morder, mas todo mundo continua pulando. É insano, mas ano após ano continua acontecendo.

Valanciunas até é um arremessador sólido de meia distância em termos de aproveitamento, mas ele não é de forma alguma um jogador que tenha o volume para merecer uma atenção extra. Seus números arremessando são bons, em parte, porque ele não arremessa muito e só arremessa bolas bem claras – Valanciunas esse ano tem média de um arremesso de meia distância por jogo, e só arremessou 26 bolas de três pontos na carreira inteira (22 esse ano). 85% de seus arremessos vem dentro do garrafão ou perto do aro. Como Valanciunas é alérgico a passar a bola, quando ele recebe o passe em boa posição ele quer pontuar, e o jeito que ele vai fazer isso é indo pra perto da cesta – preparar o arremesso é, na maioria das vezes, uma forma de conseguir o espaço para chegar até onde gosta mais de jogar, no garrafão. E mesmo se ele FOR para o arremesso, ele não vai acertar com aproveitamento suficiente para te castigar, então é um arremesso que você QUER que ele de – especialmente porque isso mantém Valanciunas fora da posição de brigar por rebotes. Você QUER que Valanciunas vá para o chute de meia distância. Isso deveria estar estampado na primeira página do relatório de qualquer time que vai enfrentar o Raptors.

Não importa – os defensores continuam correndo para contestar o arremesso e dando caminho fácil para Valanciunas até o aro. Essa jogada é do ano passado, não desse mas talvez seja a mais famosa vítima desse bizarro pump fake:

Screen Shot 2018-01-25 at 1.07.30 PM.png

Valanciunas recebe a bola no topo do garrafão, e prepara o arremesso. Boban Marjanovic na marcação, com absolutamente ninguém atrás dele, o que significa que ele (como de costume) é a última linha de defesa. Você simplesmente tem que deixar Valanciunas chutar essa bola e pronto. Não existe NENHUM motivo pra tentar contestar esse arremesso.

Screen Shot 2018-01-25 at 1.07.46 PM.png

E mesmo assim, Marjanovic – um jogador que é particularmente grande e lento, e portanto você NÃO quer defendendo em espaço e em movimento – entra em pânico e pula até Valanciunas para contestar o arremesso.

Screen Shot 2018-01-25 at 1.08.00 PM.png

E, claro, Valanciunas aproveita isso para passar por Marjanovic, entrar no garrafão e dar ao gigante sérvio um bom lembrete de que você não devia nunca, NUNCA cair no pump fake de alguém como Valanciunas.

Screen Shot 2018-01-25 at 1.08.08 PM.png

Eu admito que tenho fascinação por jogadores que não são ameaças no arremesso mas continuam fazendo defensores cair no pump fake e gerando cestas fáceis assim – é como se fosse um vendedor que você sabe que está interpretando um papel, mas ele é tão convincente que você continua caindo na dele (outro famoso culpado: Tim Frazier, que arremessa 31,7% de três pontos e 36,4% de meia distância e ainda consegue usar essa arma para passar pela marcação e conseguir arremessos fáceis perto do aro). Eu adoraria saber o que exatamente acontece nesses momentos, e na cabeça dos defensores, para continuar convencendo as pessoas a fazer o que elas já deveriam saber de cor que NÃO é para fazer.

 

4. Tom Thibodeau continua o maníaco dos minutos

O Wolves tem estado muito bem ultimamente, com 14 vitórias e 7 derrotas nos últimos 21 jogos, e as críticas aos (mas ainda razoavelmente numerosos) problemas do time tem acalmado um pouco. Mas ainda existe uma tendência antiga de Tom Thibodeau que continua presente nesse time, continua hilariamente exagerada, e pode estar impedindo esse time mais do que se imagina: os minutos jogados por seus titulares.

Olhar a lista dos jogadores com mais minutos da NBA é particularmente divertido: Andrew Wiggins e Karl Anthony Towns são os dois jogadores que lideram (com alguma folga) a lista, e Jimmy Butler era 4th antes de perder os últimos quatro jogos com uma lesão. Caso você esteja fazendo as contas, 3 dos 4 jogadores com mais minutos jogavam no mesmo time, e isso antes de lembrar que os outros dois titulares de Minny – Taj Gibson e Jeff Teague – jogam ambos 33,7 minutos por jogo.

Em um momento da história da NBA que times são cada vez mais cuidadosos em manejar os minutos e o descanso de seus jogadores, o Wolves é o time que mais depende dos seus titulares num nível até exagerado, e isso se reflete também no uso das rotações: a escalação titular do Wolves jogou incríveis 832 minutos juntos na NBA até o momento, a maior marca da liga por uma margem absurda – nenhum outro conjunto de 5 jogadores jogou mais do que 570 minutos junto. Na verdade, a diferença entre a lineup do Wolves (a mais usada da NBA) e a segunda mais usada da liga é igual à diferença entre a segunda mais usada e a DÉCIMA SEXTA mais usada da NBA, que é a escalação titular do Warriors (agora lembre que Curry, Durant e Draymond Green perderam 40 jogos combinados).

Esse excesso de minutos para os titulares também pode ajudar a explicar outra tendência que prejudicou bastante o Wolves esse ano, especialmente no começo: o Wolves é o segundo pior time de toda a NBA em quartos períodos, e é difícil imaginar que isso não possa ter a ver com o desgaste físico que seus jogadores incorrem ao longo do jogo atuando por tantos minutos (Curiosamente, o único time pior que o Wolves em quartos períodos é o Bucks, que também tem 2 jogadores – Middleton e Giannis – no Top6 de minutos da temporada).

O argumento mais usado pelos defensores do Thibs é que o técnico é obrigado a usar tanto seus titulares por causa do seu banco muito fraco, mas eu tenho minhas dúvidas. O banco do Wolves sem dúvida não é dos melhores, e foi bem mal montado (e quem montou o banco? Tom Thibodeau, claro), mas também não é totalmente inútil –  ele está cheio de jogadores que já se mostraram úteis em outros times ou outros papeis, como Aldrich (foi bem no Clippers), Muhammad (foi bem no Wolves pré-Thibs), Aaron Brooks, Bjelica, Dieng… não é como se não tivesse nada também. A impressão é que o problema de não ter um grande banco está sendo composto pela má forma como o técnico está usando esses jogadores: nenhum é capaz de carregar o banco sozinho, então você precisa de uma boa rotação que permita a esses jogadores se concentrarem no que sabem fazer, enquanto um jogador melhor (um titular) assume o papel maior e carrega o time.

Thibs e o Wolves não fazem isso – eles basicamente juntam todos os titulares em minutos, e contam que o banco vai conseguir se virar sem ajuda, o que é a pior forma de usar esse grupo de role players. A lineup titular do time jogou 832 minutos junta. A segunda mais usada é a mesma escalação com Tyus Jones no lugar de Teague, a titular quando este ultimo machucou, com 283. Nenhuma outra formação jogou mais que 105 minutos junta. Nenhuma formação jogou com Towns OU Butler (os dois melhores jogadores do time e que seriam as melhores opções para ancorar quintetos com mais jogadores vindo do banco) jogou com o banco mais de 55 minutos. Na verdade, 88% dos minutos de Butler vieram ao lado de Towns essa temporada. Seu banco pode ser limitado, mas essa forma de usá-lo não está fazendo nenhum favor a ele, e não vai nunca resolver o problema.

E isso importa no longo prazo? Talvez. Quando técnico de Chicago, os times de Thibodeau esbarravam em dois grandes problemas nos playoffs: o primeiro eram as lesões, e embora parte disso seja realmente aleatório e fora do controle do time (em especial a situação de Rose) a altíssima carga de minutos para jogadores como Noah e Butler pode ter contribuído para as múltiplas lesões recorrentes que esses jogadores tiveram ao longo do tempo. E o segundo problema é que Chicago era um time que chega na pós-temporada e simplesmente não tinha uma nova marcha para atingir, em parte por já jogar em alta intensidade o ano todo, e em parte por que o time chegava em Abril sem perna mais, pelo enorme desgaste da temporada, e costumava sofrer para acompanhar a correria e intensidade de times mais descansados. Ambos problemas podem estar em parte relacionados pela quantidade insana de minutos que Thibs usava seus principais jogadores.

Isso, claro, não quer dizer que o mesmo vá acontecer com o Timberwolves. Mas é um problema que vale a pena monitorar, especialmente agora que a briga do time passou a ser na parte de cima da tabela do Oeste, um lugar onde a margem de erro para os times é muito, muito pequena.

2 comments

  1. Bom artigo, Vitor. Agora, você não acreditaria que o Kemba Walker encaixaria muito bem, num cenário ideal, nos Pelicans? Quero dizer, você teria um quinteto titular extremamente lotado com jogadores capazes de fazer a diferença, mas a adição interessante q isso traria seria um balanço na rotação do time, quem sabe Kemba conseguisse fazer um duo interessante com Boogie e evitar a queda acentuada do time quando Davis não está.

    Quanto a questão de uma possível realização financeira eu não faço ideia, mas acredito q o Pelicans não teria ativos que agradariam aos Hornets que não envolva a troca de uma das twins towers.

    Noutro assunto completamente diverso e bem menos pretensioso: Brady já entrou, pra você, na lista do GOAT da posição? Lembro q vc defendia muito o caso do Joe Cool, mas a partir desse cenário atual, acha q já existe um caso a favor de Brady? Eu particularmente tenho dúvidas se ele foi o melhor QB da geração…

    Like

    • Obrigado!
      Olha, no papel eu entendo o apelo do Kemba no Pelicans, mas salarialmente é quase impossível acontecer, especialmente se o Hornets quiser mandar outro contrato junto – o Pelicans teria que mandar o Jrue Holiday em troca, e acho que um contrato de 5 anos tão alto é a ultima coisa que Charlotte quer no momento. Por mais que KEmba no Pelicans seja legal no papel, na prática não vejo como a troca sria possível – especialmente com o Holiday jogando tão bem no momento.

      Sobre os QBs, eu falei sobre isso num podcast recentemente – basicamente ue acho que o Brady não é o QB mais talentoso, o MELHOR individualmente que a gente já viu (Rodgers eu acho melhor no sentido puro da palavra, por exemplo), mas a carreira do Brady e suas conquistas são inigualáveis. Ai depnde muito do que voce considera para alguém ser o GOAT. Melhor? Não acho. Maior? Ai realmente fica difícil discutir, especialmente se levar o sexto anel.

      Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s