Um prêmio alternativo de MVP

NFL MVP

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Eu não lembro qual foi a última corrida pelo MVP na NFL que pareceu tão melancólica quanto a de 2017. As discussões estão muito quietas, despertando pouco interesse. O que, em certo momento, parecia uma discussão interessante e apertada foi perdendo vários de seus principais agentes conformes muitas lesões e circunstâncias adversas eliminaram um a um os nomes que poderiam tornar essa uma disputa interessante.

No final, quase todo mundo foi sendo “eliminado” da corrida como se fosse um Big Brother maluco, e sobrou praticamente apenas um candidato quase por default: Tom Brady, de novo. E não se enganem, Tom Brady vai ganhar o prêmio de MVP desse ano. E, claro, será um vencedor merecido: Brady teve mais uma temporada incrível (aos 40 anos), foi provavelmente o melhor quarterback da NFL na temporada, o melhor jogador do melhor ataque da liga E do time de melhor campanha (empatado) da liga. Não tem nada de errado com ele vencer esse prêmio, é o jogador que merece ganhar.

Mas isso pode ser verdade e, ao mesmo tempo, ser verdade que esse prêmio deixa um gosto amargo na boca. Todo mundo que poderia disputar esse prêmio, tirando Brady e talvez Todd Gurley, caiu fora da disputa por lesões, e não é como se Brady estivesse ganhando o troféu com uma das suas grandes temporadas – na verdade seus números são os piores desde a temporada 2013 (ou 2014, dependendo de quais números você olha).

Isso não quer dizer que seja uma temporada ruim, é claro – Brady é um dos maiores, talvez O maior, QBs de todos os tempos, e mesmo uma temporada abaixo da sua média é uma excelente temporada para um jogador normal. Brady merece o prêmio de MVP. Mas isso não é excludente do simples fato de que, em uma temporada onde os principais candidatos ao troféu foram caindo por lesões, ver Tom Brady ganhando o prêmio com uma temporada que não se destaca entre seu (absurdo) currículo deixa um certo sentimento de anticlímax nesse prêmio de MVP.

Então se essa acabou se tornando uma corrida de um homem só por default, me veio a seguinte pergunta: o que aconteceria com o prêmio se a gente eliminasse esse um homem? Quem ganharia o MVP?

Alguém me perguntou quando eu propus essa ideia se isso não era a mesma coisa que discutir quem são os próximos colocados na briga pelo MVP, mas na verdade são duas coisas bem diferentes, por dois motivos.

O primeiro é que a narrativa SEMPRE vai ter grande impacto na corrida pelo MVP, e como Tom Brady esteve no centro dessas narrativas durante todo o ano (por ser TOM BRADY e tudo mais) isso impediu que outros quarterbacks tivessem a SUA história ou narrativa contada. Sem Brady, isso teria sido diferente, e teria afetado a corrida pelo MVP de outra maneira.

O segundo motivo é que Brady lança uma sombra enorme sobre qualquer outro QB candidato que aparecer na conversa. Como Brady foi considerado o melhor QB da temporada, qualquer outro jogador da posição SEMPRE vai ter aquilo de “Mas ele não foi o melhor da posição” ou “não foi tão bom quanto Tom Brady” pra atrapalhar sua candidatura. O que, novamente, não acontece se Tom Brady não existisse.

Então é isso que eu vou fazer agora: vamos simplesmente evaporar Tom Brady, fingir que ele não existiu, e dar uma olhada quem nesse cenário estaria brigando pelo prêmio de MVP – e quem efetivamente ficaria com o troféu. E, para deixar claro, não vou olhar para quem DEVERIA ganhar o prêmio de MVP nem para quem seria meu candidato, quero olhar para quem ganharia de fato o prêmio, pensando nos critérios usados pelos votantes. 

(E um lembrete, caso você tenha esquecido: o prêmio de MVP vale apenas para a temporada regular, então nenhuma referência aos playoffs entra na conversa)

Precisam ser citados na conversa, mas sem chance

Rob Gronkowski, TE, New England Patriots

Gronkowski é amplamente considerado (com razão) o melhor TE da NFL, e sua performance dominando um jogo decisivo contra o Steelers (incluindo uma das mais dominantes sequências que eu vi em toda minha vida de NFL) virou cabeças o suficiente para que Gronk ganhasse algum buzz na busca pelo MVP, especialmente sem Tom Brady para ofuscá-lo em New England (e sim, eu sei que tirar Brady da existência iria afetar de alguma forma Gronk e a temporada do Pats, mas não vamos ficar técnicos demais aqui). Quando quer e está engajado, Gronkowski é o jogador mais imparável da NFL e mostrou isso na Semana 15.

Mas para um não-QB ganhar esse prêmio ele precisa se destacar muito mais, e com uma temporada muito superior, sobre os demais jogadores da sua posição, e por mais que Gronk seja talvez o melhor tight end da história da NFL essa não foi uma temporada particularmente dominante para o camisa 87 – foi apenas sua sexta temporada com mais touchdowns, e a quarta com mais jardas. Ainda é uma excelente temporada, é claro, mas será que da pra dizer que sua temporada (69 recepções – nice! – 1084 jardas e 8 TDs) foi tão melhor assim do que a de Travis Kelce (83 recepções, 1038 jardas, 8 TDs jogando com um QB inferior)? Gronk simplesmente não se destacou o suficiente esse ano para entrar na discussão.

Le’Veon Bell, RB, Pittsburgh Steelers

O mesmo problema de Gronkowski: por mais que Bell seja considerado amplamente o melhor RB da NFL, é difícil argumentar que Bell teve a melhor temporada entre jogadores da sua posição, especialmente com uma vantagem e dominação suficiente para entrar na discussão de um prêmio que por natureza favorece tanto quarterbacks. Todd Gurley ficou na frente de Bell em jardas, touchdowns (por uma boa margem) e basicamente qualquer métrica de eficiência existente (DVOA, DYAR, jardas por corrida, você escolhe). Sua versatilidade e capacidade de alinhar como WR é parte importante do sucesso do Steelers, e seus números bons o suficiente pra ser lembrado na conversa, mas não teria chance na disputa.

Drew Brees, QB, New Orleans Saints

Precisa ser incluído por causa dos seus números (Brees liderou a liga em aproveitamento E jardas por passe, e foi #4 em jardas aéreas), mas esse foi o ano em que Brees pareceu dar uma leve decaída em seu jogo, assumindo um papel menor em relação aos ótimos running backs do seu time, e muito de seus números vem de grandes ganhos conseguidos depois de recepções em passes laterais por parte de seus RBs (em especial Kamara). Ainda muito bom, mas não tão bom quanto seus números indicam (como contam estatísticas mais avançadas como QBR), e tende a ser um pouco ofuscado pelo jogo terrestre.

Alex Smith, QB, Kansas City Chiefs

Teria sido um candidato sério se não fosse a péssima sequência do Chiefs no meio da temporada, que custou uma seed melhor para Kansas City e fez muita gente (estupidamente) pedir que Smith fosse colocado no banco.

Essa narrativa (que infelizmente conta muito no prêmio de MVP, e portanto tira Smith do páreo) fez as pessoas não perceberem que Alex Smith teve a melhor temporada da sua vida, superando o vencedor “real” do prêmio Tom Brady (e basicamente o resto da NFL inteira) em aproveitamento, jardas por passe, jardas ajustadas por passe (liderou a NFL), interceptações (liderou a NFL), passer rating (liderou a NFL), rating em passes em profundidade (liderou a NFL), além de ficar no Top10 tanto em DVOA como QBR e liderar o quarto melhor ataque da liga. Uma pena e uma vergonha que a temporada histórica de Alex Smith tenha ficado enterrada por causa da imagem prévia que tínhamos dele, que não nos permitiu reconhecer o que o camisa 11 fez essa temporada, e infelizmente tira ele da briga pelo MVP.

(Caso você esteja curioso, a comparação head-to-head:

  • Brady: 66,3%, 7.9 jardas por passe, 8.4 jardas ajustadas por passe, 32 TDs, 8 INTs, 102,8 Rating, 28 jardas terrestres.
  • Smith: 67,5%, 8.0 jardas por passe, 8.6 jardas ajustadas por passe, 27 TDs, 5 INTs, 104,7 Rating, 355 jardas terrestres.

Acho que ninguém no mundo argumentaria que Smith é ou foi melhor que Brady, mas bem impressionante, não é mesmo?)

Russell Wilson, QB, Seattle Seahawks

Não seria incluído na conversa pois não consigo enxergar um jogador fora dos playoffs levando esse prêmio, mas seria uma pena, porque Wilson fez tudo que pode o ano inteiro para salvar um time do Seahawks destruído por lesões. Mesmo jogando sem linha ofensiva, com a defesa inteira dizimada por lesões (no jogo contra Jacksonville o time tinha literalmente UM jogador titular atrás da linha defensiva, Earl Thomas), Wilson liderou a liga em touchdowns, somou 4.569 jardas totais (apenas 36 a menos que Tom Brady, lider da NFL), e basicamente carregou nas costas um time que milagrosamente ainda chegou na Semana 17 com chances de playoffs.

Essa foi possivelmente uma das temporadas individuais mais impressionantes de 2017, e é difícil imaginar um QB mais “valioso” para o seu time no sentido literal do termo do que Wilson esse ano, mas a queda de performance do time e as lesões na defesa mataram as chances de Wilson de ganhar o prêmio.

As temporadas incompletas

Antonio Brown, WR, Pittsburgh Steelers
Carson Wentz, QB, Philadelphia Eagles

Lesões nas semanas 14 (Wentz) e 15 (Brown) custaram a esses dois jogadores seu legítimo lugar no topo das conversas do MVP esse ano, e se não se machucassem seriam os dois jogadores que teriam uma chance real de tirar de Brady o prêmio de MVP dessa temporada. No nosso mundo sem Brady os dois jogadores não vão ter suas lesões apagadas, claro, mas isso levanta a questão: sem a figura dominante de Brady no topo da conversa, será que um desses poderia ganhar o prêmio mesmo com uma temporada de apenas 13 jogos?

No caso de Brown, a resposta provavelmente é não – já é difícil demais para um não-QB vencer o prêmio de MVP (e um WR NUNCA ganhou o troféu) com uma temporada completa, que dirá perdendo 3 jogos. Brown ainda finalizou o ano liderando a NFL em jardas recebidas com 1533 e é amplamente considerado o melhor WR da liga, mas a história nos ensina que para um não-QB ganhar o prêmio ele precisa ter algum número histórico ou atingir uma marca específica que ganhe o interesse dos votantes (como Adrian Peterson atingindo 2000 jardas e ficando a 8 de quebrar o recorde da NFL).

Brown não fez isso… mas poderia ter feito caso ficasse saudável. O camisa 84 teve 1509 jardas recebidas no ano antes da sua lesão (desconsiderando o jogo incompleto contra New England), e precisava de 455 nos seus últimos três jogos para bater a marca de Calvin Johnson como a melhor da história da NFL. Isso significaria 152 jardas por jogo de média, o que seria bem difícil considerado que Brown lidera a NFL com 116 jardas por jogo, mas não é o tipo de coisa que você colocaria além das possibilidades de Brown, também – o recebedor do Steelers tem 12 jogos na carreira acima dessa marca, e sete com 180+. Com jogos contra os vulneráveis Texans e Browns pela frente, a chance existia, e se concretizada, Brown teria boas chances de ganhar o prêmio com ou sem Tom Brady. Como as coisas ficaram, vai infelizmente ter que se contentar com menção honrosa.

Carson Wentz era considerado O favorito para ganhar esse prêmio depois de 13 rodadas, até chegar a notícia do ACL rompido que o tirou do resto do ano. Wentz liderava a liga em touchdowns, QBR, e era 5th em DVOA quando se machucou, conduzindo um excelente ataque do Eagles, que era claramente o melhor time da NFL até aquele ponto.

Wentz possivelmente se beneficiou um pouco da questão da narrativa aumentando sua performance – seu aproveitamento foi de apenas 60,2% e suas 7.5 jardas por passe foram apenas a 13th melhor marca da liga – mas ele era o jogador chave do melhor time da liga, e estava jogando um futebol americano de estrela. A narrativa estava toda a seu favor até a lesão, e o fato de que Wentz ainda conseguiu ganhar a divisão (e encerrar o jogo com o ACL rompido) e posicionar o Eagles para a #1 seed da NFC certamente adiciona um algo a mais à sua candidatura.

O atual segundo colocado

Todd Gurley, RB, Los Angeles Rams

Se existe um jogador que ainda aparece nas conversas para MVP junto de Brady é Todd Gurley. Sim, é muito mais um “quem é o segundo colocado?” do que necessariamente uma chance real de vencer o prêmio, mas hoje em teoria ele seria o herdeiro de Tom Brady. E não é para menos: Gurley foi o melhor jogador de um ataque que foi do que menos pontuou ano passado para o que mais pontuou na NFL nessa temporada, e fez isso liderando todos os jogadores em jardas (2093) e touchdowns (19), totalizando 788 jardas recebendo passes,  sendo o terceiro corredor mais eficiente da NFL em jardas por corrida (mínimo de 180 corridas), destravando uma nova dimensão para o explosivo ataque do Rams… e tudo isso com um jogo a menos (descansou na Semana 17).

Sendo então Gurley o melhor RB do ano e considerado por muitos a única concorrência de Tom Brady ao prêmio de MVP, isso significa que ele seria o favorito ao prêmio em um mundo sem Tom Brady?

Eu não estou inteiramente convencido de que seja tão simples. Esse é um prêmio de QBs. Simplesmente é. O único RB nos últimos 10 anos a ser MVP foi Adrian Peterson, que teve 700 jardas a mais que Gurley e ficou a 8 de quebrar o recorde histórico da liga. Então existe uma diferença entre ser o melhor não-QB candidato ao prêmio (que Gurley é) e ser o favorito geral ao prêmio, e a presença de Tom Brady muda inteiramente a história. Com Brady sendo o parâmetro pro “melhor QB do ano”, é mais fácil você colocar todos os QBs abaixo e considerar que Gurley é quem está mais perto desse parâmetro de excelência. Sem Brady, eu não acho que Gurley entraria necessariamente no topo por default – a NFL iria procurar outro QB pra ser o parâmetro de excelência da temporada, e seria contra ELE que Gurley seria mensurado a partir de agora, com todo o peso de “ser um quarterback” ainda ativo a seu favor. Então eu não acho que Gurley ser o melhor não-Brady na corrida pelo MVP hoje faria dele necessariamente o líder de um mundo sem ele.

(Interessante pensar também se, nesse mundo sem Brady, Todd Gurley teria jogado em uma Semana 17 que nada valia para o Rams a fim de inflar suas estatísticas e melhorar suas chances.)

Ao invés disso, o que precisamos nos perguntar (e segure a pergunta mais um pouco) é se Gurley fez o suficiente para ganhar o prêmio de MVP contra uma “nova” concorrência dos jogadores da posição. Ou seja, além de Wentz…

Os quarterbacks “esquecidos”

Jared Goff, QB, Los Angeles Rams

Lembra quando eu falei que Gurley foi o melhor jogador do ataque que mais pontuou na NFL? Goff foi o quarterback desse ataque, e sua transformação de um dos piores QBs da temporada 2016 para um dos melhores em 2017 merecia receber mais atenção. Mas acabou sendo uma história ofuscada pela ascenção de seu colega de Draft, Carson Wentz, e pelo fato de que o crédito pela mudança do Rams da água para o vinho acabou indo para outros nomes – especificamente Gurley e o técnico Sean McVay.

Mas Goff teve uma temporada fantástica por mérito próprio (62,1%, 8.0 jardas por passe, 28 TDs, 7 INTs, 6th em DVOA), e sem Brady e um Wentz se machucando, como foi dito, a NFL iria começar a buscar os outros QBs para concorrerem ao prêmio de MVP, e Goff parece alguém que apareceria nessa busca, tendo sua história mais contada e sua grande temporada mais reconhecida. Os méritos de McVay e Gurley ainda ofuscariam o segundo-anista, e portanto muitos dos seus votos acabariam sendo direcionados para Gurley, mas é um nome forte que teve uma excelente temporada e cuja narrativa teria espaço para crescer no nosso cenário hipotético.

Case Keenum, QB, Minnesota Vikings

É inacreditável, para mim, que não se esteja falando muito mais sobre a temporada que Case Keenum teve. Se você quiser olhar além de Tom Brady para o melhor quarterback da temporada, este provavelmente é Case Keenum. Desde que assumiu a titularidade com a lesão de Sam Bradford, Keenum completou 67% dos seus passes (#2 na NFL), teve 7.4 jardas por passe, 22 TDs, 7 interceptações, liderou a NFL inteira em DVOA e ficou apenas atrás de Wentz em QBR.

E não é como se Keenum não tivesse uma ótima história a ser contada: durante anos sendo um dos piores QBs da NFL, Keenum foi forçado a entrar de titular para um Vikings que estava sem suas duas primeiras opções na posição, Sam Bradford (machucado na Semana 1) e Teddy Bridgewater (se recuperando de uma lesão de 2016). Muita gente descartava a sobrevivência do Vikings por muito tempo sem os dois, sendo forçado a contar com o camisa 7… até que Keenum entrou, jogou como um QB Top5 da NFL, levou o Vikings à melhor campanha da liga e um #2 seed, e fez de Minnesota um dos mais fortes candidatos ao título. Todo mundo esperava o momento que as rodinhas iriam sair e Keenum ia voltar ao “normal”, e Keenum continuou jogando como MVP e o Vikings continuou ganhando.

Então por que motivo, afinal, Keenum não está recebendo mais atenção? Ele tem as grandes atuações, os números, o sucesso coletivo, e a história incrível a ser contada. Provavelmente é aquele caso onde nossa percepção anterior sobre um jogador nos impede de ver o que está acontecendo diante dos nossos olhos, mas em um mundo sem Tom Brady e um enorme vácuo entre QBs na discussão para MVP depois da Semana 14, eu acredito que finalmente Keenum ganharia a atenção que merece, e mais pessoas perceberiam que o QB de Minnesota está jogando como um jogador Top3, Top5 da posição para um dos melhores times da NFL. E, se fosse uma coluna sobre como EU votaria, Case Keenum teria o meu voto de MVP nesse mundo onde Tom Brady não existia.

Mas a coluna não é sobre meu voto, é sobre como eu enxergo que a NFL conduziria esse prêmio. Então chegamos ao…

Veredito final

A primeira questão (como já discutida) é se Todd Gurley, um RB, vai vencer sobre os QBs que se apresentarem como os novos “parâmetros” da posição. Querendo ou não, quarterbacks sempre terão uma vantagem imensa sobre jogadores de outra posição, e muitas vezes um não-QB vencendo o prêmio não se trata apenas do jogador ser melhor do que o quarterback A ou B, e sim se o não-QB (ou seja, no caso, RB) fez o suficiente pra “transcender” a questão da posição.

O que a história nos ensina é que, para um RB ganhar o prêmio de MVP, não basta ele ser melhor do que o resto dos jogadores da posição, mas ele precisa atingir algum patamar histórico, algum recorde ou marca estatística que “diferencie” sua candidatura, e esse atingimento que é usado muitas vezes para reconhecer que a temporada de um jogador transcendeu posições (de novo, pense em Adrian Peterson atingindo 2000 jardas e quase quebrando o recorde).

E esse é o problema com a candidatura de Gurley: ele foi o melhor RB do ano, teve uma excelente performance, mas não realmente atingiu nenhum patamar diferenciado que lhe permita “quebrar” a questão das posições. Gurley ficou BEM longe de atingir as 2000 jardas terrestres, suas 2093 jardas totais ficam apenas 45th na história da NFL para uma temporada, e empatado para 25th em touchdowns. Foi uma grande temporada para 2017, mas para você ganhar MVP sendo um não-QB você também precisa ter uma grande temporada por uma perspectiva histórica, e Gurley não chegou lá esse ano.

Então isso nos leva de volta aos quarterbacks, e por mais que meu voto pessoal ficasse com Keenum, eu acho que o prêmio ficaria nas mãos de Carson Wentz.

Wentz foi o favorito durante praticamente toda a temporada, quem esteve em evidência e foi discutindo continuamente durante tanto tempo que sua imagem e a do prêmio ficaram quase dissociáveis, ao ponto de que boa parte das menções ao provável MVP de Tom Brady vem também com uma menção à lesão do QB do Eagles. Sua história estava em todos os lugares, e embora a ausência de Brady fosse abrir espaço para outros jogadores (em especial Goff e Keenum) receberem mais atenção da mídia e dos fãs, Wentz ainda teria o espaço durante a vasta maioria do ano, e não sei se essas três semanas finais (uma delas a semana final, onde nenhum dos seus concorrentes estava nos holofotes e dois deles não jogaram) seriam suficientes para reverter essa impressão inicial.

O maior peso contra Wentz não ser mais um forte candidato ao MVP no mundo real são os três jogos perdidos e o quanto isso representa da temporada, mas sem um outro candidato tão forte quanto Brady (e com o nome e narrativas de Brady), isso provavelmente pesaria menos contra Wentz – especialmente considerando que muitos dos seus maiores concorrentes nesse cenário (Brown, Goff, Keenum e Gurley) também perderam pelo menos um jogo, e em uma temporada de 16 jogos, a diferença entre “três jogos a menos” e “dois jogos a menos” é bem significativa. E o fato de Wentz ter se machucado apenas depois de ter garantido a vaga nos playoffs, a vitória na divisão, e encaminhado o time para um #1 seed também ajudaria a relativizar o quanto esses jogos perdidos realmente atrapalhou o Eagles.

Então se Wentz perdeu o prêmio na vida real por causa da sua lesão na semana 14, pelo menos aqui no nosso cenário sem Tom Brady o segundo-anista do Eagles leva para casa seu primeiro troféu de MVP.

Vencedor do MVP Alternativo: Carson Wentz, QB, Philadelphia Eagles.

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